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ADVOGADO E EX-PROCURADOR ROBERTO TARDELLI DENUNCIA TRECO AUTORITÁRIO MONTADO PELO GOVERNADOR E EX-PROCURADOR ZÉ PEDRO TAQUES: “Tem um balaio de nulidades na operação Sodoma e afirmo que este processo é um cadáver jurídico. Alguém vai ter que ter autonomia e independência para assinar esse atestado de óbito. Houve um decreto que criou uma matilha, uma alcateia furiosa que é o Cira (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos). Isso é algo que jamais vi na vida. O governador do Estado, do alto do seu poder imperial, assina um decreto, se proclama presidente como se fosse Napoleão Bonaparte e determina que desta comissão faz parte o procurador-geral de justiça cujo cargo é marcadamente independente. O procurador-geral de justiça abdicou de sua independência atingindo a instituição inteira para participar de um treco que vai perseguir opositores políticos ao governador. Se alguém ler este decreto é de assustar. O governador designa as funções das pessoas e escolhe quem é alvo de investigação. E alguém consegue defender uma operação dessas? Cadê a consciência jurídica de Mato Grosso? Isso é ilegal, imoral e inconstitucional. É a primeira vez que vejo um político do porte do governador definir quem vai perseguir”

Zé Pedro Taques, ex-procurador da República e atual governador de Mato Grosso e Roberto Tardelli, ex-procurador de Justiça em São Paulo e advogado do ex-secretário de Fazenda de MT, Marcel de Cursi

Zé Pedro Taques, ex-procurador da República e atual governador de Mato Grosso e Roberto Tardelli, ex-procurador de Justiça em São Paulo e advogado do ex-secretário de Fazenda de MT, Marcel de Cursi

ANULAÇÃO DA SODOMA

Advogado lamenta poder imperial em MT e vê operação como “cadáver jurídico”

Tardelli prevê que anulação de delação de empresário gerará fim do processo

RAFAEL COSTA
Do FOLHA MAX

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Responsável pela defesa do ex-secretário de Estado de Fazenda, Marcel de Cursi, no processo criminal que indica a existência de uma quadrilha que cobrou propina para conceder incentivos fiscais a empresas privadas durante o mandato do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o advogado e procurador de justiça aposentado de São Paulo, Rogério Tardelli, classifica o processo como um cadáver jurídico e elenca, em sua avaliação, atos que poderão levar à nulidade. “Houve uma figura esquizofrênica processualmente que é o colaborador vítima, o que não existe em nenhum processo de direito. Esse ‘Zé’, com o depoimento dele, deflagra a prisão de todos e tem a colaboração premiada revogada, que é uma invenção cuiabana e pode até ser patenteada. Se não existe mais a colaboração premiada, por que os demais estão presos?”, questiona. 

Com origem no Ministério Público, Tardelli faz uma avaliação crítica da instituição. Em sua visão, o Ministério Público está afastado do seu papel de cumprir a garantia democrática e tem adotado estilo conservador. “Quando se tem um Ministério Público destinado a perseguir pessoas, nós deixamos de ter uma instituição para se ter uma matilha que vai começar a morder indiscriminadamente. 

 

FOLHAMAX – A operação Sodoma tem violado direitos e garantias fundamentais? Qual sua avaliação?

TARDELLI – Tem um balaio de nulidades na operação Sodoma e afirmo que este processo é um cadáver jurídico. Alguém vai ter que ter autonomia e independência para assinar esse atestado de óbito. Você pode fazer o compromisso de que nunca vai cometer um crime, mas não se pode fazer o mesmo em relação a jamais ser processado. Isso não depende de você. Houve um decreto que criou uma matilha, uma alcateia furiosa que é o Cira (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos). Isso é algo que jamais vi na vida. O governador do Estado, do alto do seu poder imperial, assina um decreto, se proclama presidente como se fosse Napoleão Bonaparte e determina que desta comissão se faz parte o procurador-geral de justiça cujo cargo é marcadamente independente. O procurador-geral de justiça abdicou de sua independência atingindo a instituição inteira para participar de um treco que vai perseguir opositores políticos ao governador. Se alguém ler este decreto é de assustar. O governador designa as funções das pessoas e escolhe quem é alvo de investigação. E alguém consegue defender uma operação dessas? Cadê a consciência jurídica de Mato Grosso? Isso é ilegal, imoral e inconstitucional. É a primeira vez que vejo um político do porte do governador definir quem vai perseguir. É o que está escrito no decreto. Ele deflagra as competências, portanto é ele quem aperta o botão vermelho após indicar o alvo das investigações. A Operação nasce com o sinal de Caim. Tudo que nasce de uma aspiração assim não pode estar certo. A operação Sodoma é um fato criado.

 

FOLHAMAX – Quais seriam as falhas processuais da operação Sodoma?

TARDELLI – Houve uma figura esquizofrênica processualmente que é o colaborador vítima, o que não existe em nenhum processo de direito. Ele disse que pediram para pagar dívida de campanha. Qual o problema disso? Ele se diz vítima de uma coação ou de uma ameaça que jamais foi descrita. Esse senhor misteriosamente estava um belo dia na casa dele, caiu uma maçã na cabeça dele, ele procura um advogado, que vai até o Ministério Público e propõe uma delação premiada sem que ele estivesse na investigação. Já permite um mau cheiro vindo deste caldeirão de maldade. Um empresário sai do nada, comunica um advogado que estava cometendo crime quando na verdade não estava, mas esse advogado o convence e o leva ao Ministério Público para contar uma história. Compromete-se ainda a devolver dinheiro. A Justiça passa a mão na cabeça dele, o considera vítima, parcela a devolução do dinheiro, mas ainda afirma que ele é réu. A lei diz que deve ser réu colaborador aquele que  admitir a participação em uma organização criminosa. Alguma coisa acontece, vira o vento e ele aparece como vítima. Daí, não devolve mais dinheiro, deixa de ser réu e não sofrerá pena nenhuma. Esse ‘Zé’, com o depoimento dele, deflagra a prisão de todos e tem a colaboração premiada revogada, que é uma invenção cuiabana e pode até ser patenteada. Se não existe mais a colaboração premiada, por que os demais estão presos?

 

FOLHAMAX – As investigações apontam o ex-secretário Marcel de Cursi como mentor intelectual do esquema de cobrança de propina. Há elementos suficientes disso nos autos em sua avaliação?

TARDELLI – Se eu acuso alguém de ser o mentor intelectual, do que eu estaria acusando concretamente? Imagine um professor que chega numa sala de aula e acusa um aluno de ser o mentor intelectual de uma baderna e pede para você mostrar que não é. Não tem como ser provado o contrário. Isso não é acusação, mas uma difamação. Não é um fato, é uma situação da qual não se defende. Ser mentor intelectual não representa nada juridicamente. O que ele fez? A denúncia usa expressões grotescas do ponto de vista jurídico. Não se pode acusá-lo de editar normas esdrúxulas, artimanhas tributárias, não se pode dizer isso. Quando não posso dizer nada, acuso-o de ser mentor intelectual. Mas o que seria isso? É uma palavra muito forte de um significado vazio. Quando se trabalha dentro de um processo tudo o que é dito tem que ter sentido processual. Isso é um delírio acusatório. Quando não se pode acusar de nada, se acusa de ser o mentor intelectual porque dessa acusação não se livra nunca.

 

FOLHAMAX – Uma das primeiras medidas à frente da defesa do ex-secretário Marcel de Cursi foi solicitar à Justiça o impedimento da divulgação de imagens pela imprensa do seu cliente. O senhor defende que deve imperar o sigilo nos processos envolvendo autoridades públicas?

TARDELLI – Não é isso! Tem que caminhar com duas coisas. Uma delas é o direito de informar que é uma garantia constitucional e também o direito da privacidade, que é outra garantia constitucional e outro direito fundamental que é a presunção da inocência. Se somar a presunção de inocência, que é uma garantia de todo cidadão, eu não posso ser exposto como se culpado fosse antes de vir a ser declarado como tal. Todo cidadão tem direito à privacidade e ter sua intimidade preservada. Eu posso ser filmado numa situação em que estou sendo absolutamente diminuído? Se eu permitir, sim; do contrário… A primeira coisa que o Marcel me pediu foi combater o escárnio que se fazia deles a cada movimento feito. Não se trata de limitar o direito à informação. Imaginemos que uma figura de alta proeminência é atingida por um tiro e é encaminhado para o médico. Tem sentido filmar a cirurgia? Não! Da mesma forma, a audiência é uma cirurgia jurídica. Desta cirurgia podem resultar consequências como a absolvição do réu. Mas aí, absolvido ou não, ele já está exposto. E essa exposição não lhe preserva o princípio da presunção de inocência, da ampla defesa e contraditório, do devido processo legal e privacidade. Essa forma de exposição não colabora com a administração da Justiça e destrói completamente a vida da pessoa. Na imprensa inglesa ninguém pode falar que existe censura. E nenhum veículo de comunicação divulga o nome de quem está sendo processado. Esses réus da operação Sodoma terão problemas depois, ainda que sejam absolvidos.

 

FOLHAMAX – Enquanto atuou no Ministério Público, o senhor ficou conhecido pelos pareceres muitas vezes contrários à instituição. O senhor avalia que a atuação do MPE deve ser repensada?

TARDELLI – Aos estudantes de Direito, primeiro queria dizer uma coisa: é muito bom ser promotor de justiça. Ele tem uma coisa que nenhuma outra carreira tem, que é a autonomia funcional. Se perder isso, se torna um cão, deixa de ser agente para se tornar um pit bull mandado por alguém. O grande barato do Ministério Público é trabalhar de acordo com a lei e com a sua consciência. Eu nunca aceitei em hipótese alguma alguém chegar e falar: faça isso! Ou isso é bom para a sociedade? Quem sou eu para dizer o que é bom para a sociedade? Isso é a sociedade que deve falar. Quando o Ministério Público começa a se comportar não mais como uma instituição de liberdade, mas com uma estrutura quase que monárquica com pensamento único e monolítica, começa a perder muito da sua essência. Quando se tem um Ministério Público destinado a perseguir pessoas, nós deixamos de ter uma instituição para se ter uma matilha que vai começar a morder indiscriminadamente. O promotor de justiça não pode falar que cabe ao acusado provar sua inocência. Ele tem que saber da presunção de inocência e o compromisso dele não é com a melhoria das investigações ou da segurança pública. Não se melhora a segurança pública condenando um jovem negro pego com 10 gramas de cocaína. Isso só está agravando um conflito social. A preocupação deve ser com a ordem democrática. A prova produzida tem que ser lícita, o promotor de justiça deve ser o primeiro a oportunizar a ampla defesa ao réu, não se pode perder na ausência de significado das coisas. Um exemplo: o interesse público reclama que alguém não vai preso. Que interesse público? Isso não tem sentido.

 

FOLHAMAX – Estaria o Ministério Público violando prerrogativas constitucionais?

TARDELLI – Está! Desgraçadamente, está! Isso eu falo com uma profunda tristeza e não em tom acusatório. Não sou ninguém para acusar uma instituição na qual permaneci por 31 anos e vivi a melhor fase da minha  vida. O Ministério Público está se tornando o Tea Party (ala da extrema direita do Partido Republicano dos Estados Unidos). Se for feita uma pesquisa no Ministério Público de São Paulo, o índice de pessoas que vão apoiar pena de morte, prisão perpétua e relaxamento do porte de arma será assustador. E são bandeiras da extrema direita. Em contrapartida, teses como a descriminalização do uso de drogas e do aborto, que já está vencida em muitos lugares do mundo, nós tratamos como tabu. Isso só aprofunda as nossas diferenças sociais.

 

FOLHAMAX – De onde estaria essa origem autoritária?

TARDELLI – Quando entrei no Ministério Público, o presidente era o Figueiredo e vi toda a transformação institucional do Brasil. O Brasil pré-constituição vivendo o regime militar, o Brasil pós-constituição tendo que administrar uma nova concepção de direito para a qual muitos não estão preparados. E esse novo direito que a Constituição trouxe é muito diferente do que tivemos antes. Antes disso, todas as nossas constituições preservavam o poder. No Império, Dom Pedro tinha o poder moderador e podia fechar o Congresso, ele era o centro das atenções. Assim as outras Constituições também como a do Estado Novo, a figura autoritária no regime militar. A Constituição de 88 é para impor limites da atuação do Estado à vida do cidadão comum. Algumas coisas não podem ser feitas. Mas nós temos resquícios que alguns chamam de entulho autoritário e estamos com grande dificuldade de resolver. Isso se reflete nos processos, garantias fundamentais, investigações. Não podemos jamais deixar de pensar que a garantia mais cara é a presunção de inocência. Não podemos criar um Estado dentro de um Estado e fazer da capacidade de investigação do Ministério Público uma Gestapo, que era a polícia secreta do regime nazista.

 

FOLHAMAX – Foi um erro, em sua avaliação, o Congresso Nacional ter arquivado a PEC 37?

TARDELLI – Seria muito pobre proibir o Ministério Público de investigar. Todas as entidades investigam no Brasil, como OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), CRM (Conselho Regional de Medicina), CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e outros. Não se pode impedir a investigação naquilo que for necessário. Mas, se deve tomar muito cuidado. A partir do momento em que se cria capacidade de investigação, se dá para alguém uma arma muito pesada. Só tem sentido essa arma pesada estar na minha mão se eu tiver limitações de como usá-la. Se não tiver limitação, vou usar conforme a minha cabeça. O que falta para esse disciplinamento é estabelecer o que não se pode fazer de jeito nenhum. E isso se faz com lei aprovada no Parlamento discutida com a população. As pessoas não têm ideia do que é uma invasão representada por um grampo telefônico. Quando alguém começa a achar que tem superpoderes e depende de você a depuração da sociedade, é uma loucura. A sua visão de realidade começa a se deturpar.

 

FOLHAMAX – Não estaríamos aí diante de uma flagrante inconstitucionalidade de que o mesmo órgão que investiga é também aquele que denuncia como o Gaeco?

TARDELLI – Não é constitucional. Não é, mas o Brasil vive hoje um momento em que os direitos estão sendo banalizados. Nós vamos acabar em alguma tragédia histórica. A gente tem que perceber que um país não se constrói com prisões, mas com desenvolvimento social e cultural. Isso é uma marcha histórica. Nós somos um país de raiz escravocrata, no qual as pessoas de jeito nenhum estão acostumadas à igualdade e achamos que o Estado está contra nós. A administração brasileira é feita para encher o saco. Você anda numa avenida e do nada é fiscalizado por um radar. De repente, se depara com a necessidade de mais documentos para permitir ao filho viajar. Se precisa tomar uma vacina, vai até o posto de saúde que está em greve. E o seu imposto que financia toda essa loucura? E quem paga imposto no Brasil é o pobre, e não rico. Somos um país numa realidade hostil e numa desigualdade com a qual desgraçadamente acostumamos

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ENTENDA O CASO

 

RECUPERAÇÃO DE ATIVOS

Taques cria comitê para prevenir, inibir e apurar crimes de lavagem de dinheiro

Terrenos vendidos na gestão passada deverão passar por investigação

VENÍCIO BULHÕES
Blogue do Antero

O governador Pedro Taques (PDT) criou o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA), que irá propor medidas judiciais e administrativas para possibilitar a inibição e prevenção a pratica de ilícitos fiscais.  O comitê será presidido pelo governador do Estado, e terá como função a recuperação de bens e direitos obtidos ilegalmente, promovendo e incentivando a repressão de crimes contra a ordem tributaria.

 

Um exemplo dos casos que deverão ser investigados por esse comitê são os escândalos envolvendo a venda de terrenos pelo governo Silval Barbosa, abaixo do valor de mercado.

 

A medida pretende ainda, promover a integração, valorização e aperfeiçoamento técnico dos servidores, órgão e instituições do estado.

 

Veja o decreto

 

DECRETO Nº 28, DE 25 DE FEVEREIRO DE 2015.

 

Cria o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos – CIRA e dá outras providências.

 

O GOVERNADOR DO ESTADO DE MATO GROSSO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 66, incisos III e V, todos da Constituição do Estado, c/c o art.84, VI, a da Constituição da República

 

DECRETA:

 

Art. 1º Fica criado o COMITÊ INTERINSTITUCIONAL DE RECUPERAÇÃO DE ATIVOS – CIRA, com a finalidade de propor medidas judiciais e administrativas a serem implementadas pelos órgãos e instituições públicas que o integram, para o aprimoramento das ações e da efetividade na recuperação de ativos de titularidade do Estado.

 

Art. 2º. O CIRA-MT tem a seguinte composição de membros natos:

 

 

I – O Governador do Estado, que o presidirá;

II – O Secretário de Estado de Segurança Pública, que será o Secretário-Geral;

III – O Secretário de Estado de Fazenda;

IV – O Representante do Conselho Econômico da Governadoria;

VI – O Procurador-Geral de Justiça;

VII – O Procurador-Geral do Estado;

VI – O Delegado-Geral da Polícia Judiciária Civil.

 

1º As autoridades enumeradas nos incisos I a VI poderão designar representantes para a participação nas reuniões.

 

2º Os membros titulares serão substituídos, em suas ausências ou impedimentos, pelos seus respectivos suplentes, por eles indicados.

 

3º Em suas ausências e impedimentos o Presidente será substituído pelo ViceGovernador.

 

Art. 3º. Poderão participar do CIRA-MT, como membros convidados, ou indicar seus representantes:

 

I – O Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF;

 

II – O Chefe do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional – DRCI – do Ministério da Justiça;

 

III – O Chefe da Procuradoria Regional da República da 1ª Região.

 

Art. 4º. Compete ao CIRA-MT propor medidas técnicas, legais, administrativas e judiciais que permitam prevenir e reprimir ilícitos fiscais, e que visem à defesa da ordem econômica e tributária, observados os seguintes objetivos:

 

I – recuperar bens e direitos obtidos ilegalmente, por meio de ações judiciais e administrativas, além daquelas que visem acautelar o patrimônio público;

 

II – promover ações que resultem na responsabilização administrativa, civil e criminal dos envolvidos;

 

III – promover e incentivar a repressão aos crimes contra a ordem tributária e a lavagem de dinheiro, com especial enfoque para a recuperação de ativos;

 

IV – identificar e apurar os crimes de lavagem de dinheiro e de ocultação de bens;

 

V – incentivar o desenvolvimento de ações operacionais integradas entre os órgãos e instituições envolvidas, respeitado o planejamento de cada qual;

 

VI – promover de forma integrada, encontros, seminários e cursos visando à valorização e aperfeiçoamento técnico de servidores dos órgãos e das instituições;

 

VII – propor medidas estratégicas e técnicas que visem ao aprimoramento da legislação aplicável, bem como dos mecanismos administrativos e gerenciais no âmbito de cada órgão e instituição.

 

Parágrafo único O exercício das competências de que trata o disposto neste artigo será deflagrada de ofício pelo Presidente do Comitê, ou a pedido de qualquer dos integrantes elencados no artigo 2º.

 

Art. 5º. O CIRA-MT reunir-se-á bimestralmente, mediante convocação emitida com a antecedência mínima de cinco dias. Parágrafo único. O Presidente do CIRA-MT poderá convocar reuniões extraordinárias com a antecedência mínima de vinte e quatro horas.

 

Art. 6º. Em razão da especificidade da matéria tratada, das deliberações do comitê e da necessidade de que estas tenham efetividade, será constituído grupo operacional, coordenado pelo Secretário-Geral do CIRA-MT, cujos representantes serão indicados pelos órgãos e instituições as quais os membros representam. Parágrafo Único Compete ao Grupo Operacional o desenvolvimento de ações que visem à realização de qualquer um dos objetivos elencados ao longo do art. 4º desta lei, conforme definição veiculada em decisão do presidente do Comitê.

 

Art. 7º. O Grupo Operacional do CIRA-MT atuará sob o modelo de força-tarefa permanente, mediante a integração de seus membros, participando todos desde o planejamento operacional até a execução das medidas cabíveis. Art.

 

8º. Serão de responsabilidade do CIRA-MT toda autuação fiscal ou processo judicial cível ou criminal de valor superior a R$ 5 milhões de reais, devendo cada agente individual comunicar oficialmente ao CIRA-MT a existência de procedimento ou processo que se enquadre dentro do critério estabelecido. 

 

Parágrafo único. O não cumprimento do disposto neste artigo acarretará as san- ções administrativas, cíveis e criminais aplicadas ao caso.

 

Art. 9º. O Presidente do CIRA-MT poderá solicitar planos de ação a serem elaborados e implementados pelos Grupos Operacionais, cujo cumprimento e avaliação de resultados serão por eles acompanhados. Parágrafo único. Os planos de ação contemplarão as competências do CIRA-MT, os objetivos dos Grupos Operacionais e a indicação dos meios necessários para a consecução de seus objetivos.

 

Art. 10. Os órgãos e entidades da administração pública estadual prestarão, em caráter prioritário e regime de urgência, toda colaboração solicitada pelo CIRA-MT.

 

Art. 11. O Presidente do CIRA-MT presidirá as reuniões com o apoio técnico do Secretário-Geral, competindo a este último a execução das atividades permanentes e necessárias ao exercício das competências do Comitê.

 

Art. 12. Para a execução das medidas definidas pelo CIRA-MT, além daquelas já existentes, poderão ser firmados convênios, acordos de cooperação, ajustes ou outros instrumentos congêneres com órgãos e entidades da Administração Pública Federal, Estadual ou Municipal, e com outras instituições, na forma da legislação pertinente.

 

Art. 13. A participação no CIRA-MT, ainda que eventual, constitui serviço público relevante, vedada a remuneração de seus membros, ressalvada a indenização por despesas de passagens, alimentação, hospedagem, e outras verbas de natureza indenizatória, a cargo do órgão e da instituição de origem, quando se deslocarem no interesse do Comitê.

 

Art. 14. O CIRA-MT elaborará seu regimento interno e o aprovará por delibera- ção interna.

 

Art. 15. Todo o recurso obtido pelas ações desenvolvidas pelo CIRA-MT retornará direta e imediatamente para a sociedade e deverá ser aplicado prioritariamente em saúde e segurança pública.

 

Art. 16. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

 

Palácio Paiaguás, em Cuiabá-MT, 25 de fevereiro de 2015, 194º da Independência e 127º da República.

 

6 Comentários

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  1. - IP 186.213.229.114 - Responder

    Imoral é esse babaca vir aqui em MT,querer dar aula de Direito,promotorzinho comum e meia boca de SP,imoral é Enock dar guarita a esse advogado de porta de cadeia,para proteger Silval e sua quadrilha,porque mamou na base aliada do Ptezinho marginal ,e que está presa e depois de mais de 10 tentativas em cortes superiores,não foi solto.Voces ,ambos,são mediocres e babacas!

  2. - IP 191.250.32.150 - Responder

    Eu já tinha ouvido falar que este Tardelli aí era meio estranho, dizem que nos ofícios dele tem nota de rodapé dizendo que ele participou do juri de uma assassina, kkk, que referência! e que nas audiências ele faz show e grita como se estivesse no Tribunal de Juri, mas não tem juri e ninguém na sala de audiências é surdo, então que isso? mas agora ele está defendendo pessoas que praticaram crimes muito mais hediondos que matar o pai, porque a corrupção mata aqui em MT que não tem um hospital estadual na capital. Que pena, aposentado com salário de MP, poderia estar fazendo trabalho voluntário no controle social, seria de grande ajuda com o conhecimento que tem (sera que tem?). Mas deve estar com problemas financeiros pra aceitar dinheiro dessas pessoas que enriqueceram de repente e a justiça pode até ser cega, mas o povo não, todo mundo sabe de onde vem o dinheiro pra pagar advogado caro, e acho que vai ser mais um caso de desperdício de dinheiro público, kkk!!!

    • - IP 187.7.212.2 - Responder

      Ele é conhecido no MPE-SP como “RETARDELI”..

  3. - IP 186.213.229.129 - Responder

    Nos USA o advogado é obrigado a esclarecer quando defende homens publicos corruptos,a origem do dinheiro dos honorários,pois corre o risco desse dinheiro ser fruto do peculato,o que faz com que o próprio dinheiro público,isto é o nós,o povo, promovamos a defesa desses safados. Mas aqui, os advg. portas de cadeia com grife,fazem looby para que tal lei não seja aprovada,tudo lógico com apoio dos petralhas e em particular da Página do PT do E.Os safados se protegem.

    • - IP 189.114.51.0 - Responder

      Osmir, fala mais sobre essa lei dos USA sobre origem de recursos pra defesa de corruptos, não sabia disso, parece muito necessário aqui no Brasil.
      Nesse caso mesmo o tardeli é um dos 12 advogados de defesa contra uma promotora.

  4. - IP 189.114.51.0 - Responder

    portas de cadeia com grife, adorei Osmir!!!

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