BAFÃO EM BRASÍLIA: “Advogado tem direito à palavra”, diz ministro Marco Aurélio sobre expulsão de defensor de Genoino da tribuna do STF. “Sequer a ditadura militar chegou tão longe”, diz Conselho Federal da OAB sobre atitude de Joaquim Barbosa. Advogado Luis Francisco Corrêa criticou o fato de nenhum dos presentes ter dado voz de prisão ao presidente do STF, que praticou o crime de abuso de autoridade.

 O ministro Marco Aurélio disse ter considerado o episódio "péssimo". "Eu completo dentro de dois dias 24 anos no Supremo. Eu nunca vi uma situação parecida."

O ministro Marco Aurélio disse ter considerado o episódio “péssimo”. “Eu completo dentro de dois dias 24 anos no Supremo. Eu nunca vi uma situação parecida.”

O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, comentou a expulsão do advogado Luiz Fernando Pacheco, que defende o ex-deputado José Genoino na Ação Penal 470, da tribuna do STF. O advogado tomou a palavra, nesta quarta-feira (11/6), para pedir que o ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF e relator da AP 470, trouxesse o pedido de prisão domiciliar de Genoino à votação no Plenário. Diante da insistência, Barbosa cortou o som do microfone do advogado e ordenou que seguranças o retirassem do tribunal.

Marco Aurélio afirmou ao canal GloboNews que o Supremo está submetido ao princípio da legalidade e que a lei que estabeleceu o Estatuto da Advocacia dá ao advogado o direito à palavra. “Eu completo, dentro de dois dias, 24 anos no Supremo. Nunca vi uma situação parecida. O regime é um regime essencialmente democrático. E o advogado tem, como estatuto, e estamos submetidos ao princípio da legalidade, o direito à palavra”, disse.

O ministro também recomendou que o processo a que o advogado se referiu em sua intervenção seja trazido imediatamente a julgamento pelo Plenário. Luiz Fernando Pacheco sustentou, da tribuna, que seu cliente está doente e é réu preso. Genoino está detido no presídio da Papuda, em Brasília, desde maio. A Procuradoria-Geral da República emitiu, há uma semana, parecer favorável à prisão domiciliar. Desde então, aguarda-se que Joaquim Barbosa paute o processo.

“Eu não sou censor do colega. Agora, eu creio que o ministro Joaquim Barbosa deveria — e eu julgo os outros por mim, eu faria isso — trazer imediatamente esses Agravos. Acima de qualquer um dos integrantes do Supremo está o Plenário, como órgão democrático”, afirmou.

Ainda segundo a reportagem da GloboNews, Joaquim Barbosa deve processar criminalmente o advogado de Genoino pelo que considerou ameaças ditas por Pacheco. No vídeo abaixo é possível ouvir o advogado dizer ao ministro, após o desligamento do microfone da tribuna e em meio aos seguranças: “Se vier segurança eu pegarei Vossa Excelência também por abuso de autoridade”, dando a entender que iria processar o ministro após ser afastado à força.

“Hoje, na sessão plenária, ocorreu um episódio gravíssimo que considero uma ofensa, um atentado ao Poder Judiciário brasileiro. O advogado do senhor José Genoino fez ameaças à pessoa do presidente do Supremo Tribunal Federal”, disse Joaquim Barbosa em vídeo gravado e divulgado nesta noite pelo Jornal Nacional, da rede Globo.

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RETIRADO DA TRIBUNA
Advogados criticam Barbosa por ter expulsado defensor de Genoino

Após o ministro Joaquim Barbosa ter ordenado que seguranças tirassem, à força, um advogado que ocupava a tribuna do Supremo Tribunal Federal, membros da advocacia definiram como, no mínimo, inadequada a conduta do presidente da corte.

Luiz Fernando Pacheco, que defende o ex-presidente do PT José Genoino, reclamava da demora na análise de pedido para que seu cliente, condenado na Ação Penal 470, volte à prisão domiciliar. O microfone em que ele falava já havia sido cortado quando o advogado foi retirado do local.

Em nota, a diretoria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil declarou que o ministro “traiu seu compromisso ao desrespeitar o advogado na tribuna da suprema corte” e disse que estudará formas de obter reparação pela “agressão ao Estado de Direito e ao livre exercício profissional”. O presidente do STF não é intocável e deve dar as devidas explicações à advocacia brasileira, afirma o texto.

O Instituto de Defesa do Direito de Defesa também se manifestou em nota assinada por seu presidente, Augusto de Arruda Botelho, que disse ser lamentável “a postura do Excelentíssimo Presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, que calou a palavra de advogado que postulava legitimamente questão das mais caras ao Estado Democrático de Direito: a prioridade na apreciação, pelo colegiado da corte, de pedido de comprovada urgência.” Segundo a entidade, a atitude “arbitrária e autoritária” de Barbosa mostra “o desprezo do ministro pelo sagrado exercício do direto de defesa e o desrespeito à figura do advogado”.

O criminalista Fábio Toffic Simantob avalia que Pacheco tinha o direito de levantar questão de ordem para a apreciação de um agravo que ainda não foi pautado mesmo com parecer favorável do Ministério Público Federal e mesmo envolvendo réu preso e doente. “Pacheco disse o que muito advogado está querendo dizer na defesa de direito urgente e justo, mas às vezes não tem coragem. Ele em momento algum desrespeitou o ministro e não deveria ter tido a palavra cassada.”

Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que já fez críticas abertas sobre o ministro, disse que Barbosa agora “se superou na truculência e no autoritarismo após determinar a retirada de um advogado da tribuna, espaço sagrada da defesa”. Segundo ele, o uso da força física para “calar a defesa da liberdade” só é adotado por quem não tem respeito por operadores do Direito.

O advogado José Luis Oliveira Lima (foto), defensor do ex-ministro José Dirceu na Ação Penal 470, declarou que “o presidente do STF, mais uma vez, demonstrou a sua intolerância com o debate técnico, desrespeitando um advogado que estava exercendo de maneira legítima a defesa dos direitos do seu cliente”.

Essa também é a opinião do presidente do Movimento de Defesa da Advocacia, Marcelo Knopfelmacher. “A atitude do ministro Joaquim Barbosa revela absoluta e inaceitável violação às prerrogativas de um advogado no seu legítimo exercício profissional, atitude essa que merece o mais profundo repúdio de toda a comunidade jurídica”, afirma.

“Nem nos anos de chumbo os advogados que militaram nos tribunais militares foram submetidos a um espetáculo degradante e humilhante como esse”, afirmou o presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros, Técio Lins e Silva. “Trata-se de uma página lamentável da Justiça brasileira e uma mancha insuportável na historia do Supremo Tribunal Federal.”

“O ministro Joaquim Barbosa ofende o princípio da colegialidade ao não levar o agravos da AP 470 para o Plenário. O advogado Luiz Fernando Pacheco agiu dentro de suas prerrogativas e com justa indignação”, defendeu o advogado Rodrigo Dall’Acqua.

O criminalista Alberto Zacharias Toron (foto) classifica como “lamentável” a atitude de Joaquim Barbosa. “E não é só por ter retirado manu militari o reconhecido profissional da advocacia da tribuna; é também por não colocar em mesa para julgamento os agravos que questionam suas decisões monocráticas que levaram ao regime fechado quem deveria estar trabalhando no semiaberto ou neste quem deveria estar em casa se recuperando da enfermidade”, completa.

O advogado Pierpaolo Cruz Bottini acrescenta: “O presidente do Supremo deve perceber que nada acontece por acaso. O episódio apenas confirma que quem semeia vento colhe sempre tempestade”.

Luiz Francisco Corrêa Barbosa, advogado de outro réu na Ação Penal 470 — o ex-presidente do PTB, Roberto Jefferson — escreveu artigo em que diz que “ao revés de cassar-lhe [do advogado] a palavra e, na renitência, dar-lhe voz de prisão em flagrante por delito de desobediência, o presidente [Joaquim Barbosa] acabou por praticar o crime, também de ação penal pública incondicionada, de abuso de autoridade (Lei nº 4898/65, art. 3º, j), determinando à segurança do tribunal que retirasse o advogado da corte”. Ele criticou o fato de nenhum dos presentes ter dado voz de prisão ao presidente do STF.

Na última terça-feira (10/6), Barbosa já havia sido alvo de duras críticas da advocacia durante sessão de desagravo público em favor do advogado José Gerardo Grossi, que segundo a OAB do Distrito Federal foi ofendido pelo presidente do STF depois de oferecer emprego em seu escritório a Dirceu. Grossi disse que o novo comportamento do ministro é “lastimável” e “deplorável”. “A pessoa que tem autoridade não precisa adotar práticas como essa para exercê-la”, afirmou.

Barbosa divulgou nota, pela assessoria de imprensa do Supremo, alegando que o advogado Pacheco teria agido “de modo violento”.

Leia abaixo a nota do IAB:

NOTA DE REPÚDIO

O Instituto dos Advogados Brasileiros, por aclamação, na sessão plenária realizada nesta data, adere integralmente à manifestação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e, igualmente, repudia o comportamento atrabiliário do Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Joaquim Barbosa, pela forma desrespeitosa com que cassou a palavra de um advogado no pleno exercício de sua atividade profissional, retirando-o à força do Plenário da Suprema Corte.

Este lamentável episódio, sem precedentes nem mesmo nos períodos mais obscuros da história de nosso País, macula a magistratura nacional e merece a devida reparação à advocacia e a toda sociedade brasileira.

Rio de Janeiro, 11 de junho de 2014.

Técio Lins e Silva
Presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros

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VEJA A REPORTAGEM DO JORNAL NACIONAL SOBRE O ABUSO DE AUTORIDADE DE JOAQUIM BARBOSA

http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-nacional/v/advogado-tenta-interromper-sessao-do-stf-e-e-retirado/3410505/

 
“Sequer a ditadura militar chegou tão longe”, diz OAB sobre Joaquim Barbosa1040
Do UOL, em Brasília

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) condenou nesta quarta-feira (11) a atitude do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, de expulsar o advogado do petista José Genoino do plenário e disse que “sequer a ditadura militar chegou tão longe no que se refere ao exercício da advocacia”.

Em nota, a diretoria do Conselho Federal da OAB afirma que a entidade vai estudar medidas judiciais contra Barbosa. “O presidente do STF não é intocável e deve dar as devidas explicações à advocacia brasileira”, diz o texto.

No início da sessão de hoje, o advogado Luiz Fernando Pacheco subiu à tribuna para pedir que a Corte julgasse recurso para que o petista cumpra pena em casa.

Barbosa, então, discutiu com Pacheco e pediu que se retirasse. Diante da insistência de Pacheco, determinou aos seguranças do tribunal que o removessem do local.

A atitude de Barbosa gerou reações dentro do próprio STF. O ministro Marco Aurélio disse ter considerado o episódio “péssimo”. “Eu completo dentro de dois dias 24 anos no Supremo. Eu nunca vi uma situação parecida.”

Em outro embate entre o ministro Joaquim Barbosa e a categoria dos advogados, a seccional da OAB no Distrito Federal realizou na noite de terça (10) um ato de desagravo público em favor do advogado José Gerardo Grossi, que defende o ex-ministro José Dirceu, também condenado no julgamento do mensalão.

Para a entidade, Barbosa ofendeu Grossi ao rejeitar autorização para que Dirceu deixe a cadeia durante o dia para trabalhar dizendo que a proposta de emprego seria uma “mera action de complaisance entre copains”, ou seja, um arranjo entre amigos.

Leia a íntegra da nota de repúdio à expulsão do advogado de Genoino:

“A diretoria do Conselho Federal da OAB repudia de forma veemente a atitude do presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, que expulsou da tribuna do tribunal e pôs para fora da sessão mediante coação por segurança o advogado Luiz Fernando Pacheco, que apresentava uma questão de ordem, no limite da sua atuação profissional, nos termos da lei 8.906. O advogado é inviolável no exercício da profissão. O presidente do STF, que jurou cumprir a Carta Federal, traiu seu compromisso ao desrespeitar o advogado na tribuna da Suprema Corte. Sequer a ditadura militar chegou tão longe no que se refere ao exercício da advocacia. A OAB Nacional estudará as diversas formas de obter a reparação por essa agressão ao Estado de direito e ao livre exercício profissional. O presidente do STF não é intocável e deve dar as devidas explicações à advocacia brasileira.

Diretoria do Conselho Federal da OAB

Brasília, 11 de junho de 2014″

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PACHECO: ‘NÃO BEBO! JÁ JB VIVE NUM PORRE SECO’

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Advogado Luiz Fernando Pacheco rebate nota divulgada pela assessoria de imprensa da Corte com relato de suposto segurança do STF sobre sua expulsão: “Repudio veementemente, até porque todos que me conhecem sabem: não bebo, rigidamente, não bebo! E desafio quem quer que seja a demonstrar o contrário. Fiz o que fiz na maior sobriedade e faria de novo quando e onde se mostra-se a tirania. Joaquim Barbosa, ainda que sóbrio, vive num porre seco”

 

 

Por Miguel do Rosário, do Cafezinho

Tentando salvar algum pedaço de Joaquim Barbosa, a mídia produziu notícias e, sobretudo, títulos, que tentam associar a postura do advogado de Genoíno a uma suposta embriaguez. Fonte? Um servidor anônimo do STF. Provavelmente um esbirro de Joaquim Barbosa.

Jogo sujo. É nisso que terminou esta lamentável Ação Penal 470. Com o presidente do STF patrocinando uma violência inédita contra um advogado, depois de ter feito o mesmo com vários de seus pares, por conta de simples discordâncias, e se recusando, criminosamente, a trazer ao plenário a discussão sobre os direitos dos réus do mensalão.

Com essas postergações, Barbosa joga o trabalho externo de Dirceu para meados de agosto. E atrasa indefinidamente o direito de Genoíno de cumprir prisão domiciliar, onde poderá tratar de sua saúde ao lado de seus familiares.

Resposta de Luiz Fernando Pacheco, ao Globo:

“Questionado sobre as alegações, Pacheco negou que estivesse embriagado, através de uma mensagem de celular. “Repudio veementemente, até porque todos que me conhecem sabem: não bebo, rigidamente, não bebo! E desafio quem quer que seja a demonstrar o contrário. Fiz o que fiz na maior sobriedade e faria de novo quando e onde se mostra-se a tirania. Joaquim Barbosa, ainda que sóbrio, vive num porre seco”, respondeu o advogado do ex-deputado ao GLOBO.”

Observe as manchetes da grande mídia. Todas tentando um assassinato básico de reputação de Pacheco. Todos dando manchete à depoimento ”anônimo” do esbirro de Barbosa, ao invés de mencionar, na capa, a resposta de Pacheco.
Um presidente do STF deveria ter desempenho discreto, reservado, promover a paz e a harmonia entre os poderes. Barbosa faz o contrário. Tumultua o país, cria mal estar, inspira uma atmosfera de violência e intolerância, sempre.

Já o advogado de Genoíno, Luiz Fernando Pacheco, nunca esteve embriagado. Ele está, isso sim, tomado de profunda indignação, porque se tratava, naquele momento, de defender não apenas os direitos de seu cliente, mas a própria vida de Genoíno, além da vida de sua família, que também vive um pesadelo

 

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JB RECEBE O QUE MERECE: REPÚDIO DA SOCIEDADE

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Instituto dos Advogados Brasileiros, presidido por Técio Lins e Silva, emitiu nota de repúdio contra a atitude do ministro Joaquim Barbosa, que nesta quarta (11) expulsou do plenário do STF, com uso de segurança, o advogado Luiz Fernando Pacheco, que faz a defesa de José Genoino; de acordo com o presidente do IAB, Técio Lins e Silva, “trata-se de uma página lamentável da Justiça brasileira e uma mancha insuportável na história do Supremo Tribunal Federal”; entidades e advogados das mais variadas áreas também criticaram atitude de Barbosa

 

 

247 – “Nem dos anos de chumbo, os advogados que militaram nos tribunais militares foram submetidos a um espetáculo degradante e humilhante como esse”. Assim se manifestou o presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Técio Lins e Silva, contra a atitude do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, que nesta quarta-feira (11) expulsou do plenário do STF, com uso de segurança, o advogado Luiz Fernando Pacheco.

De acordo com o presidente do IAB, Técio Lins e Silva, “trata-se de uma página lamentável da Justiça brasileira e uma mancha insuportável na historia do Supremo Tribunal Federal”. Em sessão ordinária, na noite desta quarta-feira, o IAB manifestou seu repúdio por meio da seguinte nota:

NOTA DE REPÚDIO

O Instituto dos Advogados Brasileiros, por aclamação, na sessão plenária realizada nesta data, adere integralmente à manifestação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e, igualmente, repudia o comportamento atrabiliário do Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Joaquim Barbosa, pela forma desrespeitosa com que cassou a palavra de um advogado no pleno exercício de sua atividade profissional, retirando-o a força do Plenário da Suprema Corte.

Este lamentável episódio, sem precedentes nem mesmo nos períodos mais obscuros da história de nosso país, macula a magistratura nacional e merece a devida reparação à advocacia e a toda sociedade brasileira.

Rio de Janeiro, 11 de junho de 2014.

Técio Lins e Silva
Presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros

Abaixo matéria da Conjur:

Advogados criticam Barbosa por ter expulsado defensor de Genoino

Após o ministro Joaquim Barbosa ter ordenado que seguranças tirassem, à força, um advogado que ocupava a tribuna do Supremo Tribunal Federal, membros da advocacia definiram como, no mínimo, inadequada a conduta do presidente da corte.

Luiz Fernando Pacheco, que defende o ex-presidente do PT José Genoino, reclamava da demora na análise de pedido para que seu cliente, condenado na Ação Penal 470, volte à prisão domiciliar. O microfone em que ele falava já havia sido cortado quando o advogado foi retirado do local.

Em nota, a diretoria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil declarou que o ministro “traiu seu compromisso ao desrespeitar o advogado na tribuna da suprema corte” e disse que estudará formas de obter reparação pela “agressão ao Estado de Direito e ao livre exercício profissional”. O presidente do STF não é intocável e deve dar as devidas explicações à advocacia brasileira, afirma o texto.

O Instituto de Defesa do Direito de Defesa também se manifestou em nota assinada por seu presidente, Augusto de Arruda Botelho, que disse ser lamentável “a postura do Excelentíssimo Presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, que calou a palavra de advogado que postulava legitimamente questão das mais caras ao Estado Democrático de Direito: a prioridade na apreciação, pelo colegiado da corte, de pedido de comprovada urgência.” Segundo a entidade, a atitude “arbitrária e autoritária” de Barbosa mostra “o desprezo do ministro pelo sagrado exercício do direto de defesa e o desrespeito à figura do advogado”.

O criminalista Fábio Toffic Simantob avalia que Pacheco tinha o direito de levantar questão de ordem para a apreciação de um agravo que ainda não foi pautado mesmo com parecer favorável do Ministério Público Federal e mesmo envolvendo réu preso e doente. “Pacheco disse o que muito advogado está querendo dizer na defesa de direito urgente e justo, mas às vezes não tem coragem. Ele em momento algum desrespeitou o ministro e não deveria ter tido a palavra cassada.”

Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que já fez críticas abertas sobre o ministro, disse que Barbosa agora “se superou na truculência e no autoritarismo após determinar a retirada de um advogado da tribuna, espaço sagrada da defesa”. Segundo ele, o uso da força física para “calar a defesa da liberdade” só é adotado por quem não tem respeito por operadores do Direito.

O advogado José Luis Oliveira Lima (foto), defensor do ex-ministro José Dirceu na Ação Penal 470, declarou que “o presidente do STF, mais uma vez, demonstrou a sua intolerância com o debate técnico, desrespeitando um advogado que estava exercendo de maneira legítima a defesa dos direitos do seu cliente”.

Essa também é a opinião do presidente do Movimento de Defesa da Advocacia, Marcelo Knopfelmacher. “A atitude do ministro Joaquim Barbosa revela absoluta e inaceitável violação às prerrogativas de um advogado no seu legítimo exercício profissional, atitude essa que merece o mais profundo repúdio de toda a comunidade jurídica”, afirma.

“Nem nos anos de chumbo os advogados que militaram nos tribunais militares foram submetidos a um espetáculo degradante e humilhante como esse”, afirmou o presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros, Técio Lins e Silva. “Trata-se de uma página lamentável da Justiça brasileira e uma mancha insuportável na historia do Supremo Tribunal Federal.”

“O ministro Joaquim Barbosa ofende o princípio da colegialidade ao não levar o agravos da AP 470 para o Plenário. O advogado Luiz Fernando Pacheco agiu dentro de suas prerrogativas e com justa indignação”, defendeu o advogado Rodrigo Dall’Acqua.

O criminalista Alberto Zacharias Toron (foto) classifica como “lamentável” a atitude de Joaquim Barbosa. “E não é só por ter retirado manu militari o reconhecido profissional da advocacia da tribuna; é também por não colocar em mesa para julgamento os agravos que questionam suas decisões monocráticas que levaram ao regime fechado quem deveria estar trabalhando no semiaberto ou neste quem deveria estar em casa se recuperando da enfermidade”, completa.

O advogado Pierpaolo Cruz Bottini acrescenta: “O presidente do Supremo deve perceber que nada acontece por acaso. O episódio apenas confirma que quem semeia vento colhe sempre tempestade”.

Luiz Francisco Corrêa Barbosa, advogado de outro réu na Ação Penal 470 — o ex-presidente do PTB, Roberto Jefferson — escreveu artigo em que diz que “ao revés de cassar-lhe [do advogado] a palavra e, na renitência, dar-lhe voz de prisão em flagrante por delito de desobediência, o presidente [Joaquim Barbosa] acabou por praticar o crime, também de ação penal pública incondicionada, de abuso de autoridade (Lei nº 4898/65, art. 3º, j), determinando à segurança do tribunal que retirasse o advogado da corte”. Ele criticou o fato de nenhum dos presentes ter dado voz de prisão ao presidente do STF.

Na última terça-feira (10/6), Barbosa já havia sido alvo de duras críticas da advocacia durante sessão de desagravo público em favor do advogado José Gerardo Grossi, que segundo a OAB do Distrito Federal foi ofendido pelo presidente do STF depois de oferecer emprego em seu escritório a Dirceu. Grossi disse que o novo comportamento do ministro é “lastimável” e “deplorável”. “A pessoa que tem autoridade não precisa adotar práticas como essa para exercê-la”, afirmou.

Barbosa divulgou nota, pela assessoria de imprensa do Supremo, alegando que o advogado Pacheco teria agido “de modo violento”.

19 Comentários

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  1. - IP 191.179.132.43 - Responder

    O advogado é que não soube se portar. mal educado, grosseiro e áspero…se tivesse mais técnica, equilíbrio e oratória não teria cometido essa gafe…mostrou que é um despreparado. Se eu fosse cliente dele dispensava na hora.

  2. - IP 189.10.74.210 - Responder

    DATA MAXIMA VENIA. O QUE CUSTARIA AO TODO PODEROSO RESPONDER AO TAMBEM TODO PODEROSO ADVOGADO? ESQUECERAM-SE TODOS DE QUE NÃO EXISTE HIERARQUIA ENTRE ADVOGADOS E ENTRE JUIZES, DESEMBAGADORES E MINISTROS? E O MNISTRO RASGOU O ESTATUTO DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL E O DIREITO CONSTITUCIONAL DA ABORDAR QUESTÃO DE ORDEM. O NOBRE ADVOGADO TOMU ESTA MEDIDADE DESESPERDORA EM RPOL DE SEU ADVOGADO PORQUE O MINISTRO FALACIOSO ( TENHO COMO PROVAR) NAO RECEBE ADVOGADOS. QUER SER ESCONDER DO DOUTO MNISTRO, FIQUE DENTRO DE SEU GABINETE. E A OAB AO QUE VEIO AFINAL? SOMENTE COBRAR ANUIDADES? PORQUE NÃO PROCESSA AO MINISTRO POR COAÇÃO, COERÇÃO, DIMAÇÃO E INJURIA? É OR ISTO QUE ENCONTRO VARIOS ADVOGADOS CABISBAIXOS PELOS CORREDORES DO FORUM E DO TRIBUNAL. OUTRO DIA ENCONTREI UM EX NOBRE DESEMBARGADOR NA SAIDA DO TRIBUNAL,NO ESTACIINAMENTO E ELE ESTAVA CHORANDO. ISTO MESMO CHORANDO. POR TER SIDO DESTRATADO POR UM (A) DESEMBARGADOR(A). INFELIZ COMENTARIO DA SENHORA ANA LUCIA. INFELIZ A NOTA DA OAB QUE NÃO ACIONOU CRIMINALMENTE AO MINISTRO. DR RUY GONÇALVES. 81236216 96698525

  3. - IP 189.73.210.136 - Responder

    O Ministro Barbosa, completamente derrotado, sai do STF pelas portas do fundo, deixando atrás de si um mal cheiro característico no ar. Sua Excelência, com sua incontinência, constrange a Nação e desmoraliza a Corte Suprema. O Plenário tem o dever de devolver o País ao Estado de Direito, assegurando os princípios sob os quais foi erigida a Constituição da República.

  4. - IP 189.59.38.211 - Responder

    As imagens dizem por si,só faltava essa,ADVOGADO querendo pautar a Suprema Côrte do país.E tem gente que acha que estava certo de dedo em riste achando que quem estava lá não era o Presidente,era um “cumpanheiro” que tinha obrigação de atender o mal-educado!

  5. - IP 179.254.47.39 - Responder

    …..ANA VC FALOU TUDO E MAIS UM POUCO….ADVOGADO DESEQUILIBRADO QUERIA LEVAR NO GRITO….VC TEM O APOIO DA NAÇAO DOUTOR JOAQUIM….AINDA ACREDITAMOS NO JUDICIARIO POR TER PESSOAS COMO O SENHOR ….

  6. - IP 189.59.61.166 - Responder

    Faço das palavras do Ministro Joaquim Barbosa as minhas, Quem está abusando de autoridade é Vossa Excelência. A República não pertence a Vossa Excelência, nem à sua grei (grupo).
    O Brasil está tão desacreditado que necessitaríamos duns 200 Excelentíssimos Ministros Joaquim Barbosa!

  7. - IP 189.87.159.24 - Responder

    Enock. Eu acho engraçado você defender esses cabras do mensalão. Os caras não são melhores que os outros criminosos. Se todo preso doente fosse para casa as cadeias estariam vazias. Não importa o quanto de bom eles já fizeram no período da ditadura. Como eles erraram devem ser penalizados. Se for assim eu poderia roubar e depois para escapar da pena eu poderia alegar que muitas vezes ajudei pessoas.

  8. - IP 201.88.229.43 - Responder

    Ontem, foi com um advogado de um petista, hoje não se sabe, mas, amanha, com certeza, em nome de um pseudo bem comum, será o cidadão de bem….

    Totalitarismo, tô fora!

  9. - IP 189.87.159.24 - Responder

    Dr. Ruy Gonçalves… aprenda a escrever primeiro para poder criticar… Senhor Ministro Parabéns… STF não é Galinheiro, não estava em pauta…. é por ai….

  10. - IP 177.193.173.159 - Responder

    Como sempre o Ministro Joaquim Barbosa, mostra-se despreparado para o cargo que exerce. Usando do poder de Presidente da mais alta corte do país (STF) de forma autoritária, expulsou o advogado Luiz Fernando, pelo simples fato do mesmo cobrar direitos. Direitos estes, que são regularmente ignorados pelo senhor ministro. Agindo de forma autoritária, vingativa e temperamental. Para aqueles que defendem tal estilo, fiquem atentos, pois, justiça se faz com imparcialidade e não com o fígado! Como disse o senhor Botelho, hoje foi com o advogado do Genoino, amanhã poderá ser com qualquer cidadão.

  11. - IP 189.87.159.24 - Responder

    Soletre comigo Sapato – SA – Sá, PA – Pá, TO – Tô…. C A R Ç A D O …..

  12. - IP 189.87.159.24 - Responder

    O Sr. Advogado tem o direito de pedir…ponto…!!! mas não tem o direito de cobrar…. tudo tem sua hora…
    tem que ser respeitado o estado de direito… cada um de nós olhamos apenas o nosso …. e o deles nunca…
    pense comigo… imagina se todos fizessem isso… não foi dado a palavra, e sim cobrado uma resposta imediata e irresponsavel… o caso já foi julgado… e po ai vai… entendeu… toda ação à uma reação….

  13. - IP 189.87.159.25 - Responder

    Não defendo o Min. Joaquim Barbosa e nem o Advogado que foi a plenária criar o factóide. Entretanto, imagine os senhores que um advogado ingresse numa sala de audiência de uma vara qualquer, no momento e que o Juiz, outros advogados, partes etc. realizam um ato processual solene, e, dedo em riste, exija deselegantemente do Juiz que ele julgue esse ou aquele processo ou se proponha a ensinar ao juiz o que é e o que não é processo urgente. Definitivamente a magistratura tornou-se uma profissão de risco! A banana está a comer o macaco e o poste está a urinar no cachorro. Não aprovo a atitude do Ministro, até porque o Advogado, sabendo do temperamento forte dele, planejou e executou o factóide, e o Ministro caiu direitinho. Na posição do Ministro Barbosa eu simplemente deixaria o Advogado falar o quanto quizesse e ao final lhe indagaria simplesmente se ele permitiria ou não que o Supremo Tribunal Federal continuasse sua sessão de julgamento. Na verdade, tudo coisa de republiqueta de terceira categoria!

  14. - IP 177.64.230.181 - Responder

    com o ministro enrolando, enrolando, durante diversos dias a apreciação do recurso proposto pelo advogado, eis que o advogado foi à tribuna com alguma raiva mas atuando na defesa de seu cliente genoino. para azar dele, lá estava o truculento joaquin barbosa, vergonha nacional. deu no que deu. mais um papelão

    • - IP 189.59.38.211 - Responder

      A torta ,sempre fica no lado torto da vida!

  15. - IP 179.254.47.39 - Responder

    ……ESTES QUE CRITICAM O DR JOAQUIM BARBOSA SAO AQUELES DEIVERIAM SEREM DUROS COM A BANDIDAGEM QUE ASSOLA O PAIS….BANDO DE INESCRUELPULOSOS….QUALQUER CRIANÇA PERCEBE A DESELEGANCIA DESTE SUJEITO QUE ACHA QUE PODE USAR DA TRIBUNA PARA UMA AUTORIDADE MAXIMA DA JUSTIÇA….SUJEITINHO INESCRUPULOSO….SO DEVERIA ESTAR BEBADO MESMO….E AINDA VEM MINISTRO METER A COLHER ONDE NAO FOI CHAMADO DANDO OPINIAO……PARABENS DOUTOR JOAQUIM BARBOSA SENHOR EXPRESSA A OPINIAO DE MAIS DA METADE DESTE PAIS….O SENHOR NOS ENCHE DE ORGULHO….

  16. - IP 179.216.195.238 - Responder

    O problema é que o advogado quis pinçar um dentre os milhares de processos aguardando pauta no supremo. Entre eles muitos criminais, em situação idêntica ao do Genoíno. Então, infelizmente, com as mazelas do sistema, temos de ter em mente que dar tratamento diferenciado a este ou aquele é errado. No final das contas, tenho de concordar com o JB. Como sempre, temos de colocar mais esse problema na conta do congresso, que se omite em melhorar o sistema judiciário brasileiro, por meio de leis.

  17. - IP 177.203.2.127 - Responder

    O “devogado” do CRIMINOSO PETISTA CONDENADO conseguiu o que queria . Foi um bom plano; certamente arquitetado pelas mentes corruPTas dos petralhas, para assim querer atacar novamene o ministro Joaquim Barbosa. Em qualquer fórum , de qualquer currutela brasileira , se um advogado desequilibrado como esse ,invadisse um tribunal de forma açodada com essa, ele seria expulso da mesma forma , e a tal OAB nada faria. Esse ódio todo ao ministro , só reflete como pensa essa gentalha defensora de corruPTos .
    Acordem seus parvos , isso tem cara de coisa armada .
    E essa OAB , acha que é o que ? Dona da justiça.
    Bah!

  18. - IP 187.4.82.196 - Responder

    Ministro Joaquim Barbosa, porque não JOAQUIM, como todo brasileiro gostaria de chama-lo, e dizer que PARABÉNS MINISTRO, NÃO PODE DEIXAR ALGUNS FIGURÕES LEVAR NO TAPETÃO, E PENSAR QUE POE MEDO OU MANDAM EM ALGUNS DOS MEMBROS DOS STF. continue assim, e terá o apoio dos brasileiros.

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