PREFEITURA SANEAMENTO

Acusados de associação para o tráfico de drogas e corrupção passiva, o delegado João Bosco e sua esposa, a investigadora Gláucia Alt, alegam que a juíza Selma Arruda é parcial e tentam afastá-la do seu julgamento. Pedido é recusado pela juiza que garante que “antiética e imoral” teria sido a tática adotada pelos réus de ameaçar testemunha arrolada para depor contra os dois no processo. LEIA A DECISÃO.

Juíza Selma Arruda se mantém no julgamento do delegado João Bosco e da investigadora Gláucia Alt by Enock Cavalcanti

O delegado João Bosco Ribeiro Barros (à esquerda) e a investigadora Gláucia Cristina Moura Alt (no centro), que integram os quadros da Policia Civil de Mato Grosso e são réus em processo que corre na Vara Especializada do Crime Organizado, Crimes contra a Ordem Tributária e Econômica, Crimes contra a Administração Pública e Crimes de Lavagem de Dinheiro da Comarca de Cuiabá, tentaram afastar do julgamento do seu processo a juíza Selma Rosane Arruda ( á direita), sem sucesso. A juiza vai continuar presidido o julgamento em que são acusados de associação para o tráfico de drogas e corrupção passiva.

O delegado João Bosco Ribeiro Barros (à esquerda) e a investigadora Gláucia Cristina Moura Alt (no centro), que integram os quadros da Policia Civil de Mato Grosso e são réus em processo que corre na Vara Especializada do Crime Organizado, Crimes contra a Ordem Tributária e Econômica, Crimes contra a Administração Pública e Crimes de Lavagem de Dinheiro da Comarca de Cuiabá, tentaram afastar do julgamento do seu processo a juíza Selma Rosane Arruda ( á direita), sem sucesso. A juiza vai continuar presidido o julgamento em que são acusados de associação para o tráfico de drogas e corrupção passiva.

 

 

Bosco acusa juíza de ser parcial; pedido de suspeição é negado

Delegado e investigadora queriam afastar juíza da condução do processo que respondem

 

Antonielle Costa
MATO GROSSO NOTICIAS

O delegado João Bosco e a sua esposa – a investigadora da Polícia Civil, Gláucia Alt, tentaram, sem êxito, afastar a juíza Selma Rosane da condução do processo em que foram denunciados pelos crimes de associação para o tráfico de drogas e corrupção passiva.

Eles são réus em ação penal e ingressaram com um pedido de suspeição na Justiça, alegando que a magistrada agiu de forma parcial ao decretar a prisão preventiva dos mesmos, após ouvir declarações prestadas por um advogado e um corréu no processo.

Segundo a defesa de Bosco e de Gláucia, a juíza afrontou entendimento do Tribunal de Justiça. No entanto, este não é o entendimento da mesma.

Em decisão disponibilizada no Diário da Justiça Eletrônico (DJE) de ontem (30), Selma Rosane argumentou que a decretação da prisão foi fundamentada conforme prevê a legislação.

Ela esclareceu que um juiz só pode ser afastado da direção de um processo quando a isenção do julgador restar manifestamente comprometida por alguma das hipóteses antiéticas indicadas no texto legal (artigo 254 CPP) em regime “numerus clausus”, que segundo a magistrada, não é o caso.

“De qualquer maneira, não pode nem deve esta juíza se declarar suspeita, fora das hipóteses indicadas na lei processual penal, simplesmente porque entendeu, por duas oportunidades, que a decretação da prisão preventiva era (e é) necessária para a garantia da lisura na instrução criminal. Isto porque há fundada suspeita de terem os réus ameaçado uma testemunha e de terem tentado forçar o delator a retratar-se, mediante estratégia, esta sim, antiética e imoral”, diz um trecho da decisão.

Ainda de acordo com Selma Rosane, a parcialidade alegada pelos acusados é fruto de uma “imaginação fantasiosa”, onde eles buscam de uma estratégia para a substituição dela na tentativa de muito provavelmente obter decisões judiciais favoráveis na ação pendente em seus desfavores.

“Aliás, estranha o fato de terem arguido a suspeição desta magistrada, quando a prisão foi decretada atendendo representação do Ministério Público, o que indica que o interesse dos réus reside apenas em afastar a magistrada do caso, não o Promotor de Justiça. De toda sorte, é improcedente a arguição de suspeição, motivo pelo qual rejeito-a e, uma vez que já fora autuada em apartado pela Secretaria, determino seja encaminhada à superior instância, para reapreciação, sem suspensão da ação principal, nos moldes do que determina o Código de Processo Penal e a melhor jurisprudência”, diz outro trecho da decisão.

Denúncia

Bosco foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE) por agir mediante recebimento/promessa de vantagem indevida no intuito de darem proteção e cobertura à atividade criminosa desencadeada pelo traficante de drogas Marco Antônio da Silva, também conhecido como “neném”.

Segundo a investigação, ele tinha como apoiadores na atividade do tráfico, Eduardo Juliano dos Santos Bravo (dudu), Volcmar Pires de Barros (velho), Eduardo de Paula Gomes, Renildo Silva Rios (nego Renildo), Kaíque Luiz de Oliveira, Marlene Ramos (Maria) e Wanderlei Zamoner (negão).

O grupo comercializava entorpecentes na Capital e em várias regiões do Estado. Ainda de acordo com as investigações, a quantidade de entorpecente era expressiva e colocava a referida quadrilha como uma das principais distribuidoras de pasta base para outros fornecedores do interior de Mato Grosso.

De acordo com os promotores responsáveis pela denúncia, “neste momento ficou claro que referidos servidores além de desvirtuarem sua atuação funcional, atuaram de forma criminosa perante a sociedade, que espera dos Poderes Constituídos o cumprimento de seus deveres com respeito à sociedade. As referidas atitudes são e, sempre, serão veementemente apuradas para que criminosos vinculados ao Estado sejam punidos de forma exemplar, visando evitar que a impunidade sirva como elemento a fomentar a prática de ilícitos na sociedade mato-grossense”.

Operação

O caso veio à tona com a Operação “Abadom” que apurou condutas de tráfico de drogas, associação para o tráfico, concussão e corrupção. Ao todo, 15 pessoas foram indiciadas e denunciadas na conclusão das investigações, sendo seis policiais civis.

Também foram denunciados: Gláucia Cristina Moura Alt, Eduardo Juliano dos Santos Bravo (Dudu), Marco Antônio da Silva (Neném), Volcmar Pires de Barros (Velho), Eduardo de Paula Gomes, Renildo Silva Rios (nego Renildo), Kaíque Luiz de Oliveira, Marlene Ramos (Maria), Wanderlei Zamoner (Negão), Anderson Nascimento Gonçalo, Márcio Severo Arrial, Cláudio Roberto da Costa, George Fontoura Filgueiras e Leonel Constantino de Arruda.

2 Comentários

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  1. - IP 189.73.225.116 - Responder

    Rogo, torço, imploro para que ele e ela sejam logo condenados, sentir um pouco dos abusos que eles cometiam enquanto tinha algum “poderzinho”.

  2. - IP 179.112.75.161 - Responder

    Um pouco do que sobra no judiciario. Um reduto diferente de hienas que desapareceriam se nao houvesse crime, desordem, covardia, corrupcao. Parasitas que dependem do mal e do erro para viverem. Deve ser terrivelmente humilhante sobreviver do paradoxo.

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