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Antes Arte do Nunca

Gil Moreno recebe Eliana de Lima para comemorar 30 anos de carreira. O maior encontro de samba acontece no domingo com mais de 30 atrações, como Fabinho, Gilmar Fonseca, Roberto Lucialdo, Bia Borel, Marcelo Beleza Pura, Edinho Cuiabano e muitos mais

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Antes Arte do Nunca

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Gil Moreno recebe Eliana de Lima para comemorar carreira
O maior encontro de samba acontece no domingo com mais de 30 atrações, como Fabinho, Gilmar Fonseca, Roberto Lucialdo, Bia Borel, Marcelo Beleza Pura, Edinho Cuiabano e muitos mais
JOÃO BOSQUO
DIÁRIO DE CUIABÁ
O cantor, compositor e puxador de samba Gil Moreno – do saudoso Tempero do Samba – comemora neste 2016 trinta anos de carreira. Trinta anos não são trinta semanas, vamos deixar isso combinado desde o início. E para comemorar esse acontecimento já está marcado um grande e “espetacular” show de sambistas, pagodeiros, rasqueado e para completar uma autêntica e saborosa feijoada. A torcida é para que a temperatura esteja amena, como tem sido durante este inverno, no próximo dia 10, domingo. Este que já é considerado o maior encontro de samba e pagode de Mato Grosso vai acontecer na sede da Assof-MT.
Explicando melhor: são trinta anos de carreira musical em Cuiabá, Mato Grosso. José Ginaldo de Souza, 58 anos, sergipano de nascimento, paulista de criação, empresário, dono de um restaurante e casa noturna em São Paulo, capital, já tinha um princípio de carreira, cantando na noite e lá pelo ano de 1985, veio a Cuiabá visita o irmão e se apaixonou pelo calor cuiabano. Volta a SP, desfaz dos negócios, foge da garoa e vem morar em Cuiabá e, no ano seguinte, 30 anos atrás, conhece o Billy, que vem a ser seu primeiro parceiro nas rodas de samba.
Mané do Cavaco, do Raízes do Samba, depois que saiu do Buxixos, conhece Gil Moreno e o convida para integrar o grupo. Nessa época o Raizes do Samba estava no Tanque do Baú. Cantando com Mané, veio a conhecer Zaqueu e os demais sambistas e, no meio desse elenco de instrumentistas, chamou aqueles que consideravam os melhores para formar o grupo que veio a ser o Tempero do Samba que estreia em 1986 e passa a trabalhar na noite cuiabana se apresentando nas casas Panaceia, PassaTempo, entre tantas e tantas casas noturnas, inclusive o Bataclan.
“Nós viemos com um trabalho diferente, um repertório pra frente… sempre fui muito cuidadoso com o repertório”, afirma. Ele seguia om “Conselho”, de Almir Guineto, samba em que estão os versos: “Deixe de lado esse baixo astral/ Erga a cabeça enfrente o mal/ Que agindo assim será vital/ Para o seu coração” – um dos grandes sucessos do Tempero do Samba naquele período. Primeira formação do Tempero do Samba: Gil Moreno, Billy, Edinho Cuiabano, Jojo Maravilha e Zaqueu.
O Tempero do Samba também vai participar intensamente dos grandes showmícios com Dante de Oliveira, fazendo os carnavais por cinco anos consecutivos do Cuiabá Tênis Clube, sendo um dos primeiros locais onde a banda se apresentou no inicio da carreira.
Na campanha do Coronel José Meirelles, para prefeito, o showmício de encerramento foi na Praça Santa Rita, depois Rachid Jaudy (Cuiabá não perde essa mania de mudar as denominações de seus logradouros e tantas e tantas ruas sem nenhuma denominação apenas números) que teve com atração principal Jorge Ben, depois Ben Jor (aqui a mudança foi por questões de direitos autorais), e quem abriu o show foi a banda Tempero do Samba.
Mesmo com o fim dos showmícios, quando o grande público podia assistir aos grandes nomes da MPB, o samba, na opinião de Gil Moreno vive um grande momento. Ele explica que esse grande momento tem como propulsor o pagode. O pagode – como a maioria percebe – é diferente do samba de raiz. O samba de raiz é aquele que conta uma história de um local “falando de Cuiabá, samba, falando do Rio de Janeiro e samba; como Adoniram Barbosa falando de São Paulo e samba” e o ritmo um pouco mais acelerado, fala do quotidiano, e pega pesado na marcação, enquanto o pagode tem uma temática bem diversa, como bebidas, o eu lírico cantando “meu amor”, uma – digamos – ostentação, numa cadência mais lenta, e por isso que se diz – segundo Gil Moreno – ‘samba dolente’ feito por essa moçada mais recente.
O show – Gil Moreno, agora em carreira solo, comemora seus trinta anos de samba. O espetáculo tem como atração a cantora e amiga Eliana de Lima, considerada a Rainha do Samba e Pagode, e interprete das escolas de samba de São Paulo, como Rosas de Ouro, Leandro de Itaquera, Unidos do Peruche e chegou a fazer um dueto, considerado inesquecível, com o mestre Jamelão, o maior de todos os puxadores de sambas enredo. Eliana de Lima é dona do sucesso “Desejo de Amar”, cujos versos iniciais nos lembra: “Foi sem querer que derramei toda emoção/ Undererê e cerquei seu coração, undererê/ Me machuquei, te feri, não entendi/ Undererê como dói a solidão, não, não, não, não, não// Agora estou sozinha precisando de você/ E você não está por perto pra poder me ajudar”.
Outras atrações da noitada serão, anote aí: Rolasamba, Raizes do Samba, D’Role, Grupo Tamojunto, Roberto Lucialdo, o trio Pescuma, Henrique e Claudinho e Grupo na Palma da Mão. Convidados especiais: Bene, Beto Aprontaê, Bia Borel, Biro Biro, Dora Rosa, Eder Gatão, Edinho Cuiabano, Erielsom Marques, Fabinho (Dois Amores), Fábio Bill, Felipinhoo, Gilmar Fonseca, Huan Lima, Ido Dias, Jojo Maravilha, Kelvim Moraes, Marcelinho Sossego, Marcelo Beleza Pura,Marcelo Santana, Marruco, Ney Aroeira, Paulo Figueiredo, Rodrigo Mendes, Rony Black, Thiago Ferreira e Washington Lero Lero. Tem ainda a Bateria Ouro, DJ Itamar Soares, passistas e a locução de Cleber Leite, Juninho Bacana, André Pakito e DJ Pirí.
Como chegar: a sede da Assof está localizada na Av. Dr. Hélio Ponce de Arruda, no Centro Político Administrativo (CPA). Essa rua é a lateral à 13ª Brigada. Indo da Morada da Serra sentido Centro, entrar na primeira depois do Hospital do Câncer. Quem vem no sentido contrário, faz o retorno em frente ao Ibama. Os ingressos estão sendo vendidos na Casa de Festa (casadefestas.net), Shoppings Goiabeiras e Pantanal. Informações watts apps: 65.99699-2288.

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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

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Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

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Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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