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Antes Arte do Nunca

DJ Taba espera que novo secretário compreenda que o Estado não vive da cultura de massa

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Antes Arte do Nunca

DJ Taba (Foto: Reprodução)


VANESSA MORENO
PÁGINA DO E
A Cultura em Mato Grosso está passando por um momento de mudanças com a troca do secretário da Secretaria de Estado de Cultura – SEC. Kleber Lima foi anunciado como novo secretário da pasta após o anúncio de que Leandro Carvalho deverá deixar o Estado. A alteração tem gerado grandes expectativas no meio cultural em Mato Grosso.
Adenilson da Silva Lara, o DJ Taba é DJ de Hip Hop e coordenador do projeto Favela Ativa, que sobrevive de muito trabalho e pouco incentivo. “O Taques perdeu a oportunidade de ser o gestor da Cultura. Sabendo que a Cultura é o maior patrimônio do povo, até aqui não ouve uma prioridade de investimento. A prova disto é que no último ano não teve edital de fomento para quem está fazendo cultura com sacrifício cada vez maior”, lamenta Taba.
Leandro Carvalho comandou a SEC durante três anos e se despede do governo do Estado para passar uma temporada de seis meses estudando na Inglaterra. A impressão que fica é que sua gestão não soube agradar uma boa parcela da comunidade cultural que ainda sofre com a falta de investimento. “Esperamos que o governador e seu novo secretário compreenda que aqui em nosso Estado não vivemos da cultura de massa. Temos ribeirinhos mestres da cultura popular que merecem a atenção do poder público, fomento e investimento”, essa é a principal expectativa do DJ Taba, que também faz parte de um segmento pouco lembrado em Mato Grosso.
Taba atua também como um dos organizadores da Batalha da Alencastro que acontece toda quinta-feira, há dois anos, na praça Alencastro, em frente à Prefeitura de Cuiabá. No entanto a falta de reconhecimento do rap como uma expressão cultural tem sido um grande empecilho para que este movimento ganhe força. O segmento tem se sustentado de maneira independente e conta com alguns apoios de pessoas que reconhecem este trabalho como cultura e como responsável por tirar jovens e crianças do mundo das drogas.
“O Kleber Lima deve saber que a cultura alternativa urbana está sobrevivendo e se mantendo firme por que temos uma parcela considerada da população que não querem ficar refém de cinemas e shoppings center”, destaca DJ Taba.
Kleber Lima é jornalista e assumiu o comando do Gcom em novembro de 2016, após a saída do também jornalista Jean Campos. Kleber também já foi secretário de Comunicação e Governo da Prefeitura de Cuiabá durante parte da gestão de Mauro Mendes e já atuou fortemente com o marketing político em campanhas eleitorais. No gabinete de comunicação, quem substitui Kleber é o jornalista Marcy Monteiro, que está no Gcom desde o início do governo de Pedro Taques como secretário-adjunto de Comunicação Integrada.
Ao ser surpreendido com o pedido do governador para comandar a Secretária de Estado de Cultura, Kleber Lima esteve com a comunidade cultural em um jantar oferecido pelo advogado e escritor Eduardo Mahon. Na ocasião Kleber prometeu abrir as portas da SEC e dialogar diretamente com os produtores culturais e artistas em geral.
Ainda não há data definida para a posse de Kleber Lima na SEC.

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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

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Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

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Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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