ADVOGADO JOSÉ ORLANDO MURARO: Os acontecimentos e a ressaca pós-atentados em Paris colocarão as políticas dos países na Síria nos eixos…. não existem saídas contra a crise dos refugiados e o terrorismo do Estado Islâmico sem reconhecer o que os eleitores sírios confirmaram nas urnas em 2014…..

Bashar al-Assad

Bashar al-Assad

As incoerências do jornalista Clóvis Rossi

 Por José Orlando Muraro 

 

 

Logo de manhã o primeiro boato.

 

Na padaria Vitória, a dona me faz ouvir uma mensagem de voz  passada pela amiga dela, “MARA”, que mora nos Estados Unidos. Em alto e bom som, ela informa que o gerente da conta dela, do Banco do Brasil, lá nos states, disse que dia 18 deste mês a presidenta Dilma vai congelar os depósitos das cadernetas de poupanças dos brasileiros…  e que era para replicar a mensagem e sacar o dinheiro da poupança imediatamente….

 

Como o PSDB não conseguiu levar adiante o terrorismo político, com pedidos e pedidos de imptimam ( assim fica bem melhor do que o anglicismo), agora está partindo para o terrorismo econômico….

 

Disse a ela que de madrugada tinha feito uma varredura em jornais brasileiros e nada tinha lido a respeito…. meros boatos…. cuja fonte é um gerente do Banco do Brasil nos States…. segundo a amiga dela….

 

Nem a revista VEJA, que só inventa e distorce a realidade e os fatos, publicou algo a respeito…Nem a direita mais extremada, como Bolsonaro, em recente visita a Cuiabá, aventou qualquer coisa neste sentido…

 

E de congelamento de poupança eu entendo. No dia 11 de agosto de 1981, uma segunda-feira, li um artigo do jornalista Lourenço Diaféria, da Folha de S Paulo, onde claramente ele informa que o governo do general Figueiredo estava estudando congelar os recursos depositados nas cadernetas de poupança, como forma de enxugar a base monetária e reduzir a inflação….

 

Como minha esposa estava internada, com sérios problemas na gravidez da primeira filha, eu saí da emissora de rádio e fui para o hospital. E por lá fiquei, alheio a tudo e a todos….não compareci na TECNASA, empresa em São Jose dos Campos, onde trabalhava… voltava para casa à noite e saía na manhã seguinte, rumo ao hospital ….

 

Na sexta-feira, 13 de agosto de 1981 nasceu Joseane, nossa primeira filha. No sábado retornei com a mãe e o bebê para casa. E aí me encontraram. O José Luis, o Edson e o  professor Acácio que narraram que a emissora de rádio colocou no ar, por diversas vezes, a leitura que havia feito da matéria da Folha de S Paulo …e que o centro da cidade de São José tinha virado uma praça de guerra, com todo mundo querendo fazer a retirada do dinheiro da caderneta de poupança…. um caos e eu sem saber de nada…. de casa para o hospital… e todos pensando que eu estava preso…

 

Logo depois chegou a intimação da Polícia Federal. Depoimento em 13 de setembro, no prédio onde funcionou a antiga sede da Estada de Ferro Sorocabana, em frente da Estação Júlio Prestes, no centro de São Paulo.

 

O diretório estadual do Partido dos Trabalhadores escalou o advogado Luiz Eduardo Grenhalg para me acompanhar. Quando desci do ônibus liguei para o seu escritório. Uma mulher se apresentou como Mônica e disse que o Luiz Eduardo estava no Pará, defendendo dois padres franceses, mas que tinha outro advogado escalado para me acompanhar. Disse que não precisava, e sozinho, fui para o Deops…. atravessei uma das catracas, e em um guichê, também da época da ferrovia, apresentei a intimação e me mandaram subir para depor com o delegado federal.

 

Edsel Magnotti, o torturador número dois da relação do livro BRASIL NUNCA MAIS…. entre as salas de Edisel e Romeu Tuma a foto do delegado Sérgio Paranhos  Fleury, torturador renomado e  que tinha criado o esquadrão da morte em São Paulo. Havia falecido em 1979. Segundo outro delegado do Dops, Claudio Antônio Guerra, no livro “Memórias de uma Guerra Suja”, Fleury foi morto a mando dos próprios militares, eis que havia ficado rico desviando contribuições de empresários para o combate aos grupos armados e que não obedecia mais ninguém…e nem dividia os lucros…

 

O depoimento foi muito engraçado… estávamos em 1981… dois anos de mandato do general Figueiredo, Lei de Anistia, reforma partidária, greve e greves pelo Brasil, o pedido de uma Constituinte Livre, Soberana e Democrática…. enfim…. um outro Brasil…

 

Edsel Magnotti folheou um relatório e me perguntou se era um militante profissional de alguma organização, pois lá dizia que eu estava sempre sendo despedido dos meus empregos por agitação…

 

-Não. Trabalho há três anos na mesma empresa…. Mostrei a minha carteira de trabalho para ele conferir. –E o quê você faz nesta empresa, especificamente?

 

-Sou técnico em eletrônica… trabalho ajustando a freqüência de equipamentos para aeroportos civis  e bases  militares, principalmente do Exército Brasileiro….

 

-Como assim? Você sabe todas as frequências? Você é um agitador… como assim?

 

-Sou o melhor que eles têm…. e tem equipamentos que só eu consigo ajustar na freqüência correta…

 

Ele se ajeitou no espaldar da cadeira, fechou o relatório e olhou para o escrivão, um japonês, por sinal….

 

Perguntou se tinha algo a declarar sobre a notícia do congelamento dos depósitos das cadernetas de poupança. Passei a folha do jornal com o artigo do Diaféria. Ele disse que ia suspender o depoimento, pois ele queria averiguar as minhas informações com a empresa TECNASA. Fui para o subsolo, onde tiraram as minhas digitais…. e de lá voltei para São José dos Campos. Voltei para o outro depoimento, mas fui acompanhado pelo Luiz Eduardo Greenhalgh

 

Tempos depois, no Primeiro Congresso Estadual do PT, na sede da Câmara Municipal de São Paulo, o advogado Luiz Eduardo me encontrou e disse que o inquérito tinha sido arquivado. Notícia notória, publicada pelo jornal de maior circulação no Brasil. Eu apenas tinha lido a matéria….

 

Nove anos depois, em 1990, o então recém-eleito presidente Fernando Collor de Mello toma posse em 15 de abril e congela os depósitos das cadernetas de poupanças…. era o início do fim para ele….

 

O congelamento dos  depósitos das cadernetas de poupança, nos dias atuais, que faz parte do arsenal de terrorismo econômico do PSDB, não tem o menor sentido. Em primeiro a inflação anual continua abaixo de dois dígitos. Na época de Collor atingia 70% AO MÊS ….. isto mesmo: ao mês….2070% ao ANO…..

 

E desde o Plano Real (19994) a base monetária é rigidamente controlada, sendo proibida a impressão de papel moeda ( M1 e M2) sem informar ao Congresso Nacional…

Mas a boataria está aí……

 

Quando retornei para  o escritório, acessei a internet e novamente os jornais brasileiros…nada…. nem uma referência à idiotice propalada dos States….

 

Mas, acabei tropeçando em um texto do Clóvis Rossi, jornalista que respeito há décadas….

 

O texto “Estamos Perdendo a Guerra”, destoa por duas incoerências imperdoáveis para um profissional com mais de 40 anos ….

 

A primeira é quando ela afirma que, somente após novas eleições, a Síria terá um governo legítimo…. É, sem tirar nem por, o mesmo golpismo do PSDB no Brasil: perdemos a eleição, queremos um terceiro turno….

 

A Federação Russa é bem clara ao reconhecer que Bashar Al Assad foi reeleito em 2014, em uma eleição direta ,por 88,7% dos sírios, que querem o fim da guerra civil…. cerca de 73,42% dos eleitores sírio compareceram às urnas…. em um pais afogado pela guerra civil desde 2011…. 73,42 % dos eleitores compareceram para votar…..

 

Nem os Estados Unidos contestaram a eleição de Al Assad em 2014…..

 

E Putin tem colocado o dedo diretamente na ferida: sem o reconhecimento da legitimidade de Al Assad não há saída para a guerra civil, o terrorismo do Estado islâmico e a crise dos refugiados….

 

Mas a ficha caiu para o presidente francês, que declarou HOJE, nesta segunda-feira pós atentados:…… “Na Síria, nós estamos procurando uma solução política para o problema, que não é Bashar al-Assad. Nosso inimigo na Síria é o Estado Islâmico”, declarou Hollande durante um encontro com parlamentares franceses…… simplesmente retoma os argumentos da Federação da Rússia, colocando no foco quem realmente é o inimigo. A fonte: BR.sputiniknews.com. Quem quiser é só cliclar e conferir.
E vem a segunda incoerência: em sendo legítimo o governo de Al Assad, pela esmagadora maioria dos eleitores sírios, pelos presidentes da Federação Russa e da França,   os grupos armados que lutam contra o seu governo são TERRORISTAS armados e alimentados pelos Estados Unidos, Alemanha e outros… e a própria França, que começa a entender, “a duras penas”, aquilo que a Federação Russa, já há  tempo vem defendendo.

Mas Clóvis Rossi varre isto para debaixo do tapete… critica o fato de que os bombardeios russos não atingem somente o Estado Islâmico, mas também outros grupos rivais de Bashar al Assad….

 

Clóvis Rossi não explica o fato de que os Estados Unidos bombardeiam posições do Estado Islâmico, mas nunca os da Frente Al-Nusra, que é declaradamente o braço sírio da Al Quaeda…. e que a Federação Russa tem bombardeado…

 

O artigo de Clóvis Rossi me lembra  uma piada. O valoroso e mascarado Zorro cavalga com seu escudeiro, o índio Tonto. Quem traduziu o nome do índio para  “tonto”?  Brincadeira de mau gosto….

 

Em determinado momento, os dois se vêm cercados de índios por toda parte…. e Zorro exclama:

 

-Nós estamos cercados, Tonto….

 

E o índio pergunta:

 

– Nós quem, cara-pálida?

 

É isto aí com o texto do Clóvis Rossi: estamos perdendo a guerra….

 

-Nós quem, cara-pálida?

 

Quem está perdendo a guerra são os Estados Unidos, a Alemanha e até hoje, a França…. e a Federação Russa é, até o  momento a única que faz a   leitura correta dos fatos…..

 

Os acontecimentos e a ressaca pós-atentados em Paris colocarão as políticas dos países na Síria nos eixos…. não existem saídas contra a crise dos refugiados  e o terrorismo do Estado Islâmico sem reconhecer o que os eleitores sírios confirmaram nas urnas em 2014…..

 

É o suficiente por hoje.

muraro, josé orlando - advogado mt - na pagina do enock

 

Jose Orlando Muraro Silva

Advogado,

portador da Sindrome de Asperger
Segunda-feira
16 de novembro de 2015
Cuiabá, MT

 

——

Estamos perdendo a guerra  – Clóvis Rossi

 

John Kerry, o secretário norte-americano de Estado, diz, com segurança e com razão: é impossível resolver o problema representado pelo Estado Islâmico sem antes resolver a questão síria.

Concordo, Kerry, mas há uma pergunta inevitável: resolvido o problema sírio, resolve-se realmente o problema do terrorismo?

Mikhail Bogdanov, vice-ministro russo das Relações Exteriores, parece achar que sim. Disse à Folha que o problema sírio é de governança e, uma vez estabelecida esta, nos termos negociados em Viena no sábado, 14, ela estaria assegurada, acha Bogdanov.

Em Viena, o que se acertou é um processo de transição, após um indispensável cessar-fogo, seguido de eleições dentro de 18 meses.

Aí a Síria teria um governo legítimo, o que lhe daria condições de estabilizar-se. Enquanto isso, no entanto, Bogdanov defende, como quase todo mundo, a continuação e/ou a intensificação das operações militares contra o Estado Islâmico (ele jura que a Rússia está operando contra os terroristas instalados na Síria, uma jura que não tem total credibilidade no Ocidente; os EUA, por exemplo, acreditam que a Rússia ataca todos os adversários do ditador Bashar al-Assad, terroristas ou não).

Muito bem, digamos que os caminhos Kerry e Bogdanov confluam e se inicie um processo de paz na Síria.

Combinaram com o Estado Islâmico? Não. Derrotá-lo militarmente exigiria pôr tropas em terra, o que é complicado, como admite Laurent Fabius, o chanceler francês:

“Para uma intervenção militar por terra, seriam necessárias várias dezenas de milhares de homens, resultando, provavelmente, em pesadas perdas”, disse ele em recente entrevista ao “Parisien”.

Sem tropas em terra, é pouco provável que o Estado Islâmico permita a realização de uma eleição minimamente normal em prazo tão curto.

Mesmo na hipótese de que o grupo terrorista seja desalojado dos territórios que ocupa na Síria e no Iraque, o problema do terrorismo não desapareceria.

Seria simplesmente deslocado das decapitações no Oriente Médio para, por exemplo, explosões na França. Como informa o “Financial Times” deste fim de semana, a França calcula que existam 571 cidadãos do país lutando por organizações terroristas, o que inclui 246 que já retornaram ao seu país.

Como os atentados da sexta-feira envolveram, ao que tudo indica, apenas oito terroristas, há 30 vezes mais “soldados” já disponíveis em solo francês.
Na verdade, são muitos mais, sempre segundo o “FT”: cidadãos franceses envolvidos em células terroristas (adormecidas, mas facilmente mobilizáveis) são cerca de 2.000, e há outros 3.800 que mostram sinais de radicalização islamista.

Em outros países europeus e mesmo nos Estados Unidos, há um “exército de reserva” em condições de atacar a qualquer momento e que terá sangue nos olhos se o Estado Islâmico for expulso do seu autodenominado califado.

Entende-se, nesse cenário sombrio, por que os líderes do G20, que são as grandes potências mundiais, não estão conseguindo ir além de declarações óbvias de condenação à barbárie.

 

 

Categorias:Cidadania

4 Comentários

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  1. - IP 201.47.154.122 - Responder

    Parabéns Muraro. Seu lúcido artigo coloca luz nessa penumbra que os grandes veículos de comunicação e seus caneteiro paus mandados tipo Clóvis Rossi, fazem questão de manter para justificar a barbárie. Este Rossi Muraro, faz 15 anos que deixei de ler, pois, tenho melhores fontes para gastar meu tempo. Dos articulistas Falha de SP, só leio Jânio de Freitas.

    Aliados dos americanos, como a Arábia Saudita, tem cara de pau de dizer que querem derrubar Assad para levar democracia à Síria. A cínica dinastia saudita que faz uma ditadura há décadas, lá sabe o que é democracia?

    É por falta de esclarecimento que muita gente boa foi nessa onde de tingir suas imagens nas redes sociais com as cores da França após o atentado. Uma nação que apóia o bombardeio de civis pelo mundo afora, não merece essa homenagem. Com todo respeito aos mortos nos atentados de Paris.

    • - IP 191.33.217.188 - Responder

      Para o Ademala, quem merece ser lido na Folha é o filopetista Jânio de Freitas.

      Para o filopetista Ademala, quem merece homenagens não é a França e os valores franceses que são os mesmos do mundo civilizado.

      Só faltou o filopetista Ademala dizer que quem merece homenagens são os “cumpanherus” cortadores de cabeça.

      Faltou ainda o Ademala dizer que homenageados devem ser os valores dos “cumpanherus” cortadores de cabeça.

      Faltou ainda o Ademala homenagear os valores petistas implantados na Petrobrás.

    • - IP 177.221.111.250 - Responder

      O que falta mesmo é o Ademar ter cabeça para pensar.

    • - IP 177.221.111.250 - Responder

      A ditadura da Arabia Saudita ficar contra Assad para levar democracia à Síria é, de fato, uma ironia.

      Os petralhas do Brasil comandados por LuLLão, que rima com…, e Dilmentira sempre se engraçaram para ditadores como o da Síria, de Cuba, da Venezuela e de diversos países da Africa. MAS ISSO NÃO É IRONIA PORQUE OS PETISTAS SE LAIRAM COM ESSES DITADORES PARA APOIA-LOS EM SUAS TAREFAS DE CONTINUAREM DITADORES.

      Onde houver uma ditadura o PT e suas linhas auxiliares ficarão a favor.

      Onde houver valores democráticos o PT agirá contra.

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