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Antes Arte do Nunca

Banda da PM-MT celebra 127 anos com apresentação nesta terça, no Paiaguás. Por que não ao ar livre?!

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Antes Arte do Nunca

Corpo Musical da PM-MT segue evoluindo

O Corpo Musical da Polícia Militar fará uma apresentação para celebrar os seus 127 anos de difusão da cultura musical em Mato Grosso, nesta terça-feira (29.10), às 8h30, no Salão Nobre Clóves Vettorato, no Palácio Paiaguás. O evento, gratuito e aberto ao público, terá duração de pouco mais de uma hora, com repertório de músicas regionais e grandes clássicos nacionais e internacionais.

Terça, de manhã, no Paiaguás, Decididamente uma apresentação para poucos e bons. Será bom se, além deste espetáculo restrito, a Banda da PM puder também comemorar seu aniversário circulando pela cidade, com apresentações nas praças centrais de Cuiabá e VG, depois que o céu se pôr. E que tal fazer concertos ao ar livre, no Parque Mãe Bonifácio, na Praça das Bandeiras, na Praça Cultural do CPA 2, Parque Tia Nair e no Parque das Águas, para chegar ao povão?! Uma comemoração planejada com maior carinho, certamente que garantirá essas apresentações populares que até poderiam incluir a participação de cantores e compositores da Cuiabania. Vale o investimento.

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História

Além de se apresentar em eventos da Polícia Militar, como passagens de comandos, o Corpo Musical atende demandas de festas típicas tradicionais, como de São Benedito, do Divino Espírito Santo e eventos escolares, em uma média de 450 apresentações anualmente.    

Criado em 19 de outubro de 1892, através do Artigo 5º da Lei Nº 09, ato este assinado pelo Dr. Manoel Murtinho – Presidente do Estado de Mato Grosso teve seu início histórico contando com 16 integrantes. No passado, tinha como missão exclusiva os eventos militares e levar entretenimento aos praças aquartelados. Ao longo dos anos deixa de entreter apenas a tropa, para integrar-se à comunidade mato-grossense.

Devido à grande demanda de serviços, viu-se na necessidade da criação de um Corpo Musical, ato este que se consolidou com a Lei Complementar Nº 271 de 11 junho de 2007.  Hoje o Corpo Musical contempla em sua nova estrutura a Banda Musical, a Orquestra Popular Homens do Mato e o Núcleo de Choro.

O efetivo do Corpo Musical é composto por 66 policiais músicos, sendo um oficial, que é o comandante da unidade, quatro subtenentes e 61 praças (sargentos, cabos soldados). Desses, 14 possuem curso superior na área musical, inclusive o comandante, licenciado em Música pela UFMT.

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Há três anos o Corpo Musical foi declarado ‘Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado de Mato Grosso’, por meio da lei nº 10.414 de 26 de julho de 2016.

Social

Há pouco mais de um ano, em parceria com a Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento, o Corpo Musical da PMMT criou o projeto ‘Harmonizando para a Vida’, uma ação que beneficia cerca de 90 estudantes com o ensino efetivo de música e artes para crianças em situação de riscos social. Três policiais músicos atuam nesse projeto.

O Corpo Musical é uma unidade especializada da PM vinculada ao Comando Geral por meio da Coordenadoria de Comunicação e Marketing Institucional (CCSMI). Tem como coordenador o tenente-coronel Luis Fernando Oliveira Dias e como comandante direto, o tenente músico Márcio Dellvale.

 
COM INFORMAÇÕES DA SECOM MT
 

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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

Leia Também:  JORNALISTA URARIANO MOTA fala do dia em que Juca Kfouri, para defender João Saldanha, foi injusto com Nelson Rodrigues

Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

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Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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