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CUIABÁ

Antes Arte do Nunca

Cantora e compositora cuiabana, Luiza Nis, lança seu primeiro EP nas plataformas digitais

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Antes Arte do Nunca

Parnasia – Luiza Nis (Foto: Divulgação)


VANESSA MORENO
PÁGINA DO E
A cantora e compositora cuiabana Luiza Nis, ouvida e elogiada nacional e internacionalmente, está prestes a lançar o seu novo e primeiro projeto, o EP Parnasia, de faixas autorais e produzido por ela. ‘Parnasia’ será lançado pela editora musical Sync Originals.
Uma paixão inata pela música fez a jovem de apenas 21 anos, Luiza Guimarães Nishiz, descobrir que queria ser cantora mesmo antes de saber cantar. A jovem relembra que mobilizava toda a família para comprar o CD de seus artistas favoritos logo após o lançamento apenas para ficar sozinha, ouvindo o álbum, lendo o encarte e aprendendo a letra de todas as músicas. “Música para mim é uma necessidade”, destaca Luiza.
Aos 14 anos a menina passou por um momento de instabilidade emocional intenso e se sentia isolada de tudo. “Percebi que o mundo pode virar as costas para você ou até você mesmo pode se virar as costas, mas a arte nunca viraria”, comenta Luiza. Essa epifania foi o que a fez arranjar um violão velho e aprender a tocar e cantar.
“Era só isso que eu fazia durante o Ensino Médio: gravava minha própria voz, enviava para pessoas estranhas na internet e esperava um feedback”, conta Luíza. No entanto, inicialmente, esses feedbacks eram, na grande maioria, negativos. Porém este hábito a fez evoluir.
Luiza cresceu em uma família que também é apaixonada por música. Seus pais têm vozes bonitas e escrevem bem. “Meu pai teve uma banda de rock nos anos 80 e sempre cantou e tocou violão. Tudo isso me influenciou de alguma maneira”, conta a jovem filha de Iolanda Vaz Guimarães e André Nishizaki.
Na sua infância Luiza só ouvia o que era pop comercial, com exceção daquilo que seus pais e seus irmãos ouviam: rock inglês da década de 80, MPB e rock nacional. Enquanto ela preferia ouvir Sandy & Júnior. Em 2009, enquanto fazia a sétima série do ensino fundamental, Luiza descobriu a famosa banda britânica de rock The Beatles, então a partir deste momento eles passaram a ser a sua banda preferida. “Eu tinha a discografia inteira no computador e ouvia todos os dias”, conta. Conhecer a musicalidade de The Beatles fez a jovem abrir os olhos para uma infinidade de outros artistas de gêneros alternativos, mas nunca a deixou de apreciar a estrutura da música pop.
Hoje em seu celular é possível encontrar Britney Spears, Tom Waits, Etta James, Bob Dylan, Chet Baker, Beyoncé e David Bowie, tudo na mesma pasta. “Sempre estou procurando novas referências, também amo gêneros eletrônicos experimentais, artistas como SEVDALIZA, XXYYXX e Flume me influenciam bastante na hora de produzir”, explica.
Apesar de cantar, compor e produzir há algum tempo, a carreira de Luiza Nis está apenas no início. A jovem está começando a promover a sua música autoral agora e preferiu começar por Cuiabá, sua cidade natal, com a certeza de que seria muito bem recebida. “Tenho enviado meu material para vários lugares do Brasil e do mundo, claro que aqui é a cidade que mais acolheu até agora”, comemora.
“De todas as cidades que já visitei, com certeza aqui é a mais colorida, se eu penso em arte cuiabana, logo penso em cor, fartura e alto astral. Somos muito ricos culturalmente e temos a preocupação em preservar essa cultura. Nas escolas de outros estados em que frequentei a gente não vê e estuda as tradições regionais como fazemos aqui”, elogia a jovem cuiabana que atualmente reside em Curitiba, onde estuda música, dança e artes em geral.
 

Luiza Nis


Luiza Nis, que ainda não teve a oportunidade de se apresentar na capital, já tem alguns projetos em mente para este ano. Um deles é o lançamento do seu primeiro EP Parnasia. O trabalho traduz sua paixão pela música, pela poesia e pelo ‘cantar’. “Espero que as pessoas sintam minha honestidade e dedicação em cada nota e palavra”, anseia a jovem.
O EP será lançado nas plataformas de streaming, em data a ser definida, mas o trabalho já está disponível e pode ser ouvido na íntegra em seu canal do YouTube (youtube.com/luizanis) e Soundcloud (soundcloud.com/luizaskylark). Também está disponível para venda Cartões de Download que podem ser adquiridos pelo e-mail [email protected]

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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

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Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

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Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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