ALFREDO DA MOTA MENEZES: Um dos maiores problemas do Brasil é o transporte coletivo. E não se vê, como no caso da educação, nenhum grande debate político sobre o tema. O governo federal lavou as mãos e entregou aos municípios a solução do problema do transporte. Os prefeitos seguiram a toada e fizeram concessão para a iniciativa privada e esta, como só pensa no lucro imediato, fez o que se nota pelo Brasil afora

ONIBUS LOTADO NA PAGINA DO ENOCKTransporte coletivo

POR ALFREDO MENEZES

Um dos maiores problemas do Brasil é o transporte coletivo. E não se vê, como no caso da educação, nenhum grande debate político sobre o tema.

Especialistas mostram como se chegou a esse ponto.

De 1930 a 1980, com a industrialização do país, milhões de brasileiros deixaram o campo ou cidades menores e foram buscar trabalho nos grandes centros.

O Brasil passou de agrário a urbano. Como não tinham condições de comprar uma casa ou lote em lugares mais centrais, procuram a periferia.

Era mais barato, apesar da precariedade. As indústrias e melhores empregos ficavam em lugares mais centrais e mais caros. Para chegar ali só de transporte coletivo. “O governo federal lavou as mãos e entregou aos municípios a solução do problema do transporte. Os prefeitos seguiram a toada e fizeram concessão para a iniciativa privada e esta, como só pensa no lucro imediato, fez o que se nota pelo Brasil afora”

O governo federal lavou as mãos e entregou aos municípios a solução do problema do transporte.

Os prefeitos seguiram a toada e fizeram concessão para a iniciativa privada e esta, como só pensa no lucro imediato, fez o que se nota pelo Brasil afora.

Um transporte em que a acachapante maioria dos usuários acha os serviços muito ruins.

Tem pai que não vê o filho acordado. Quando chega em casa, ele está dormindo, quando sai na madrugada, para chegar a tempo no serviço, ele está dormindo ainda.

O governo deu prioridade e incentivos enormes às montadoras de carros e criou facilidades urbanas para esse tipo de transporte e não para o coletivo.

Tiram impostos de carros e dão condições para que bancos financiem veículos com até 72 meses para pagar.

Com motos é quase a mesma coisa. Em Cuiabá, como exemplo, se tem algo como 170 mil carros e 65 mil motos.

A pessoa melhora de vida e, como o transporte coletivo é uma tragédia, compra um carro ou moto. O tráfego se complica por aí também.

Metrô ajudaria, mas a coisa anda a passos de tartaruga.

O metrô de Londres começou em 1863 e tem 402 km, o povo foi indo para a periferia e o metrô foi junto e leva três milhões de passageiros por dia. O de Moscou transporta nove milhões de pessoas por dia e tem 325 km.

O metrô de São Paulo começou em 1968 e tem apenas 78 km para 4.6 milhões de pessoas por dia. O do Rio leva 780 mil passageiros-dia e tem míseros 41 km Não parece piada? Em Cuiabá a frota de ônibus é velha, até goteira tem.

São cerca de 370 ônibus, mais 90 micros para algo como 300 mil pessoas por dia.Tem-se em média 40 pessoas sentadas e outras 20 em pé, sem conforto nenhum.

Como é que tem uma cidade quente como Cuiabá em que os ônibus não têm ar condicionado? Por que isso não é obrigatório nas concorrências?

O que encabula, não só no caso de Cuiabá, é como a sociedade ainda não encontrou um meio de fazer com que o poder público encontre solução para um gigante problema da vida nacional.

Um dia a casa cai.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá.
www.alfredomenezes.com

 

onibus povo sofrendo no coletivo

4 Comentários

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  1. - IP 189.59.55.2 - Responder

    A Bolivia grande paixão do Alfredo,solucionou esse problema.Aboliu os ônibus,todo mundo anda a pé ou de bicicleta!

  2. - IP 177.7.117.216 - Responder

    Sistema de transporte de Cuiabá é o cartão de visita de Mauro Mendes. Uma grande merda.

  3. - IP 189.31.2.152 - Responder

    Mauro Mendes não tem vergonha na cara… seu sistema de transporte é um escárnio para com a população cuiabana. Gostaria de saber a opinião de Kléber Lima que sempre tem alguma coisa a dizer e, todavia, na questão do transporte coletivo, faz cara de paisagem. Sugiro que MM e Kléber Lima utilizem esse transporte durante um mês e depois apresentem um relatório com sugestões de solução. MM e Kléber Lima ainda acreditam que administrar Cuiabá é pintar meio fio com água e cal. Que visão atrasada, escrita, da coisa pública.

  4. - IP 189.31.2.152 - Responder

    Em lugar de “escrita”, leia-se escrota.

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