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Antes Arte do Nunca

THEO CHARBEL É UM SHOW – Agora, com o cabelo curto e tingido de blonde, com 21 anos, Theo solta a voz, no comando da guitarra, usando asas estraçalhadas, como um anjo caído, cantando músicas autorais acompanhada de seus parceiros de música que formam a banda “Theo Charbel e os Piratas do Cerrado”. Neste sábado (18), ela e suas parceiras são atrações no Festival Cerrado Music, em Cuiabá

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Antes Arte do Nunca

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Essa garota é um show
“Theo Charbel e os Piradas do Cerrado” é baita atração no Festival Cerrado Music
BEATRIZ SATURNINO E ENOCK CAVALCANTI
DC ILUSTRADO – DIÁRIO DE CUIABÁ
Nascida em uma família de músicos, em meio a artistas, Theodora Charbel acompanha a arte desde a barriga de sua mãe, Glenda Balbino, que tem teoria musical, e o pai, Capilé Charbel, que é músico e traz a veia punk desde as bandas GTW e BR-364, culminando com criativa explosão do Caximir.
Agora, com o cabelo curto e tingido de blonde, com 21 anos, Theo solta a voz, no comando da guitarra, usando asas estraçalhadas, como um anjo caído, cantando músicas autorais acompanhada de seus parceiros de música que formam a banda “Theo Charbel e os Piratas do Cerrado”. Neste sábado (18), ela e suas parceiras são atrações no Festival Cerrado Music, no Sesi Park.
A intimidade com a música e o estilo punk familiar com certeza influenciaram na formação de Theo que, antes dos cinco anos de idade, já passeava pelas rotas do som. Ela cresceu em meio ao estúdio do pai, onde conviveu com a bateria, o piano, o teclado, o violão, a guitarra e a viola caipira. Foi assim que sua criativa personalidade se formou.
Sem contar a família de músicos, houveram também outras personalidades, amigos de seus pais, que frequentavam a sua casa e hoje são referências no circuito cultural mato-grossense, no Brasil e até mesmo fora do país, que atuaram como referências culturais para Theodora. Personalidades como os artistas plásticos Clovis Irigaray e Adir Sodré, os garotos da banda Vanguart e a crítica de arte Aline Figueiredo.
Então, o punk esteve sempre foi presente na composição de Theo, que começou cedo, aos 11 anos, a ler e pensar mais sobre esta vertente cultural e social bem marcante.
Lugar não havia para a criação. Ela inventava tanto nota, quanto música em toda parte a que seu caminho lhe permitia ir, seja em casa, na escola, ou enquanto estava na casa de amigos.
Também não tinha hora para dar o estalo da composição, que continua a fluir da mesma forma.
“Falam que componho muito em inglês, mas prefiro deixar a música como a inspiração chegou até mim, sem traduzir. E assim também acontece com o português”, complementa Theo.
E, por falar nisso, nesta nova fase musical, Theo apresenta mais músicas em português, algumas em espanhol, diferentemente do primeiro álbum, em que das nove músicas apenas uma aparecia em português. Tristeza e alegria se mesclam nestas composições, que seguem se multiplicando na caminhada musical da jovem cantora e compositora.
O novo álbum agora vem com uma pegada do samba, groove e psicodelia, fazendo uma mistura de ritmos, pois as músicas são progressivas.
O segundo CD deve ser lançado no final do ano de 2015, com 10 músicas também autorais.
Voltando a falar do punk, ele foi um dos únicos gêneros que não veio do modismo, ou seja, surgiu do nada, como uma ideologia em forma de poesia, subversivo, onde tratava temas que ninguém expunha sua opinião.
Com muita ironia, falando de feridas de que ninguém quer falar, as letras de Theo Charbel trazem assuntos não explorados e ela diz que ainda é preciso fazer e falar muita coisa.
E é desta forma que Theo compõe suas canções e a melodia sempre sai primeiro que a letra. Geralmente em tons de mi ou lá e, a partir disto vai criando as escalas maiores, que são as músicas mais felizes, e as menores, com uma introspecção.
Ela particularmente gosta das mais agitadas, de sentir a vibração e energia que vem do público e que, segundo Theo, é uma das melhores coisas que se sente quando se está em um palco.
“Uma das melhores coisas que já senti é ver a galera se agitar. Eles dançam, pulam, tem roda punk e invadem o palco. É muito bom!”, festeja a líder dos Piratas do Cerrado.
Ela diz que a banda conseguiu criar um público inesperado, formado por uma geração mais velha, o que revela o reconhecimento do conteúdo e por toda a história que Theo carrega do pai.
Por isso o nome do grupo também acompanha o peso e o talento nato da garota. O nome Pirata por carregar a simbologia da palavra, tem a ver com a cultura livre na internet. Ou seja, para qualquer um ouvir, de qualquer lugar do mundo.
Com a finalidade de valorizar o local em que nasceu, o nome Cerrado é também atrelado ao grupo, que pretende partir para os grandes eixos do cenário de música independente, como os estados de São Paulo e Minas Gerais, além de cidades como Goiânia (GO) e Brasília.
Por enquanto o circuito de shows dos Piratas do Cerrado segue pelo interior de Mato Grosso, que tem um público carente de rock.
Concluindo um curso de Rádio e TV, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Theodora diz que ainda não é possível viver de rock. Mantém uma loja de camisetas personalizadas, onde também desenha e cria frases junto da mãe, para consumo de quem busca alternativas na vida cultural cuiabana.
Nem ela e nem as demais integrantes da banda, composta por Isadora Pinotti (21), no contrabaixo, e Karol Kafy (23), na bateria, se sustentam do trabalho musical. Todas tem seu trabalho, fora dos palcos. Os cachês são investidos no grupo, em viagens, equipamentos e ensaios.
“Em Cuiabá, a banda para sobreviver de shows tem que explorar novos lugares e públicos, fazer parcerias e conhecer bandas de outras cidades e estilos diferentes para fazer um intercâmbio musical. Eu não acredito em incentivo tanto pelos governos do município quanto pelo Estado”, explica Theo.
Theo Charbel e os Piratas do Cerrado já tem um ano de estrada, que completou em dezembro do ano passado, quando foi lançado o único disco até o momento, produzido com a ajuda paterna de Capilé Charbel.
“Nós tentamos lançar o disco por incentivo de um edital do município, mas não fomos contemplados. O que eu já vi acontecer quando se abrem esses editais para incentivo é que ou já estão escolhidos ou são selecionados por amigos”, desabafa a artista, crítica do processo.
Ela diz que Cuiabá foi invadida por covers novamente, depois do projeto Fora do Eixo na cidade, que agora se concentra em São Paulo. Houve um uns cinco anos de apagão da produção no cenário da música independente e ela acredita que, agora, acontece um novo despertar.
Os próprios músicos começaram a tocar em espaços públicos, como a praça da Mandioca, para divulgar seu trabalho autoral e neste sábado acontece o Festival Cerrado Music, no Sesi Park, oportunizando a retomada do cenário de música independente.
O projeto tem como objetivo reconquistar o espaço do rock cuiabano na agenda cultural do Estado, com a participação da Theo Charbel e os Piratas do Cerrado e outros grupos, como os Imitáveis, Rirous, Billy Brown e o Incrível Magro de Bigodes e a nacional Cachorro Grande.
Theodora garante que este sábado será mais um dia para um grande show de sua banda. Quem comparecer ao Sesi Park não vai se arrepender, sugere.

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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

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Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

Leia Também:  CINEASTA ANNA MUYLAERT, diretora de "Que horas ela volta?" conta, em entrevista, o processo de elaboração do filme que está colocando o dedo na ferida das relações entre empregadas domésticas e patrões no Brasil. "Eu acho que os homens estão muito fragilizados perante as mulheres atualmente. Acho que as mulheres estão muito fortes. Eu, por exemplo, sou cineasta e criei dois filhos sozinha. Trabalhei com os meus dois braços, enquanto boa parte dos homens trabalha com um braço só, já que chegam em casa e dormem" - diz.

Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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