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CUIABÁ

Antes Arte do Nunca

Lançamento de Arte do Violino, com Fernando Pereira, acontece em Cuiabá dia 9. Sinop, Nova Mutum e Roo também receberão apresentações e oficinas gratuitas

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Antes Arte do Nunca

Fernando Pereira



Circulação leva música Clássica para o interior de Mato Grosso
Lançamento do projeto Arte do Violino acontece dia 9 em Cuiabá. Sinop, Nova Mutum e Rondonópolis também recebem apresentações e oficinas gratuitas

O Projeto a “A arte do violino – repertório brasileiro para violino solo” inicia no próximo dia 9 de março sua circulação pela capital e municípios do interior do estado. A iniciativa foi contemplada pelo Edital Circula MT, da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso, e além das apresentações, oferecerá também, oficinas gratuitas. O projeto tem a proposição de democratizar a música erudita brasileira por meio de cinco concertos, gravação, e quatro oficinas de formação técnica, disponíveis de forma totalmente gratuitas em quatro cidades distintas de Mato Grosso.
A iniciativa é do Professor e Coordenador do Projeto Boca Musical, Fernando Pereira, que aceitou o desafio de circular pelo estado, visto que as atividades serão realizadas em Cuiabá, Nova Mutum, Sinop e Rondonópolis. A apresentação é composta por Cameratas, solos de violinos e músicas tocadas em quartetos. Fernando explica que alguns desses músicos são alunos de um projeto maior da Boca Musical, que prevê a capacitação de novos músicos e a participação de alguns deles neste trabalho, já é a apresentação de resultados concretos: “ao participar dessa iniciativa, nossos alunos demonstram que tiveram um aprendizado concreto, rompendo com um estigma de que escolas de música não ultrapassam a etapa inicial do aprendizado. No Boca Musical a ideia é que os nossos alunos se tornem profissionais e para isso também vislumbramos as possibilidades da prática”.
Sobre a Arte do Violino, o professor explica: “O Projeto possui nome semelhante à obra pedagógica em 4 volumes “arte do violino” do músico alemão Carl Flesh (1873-1944). A semelhança do nome não é mera coincidência na medida em que, tal como o violinista alemão do começo do século XX, tenho buscado, uma sistematização em torno de um programa de formação e difusão cultural em sua proposta pedagógica e artística que desenvolva o ensino e a performance não só ao violino, mas aos instrumentos de cordas inerentes à sua família – viola clássica e violoncelo – no estado de Mato Grosso”. Com orgulho, Fernando Pereira conta também que a Circulação apresenta um repertorio brasileiro.” Marcos Salles (1885 – 1965), de formação paraense, ao lado do mineiro Flausino Valle (1894-1954), foi responsável por uma literatura especificamente violinistica brasileira. Buscando sonoridades típicas e descritivas, com sons em caráter de viola caipira e até mesmo de percussão, ambos, embora de formação quase que totalmente autodidata, moldaram as sonoridades à realidade de um país até então em construção em sua cultura na música de concerto. Pedro Huff (1977), por outro lado, natural de Porto Alegre, professor pela Universidade Federal de Pernambuco, mesmo que violoncelista, possui em suas transcrições para o violino um interessante contorno nacional em seus caráter timbristico, que por outro meio, combinam-se na estruturação da forma musical em si em uma interessante síntese de improviso e formas das danças populares, que neste projeto serão apresentados no frevo e milonga”, finaliza ele. A Circulação tem também o apoio local de Dracma Moveis, Cia Sinfônica, Instituto Federal de Educação/Rondonópolis, Escola de ingles Fisk, Prefeitura de Sinop, deputado Dilmar Dal Bosco, Prefeitura de Nova Mutum, Associação dos Músicos de MT e A casa do parque.
A primeira apresentação, que também é o lançamento do projeto, acontece no dia 9 de março as 19h30 no espaço Boca de Arte em Cuiabá e será aberta ao público em geral, em especial aos moradores do bairro Araés, onde o espaço está localizado. A apresentação no local faz parte da contrapartida social do projeto. “É um prazer e um desafio trazer até nossos vizinhos um trabalho tão grandioso como esse”, explica Magna Domingos, gestora do espaço Boca de Artes. No dia 15 de março, às 20h, Nova Mutum recebe o projeto. Após a passagem por Nova Mutum, o grupo retorna à Cuiabá e no dia 16 realiza a apresentação na Casa Cuiabana, espaço que também sedia as oficinas do projeto durante o ano. No dia 17 de março, será a vez de Rondonópolis receber o grupo e a apresentação se realizará no Centro Cultural Casario, às 20hs, e a oficina de formação ser a no Instituto Federal de MT – campus de Rondonópolis, no dia 6 de abril. Sinop prestigia a Arte do Violino, com a oficina ocorrendo na Escola Municipal de Artes Viviane Maria Malheiros Dal Berto no 14 de abril e a apresentação será realizada no dia 23 de março, às 20hs no Centro de Eventos Dante de Oliveira. No dia 13 de abril, o Centro de Sustentabilidade do Sebrae em Cuiabá, será palco para o encerramento das atividades.
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Oficinas gratuitas
A Oficina tem o objetivo de realizar a formação básica da técnica ao violino e terá 6h de capacitação técnica para até 60 alunos – 30 participantes e 30 ouvintes, nas 4 cidades por onde o projeto passará. O Conteúdo contará com a apresentação da técnica elementar ao instrumento – (escola franco-belga, alemã e russa), Desenvolvimento da mão direita – Golpes de arcos e suas variações, desenvolvimento da mão esquerda – dedilhados, posições e vibrato, Aplicação prática I – escalas e arpejos – seleção de material para o desenvolvimento técnico ao instrumento com performance de, entre outras técnicas. Os interessados deverão ficar atentos às chamadas para inscrições, que ocorrerão no decorrer do projeto. Mais informações poderão ser obtidas: (65) 9 9996-2089,ou através de mensagem pela pagina do facebook Boca de Arte e do site www.fernandopereira.com.br

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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

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Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

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Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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