ADVOGADO JOSÉ ORLANDO MURARO: O que o MPF está fazendo neste Brasil é algo bem calhorda: premiando os traidores. E mais… acordos do arco da velha, que reduzem a pena do indigitado e mantém parte do patrimônio que o criminoso amealhou…com o crime que ele mesmo denuncia!!! Sei lá, guardando as devidas proporções, Judas foi bem mais decente na sua justificativa… do que os vários traidores que lançam, sem provas nem recibos, acusações contra este ou aquele, conforme o pedido do juiz Sérgio Moro. O acordo feito com o doleiro Youssef é um crime contra o patrimônio público! É uma afronta ao texto legal que determina que o fruto do roubo seja confiscado do criminoso!!!

Alberto Youssef, doleiro, um dos delatores da Lava Jato e o juiz federal Sérgio Moro, do Paraná

Alberto Youssef, doleiro, um dos delatores da Lava Jato e o juiz federal Sérgio Moro, do Paraná

Delação ou traição premiada??

POR JOSÉ ORLANDO MURARO

 

A história é escrita pelos vencedores. Aos perdedores, as batatas e um túmulo sem lápide em um canto  qualquer…

 

Algumas vezes, os fatos são  narrados pelos vencidos. O exemplo paradigmático, a começar pelo título, “A Dialética da Derrota” de Carlos Altamirano, sobre a ascensão e derrocada do governo de Unidade Popular, no Chile, de 1970 a 1973. Neste caso em especial, os vencedores, comandados pelo general Pinochet, não tinham interesse em escrever a história do golpe, pois teriam que confessar o envolvimento da CIA, o assassinato em massa dos adversários, etc…

 

Este é o livro que a Dilma deveria ter lido. Mas não o fez… está tudo ali… como se trama um golpe com  o apoio do Judiciário..

 

Mas existe um filão histórico quase nunca aproveitado, ou, na maioria dos casos, rejeitado pelos historiadores como não tendo qualquer valor como fonte de narrativa dos fatos.

 

São os livros escritos pelos TRAIDORES. Normalmente escritos a posteriori, como forma de justificar seus atos, tidos ou havidos, como ignóbeis.

 

Depois de dois mil anos de ter sido escrito, e quarenta anos de estudo pelos maiores exegetas e religiosos de todas as matizes, a notícia é de espantar. O denominado EVANGELHO DE JUDAS, ou também de Códice Tchacos, é verdadeiro, sendo cópia de  outro, bem mais antigo.

 

Judas se justifica com uma frase lapidar proferida pelo Cristo: “Tu vais ultrapassar todos. Tu sacrificarás o homem que me revestiu“.

 

Ou seja, para cumprir as profecias de Isaías, e libertar o espírito,  o cordeiro deveria ser morto. E Cristo, segundo Judas, o encarregou de entregá-lo aos romanos.

 

Mas há mais coisas naquele Códice. Cristo, segundo o narrador, revelou à ele a ordem dos seres angelicais, e que o mundo dos seres humanos não foi criado pela Divindade Suprema, mas por um demiurgo, um deus menor, cheio de imperfeições. Por isso as coisas andavam fora da ordem, sem nenhum controle. E assim continuam até hoje…

 

Este texto era desconhecido. Mas esta forma de explicar a criação do mundo sempre esteve presente entre os gnósticos, Rosa-Cruzes, e, em menor grau, na Maçonaria. Basta ver que este deus menor, é chamado de DEMIURGO, artífice, arquiteto ou artesão, em bom grego.

 

Dois mil anos depois, o maior traidor da História humana se apresenta. E narra os fatos de forma bem diferente. Era o preferido do Cristo. O único que tinha consciência da missão daquele. Só você pode me entregar aos romanos, para que as profecias se cumpram!!.

 

Coação irresistível. Não podia ter agido de outra forma….

 

Volto ao problema proposto no intróito; qual o valor, como fonte histórica, que tem os depoimentos e textos dos traidores, ou daqueles assim tidos pelos seus, em sua própria época?

 

Tempos atrás li o depoimento do Cabo Anselmo, que, de líder de marinheiros em 1964, passou a traidor, trabalhando para a ditadura militar brasileira, enquanto estava “exilado” no Chile. Com extrema frieza, ele declara os nomes de militantes que foram presos, torturados e, muitos deles, assassinados, nos porões da ditadura, a partir da sua traição.

 

É de embrulhar o estômago.

 

Em épocas de delação premiada, tão em moda neste País, é de se perguntar sobre qual o valor destes depoimentos, sem provas e sem recibos???

 

Apenas a palavra de um preso, sem a presença de ninguém, a não ser seus advogados e o Juiz do feito?

 

E os delatados são presos imediatamente, sem direito ao conhecimento prévio  da acusação. Somente após a detenção.

 

Onde fica o direito do contraditório????

 

Há uma diferença bem clara entre DELAÇÃO e TRAIÇÃO. O delator é alguém que sabe do assunto, mas  não tem participação direta nos lucros. É o alcagueta, ou X-9 .O seu depoimento é apenas superficial, circunstancial.

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O traidor não. A sua situação é bem diferente. Ele é partícipe da operação que ele denuncia. Ele estava lá, junto com os outros. Ombro a ombro. Preso, ele trai seus antigos comparsas, reais ou inventados.

 

E a traição, todas elas, têm um fator preponderante: o traidor se coloca como um partícipe sem muita expressão. Não assume que era o líder, do que quer que se investigue. Isto é simples: se assumir que era o líder, isto não é nem delação e nem traição. É uma CONFISSÃO pura e simples.

 

O que o Ministério Público Federal está fazendo neste Brasil é algo bem calhorda: premiando os traidores. E mais… acordos do arco da velha, que reduzem a pena do indigitado e mantém parte do patrimônio que o criminoso amealhou…com o crime que ele mesmo denuncia!!!

 

O acordo feito com o doleiro Youssef é um crime contra o patrimônio público! É uma afronta ao texto legal que determina que o fruto do roubo seja confiscado do criminoso!!!

 

Teremos de esperar dois mil anos para que estes acordos de traição sejam devidamente avaliados pela História?

 

Sei lá, guardando as devidas proporções, Judas foi bem mais decente na sua justificativa… do que os vários traidores que lançam, sem provas nem recibos, acusações contra este ou aquele, conforme o pedido do juiz Sérgio Moro.

 

Nem os julgamentos de Moscou, comandados por Stalin, chegaram ao desplante dos processos comandados pelo juiz Sérgio Moro. Nem Stálin foi tão longe….

 

E eu ainda sou advogado?

 

O certo é rasgar a carteira da OAB e ir vender espetinho na esquina… a lei neste País não existe mais… não há mais garantias processuais…o certo é jogar a Constituição federal no lixo…

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muraro, josé orlando - advogado mt - na pagina do enock

Jose Orlando Muraro Silva, morador em Chapada dos Guimarães, fundador do jornal Pluriverso Chapadense e portador da Síndrome de Asperger

 

 

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