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A melhor palavra para o que o deputado Eduardo Cunha fez hoje é a seguinte: palhaçada. Não vai dar em nada. Não pode dar em nada. É uma prova do estado putrefato da política nacional que Eduardo Cunha, o símbolo supremo da corrupção e do atraso, tenha poder para fazer deflagrar um pedido de impeachment em que 54 milhões de votos estão em jogo. LEIA PEDIDO DE IMPEACHMENT

Pedido de Impeachment de Dilma formulado pelo jurista Hélio Bicudo by Enock Cavalcanti

 

O Brasil pós-pedido de impeachment.

Por Paulo Nogueira

A melhor palavra para o que Eduardo fez hoje é a seguinte: palhaçada.
Não vai dar em nada. Não pode dar em nada. Mas Cunha conseguiu sujar ainda mais sua folha corrida ao acatar o pedido de impeachment de Dilma em circunstâncias patéticas.

Ele confirmou o que todos já sabiam: que vinha fazendo chantagem com o PT. Em troca da proteção do PT ele seguraria o pedido de impeachment.

O chantagista agiu tão logo se soube que o PT, com formidável atraso, decidira enfim ajudar no esforço de tirar Cunha do caminho.

E agiu a seu melhor estilo: com uma dose descomunal de cinismo. Cunha conseguiu dizer que a decisão do PT de apoiar sua cassação nada tinha a ver com a aprovação do pedido de impeachment.

Coincidência, portanto. É nisso que Cunha quer que os brasileiros acreditem. Que tudo ter acontecido num espaço de horas – o PT contra ele e sua agressão a Dilma – foi obra do acaso.

Ainda no mesmo dia o Globo publicou uma reportagem que mostra as profundezas da ligação de Cunha com André Esteves, o banqueiro caído em desgraça do BTG Pactual.

Uma repórter do Globo teve acesso a e-mails nos quais Cunha e o BTG discutiam os termos de uma emenda favorável ao banco.

O mesmo BTG, dias antes, aparecera no noticiário em meio a denúncias de que teria dado a Cunha 45 milhões de reais por aquele tipo de serviço: aprovar legislação amiga.

A essas acusações somaram-se várias outras amplamente conhecidas e documentadas, como as contas na Suíça não declaradas. Cunha, numa das cenas mais absurdas do ano, disse que não era dono do dinheiro, mas “usufrutuário”.

É uma prova do estado putrefato da política nacional que Eduardo Cunha, o símbolo supremo da corrupção e do atraso, tenha poder para fazer deflagrar um pedido de impeachment em que 54 milhões de votos estão em jogo.

Mais de dois meses se passaram desde as revelações dos suíços, e Cunha permaneceu intocado. Era como manter uma metralhadora nas mãos de um lunático.

Fica a suspeita de que, se não lhe subtraíram a arma, era para que ele a usasse contra Dilma. Se alguém tiver explicação melhor, que a apresente, por favor.

Mas as rajadas de Eduardo Cunha só poderão atingir o vento, figurativamente. Mesmo num universo político doentio como o brasileiro Cunha não pode, no final, destruir a democracia.

Porque é disso que se trata: da destruição da democracia. Do retrocesso do Brasil rumo a 1964.

O rosto, a alma, o coração do golpe é Eduardo Cunha.

Quem se associar à tentativa de golpe de Cunha será comparsa num crime de lesa pátria. E todos os congressistas sabem disso.

A motivação dele é a mais baixa, a mais sórdida possível. Ele está consumando uma chantagem suja, uma vingança abjeta.

O Brasil está diante da seguinte encruzilhada. De um lado, Eduardo Cunha. De outro, a democracia.

A democracia vai triunfar.
Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Categorias:Jogo do Poder

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