ADVOGADO EDÉSIO ADORNO: Zé Pedro Taques precisa dar o pulo do gato, caso queira reconquistar apoio da população

Mudança de partido soergue ou enterra Taques?
Edesio Adorno

 

Hostis por natureza ao governador Pedro Taques (PSDB), o atraso ou escalonamento salarial, aliada a possível aprovação da PEC do Teto dos Gastos, recrudesce os ânimos dos servidores públicos contra o inquilino do Paiaguás.
Taques sabe que nesta encarnação e, talvez nem na próxima, consiga reverter a abismal rejeição do funcionalismo público ao seu governo.
O clima de tensão e a permanente beligerância entre Taques e os trabalhadores tem como causa provável a arrogância, a empáfia e a falta de diálogo e, não necessariamente, a perda de direitos, conquistas ou benefícios trabalhistas.
Fornecedores e prestadores de serviços estão desolados. O governo não honra os compromissos assumidos. Os efeitos negativos dessa prática se espraiam pelo estado afora. Taques já está sendo malhado, como se fosse um Judas fora de época.
A saúde pública nunca enfrentou tamanha crise financeira e de gestão. Prefeitos reclamam de atrasos nos repasses constitucionais e a população grita desesperada. O caos é total e generalizado. A justificativa do governo é sempre a falta de dinheiro.
Bem, essa realidade não aceita mitigação.
Do ponto de vista administrativo, Taques precisa dar o pulo do gato, caso queira reconquistar o apoio da população e se habilitar politicamente para disputar um novo mandato de governador.
O pulo do gato exige ousadia para decidir e fazer; humildade para reconhecer erros e capacidade de diálogo. O povo deixou a passividade e assumiu o ativismo político. As redes sociais transformaram o cidadão em protagonista de sua própria história.
Fora as questões de cunho administrativo, o cenário político ainda é indefinido, o ambiente tornou-se favorável a mudanças e a renovações amplas, gerais e irrestritas, como diria Enock Cavalcante. Pescoços serão decepados na Assembleia Legislativa e, se o Parlamento ainda funcionasse no Campo D’Ourique, cabeças seriam lançadas ladeira abaixo.
Zé Taques tem estatura moral, as mãos limpas e seu nome não figura em casos de corrupção. Recente decisão do ministro Luiz Fux, do STF, o inocentou até de uso de Caixa Dois em sua campanha eleitoral. Isso favorece, mas não resolve a questão política.
Tucanos alegam que Taques tratou com indiferença o PSDB; o governador contra argumenta e afirma que o partido nunca fez sua defesa de forma franca, aberta e incisiva. A lua de mel acabou.
Taques já não depende mais de Taques para disputar com chances reais de êxito um novo mandato de governador. Tornou-se refém de Jayme Campos, Blairo Maggi e Mauro Mendes. Alguém poderia supor que a chegada dos dissidentes do PSB ao DEM teria o poder de inflar o ego de Jayme Campos a ponto de motivá-lo a tentar seu retorno ao Paiaguás.
Minha leitura é outra!
O atual vice-gornador e secretário de Meio Ambiente, Carlos Favaro (PSD), roubou a cena, ganhou visibilidade pública, revelou-se administrador habilidoso – o fim da greve no Detran é uma pequena amostra disso -, virou consenso para o grupo político que está no poder e nele quer permanecer e até para setores da oposição que batem cabeça a procura de um nome politicamente viável.
Favaro governador. Blairo Maggi e Mauro Mendes para o senado. Essa chapa agradaria o agronegócio e contemplaria a baixada cuiabana, que voltaria a ter um senador da República. Jayme Campos e Nilson Leitão não seriam obstáculo a formação dessa nova frente polícia, que, inclusive pode ter o apoio do senador Wellington Fagundes (PR) e do prefeito de Cuiabá, Emanoel Pinheiro (PMDB), além de dezenas de prefeitos insatisfeitos com o governo do estado.
Ah, isso é apenas especulação argumentativa; meras possibilidades. Não, meu caro leitor! Trato aqui de probabilidade, o que não se confunde com possibilidade. Favaro, por seus predicados individuais, representa a probabilidade de manutenção do poder político por parte das forças que sustentaram o governador Taques até aqui.
E mais, para concluir, se Taques não fizer como a Águia, que ressurge rejuvenescida das cinzas, a troca do PSDB pelo PPS ou por qualquer outra legenda, terá como efeito prático apenas possibilitar o revezamento dos braços que vão sustentar seu caixão político. O velório segue inexorável. Lindas e límpidas biografias também descem ao tumulo ou são arremessadas ao ostracismo. Se Taques não sabia disso, o avisado está dado, se é que me entende.

 

Edésio Adorno é advogado em MT. Texto publicado originalmente no RD News

E-mail: [email protected]

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

cinco × 5 =