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FESTA DE VIOLEIROS SOBREVIVE À CRISE DO ESTADO: Sob comando da prefeita Jane Maria Lopes Rocha, Poxoréu promove 13º Encontro de Violeiros com show de César e Paulinho e homenagem a Inezita Barroso e Tião Carreiro e Pardinho

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poxoreu viola
Música
A festa de violeiros sobrevive à crise do Estado
Poxoréu promove 13º Encontro de Violeiros com show de César e Paulinho e homenagem a Inezita Barroso e Tião Carreiro e Pardinho
ENOCK CAVALCANTI
DO DIÁRIO DE CUIABÁ – Editoria do Ilustrado
Uma cidade marcada pela resistência cultural. Assim pode ser definida a cidade de Poxoréu (259 quilômetros de Cuiabá) onde acontece, a partir desta quinta-feira (30), o 13º Encontro Nacional de Violeiros, um evento que está sendo levado meio na marra pela prefeitura da cidade, comandada pela prefeita Jane Maria Sanchez Lopez Rocha (PSD).
O evento, de grande porte, acabou não merecendo qualquer apoio ou divulgação por parte da Secretaria Estadual de Cultura, cujo secretário, o maestro Leandro de Carvalho, estará se apresentando com a orquestra que comanda e com o sertanejo Renato Teixeira, na festa do Dia do Trabalhador, que a Fiemt promove no ambiente do Sesi Papa, em Cuiabá.
De acordo com a chefe de gabinete da prefeitura de Poxoréu, Rosângela Nunes Rocha, ao invés de apoio, tem sobrado boicote ao evento dos violeiros por parte da Secretaria de Cultura do Estado, desde o ano passado. Em 2014, a então secretária Janete Riva chegou a assinar uma parceria pela qual o Estado repassaria R$ 457 mil para cobrir parte dos custos do evento. Só que o dinheiro nunca foi de fato repassado, acabando por virar “restos a pagar” que a Prefeitura de Poxoréu não viu até hoje,
A prefeita Jane Rocha, todavia, alivia as queixas e diz que o governador Pedro Taques (PDT), em meio à crise financeira em que se debate o Estado, chegou a tentar viabilizar um apoio para o evento, no montante de R$ 200 mil, que se revelou, contudo, insuficiente para cobrir todos os custos.
“O governador também nos prometeu que vai honrar a dívida feita pela secretaria, em 2014, só que não há uma data para esse repasse. Se a prefeitura aceitasse esses R$ 200 mil ofertados pelo governador, neste ano de 2015, não poderia cobrar ingresso, o que acabaria resultando em com um grande prejuízo”, relata a prefeita.
Sem o apoio do Governo do Estado e também sem parceria com o Governo Federal, através da Lei Rouanet, só restou à prefeita de Poxoréu apelar para comerciantes de sua cidade e para o apoio do povo, que, através dos anos, tem acorrido dos mais diversos rincões de Mato Grosso e também de outros Estados, para prestigiar o Encontro de
Violeiros.
Com um público esperado de 40 mil pessoas, a Prefeitura está confiando que os 50 reais que resolveu cobrar pelo passaporte para os três dias de festa sejam suficientes para cobrir todas as despesas de um evento deste porte.
Logo na abertura do Encontro de Violeiros, na noite desta quinta, acontece o show da dupla nacional César e Paulinho, durante o qual vai rolar a homenagem a Tião Carreiro e Pardinho e a Inezita Barroso. O público poderá curtir, também, as participações especiais do maestro Itapuã (indicado pelo maestro Leandro de Carvalho, um especialista na obra de Tião Carreiro), Mara e Arnaldo Freitas, além da eleição da rainha dos violeiros.
A prefeita Jane garante que Poxoréu, apesar de todos os desafios, está pronta para se tornar, mais uma vez, o mais autêntico palco da genuína música brasileira, com a apresentação de instrumentistas e cantores consagrados.
Da programação constam, ainda, shows de grupos de Catira, concurso para violeiros mirins e amadores. Muitos acervos da carreira de Tião Carreiro e Pardinho serão apresentados ao público pela família dos homenageados, presenças confirmadas no evento.
Fica a dúvida se as autoridades da administração do governador Pedro Taques enviarão algum representante a Poxoréu para conferir o evento e garantir que, no futuro, esse desencontro cultural entre o município e o Governo do Estado não se repita.

Leia Também:  Artistas de Mato Groso se posicionam sobre o impeachment. Segundo Amaury Tangará, “a posição dos artistas mato-grossenses não é unânime em torno da defesa da democracia e contra o golpe. Muitos temem por seus empregos e por retaliações dos governos estaduais e municipais, muitos alinhados com o golpe; enquanto outros, apesar de supostamente serem formadores de opinião (a função basilar de um artista), permanecem na ignorância e adestrados pela grande mídia que lhes indica meias verdades ou falsas afirmativas sobre o governo da presidente Dilma”.

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César e Paulinho fazem o show de abertura nesta quinta

César e Paulinho fazem o show de abertura nesta quinta

Programação do 13º Encontro Nacional de Violeiros

30 de abril (quinta-feira)
14h-Concurso de Violeiros Mirins
17h-Concurso de Violeiros Amadores
19h- Apresentação dos violeiros
Pamella Machado, as duplas Amorim e Elias, Vinicius e Venâncio, Cacique e Pajé, além do renomado Pereira da Viola.
21h – Grande show nacional da dupla Cezar e Paulinho, que fará um tributo a Tião Carreiro e Pardinho.
23h – bailão popular.
1º de maio (sexta-feira)
19h – apresentação de Mariângela Zan e das duplas: Fernando e Osmair, Batô e kleber, Paulo Cruz e Zé Eduardo, Paraense e Ruan Viola, Kleber e Thiago Viola.
23h – bailão popular.
2 de maio (sábado)
Será servido o panelaço com almoço para cinco mil pessoas.
19h – apresentação Léo Goiano e Girsel da Viola, Zé Mulato e Cassiano, Aurélio Miranda e Adriano, Divino e Donizete, Cleyton Torres e Marcos Violeiro, Jucimara e Juliana Andrade, Karen e Pâmela da viola, além dos Dois Mineiros.
23h – Bailão Popular.
 

Prefeita Jane Rocha comanda a festa da viola e dos violeiros em Poxoréu, com homenagem especial a Inezita Barroso e Tião Carreiro e Pardinho. 40 mil pessoas são esperadas na cidade, que conta, atualmente com população de 17 mil

Prefeita Jane Rocha comanda a festa da viola e dos violeiros em Poxoréu, com homenagem especial a Inezita Barroso e Tião Carreiro e Pardinho. 40 mil pessoas são esperadas na cidade, que conta, atualmente com população de 17 mil


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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

Leia Também:  CLÓVIS MATOS E A CULTURA: Leandro Carvalho fez gestão artística, Kleber fará gestão técnica

Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

Leia Também:  LÚCIA PALMA É BEM MATO GROSSO: O trabalho mais recente de Lucia Palma foi o espetáculo “Encontro das Artes”, numa parceria com o Grupo Villa Real de Música de Câmara,enriquecido com a performance dessa que é considerada a atriz mais completa de Mato Grosso e que marcou o teatro mato-grossense - não só como atriz mas também como diretora, escritora e gestora, por quase uma década, na UFMT

Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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