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+ DE 10 ANOS DEPOIS: Acusada pelo MP de contratar pistoleiros ex-PMs Célio Alves e Hercules Agostinho (os mesmos acusados de matar para Arcanjo), para matar os irmãos Brandão e Zezeca Araújo em Rondonópolis, empresária Mônica Marchetti tenta escapar de julgamento. A denúncia foi assinada pelos promotores Lindinalva Rodrigues, Ana Medeiros, Marcelo Malvezzi e Marcos Reginold

A empresária Mônica Marchetti e os ex-PMs que ela teria contratado para matar irmãos com quem sua família disputava uma posse de terra em Rondonópolis

A empresária Mônica Marchetti e os ex-PMs que ela teria contratado para matar irmãos com quem sua família disputava uma posse de terra em Rondonópolis

TJMT julga recurso de empresária de MT ré por homicídio triplamente qualificado

Da Redação – Katiana Pereira
OLHAR DIRETO

A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJMT) julga na sessão desta quarta-feira (4) o Recurso em Sentido Estrito da empresária Mônica Marchett, que tenta barrar a sentença que determinou que a ré deve ser julgada por homicídio triplamente qualificado e formação de quadrilha perante o Tribunal do Júri da comarca de Rondonópolis (212 km de Cuiabá).

O Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia contra Mônica, que é proprietária da empresa de agronegócios “Sementes Mônica”, por suspeita de participação no mando do assassinato dos irmãos Brandão Araújo Filho (Brandão) e José Carlos Machado Araújo (Zezeca), os Irmãos Araújo, por uma disputa de terras naquela cidade.

O julgamento já foi adiado duas vezes a pedido do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que atua neste caso em conjunto com o advogado de Cuiabá, Valber Melo.

Kakay é dono de um dos escritórios de advocacia mais reconhecidos e caros do país, responsável pela defesa de nomes importantes do Brasil e conseguiu livrar o publicitário Duda Mendonça no julgamento do Mensalão.

A denúncia

O MPE usou como indícios para requerer a sentença de pronúncia de Mônica Marchett o fato de que havia entre as vítimas e a família da acusada uma demanda judicial, onde se disputava uma área de terra.

De acordo com a denúncia, os pistoleiros ex-PMs Célio Alves e Hércules Agostinho foram contratados pela denunciada e seu pai, Sérgio João Marchett, para matar os irmãos Brandão Araújo filho e José Carlos Machado Araújo, nos dias 10.08.1999 e 28.12.2000.

Outro fato apontado é o de que, após a primeira morte, Célio e Hércules estiveram em frente ao escritório da Sementes Mônica, local onde a acusada os teria recebido em sua sala, para que Célio pegasse os documentos de um Gol, que seria dado em pagamento pelos crimes cometidos.

O carro era de propriedade de uma das empresas de Mônica. A assinatura no Certificado de Registro de Licenciamento de Veículo (CRLV), com exceção dos campos local, data e assinatura, tinham o mesmo padrão gráfico fornecido por Mônica Marchett.

Segundo MPE, as provas são de que o acusado Sérgio João Marchett, incomodado com a demanda judicial, insistia, por meio de seu advogado e também denunciado Ildo Roque Guareschi, para que os irmãos cedessem e finalizassem o litígio com um acordo.

As vítimas teriam se recusado a negociar, fato que descontentou não só o acusado Sérgio João Marchett, como também seu advogado, Ildo Roque Guareschi.

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ENTENDA O CASO

Polícia prende Mônica Marchett e agora procura seu pai, Sérgio

Eles são apontados em inquérito como mandantes da morte de dois irmãos fazendeiros, entre 1999 e 2000

Secom
Empresária do ramo agropecuário, Mônica Marchetti organiza anualmente um dos mais concorridos leilões do Estado

CARLOS MARTINS
DIARIO DE CUIABÁ – 24.03.2004

Sob a acusação de envolvimento na morte dos irmãos Araújo, a empresária rural Mônica Marchett Charaffedine foi presa ontem pela manhã em Rondonópolis, 210 quilômetros ao sul de Cuiabá. Mônica e o seu pai, Sérgio João Marchett, que também teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, são apontados em inquérito policial como mandantes das mortes de Brandão Araújo Filho, em 10 de agosto de 1999, e de José Carlos Machado Araújo, em 28 de dezembro de 2000.

Segundo o Ministério Público, uma disputa por terras entre os Marchett e os Araújo teria motivado as execuções. Ambos os crimes foram praticados pelo ex-cabo Hércules de Araújo Agostinho com o apoio do ex-soldado Célio Alves de Souza. “Nossa família confia que a partir de agora o caso seja esclarecido”, disse ontem Gilberto Machado Araújo, filho de José Carlos Machado Araújo.

Os pedidos de prisão preventiva foram expedidos anteontem pela juíza Mônica Catarina Siqueira, da 4ª Vara Criminal de Rondonópolis, que acatou denúncia do Ministério Público (MP). Mônica Marchett foi presa às 9h40 no escritório da Sementes Mônica por uma equipe de policiais chefiada pelo delegado Jales Batista. O pai dela não foi encontrado pela polícia em Rondonópolis, inclusive na residência que mantém na cidade. Acompanhada do advogado, Mônica foi conduzida à Cadeia Pública de Rondonópolis, onde ficará à disposição da Justiça.

Quanto a Sérgio Marchett, Batista explicou que, por enquanto, ele é procurado pela polícia. “A polícia também irá procurá-lo em seu endereço em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia). Se não for localizado, a partir daí ele passa a ser considerado foragido”, explicou o delegado. Marchett vive há 12 anos na Bolívia, onde possui propriedades e é plantador de soja. As buscas na Bolívia serão realizadas pela polícia daquele país, que mantém convênio com a Polícia Civil de Mato Grosso.

Em novembro passado o MP já havia denunciado e pedido a prisão preventiva de Mônica e Sérgio. A denúncia também foi apresentada contra o advogado Ildo Roque Guareschi, o capitão PM Marcos Divino Teixeira da Silva (que teria dado apoio logístico), mais o réu confesso Hércules e seu comparsa Célio, que continua negando qualquer participação. Mas na época, segundo a Promotoria, o titular da 3ª Vara Criminal que presidia o processo, juiz Pedro Pereira Campos Filho, acatou apenas a denúncia contra Hércules e Célio, que já estavam presos em Cuiabá.

A pedido do MP e da família Araújo, o juiz acabou sendo afastado do caso no último dia 4 de março por decisão do Tribunal de Justiça (TJ), que aceitou o pedido de suspeição de Campos Filho e passou o processo para a juíza Mônica Siqueira. Um dia antes de ser afastado, o juiz esteve em Cuiabá, no Fórum Criminal, onde interrogou Hércules e Célio. A família provou que na década de 80 Campos Filho atuara como advogado dos Araújo numa disputa judicial com os Marchett envolvendo a posse de uma fazenda. Segundo a viúva de José Carlos Machado Araújo, Nilma Machado, o juiz teria mudado de lado desde que aconselhou a família a procurar um novo advogado. No dia 11 de março o juiz ainda entrou com um mandado de segurança no TJ para voltar à presidência do processo. Mas a liminar foi negada.

Na denúncia apresentada à juíza, o MP requer a instauração de procedimento criminal contra os acusados e que, ao final, os mesmos sejam submetidos ao Tribunal do Júri. A denúncia foi assinada pelos promotores de Justiça Lindinalva Rodrigues Corrêa, Ana Medeiros, Marcelo Malvezzi e Marcos Reginold Fernandes. A reportagem tentou conversar em Rondonópolis com o advogado Jean Carlo Ribeiro, que defende a família Marchett. A secretária ficou de entrar em contato com ele, mas até o final desta edição não houve uma resposta.

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