(65) 99638-6107

CUIABÁ

Antes Arte do Nunca

HOJE É DIA DE ROCK: Músicos do Heróis de Brinquedo fazem sucesso nas noites de Cuiabá e retratam resistência roqueira em nossa capital

Publicados

Antes Arte do Nunca

 
HEROIS DE BRINQUEDO
MÚSICA
Heróis do rock cuiabano
Músicos do Heróis de Brinquedo fazem sucesso nas noites de Cuiabá e retratam resistência roqueira em nossa capital
BEATRIZ SATURNINO
DC ILUSTRADO – DIÁRIO DE CUIABÁ
Diferente do que acontece com muitas bandas autorais foi o cover que deu rock no pop do Heróis de Brinquedo, que já é bem conhecido nas noites de Cuiabá. Com essência “oitentista”, há 10 anos a banda é inspirada na musicalidade dos anos 80 e leva aos palcos o remake de artistas consagrados como Cazuza, Raul Seixas e Leo Jaime. Também de grupos como Legião Urbana, Nenhum de Nós, Titãs, Capital Inicial e Engenheiros do Havai.
São verdadeiros “heróis da resistência” no rock em Cuiabá que, por ironia do destino, foi este termo, também nome de outra banda nacional dos anos 80, que inspirou os jovens músicos na escolha da marca que carregam há uma década.
“As políticas culturais andam muito manipuladas, ao ponto de não haver diversidade. Por exemplo, no Estado durante anos gravaram-se apenas dois estilos, basicamente, o lambadão e o rasqueado, com o apoio do poder público. Ou seja, os peixes maiores comem toda a refeição e sobraM apenas os caquinhos”, critica o contrabaixista da Heróis, Ricardo Chains.
A pisada da Heróis de Brinquedo na música é tão forte quanto a militância na cultura, e é comandada por um vocalista que se parece com o Axl Rose, da banda hard rock Guns N’ Roses, o Marden Tozzi (40), com o groove do contrabaixo por Ricardo Chains (35), a harmonia das guitarras por Anderson Lima (35) e Elder Dencati (20), e a pegada da bateria com Alan Sérvio (35).
O nome da banda tem rumores desde 2001, bem antes de serem os Heróis, a formação era o “Causa Nova”, que teve desfecho em 2003, após um quase sucesso em São Paulo. Como assim?
A turma embarcou para a cidade da garoa para gravar o primeiro CD que levaria o título “Heróis de Brinquedo”, com Guilherme Canaes, que foi o produtor da banda RPM, e que também trabalhou com as bandas Shaman e Angra.

Ricardo Chains, integrante da banda Heróis de Brinquedo, de Cuiabá, Mato Grosso

Ricardo Chains, integrante da banda Heróis de Brinquedo, de Cuiabá, Mato Grosso


Um momento de glória e no qual não era esperada qualquer frustração, como ocorreu. Neste período conheceram outros grandes produtores, como Arnaldo Sacomani, e empresários como Ivo Maraes. Uma contratação foi proposta, e estava tudo certo, mas outra banda foi selecionada no lugar deles, de última hora, o que estremeceu o Causa Nova, provocando ao fim dela.
“Na época vivíamos literalmente como nos anos 80 em São Paulo, ou almoçava ou jantava. E dormíamos em uma sala emprestada do Rodrigo Lopes, com rodízio de colchão. Só dormia com conforto quatro por noite e o outro se encostava na parede”, descreve Ricardo que, além de músico da banda, é quem conduz as contratações.
Esta tentativa de se firmarem no circuito nacional não aconteceu. Retornaram para Cuiabá e dividiram o CD já gravado, lançando mão de seis faixas para o idealizador do Causa Nova, e as demais músicas para o power trio que dava continuidade como Heróis de Brinquedo, a partir de 2005.
No novo formato o vocalista Marden acabou indo para a bateria, o guitarrista Anderson assumiu a voz e o Ricardo continuou no contrabaixo. Daí o primeiro show da Heróis foi abrindo apresentação em Cuiabá do Charlie Brown Júnior.
Foi quando saíram do autoral e como Heróis de Brinquedo investiram em cover. Pouco tocam suas autorais, de um EP que vale mencionar a música “Catador de Latinhas”, sempre pedida pelo público, e que rendeu o prêmio de melhor banda “Pop Rock” da região Centro Oeste, pela GRC Music de São Paulo, em 2010.
Eles ganharam das referências do rock, como Brasília e Goiás, e foram receber a premiação com o dinheiro do bolso, sem incentivo das secretarias de Cultura municipal e estadual.
“Nas nossas músicas colocamos coisas do cotidiano, embora não mais adolescentes, nós utilizamos da linguagem de rock divertido e contagiante, porque é pop”, completa Chains.
A frustração de não emplacar em São Paulo foi tão impactante que os músicos não buscaram mais sair de Mato Grosso e há uns dois anos flertam a possibilidade de se apresentar em Mato Grosso do Sul e Paraná.
“Queira ou não somos a banda mais movimentada da cidade. Hoje amadurecemos muito. Esse andar de lá para cá nos fez crescer. Se a gente tivesse esse pensamento naquela época seria diferente”, aponta o contrabaixista.
Após o EP, a banda gravou um segundo CD, em 2013, chamado “Sons Urbanos”, com 14 faixas, com apoio da Cultura do Estado por meio do Proac – Programa de Apoio à Cultura. O lançamento do disco ainda não aconteceu, e está previsto para este ano.
A banda Heróis de Brinquedo criou raízes, mas é o cover que os músicos amam fazer e o público já se adaptou. “Nós amamos fazer o cover. O processo foi contrário com a gente, num período em que realmente funcionava o autoral partimos para o cover e estamos felizes em ficar em Mato Grosso”, destaca Chains.
Com a classe desunida, assim como enxerga o contrabaixista, com a Ordem dos Músicos inativa, a solução vista por ele está na adequação do Conselho Estadual de Cultura, quem seleciona e aprova os projetos que receberão a verba publica de incentivo.
Portanto, que o processo de seleção para conselheiros de Cultura deveria ser melhor divulgado e envolver a comunidade. Ainda que fossem remunerados, como num concurso. “Justamente para evitar que possam proteger amigos e parentes e ganhar em cima disso com os chamados laranjas”, completa.
A banda se apresenta, nesta sexta, no bar Clube de Esquina, em Cuiabá.
 
E1A - HEROIS DE BRINQUEDO OPÇÃO

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  SAÍTO: O poeta cuiabano Manoel de Barros estará sempre conosco, dele não abrimos mão

Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

A verdade vos libertará

LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

Publicados

em

Por

Karnal

Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

Leia Também:  GRANDE, COMO ERA GRANDE: Perdemos a beleza e a coragem de Jeanne Moreau, ícone do cinema francês e da independência feminina

Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

Leia Também:  SEBASTIÃO CARLOS e os cem anos de Manoel de Barros, um poeta singular - plural

Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

MATO GROSSO

POLÍCIA

Economia

BRASIL

MAIS LIDAS DA SEMANA