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CUIABÁ

Antes Arte do Nunca

Oportunidade rara: um curso sobre a História da Arte, ministrado pela historiadora Aline Figueiredo, a partir desta segunda (13), com direito a certificado da Escola Superior de Advocacia, da OAB. Para se inscrever, basta acessar o saite da OAB-MT, é de graça. Eu, Enock Cavalcanti, já me inscrevi

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Antes Arte do Nunca

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Oportunidade rara: estão abertas inscrições para o curso de História da Arte, na sede da OAB, que começa na segunda-feira (13). Será ministrado pela historiadora, crítica de arte e pesquisadora cult Aline Figueiredo. O curso será dividido em seis aulas e oportuniza o conhecimento das diversas faces da História da Arte e as mudanças sofridas ao longo do tempo.  As aulas serão de segunda a sexta, das 19 às 21h e no sábado das 10 às 12h. Informações 3613-0956. Este blogueiro já se inscreveu.
O curso é parte das homenagens às mulheres na programação do Março Mulher, por meio da Comissão de Direito da Mulher, e integra o OABMT 80 anos por meio do projeto “Arte na Ordem”. A carga horária será de 12 horas/aula e a certificação será emitida pela Escola Superior de Advocacia de Mato Grosso. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site da Seccional, no link “ESAMT – Cursos” ou na “Área do aluno”. Outras informações pelos telefones(65) 3613-0956/0957.
Aline Figueiredo realizou a Primeira Exposição de Pinturas dos Artistas Mato-grossenses (1966) em Campo Grande (MS), onde fundou e dirigiu a Associação Mato-grossense de Artes (AMA, 1967/1972) e assina coluna de Artes Plásticas no Diário da Serra (1969). Em 1971, concluiu o curso de Direito pela Federação Universitária Católica de Mato Grosso. Ao mudar-se para Cuiabá ingressou, em fevereiro de 1973, no quadro técnico da UFMT, e, junto a Humberto Espíndola, elaborou projeto para a criação do Museu de Arte e de Cultura Popular (1974). Participou da implantação da Fundação Cultural de Mato Grosso, criou o Ateliê Livre, o Salão Jovem Arte Mato-grossense e a Pinacoteca Estadual.
Programação:
1ª Aula
Da Pré-História ao Gótico: A Pré-História (do paleolítico superior ao neolítico: a primeira grande renovação estilística); a proto-história e o aparecimento da escrita. Antiguidade com noções de arte egípcia, grega, romana, primitiva cristã. Arte Medieval com noções de arte românica, bizantina e gótica.
2ª Aula
O Renascimento e os desdobramentos do Classicismo: Do século XV a meados do século XIX, abrangendo noções sobre: O Pré-renascimento, o Renascimento, o Maneirismo, Academismo, Barroco, Rococó, Iluminismo e o Neoclassicismo.
3ª Aula
O século XIX: A Revolução permanente em busca de novos padrões: Revolução Industrial. Noções sobre: O Romantismo, Realismo, a Fotografia, o Início da Pintura Moderna (Impressionismo e Reação ao impressionismo) e arte Noveau.
A Arte Moderna e seus desdobramentos experimentais: Na primeira metade do século XX: Expressionismo, Fovismo, Cubismo, as tendências abstratas Formais e Informais; a Bauhaus, o Dadaísmo, Surrealismo, e o Pós-guerra.
4ª Aula
Arte Contemporânea e seus desdobramantos experimentais na segunda metade do século XX: O Informalismo; Happening, arte Cinética, Op-art, Pop Art, Novo Realismo, Fluxus, Hard-Edge, Vídeo-Arte, Figuração Narrativa, Minimal Arte, Múltiplos, Arte Conceitual, Hiper-Realismo, Arte Povera, Body-art, Suporte-Superfície, Arte Postal, Graffitti, Transvanguarda, Neo-expressionismo.
Panorama da Arte Contemporânea: Tendências verificadas nas grandes mostras internacionais, a exemplo das Bienais de São Paulo e Veneza e da Documenta de Kassel.
5ª Aula
Panorama da Arte Brasileira: Com noções Históricas da Arte Brasileira, desde o século XVII, passando pelo Barroco litorâneo e o Barroco mineiro; Missão Artística Francesa e o Academismo, a Semana da Arte Moderna, o Modernismo, os Salões Nacionais, as Bienais de São Paulo e as tendências atuais.
6ª Aula
Panorama da Arte Mato-Grossense: Abrangendo noções sobre o aparecimento da arte mato-grossense na cena brasileira, a força da pintura cabocla; os principais artistas mato-grossenses ao longo de mais de quarenta anos de descentralização da arte brasileira.
 
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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

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Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

Leia Também:  'Tenho uma pena do Tom Jobim' , diz José Ramos Tinhorão em mesa sobre música brasileira na Flip. "Jobim tinha um equívoco fundamental: achava que compunha música brasileira". O crítico e pesquisador está relançando pela Editora 34 o livro O Samba Agora Vai, de 1969, numa edição revista e ampliada. O subtítulo revela a ironia do título e é um pequeno resumo do conhecido posicionamento do autor em relação à música popular brasileira: A Farsa da Música Popular no Exterior

Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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