ADVOGADO PAULO LEMOS: A (in)tolerância religiosa e o Enem

Paulo Lemos

Paulo Lemos

(In)tolerância religiosa e ENEM

Por Paulo Lemos

Por um lado, as midias sociais, como o próprio facebook, têm desempenhado um papel fundamental na democratização do acesso à informação e da interação entre todos nós.

Contudo, por outro lado, fruto duma linguagem  demasiadamente simplificada, cada vez menos as pessoas estão sendo convidadas a aprofundar e refletir sobre os temas compartilhados, eis que são expostos como estando prontos e acabados.

Por isso, a prova do ENEM deve ter sido um hercúleo desafio aos participantes, pois foram exortados a fazer algo com as informações que tinham, a problematizar o tema e traçar propostas de intervenções sociais possíveis, sem ferir os direitos humanos.

Porém, em tempo de tanto ódio destilado e preconceito revelado, de tanta alienação e manipulação pelos aparelhos ideológicos do Estado e das grandes corporações, a missão deve ter sido quase impossível para muitos.

Em pleno século XXI, só para se fixar no tema da redação proposto pela prova do ENEM, temos o Estado Islâmico, que não admite a hipótese do Estado laico e da liberdade de confissão religiosa, bem como um contingente de cristãos (fundamentalistas), católicos e/o u evangélicos, crendo que o ministério vocacional cinge-se a converter o próximo, ao invés de simplesmente amá-lo, ao ponto de reputar o “não crente” como destinatário do fogo do inferno.

É lógico que não se pode generalizar: a condenação geral e irrestrita costuma ser cega e autoritária. Entretanto é assustador ver o número de fanáticos dispostos a morrer e matar pelos seus respectivos credos religiosos.

Dá para acreditar nisso!? Como negar que o ciclo civilizatório aparenta estar em marcha-ré, de olho no passado sombrio da proibição do livre pensamento e da carência das demais liberdades fundamentais!? Daqui um pouco só falta ver as fogueiras acesas de novo e os capuzes voltando à moda… Parece piada, mas tragicamente não é.

Precisamos reverter esse processo de lavagem cerebral deletéria, dentro de casa, nas salas de aula e nos espaços públicos, sob pena de um apagar súbito das luzes da razão e aviltamento da condição humana.

Paulo Lemos é escritor, educador e advogado.

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