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ALEXANDRE PADILHA – Sedentarismo mata

Sedentarismo mata
ALEXANDRE PADILHA

A atividade física sempre foi defendida como benéfica para manter-se saudável e retardar o aparecimento de doenças. Uma recente pesquisa americana, realizada em 122 países, foi muito além dessa verdade incontestável, trazendo um forte alerta: a inatividade física mata e é mais letal do que o tabagismo.

De acordo com o estudo, o tabaco causou 5,1 milhões de vítimas fatais no mundo em 2008. Já o sedentarismo respondeu por 5,3 milhões de mortes. A inatividade seria responsável por 6% das doenças coronarianas, 7% das diabetes tipo 2, e 10% dos cânceres de mama e de pulmão. Os números levaram os cientistas a considerar o sedentarismo uma pandemia.

O Ministério da Saúde tem buscado investir não somente no tratamento de doenças, mas no cuidado de toda a saúde do brasileiro, da prevenção à cura.

O Programa Academia da Saúde, lançado em 2011, incentiva a prática a atividade física. O Programa está previsto no Plano de Ações estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não transmissíveis (DCNT) no Brasil.

Em Mato Grosso, 42 municípios serão contemplados com o programa. A previsão é construir 55 unidades no estado. Todas vão funcionar articuladas com as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e terão infraestrutura, com equipamentos e profissionais para orientação nutricional e alimentar, e desenvolvimento de práticas corporais e de atividades físicas, dentre outras. A intenção é construir 4 mil polos por todo o país até 2014.

A iniciativa reforça nosso empenho em assegurar a melhoria da qualidade de vida da população, sobretudo a mais vulnerável, ao mesmo tempo em que evita mortes prematuras e reduz custos com medicamentos e internações. A disponibilidade de espaços públicos para exercícios eleva em até 30% a frequência de atividades físicas.

Pessoas que passaram a se exercitar em projetos semelhantes apresentam melhoras na saúde, a exemplo do que ocorre no Rio de Janeiro. Em três anos, nas academias cariocas, 83% dos frequentadores diminuíram a dosagem do medicamento, 41% a frequência ao dia e 7% não precisam mais ser medicados. Outros fatores que aumentam o risco cardíaco também sofreram drásticas quedas: 88 % dos praticantes diminuíram o peso corporal, 62% o IMC e 84% a circunferência abdominal. Outra frente de atuação é com os planos de saúde. Resolução do Ministério da Saúde autoriza descontos para quem pratica atividade física.

O estudo americano também indicou que 80% dos adolescentes são sedentários. Para promover hábitos saudáveis em crianças e jovens, os ministérios da Saúde e da Educação trabalham em parceria para fortalecer o Programa Saúde na Escola, que leva médicos e profissionais das Unidades Básicas de Saúde à rede pública de ensino para aconselhamento nutricional e orientação de saúde. Cerca de 342 mil estudantes de 1.141 escolas devem ser atendidos em 80 municípios mato-grossenses, até o final do ano.

Anualmente, o Ministério monitora a saúde do brasileiro. A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2011) revela aumento do percentual de pessoas acima do peso nos últimos seis anos no Brasil, passando de 42,7%, em 2006, para 48,5%, em 2011. Cuiabá acompanhou a tendência nacional. O percentual de obesos da capital mato-grossense passou de 13,6%, em 2006, para 17,2%, em 2011. Com relação ao excesso de peso, os números passaram de 45 % para 51,7%.

No entanto, o estudo também traz a boa notícia da redução da inatividade entre os homens brasileiros no mesmo período, de 16% para 14,1%, uma redução de 0,7% ao ano. O Vigitel mostra ainda que 14,6% da população de Cuiabá é fisicamente inativa. Para sair da estatística de sedentarismo, não precisa praticar esporte. Exemplos da vida cotidiana como estacionar o carro um pouco distante do local a que se destina e finalizar o trajeto a pé, subir pequenos lances de escada ou mesmo brincar com os filhos ou passear com o cachorro ajudam a combater a inatividade. As Academias da Saúde são mais um incentivo para que todos abracem essa ideia.

*ALEXANDRE PADILHA, 41, é médico e ministro da Saúde

Categorias:Quebra Torto

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