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Antes Arte do Nunca

CADA VEZ MAIS ENCANTADORA: Neste sábado, a jovem e bela cantora Marcela Mangabeira reencontra o público cuiabano, cantando o melhor da MPB. Há quem esteja com saudade de ouvi-la cantar com sua bela voz aveludada e até curioso para revê-la em show, que estará totalmente novo, pois com dois CDs lançados, um em 2005 e o outro em 2011, nenhum foi apresentado em show na terrinha

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Antes Arte do Nunca

marcela mangabeira na pagina do enock
Cada vez mais encantadora
Neste sábado, a jovem e bela cantora Marcela Mangabeira reencontra o público cuiabano, cantando o melhor da MPB
BEATRIZ SATURNINO
DIÁRIO DE CUIABÁ – DC ILUSTRADO
Enfim, depois de nove anos, Marcela Mangabeira retorna à Cuiabá em um show solo, no palco do Vem Pra Arena, com edição de Natal, neste sábado, a partir das 19h30, e a entrada é gratuita. Ela é natural de Recife (PE), cuiabana de coração e hoje já “cariocou”, no seu sotaque. Sua projeção é internacional, com sucesso na Ásia, pelo gênero da Bossa Nova, que é o nosso Jazz brasileiro, mas seu trabalho é totalmente versátil, onde trilha a nova MPB, que é o caminho da música brasileira com linguagem contemporânea adaptada com a tecnologia.
Ansiosos? Há quem esteja com saudade de ouvi-la cantar com sua bela voz aveludada e até curioso para revê-la em show, que estará totalmente novo, pois com dois CDs lançados, um em 2005 e o outro em 2011, nenhum foi apresentado em show na terrinha.
Ambos foram produzidos com exclusividade para a Ásia, pela antiga gravadora Albatroz, do compositor Roberto Menescal. O primeiro CD se chamou “Simples” e foi centrado na bossa nova que consagrou Menescal e tantos outros. Depois de ter duas músicas inseridas na novela “Escrito nas Estrelas”(2010), da Rede Globo, e de ter gravações suas espalhadas em mais de 40 compilações diferentes ao redor do mundo, Marcela lançou o segundo CD, o “Colors of Rio”, que são regravações de hits todos em inglês.
Elogiada por personalidades da música e da crítica brasileira, dividiu palco com grandes nomes como Andy Summers, do The Police, abriu shows de artistas como Zélia Duncan e Paulinho Moska e participou de diversos grupos vocais, como Mulheres de Hollanda, Ordinarius, BeBossa e 4 Cantus.
Nesta trajetória, seu trabalho tem mais de cinco milhões de visualizações no Youtube, o que confere ao talento de Marcela Mangabeira o sucesso continuado, após sua ida ao programa Domingão do Faustão, no concurso “Novos Talentos”, onde foi finalista e lembrada com emoção com a música “É” do inesquecível Gonzaguinha. Isso foi em 2000 e muitas águas já rolaram, desde então.
Para quem não a conhece é um momento oportuno para apreciá-la no palco do Vem Pra Arena de Natal, no entorno da Arena Pantanal, onde ela fará 30 minutos de apresentação. Será um show elegante e com personalidade.
Marcela Mangaberia traz músicas inéditas com releituras de clássicos da MPB, num repertório nada óbvio, ou seja, de trabalhos não saturados de artistas conhecidos. Como sambas do Djavan e Ary Barroso, além do repertório da Ásia a Lady Gaga.
Pois bem, a cantora e intérprete Marcela Mangabeira está no Rio de Janeiro há 12 anos, desde então, quando se casou com o carioca Márcio Menescal. Mas sua ida já seria um movimento natural, na altura de tudo que já tinha feito na rebarba do Faustão, pois não tinha mais para onde crescer no Estado de Mato Grosso.
Hoje não está mais casada e mora pertinho da Lapa, pertinho do Buxixo. E no Rio seu trabalho está entre gravações comerciais, aulas de canto por ela e tem seu trabalho artístico, que vai de bares a grandes eventos fechados.
Além de desenvolver projetos em parceria com outros artistas como o “Caetanamente”, com o legítimo cuiabano Maurício Detoni, com quem sempre faz shows corporativos em Cuiabá, pelo menos duas vezes por ano. Projeto este que existe há 17 anos e retomaram há pelo menos dois.
“Cada vez que venho para cá, vejo uma cidade maior e cosmopolita. Já não tem muita diferença em nível de estrutura para as cidades grandes. Na minha época não tinha muito que explorar aqui, como hoje é possível para os artistas explorarem em Cuiabá, sem precisar ir para o eixo Rio e São Paulo, por exemplo, por conta da internet e do crescimento da cidade. Mesmo porque se corre o risco de ser só mais um entre tantos outros muito bons lá fora”, observa a cantora.
Em Mato Grosso, Marcela Mangabeira morou em Várzea Grande, desde os 10 anos de idade, quando veio do Recife, e depois foi para o bairro Boa Esperança, em Cuiabá, já em trânsito para o Rio.
“O CD acabou!”, como verbaliza a cantora, que, com trabalho independente, está desenvolvendo um novo que será preparado em formato audiovisual, de pelo menos sete músicas, como se fosse um EP, mas em vídeo para internet, com a possibilidade de músicas para baixar.
A ideia de lançamento é para início do segundo semestre do ano que está à porta, depois das Olimpíadas do Rio 2016.
marcela mangabeira nove anos depois na pagina do enock

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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

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Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

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Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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