Apenas 30% das ruas são arborizadas. Cuiabá que é conhecida como ‘Cidade Verde’ sofre com a falta de árvores nas ruas e avenidas

Na Cuiabá que se ressente tanto da falta do verde, as obras do Residencial Bonavita, que avançaram sobre o Parque Masairo Okmaura, no bairro Bela Vista, acabaram sendo legalizadas pela própria Prefeitura, com um ajuste no Código de Postura que imobilizou o Ministério Público Estadual que chegou a conseguir, na Justiça, do então juiz do Meio Ambiente, José Zuquim, decisão para derrubada parcial dos imóveis.

Na Cuiabá que se ressente tanto da falta do verde, as obras do Residencial Bonavita, que avançaram sobre o Parque Masairo Okmaura, no bairro Bela Vista, acabaram sendo legalizadas pela própria Prefeitura, com um ajuste no Código de Postura que imobilizou o Ministério Público Estadual que chegou a conseguir, na Justiça, do então juiz do Meio Ambiente, José Zuquim, decisão para derrubada parcial dos imóveis.

CIDADE VERDE

Apenas 30% das ruas são arborizadas

Geraldo Tavares/DC
Árvore cortada na Capital: a cidade, que é conhecida por sua alta temperatura, sofre com a falta de arborização nas vias públicas

JOANICE DE DEUS
DIÁRIO DE CUIABÁ

Apenas 30% das ruas de Cuiabá são devidamente arborizadas. O cálculo é do engenheiro florestal, Ronaldo da Costa Marques, técnico do Departamento de Parques e Jardins, ligado à prefeitura. A pouca arborização é resultado das inúmeras obras particulares, como edifícios, e públicas, como as da Copa do Mundo de 2014, que resultam na grande retirada de árvores, fazendo com que a cidade perca o título de cidade verde.

“Cuiabá tem bairros e ruas com grandes trechos sem nenhuma árvore”, comentou. Como exemplo, ele cita a Avenida Historiador Rubens de Mendonça (CPA) e bairros, como o Santa Helena e o Araés. “O que acontece é que as pessoas retiram a árvore e não repõem. Quando plantam são árvores que logo têm que ser retiradas”, comentou.

Marques lembra que para a construção das pontes inauguradas recentemente pelo Governo do Estado, nos bairros Jardim das Palmeiras e no Coophema, foram erradicadas cerca de 800 árvores e não houve o replantio de novas mudas nos locais. “Fizeram a obra e não replantaram. Inauguraram sem nenhuma árvore e cadê a fiscalização da Prefeitura, do Governo e do Ministério Público, que não viu isso ai”, criticou.

Para o engenheiro, o problema também é reflexo da falta fiscalização. “Se dermos uma olhada nenhum empresário quer plantar árvore porque eles acham que atrapalha a calçada e o negócio deles. Então, falta uma fiscalização mais rígida no sentido de impedir o corte (irregular) e para cobrar o replantio. Tem que ser obrigado a replantar”, frisou. “Tem que ter um acompanhamento sério, ter uma equipe só para fiscalização”, acrescentou.

Outro ponto importante, segundo ele, é a falta de planejamento. “Falta um projeto sério de arborização urbana, que envolve planejamento que é o principal fator para se ter o sucesso. Sem isso, não se tem os benefícios apropriados, ou seja, se planta uma árvore que logo depois terá que ser retirada porque não foi feito o planejamento correto”, acrescentou.

Marques reconhece que a responsabilidade é do Horto Florestal, onde está localizado o Departamento de Parques e Jardins. Porém, ele é enfático ao dizer que falta vontade política. Além disso, a prefeitura carece de equipes técnicas de arborização urbana. “Teria que ter no mínimo quatro equipes e não tem nenhuma perspectiva de concurso”.

Com exceção da retirada de árvores feita por conta das obras do VLT, não há um levantamento sobre a quantia de árvores derrubadas por conta de obras públicas ou privadas nos últimos anos na cidade. Ao longo dos dois eixos por onde devem passar os trilhos do VLT, 2.384 plantas entre nativas, exóticas e frutíferas foram erradicadas. Como medida mitigadora, 266 foram replantadas em rotatórias e outros pontos da cidade, além da doação de aproximadamente 10 mil mudas para o Horto Florestal Municipal.

 

Parque Morro da Luz, no centro de Cuiabá: o verde resiste, no coração da capital de Mato Grosso. foto de Marcos Vergueiro

Parque Morro da Luz, no centro de Cuiabá: o verde resiste, no coração da capital de Mato Grosso. foto de Marcos Vergueiro

 

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