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EDMILSON MACIEL: “Kleber não tem como ser pior que o maestro Leandro Carvalho”

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Edmilson Maciel (Foto: Reprodução)


VANESSA MORENO
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O governador Pedro Taques oficializou a exoneração do maestro Leandro Carvalho do cargo de secretário de Estado de Cultura, após quase um mês do anúncio de sua saída. Em seu lugar assume o atual secretário de Comunicação do Estado, Kleber Lima, que foi escolhido como novo secretário da pasta de Cultura pelo governador.
Leandro Carvalho deixou a SEC para participar de um programa de formação de lideranças, durante seis meses, na Inglaterra.
A alteração tem gerado grandes expectativas no meio cultural em Mato Grosso. Edmilson Maciel, um dos grandes ícones da cultura mato-grossense, comemora a mudança, pois, na sua opinião, Leandro Carvalho não foi um bom secretário. “Ele pode ser técnico, cheio de burocracias, mas a cultura e o pessoal que vive da cultura, que depende de projetos, que fazem as coisas acontecerem em Mato Grosso, não tiveram acesso à secretaria”, lamenta Edmilson, que destaca ainda que apenas alguns grupos do meio cultural tiveram privilégios no atendimento da SEC.
“Ele vislumbrou demais a orquestra dele, grupinhos fechados e isso ficou muito explícito, ninguém falava porque não era o momento para falar, porque se não poderia sofrer retaliação e isso não é legal para um governo”, destaca o artista. Leandro Carvalho é maestro da Orquestra de Mato Grosso, que, segundo dados divulgados no Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças do Estado (Fiplan), foi contratada pela SEC por valores altos.
“Na minha opinião, o Kleber não tem como ser pior que o ex-secretário maestro Leandro Carvalho “, afirma Edmilson.
Edmilson confessa que ficou feliz com a saída do maestro do comando da pasta de Cultura por não ter tido acesso à secretaria durante a sua gestão, além da dificuldade em implementar qualquer projeto nos moldes da SEC. “Nós ainda não estamos preparados para uma gestão tão burocrática”, afirma.
“O Kleber é teoricamente uma pessoa acessível, até porque ele é mais popular, é uma pessoa que gosta de festa, que gosta de eventos, que gosta da cultura em geral, porque eu já vi ele em eventos diversos”, afirma Edmilson. Já Leandro Carvalho, de acordo com Edmilson, não participava de eventos culturais que não fosse clássico ou erudito e quando participava, não passava de cinco minutos no local. “Acho que quem fica numa pasta dessa tem que gostar, tem que se entregar, é o que eu espero do Kleber”, completa.
Kleber Lima assume a Secretaria de Estado de Cultura nesta segunda-feira. “Eu estou botando fé”, comemora Edmilson. “Eu espero que o Kleber mude muita coisa lá, que as pessoas que vão nos atender, nos atenda como artistas, porque o artista é diferente, o ego é diferente, eu quero chegar numa secretaria de cultura e ser atendido como artistas”, essa é a dica de Edmilson para o novo secretário.
Edmilson Maciel é mato-grossense, natural de Nortelândia e criado em Tangará da Serra. É vocalista da famosa Banda Terra, cantor solo e há 15 anos integra o grupo folclórico de siriri Flor Ribeirinha, onde também é vocalista, além de diretor musical. Edmilson também atua nas artes cênicas.
 

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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

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Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

Leia Também:  Letícia Sabatella, musa da esquerda, estará neste final de semana no Teatro da UFMT. Letícia é musa da esquerda porque não vacila em participar de eventos patrocinados por movimentos como o MST, se somando à defesa da reforma agrária e outras bandeiras deste importante movimento dos trabalhadores sem terra. Incentivado por Letícia, o MST segue sendo estigmatizado pela direita brasileira que o encara como uma espécie de guerrilha que não ousaria dizer seu nome

Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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