A matéria da revista Época, braço da Globo, com novos ataques contra o presidente Lula e contra o PT, é um primor de mentira e manipulação. Claro que Lula se manteve “influente no PT, no governo e junto aos líderes da América Latina e da África”. Influência não é crime, sobretudo se ela nasce do sufrágio universal e do prestígio de ter realizado um bom governo. Influência perniciosa é a da Globo, que nasce da ditadura. De resto, a denúncia da Procuradoria da República do DF contra a Odebrecht e Lula, por suas ações para conquistar mercados em países emergentes, é um dos capítulos mais graves da politização midiática do Ministério Público Federal. LEIA O QUE ÉPOCA PUBLICOU

lula enfrenta ataques do mpf, da justiça federal e da midia golpista

POR QUE ‘LULA DE NOVO’ ASSUSTA TANTO A GLOBO?

: A capa de Época deste fim de semana contra o ex-presidente Lula é tão ruim, mas tão ruim que não conseguiu repercussão nem no Jornal Nacional, da Globo; eis os motivos: (1) Silvia Faria, diretora de jornalismo da TV Globo, não engole o estilo de Diego Escosteguy, que dirige a parte policial de Época; (2) a reportagem extrapola os limites da canalhice ao condenar Lula como “operador” de um esquema, a partir de uma denúncia de caráter político aberta há uma semana (!!!) pelo Ministério Público; (3) o que o texto demonstra é, na verdade, o lobby de Época em favor de uma empreiteira chinesa, a Gezhouba, e não o de Lula em favor da Odebrecht; diante de uma matéria que envergonha o jornalismo, a questão: por que tanto medo de que as cenas acima, de Lula tomando posse em 2002 e 2006, voltem a se repetir?

247 – Com uma das reportagens mais canalhas dos últimos anos, Época bem que tentou, mas não conseguiu nem 30 segundos de Jornal Nacional.

Trata-se da capa que retrata o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como “operador” de um esquema no BNDES para favorecer a construtora Odebrecht.

As provas? Quais seriam? Alguma condenação? Algum batom na cueca? Nada.

Apenas a investigação aberta há apenas uma semana – isso mesmo, uma semana – pelo Ministério Público Federal.

Globo centra fogo em Lula

De um lado, temos o exemplo do ex-presidente FHC, que viaja o mundofalando mal do Brasil.

Do mesmo lado, o exemplo do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que saiu do governo, abriu a Gávea Investimento e a vendeu ao JP Morgan. Ficou bilionário oferecendo todo o tipo de informação privilegiada que obteve enquanto foi governo.

De outro, o ex-presidente Lula, que usa o seu capital político para ampliar as exportações de serviços das empresas brasileiras, gerando empregos e renda para o país.

Quem é o bandido?

Para a Globo, é Lula.

A matéria da Época, o braço da Globo no mercado de revistas semanais, é um primor de mentira e manipulação.

epoca-edicao-882-capa


 

O primeiro parágrafo nos permite vislumbrar a aparência e o odor do chorume da reportagem como um todo:

“Quando entregou a faixa presidencial a sua pupila, Dilma Rousseff, em janeiro de 2011, o petista Luiz Inácio Lula da Silva deixou o Palácio do Planalto, mas não o poder. Saiu de Brasília com um capital político imenso, incomparável na história recente do Brasil. Manteve-se influente no PT, no governo e junto aos líderes da América Latina e da África – líderes, muitos deles tiranetes, que conhecera e seduzira em seus oito anos como presidente, a fim de, sobretudo, mover a caneta de seus respectivos governos em favor das empresas brasileiras. Mais especificamente, em favor das grandes empreiteiras do país, contratadas por esses mesmos governos estrangeiros para tocar obras bilionárias com dinheiro, na verdade, do Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES, presidido até hoje pelo executivo Luciano Coutinho, apadrinhado de Lula.”

*

E dá-lhe infográficos, aqueles mesmos que nunca fizeram para a Operação Zelotes.

Uma liderança política não se esgota no cargo que ocupa. Claro que Lula se manteve “influente no PT, no governo e junto aos líderes da América Latina e da África”. Influência não é crime, sobretudo se ela nasce do sufrágio universal e do prestígio de ter realizado um bom governo.

Influência perniciosa é a da Globo, que nasce da ditadura.

Em seguida, a matéria fala em “tiranetes, que [Lula] conhecera e seduzira em seus oito anos como presidente.”

Afora o estilo Veja, grosseiro e preconceituoso, temos aqui um modelo maravilhoso de hipocrisia.

A Globo, antes de exportar novelas para um país, avalia se o líder político desse país é chamado de tiranete?

O primeiro mundo se tornou primeiro mundo não apenas fazendo acordos com “tiranetes”, mas ele mesmo implantando tiranias mundo à fora. Os Estados Unidos, por exemplo, fez isso aqui. Ajudou a instalar uma ditadura no Brasil, e daí ampliou seus negócios com o país.

No caso do Brasil, as empresas brasileiras estão tentando exportar para quem está interessado em comprar. Ponto.

Nos EUA, ex-presidentes que ajudam empresas americanas a ampliarem seus negócios no exterior são tratados com estadistas e patriotas.

Aqui, Lula é tratado como bandido.

Europa é fechada para nossas empresas, em virtude de suas rígidas (embora disfarçadas) políticas de reserva de mercado. Os EUA são mais abertos, mas a concorrência é imensa com as próprias companhias americanas. Mesmo assim, uma empreiteira brasileira – a mesma Odebrecht, que a Globo tenta criminalizar – está construindo o aeroporto de Miami.

Fechando o parágrafo, a mentira final, de que as obras são tocadas “com dinheiro do BNDES”.

Ora, o BNDES serve para quê? Para emprestar dinheiro às empresas brasileiras.

É empréstimo. O empresário pega e depois paga, com juros e correção monetária.

Uma das linhas mais avançadas do BNDES, em termos de incentivo ao desenvolvimento da nossa economia, é justamente o financiamento à exportação de serviços. O BNDES empresta e recebe de volta. É assim que o BNDES ganha dinheiro. A Globo está saudosa do tempo em que o BNDES era o seu banco privado? Ou melhor, seu sócio?

ScreenHunter_5722 May. 01 10.24


 

Como a Globo acha que a China ou qualquer país asiático ou europeu amplia a  presença de suas empresas no exterior? Com empréstimos  do Citibank? Não, com financiamentos de seus bancos públicos de fomento.

O BNDES, na era Lula, se tornou o que deveria ter sido desde o início: fomentador de empresas brasileiras, para ampliarem suas atividades no Brasil e no exterior; e não o que se foi durante o pesadelo neoliberal, quando servia para emprestar dinheiro para os compradores de nossas estatais, ofertadas a preço de banana.

E por causa disso, os lucros anuais do BNDES passaram do patamar de R$ 1 bilhão antes da era Lula para 8 ou 9 bilhões nos últimos anos.

ScreenHunter_5721 May. 01 09.52


 

ScreenHunter_5720 May. 01 09.52


Ou seja, o BNDES está lucrando muito mais, financiamento muito mais.

Por que a mídia acha isso ruim? Seria porque ela não representa o interesse nacional, e sim o interesse de forças estrangeiras, que não desejam um Brasil mais desenvolvido e mais autônomo?

Essa cumplicidade criminosa entre setores partidários do Ministério Público com a grande mídia tem produzido um clima de terror político que não traz nenhum bem social, político ou econômico ao país.

Ao contrário, parece que o objetivo é mudar a rota do Brasil, fazendo-o acelerar violentamente em direção a um passado de subdesenvolvimento e desesperança.

*

Abaixo, texto do Nassif publicado há pouco, denunciando a politização do MP.

 

Na Época, o alto custo da politização do Ministério Público Federal

SEX, 01/05/2015

Luis Nassif, em seu blog.

 

Não há mais limites para a politização do Ministério Público Federal.

A denúncia da Procuradoria da República do Distrito Federal contra a Odebrecht e Lula, por suas ações para conquistar mercados em países emergentes, é um dos capítulos mais graves da atuação política do órgão (http://migre.me/pGGtG).

Desde o início dos anos 90, obras de construtoras brasileiras no exterior foram enquadradas na categoria “exportação de serviços”, tendo acesso a linhas de financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

Já em 2003, o banco contava com um departamento especializado em América do Sul, com US$ 2,6 bilhões de projetos em carteira.

Junto com as obras vão equipamentos brasileiros, insumos brasileiros e, frequentemente, trabalhadores brasileiros.

Reconhecendo que as características da venda de serviços são similares a de exportação de produtos, houve enquadramento no PROEX (Programa de Financiamento às Exportações).

Em 15 de outubro de 2014, a Época Negócios exaltava a estratégia de internacionalização das empresas brasileiras (http://migre.me/pGFJi) a partir de estudos da Fundação Dom Cabral.

A conclusão do estudo foi a de que o melhor mercado para as multi brasileiras são países em desenvolvimento: “Como as empresas brasileiras inovam mais em processos, acabam se dando melhor em países não desenvolvidos, porque sabem lidar melhor com instituições desestruturadas”.

E qual a razão da melhor competitividade das empresas brasileiras?

“Nesse sentido, o estudo mostra que os brasileiros têm conseguido muita “aceitabilidade” e lidam melhor que os norte-americanos, por exemplo, com a diversidade cultural de outros países. “Ao invés de chegar e sobrepor a sua cultura àquele país, a maioria das empresas brasileiras adaptam processos, produtos e culturas aos do anfitrião”.

A primeira colocada no ranking da Dom Cabral foi a Construtora Norberto Odebrecht (http://migre.me/pGFQN), com um índice de internacionalização de 54,9%.

A ascensão das multinacionais brasileiras foi um feito celebrado por todas as escolas de administração. Em 2005 a revista Forbes passou a incluir empresas de países emergentes entre as 500 maiores do mundo. Esse mesmo mapeamento passou a ser feito pela Boston Consulting, que incluiu 14 empresas brasileiras na lista dos “100 maiores desafiantes globais” (http://migre.me/pGG0i).

No ranking da Dom Cabral. A Odebrecht aparecia em 28 países do mundo.

As suspeitas do MPF

Saindo do governo, através do Instituto Lula, o ex-presidente focou sua atividade internacional na África. Da mesma maneira que a Fundação Clinton, do qual FHC é membro. E a o soft power brasileiro – cuja maior expressão é a imagem pública de Lula no mundo – foi utilizada para enfrentar a invasão chinesa na África e em outros países do terceiro mundo.

De repente, o que era uma estratégia brasileira vitoriosa, nos olhos da inacreditável Procuradoria da República do Distrito Federal – e da inacreditável revista Época – torna-se objeto de inquérito.

Trechos da reportagem da revista Época sobre as investigações do Ministério Público Federal de Brasília a respeito das viagens de Lula e dos negócios da Odebrecht em outros países.

As suspeitas são de superfaturamento de obras… em outros países.

Um resumo das denúncias:

1. A Odebrecht venceu uma licitação para obras na República Dominicana, usinas termelétricas em Pinta Catalina no valor de US$ 2 bilhões. “Suspeita do Ministério Público”, segundo a revista: superfaturamento da obra (na República Dominicana) porque o valor proposto pela Odebrecht seria o dobro da segunda colocada. O MPF acolhe denúncia do grupo chinês que perdeu a disputa.

2. Obra da Odebrechet em Gana, logo após a visita de Lula: construção de corredor rodoviário no valor de US$ 290 milhões. A “suspeita” do MPF é que, quatro meses após a visita de Lula, a Odebrecht fechou o contrato.

A maior empreiteira brasileira, a mais internacionalizada, a maior cliente do BNDES no setor, com obras em 28 países, é colocada sob suspeita devido a duas obras em pequenos países de terceiro mundo.

Entre 2009 e 2014, a construtora fechou 35 contratos com o BNDES, para financiar obras de infraestrutura em outros países, , Angola, Argentina, Cuba, Equador, Venezuela e República Dominicana, construindo aeroportos, rodovias, linhas de transmissão, hidrelétricas, gasodutos, metrôs, portos (http://migre.me/pGGeH). E 32 desses contratos firmados com governos nacionais, que são os entes responsáveis pelas obras de infraestrutura.

Nesse oceano de contratos, o Ministério Público Federal do Distrito Federal levantou um caso – o fato da construtora ter obtido uma obra em Gana após a visita de Lula – e transforma-o em algo suspeito.

Há uma disputa insana entre as construtoras brasileiras e as chinesas pelo mercado da África. As chinesas são acusadas até de levar empregados chineses, abrigados em containers de navios, quase como mão de obra escrava. Têm a facilidade de estruturar financiamentos de forma rápida, em condições mais vantajosas.

Para tentar competir, o BNDES estruturou carteiras de financiamento (http://migre.me/pGGjE) e as empresas brasileiras passaram a oferecer treinamento e utilização da mão de obra local como contrapartida.

Estudos da Ernest & Young situaram a África como o mercado mais promissor para as multinacionais brasileiras, segundo matéria do Estadão (http://migre.me/pGGmv):

“A África é, ao lado da América Latina, o principal vetor da expansão internacional de grupos brasileiros. Segundo um estudo da Ernst & Young, embora o Brasil só participe com 0,6% do total dos investimentos estrangeiros nos 54 países africanos, a expansão nos últimos cinco anos tem acompanhado de perto o ritmo chinês. Desde 2007, a atividade brasileira cresceu 10,7% ao ano na África, enquanto a chinesa subiu 11,7%.

Junto com o direito de explorar os recursos naturais do continente vem a obrigação de realizar obras de infraestrutura para os governos – o que abre um mercado cativo para as empreiteiras. Não é por acaso que Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht estão entre os grupos brasileiros mais bem conectados no continente”.

É hora de clarear esse jogo. É extremamente alto o custo da politização do Ministério Público e a falta de responsabilidade da mídia.

O Procurador Geral Rodrigo Janot precisa sair de sua zona de conforto, esquecer o show midiático, e garantir um mínimo de seriedade e responsabilidade institucional no órgão que comanda.

————-

LULA SOBRE VEJA E ÉPOCA: “LIXO, NÃO VALEM NADA”

:

Eis o trecho do discurso antológico do ex-presidente Lula sobre reportagens recentes de Veja e Época, que tentam, desesperadamente, ligá-lo à Operação Lava Jato, e também forçar empresários a fazer delações contra ele ou contra a presidente Dilma Rousseff; “Ah, lá na Operação Lava, tão esperando que alguém cite o nome do Lula. Ah, porque o objetivo é pegar o Lula. Aí vêm essas revistas brasileiras que são um lixo, não valem nada, falando a mesma coisa”, disse ele, no Primeiro de Maio; “Convoquem um congresso de empresários e dá um prêmio para citar o meu nome. Oferece quem dá mais. Quem sabe seja mais fácil resolver o problema”; Lula disse ainda que conheceu vários grupos de comunicação falidos e que não se negou a ajudá-los; por fim, fez um desafio; “pois é o seguinte, não me chame pra briga, porque eu sou bom de briga e eu gosto dessa briga”

 

247 – Nesta sexta-feira, o ex-presidente Lula fez um importante discurso sobre meios de comunicação que tentam, de forma quase desesperada, conectá-lo à Operação Lava-Jato, seja com denúncias estranhíssimas (é o caso de Época deste fim de semana), seja com pressões para forçar empresários a delatá-lo. Confira alguns trechos: 

Ah, lá na Operação Lava, tão esperando que alguém cite o nome do Lula.

Ah, porque o objetivo é pegar o Lula.

Aí vêm essas revistas brasileiras que são um lixo, não valem nada, falando a mesma coisa.

Pegue todos os jornalistas da Veja, da Época, e enfie um dentro do outro, que não dá 10% da minha honestida

Não tem um cara da elite brasileira que já tenha recebido favor do Estado brasileiro.

Eu recebi muitos meios de comunicação falidos e ajudei porque acho que a comunicação tem que ser forte.

Agora, eu queria dizer uma coisa.

Cada um olhe pro seu rabo, ao invés de olhar para o rabo dos outros.

Se alguém acha, que eu cheguei onde cheguei, que vou baixar a minha crista por conta de insinuação… pois é o seguinte, não me chame pra briga, porque eu sou bom de briga e eu gosto dessa briga.

——-

LEIA AGORA O QUE A REVISTA ÉPOCA, QUE ESTÁ NAS BANCAS, PUBLICA CONTRA LULA

ALVO O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Suas visitas  a países africanos e latino-americanos, patrocinadas pela Odebrecht, estão na mira do Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
TEMPO

As suspeitas de tráfico de influência internacional sobre o ex-presidente Lula

O Ministério Público Federal abre uma investigação contra o petista – ele é suspeito de ajudar a Odebrecht em contratos bilionários

THIAGO BRONZATTO E FILIPE COUTINHO, na revista Época
Capa edição 882 (Foto: divulgação)

 

 >> Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana

Quando entregou a faixa presidencial a sua pupila, Dilma Rousseff, em janeiro de 2011, o petista Luiz Inácio Lula da Silva deixou oPalácio do Planalto, mas não o poder. Saiu de Brasília com umcapital político imenso, incomparável na história recente do Brasil. Manteve-se influente no PT, no governo e junto aos líderes da América Latina e da África – líderes, muitos deles tiranetes, que conhecera e seduzira em seus oito anos como presidente, a fim de, sobretudo, mover a caneta de seus respectivos governos em favor dasempresas brasileiras. Mais especificamente, em favor das grandes empreiteiras do país, contratadas por esses mesmos governos estrangeiros para tocar obras bilionárias com dinheiro, na verdade, do Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES, presidido até hoje pelo executivo Luciano Coutinho, apadrinhado de Lula. Como outros ex-presidentes, Lula abriu um instituto com seu nome. Passou a fazer por fora (como ex-presidente) o que fazia por dentro (como presidente). Decidiu continuar usando sua preciosainfluência. Usou o prestígio político para, em cada negócio, mobilizar líderes de dois países em favor do cliente, beneficiado em seguida com contratos governamentais lucrativos. Lula deu início a seu terceiro mandato. Tornou-se o lobista em chefe do Brasil. 
 

Documento 01 (Foto: Reprodução)

Nos últimos quatro anos, Lula viajou constantemente para cuidar de seus negócios. Os destinos foram basicamente os mesmos – de Cuba a Gana, passando por Angola e República Dominicana. A maioria das andanças de Lula foi bancada pela construtora Odebrecht, a campeã, de longe, de negócios bilionários com governos latino-americanos e africanos embalada por financiamentos do BNDES. No total, o banco financiou ao menos US$ 4,1 bilhões em projetos da Odebrecht em países como Gana, República Dominicana, Venezuela e Cuba durante os governos de Lula e Dilma. Segundo documentos obtidos por ÉPOCA, o BNDES fechou o financiamento de ao menos US$ 1,6 bilhão com destino final à Odebrecht após Lula, já como ex-presidente, se encontrar com os presidentes de Gana e da República Dominicana – sempre bancado pela empreiteira. Há obras como modernização de aeroporto e portos, rodovias e aquedutos, todas tocadas com os empréstimos de baixo custo do BNDES em países alinhados com Lula e o PT. A Odebrecht foi a construtora que mais se beneficiou com o dinheiro barato do banco estatal. Só no ano passado, segundo estudo do Senado, a empresa recebeu US$ 848 milhões em operações de crédito para tocar empreendimentos no exterior – 42% do total financiado pelo BNDES. Há anos o banco presidido por Luciano Coutinho resiste a revelar os exatos termos desses financiamentos com dinheiro público, apesar de exigências do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União e doCongresso. São o segredo mais bem guardado da era petista.

Moralmente, as atividades de Lula como ex-presidente são, no mínimo, questionáveis. Mas há, à luz das leis brasileiras, indícios de crime? Segundo o Ministério Público Federal, sim. ÉPOCA obteve, com exclusividade, documentos que revelam: o núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República em Brasília abriu, há uma semana, investigação contra Lula por tráfico de influência internacional e no Brasil. O ex-presidente é formalmente suspeito de usar sua influência para facilitar negócios da Odebrecht com representantes de governos estrangeiros onde a empresa toca obras com dinheiro do BNDES. Eis o resumo do processo: “TRÁFICO DE INFLUÊNCIA. LULA. BNDES. Supostas vantagens econômicas obtidas, direta ou indiretamente, da empreiteira Odebrecht pelo ex-presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, entre os anos de 2011 a 2014, com pretexto de influir em atos praticados por agentes públicos estrangeiros, notadamente os governos da República Dominicana e Cuba, este último contendo obras custeadas, direta ou indiretamente, pelo BNDES”.

Os procuradores enquadram a relação de Lula com a Odebrecht, o BNDES  e os chefes de Estado, a princípio, em dois artigos do Código Penal. O primeiro, 337-C, diz que é crime “solicitar, exigir ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público estrangeiro no exercício de suas funções, relacionado a transação comercial internacional”. O nome do crime: tráfico de influência em transação comercial internacional. O segundo crime, afirmam os procuradores, refere-se à suspeita de tráfico de influência junto ao BNDES. “Considerando que as mencionadas obras são custeadas, em parte, direta ou indiretamente, por recursos do BNDES, caso se comprove que o ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva também buscou interferir em atos práticos pelo presidente do mencionado banco (Luciano Coutinho), poder-se-á, em tese, configurar o tipo penal do artigo 332 do Código Penal (tráfico de influência)”, diz o documento.

A investigação do MPF pode envolver pedidos de documentos aos órgãos e governos envolvidos, assim como medidas de quebras de sigilos. Nas últimas semanas, ÉPOCA obteve documentos oficiais, no Brasil e no exterior, e entrevistou burocratas estrangeiros para mapear a relação entre as viagens internacionais do ex-presidente e de integrantes do Instituto Lula com o fluxo de caixa do BNDES em favor de obras da Odebrecht nos países visitados. A papelada e os depoimentos revelam contratos de obras suspeitas de superfaturamento bancadas pelo banco estatal brasileiro, pressões de embaixadores brasileiros para que o BNDES liberasse empréstimos – e, finalmente, uma sincronia entre as peregrinações de Lula e a formalização de liberações de empréstimos bilionários do banco estatal em favor do conglomerado baiano.

A Odebrecht tem receita anual de cerca R$ 100 bilhões. É uma das principais empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, que desmontou um esquema de pagamento de propinas na Petrobras. Segundo delatores, a construtora tinha um método sofisticado de pagamento de propinas, incluindo remessas ao exterior trianguladas com empresas sediadas no Panamá. A empreiteira, que foi citada pelo doleiro Alberto Youssef e por ex-funcionários do alto escalão da Petrobras, nega as acusações.

Saiba mais sobre a investigação do Ministério Público Federal em ÉPOCA desta semana. A reportagem detalha os casos dos documentos e imagens abaixo:

AMIGOS O ex-presidente Lula em encontro com o presidente da República Dominicana, Danilo Medina, em janeiro de 2013. Lula foi dar uma palestra em premiação a jovens do país (Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula)

PRESTÍGIO O presidente de Gana, John Dramani Mahama, veio ao Brasil em 2014 para lançar seu livro Meu primeiro golpe de Estado. Aproveitou para visitar Lula e executivos da Odebrecht (Foto: Erika Santelices/AFP)

 

Um padrão que se repete (Foto: Reprodução)

 

11 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 201.86.180.101 - Responder

    Então é uma ótima oportunidade do Lula,PROCESSAR com o máximo rigor possível a revista e por tabela a Globo dos Marinhos.Se mentira for,segunda feira,com o melhor advogado ,será com certeza protocolada uma ação por danos morais e materiais cotra a publicação.Senão ,SERÁ VERDADE! Vamos ver quem tem café no bule.PROCESSA LULA,senão seu povo continuará com o xororô,sempre culpando as publicações sem nunca buscar reparação.

    • - IP 179.253.184.170 - Responder

      Enquanto isso osmir vai continuar comendo capim e ruminando suas convicções políticas.

    • - IP 177.41.90.178 - Responder

      É claro que LULLÂO colorido não vai processar ninguém porque sabe que a situação dele é complicadíssima.

    • - IP 201.86.180.101 - Responder

      Não sei quem é vce nem se seu nome é esse mesmo,mas uma coisa tenho a convicção,vce é covarde,é do PT e puxa-saco de patrão.Com certeza ,meu pai dizia :cuidado,o puxa-saco de patrão é o pior ser que existe,êle é falso e com certeza mau funcionário, mau pai e mau marido.Me esquece boiola e corno,vai procurar macho!

  2. - IP 177.41.85.225 - Responder

    Enock para começar você poderia corrigir a matéria,pois o Lula é ex presidente e não presidente. Ninguém comete um crime(principalmente setor publico) sem a conivência de um superior. Qualquer leigo tem este conhecimento. Teste que defender o país e não um partido.

  3. - IP 189.73.210.110 - Responder

    Ótimo . li toda a matéria , não paguei e ainda vou divulgar para meus amigos saberem de mais safadezas do ébrio. Nisso o site contribuiu para ir mostrando quanto o Brasil esta enganado com esse falastrão que diz que governou o país.

  4. - IP 201.86.180.101 - Responder

    ATENÇÃO,ATENÇÃO,confirmado,este palhaço do Ubirajara Itagi,não existe,não esquentem a cabeça com o corno por trás deste nome.Ubirajara ,é uma cidade em São PAULO.Itagi,é uma cidade na Bahia.Deve ser alguem do Pt ou o próprio blogueiro por tras deste nome.IGNOREM, NEM RESPONDAM!

  5. - IP 179.100.91.29 - Responder

    E Osmir existe? É só esse nominho de nada?

    • - IP 189.59.52.42 - Responder

      Lá vem outro ninguem entrometer,adams tambem pode ser chicletes ou ser membro da familia adams de monstros,estamos em dúvida.

  6. - IP 179.253.188.40 - Responder

    Engraçado que os petistas não entram no mérito da matéria que é: MPF investiga lula por tráfico de influência! A noticia é verdadeira e já foi confirmada pelo próprio MPF/DF! Pouco importa se foi a veja, época ou istoé que deu a manchete, se a mesma é verdadeira. Porque o pt e o lula não acusam oficialmente o MPF e recorrem ao CNMP por perseguição se estão tão cheios da razão assim?

  7. - IP 189.31.41.86 - Responder

    Interessante. Lucro!? Balanco contabil confiável? Emprestou mais de 400bilhoes pra obras no exterior. Quase Meio Trilhao de reais? ?enquanto isso Brasil sem estradas, escolas e saúde…. E a noticias dos proximos meses nao sao boas. Mais escandalos e mais crise. Da-lhe PT e Foro de Sao Paulo Nefastos

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

19 − quatro =