GREVE CONTINUA E CADA VEZ MAIS FORTE: Pressão do governo Silval, que já conseguiu 3 liminares na Justiça e declaração de ilegalidade da greve, não funcionou. Agentes penitenciários demonstram unidade inquebrantável. Com apoio da CUT, UGT, Fórum Sindical, Sinjusmat e Ong Moral categoria agora reivindica reunião direta com governador.

sindispen 31

A ameaça de prisão, de corte de ponto, de demissão, simplesmente não impactou na categoria dos agentes penitenciários. Na assembleia desta quarta-feira, 31 de julho de 2013, que aconteceu na sede do Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas, vimos a inusitada cena de toda uma categoria polemizando com a assessoria jurídica da entidade que identificava o esgotamento jurídico das possibilidades da greve, enquanto os grevistas insistiam na tese da manutenção greve mesmo sob todos os riscos.  No final, prevaleceu a garra de quem sabe que só a luta para modificar uma lei que ameaça o Direito de Greve de todos os trabalhadores brasileiros. Nesta quinta-feira, esta PAGINA DO E, colocará no ar, em vídeo, cenas da assembléia de segunda-feira. Depois virão as cenas desta quarta, marcando o registro de uma greve que é histórica, como deixaram bem claro os sindicalistas Robinson Ciréia (CUT e Sintep), Rosenwal Rodrigues (Sinjusmat), Cledison Gonçalves (UGT e Siagespoc), Gilmar Brunetto (Sinterp e Fórum Sindical), além do advogado Bruno Boaventura (Ong Moral) que foram ao encontro dos grevistas para manifestarem sua solidariedade com um movimento que tenta mudar a realidade de tanto sofrimento, de tanta insalubridade, de tanta doença, no ambiente do sistema prisional de Mato Grosso. Confira o registro da reunião, feito com competência pelo repórter Walington Sabino. Amanhã começa agosto – que venha com um bom gosto para os grevistas)

 

Agentes mantém greve, recebem apoio e querem reunião com governador

Welington Sabino, repórter do GAZETA DIGITAL
A pressão feita pelo governo do Estado, que já conseguiu pelo menos 3 liminares na Justiça, inclusive declarando a greve ilegal, em cima dos servidores do sistema penitenciário que estão de braços cruzados desde o dia 26 de julho, não funcionou, pois a categoria decidiu em assembleia geral, na tarde desta quarta-feira (31), que a paralisação segue por tempo indeterminado. Decidiram também que vão manter somente 30% do efetivo trabalhando assim como manda a lei de greve, amparada na Constituição Federal e não 70% como determinou o Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Agora, a categoria reivindica uma reunião diretamente com o governador Silval Barbosa (PMDB), pois cansou de conversar com o secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf e o secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Luiz Antônio Pôssas de Carvalho e nada ser resolvido.

Na assembleia desta quarta-feira houve a participação de cerca de 500 pessoas entre servidores e representantes de vários outros sindicatos. Por ampla maioria, eles decidiram que vão manter a paralisação e garantem não ceder à pressão, inclusive o risco de prisão, já que uma das decisões favoráveis ao governo ampara as forças policiais a prenderem os servidores grevistas que se recusarem a voltar aos postos de trabalho. “A categoria está unida e lutando por um ideal e por isso decidiu que vai correr os riscos e manter a greve até as reivindicações serem atendidas”, ressalta o presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado (Sindspen), João Batista Pereira de Souza.

Diante das várias liminares favoráveis ao governo e das denúncias do Sindspen relatando perseguição, represálias, assédio moral e terrorismo por parte do governo, vários sindicalistas de outras categorias também estão “comprando a briga” e se mobilizando em favor dos servidores do sistema prisional. Tanto que é que na assembleia houve a participação de representantes de movimentos como a CUT, Fórum Sindical, Ong Moral, a União Geral do Trabalhadores (UGT) que é a terceira maior central de trabalhadores do Brasil e até do Sindicato dos Servidores do Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat) presidido por Rosenwal Rodrigues dos Santos.

O motivo, segundo João Batista, é simples: essas outras categorias que também costumam deflagrar greve anualmente reivindicando direitos e melhorias trabalhistas, como aumento salarial, estão percebendo que todas as decisões da Justiça de Mato Grosso são sempre favoráveis ao governo do Estado. “Os líderes sindicalistas, conforme explicou o presidente do Sinjusmat, Rosenwal Rodrigues, estão preocupados e se sentindo acuados pelo Tribunal de Justiça que tem entendido que servidores não podem fazer greve”, explica o sindicalista. Nesta quarta-feira, o Sindicato dos servidores da Educação (Sintep) também emitiu nota de repúdio contra o governo de MT e contra o Judiciário e apoiando a greve dos agentes.

De acordo com João Batista de Souza, a greve continua até o governador aceitar receber os representantes da categoria e até a retomada das atividades parlamentares na Assembleia Legislativa, onde irão buscar possível respaldo dos deputados estaduais para aprovarem projetos que atendam as reivindicações dos servidores. “O governo só promete, assina acordo perante a Justiça, mas não cumpre. Agora queremos ter o apoio dos parlamentares”, diz.

Sobre a possibilidade de se reunirem com o governador Silval Barbosa, o sindicalista explica que conversou, nesta quarta-feira, com o secretário Luiz Antônio Pôssas de Carvalho que se comprometeu a ver se o Chefe do Executivo estadual abre a agenda para receber as lideranças do movimento. “Eles falam que não negociam com grevistas, mas alguém vai ter que ceder e a categoria está mobilizada e decidida a não ceder. Então o governo terá que nos atender. Queremos mostrar a ele [governador] toda a situação desde o ano passado”, enfatiza o presidente do Sindspen.

Só 30% no trabalho
Na assembleia, além de Cuiabá e Várzea Grande, tinham servidores de várias cidades. Somente de Rondonópolis veio um ônibus lotado de servidores. Também marcaram presença os agentes de municípios como Araputanga, Água Boa, Barra do Bugres, Cáceres, Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nobres, Poconé e outros. Foram cerca de 500 servidores que votaram e decidiram que a greve continua e também somente 30% do quadro funcional permanecerá em atividades. Com isso, prometem que não vão realizar atividades como trabalhar para permitir visitas de familiares, de advogados e oficiais de Justiça. “Só vamos realizar as atividades consideradas inadiáveis, como é o caso da alimentação”, reafirma João Batista.

Ainda de acordo com o presidente do Sindspen, todos os servidores que decidiram pela manutenção da greve sabem das possíveis consequências, já que o governo tem feito várias ameaças na tentativa de encerrar a greve e cumprir as ordens judiciais. “O sindicato não tomará nenhuma medida que não tenha sido deliberada pela categoria. A assembleia é soberana”, ressalta.

 

7 Comentários

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  1. - IP 187.5.86.241 - Responder

    AMEAÇA DE PRISÃO?
    ISSO NÃO EXISTE NO NOSSO ORDENAMENTO PENAL.
    GOSTEI DESSA CLASSE. ENQUANTO ISSO NA SALA DE JUSTIÇA DO TJ/MT.
    SINJUSMAT É ASSIM QUE FAZ !

  2. - IP 189.75.80.230 - Responder

    FICO MUITO SATISFEITA PELA, UNIÃO DA NOSSA CATEGORIA, ESTAMOS JUNTOSSSSSSSSSSSSSS

  3. - IP 187.6.100.28 - Responder

    …..estamos diante de algo no minimo extraordinário no sentido literal da palavra….parabens nobres guerreiros vcs estão dando o maior exemplo de cidadania….fica evidente que tjmt tenta intimidar qualquer possibilidade de reivindicaçõa nos seguimentos dos servidores publicos….sejam firmes e sairam vitoriosos….QUE PENA QUE OS SERVIDORES DO JUDICIARIO NÃO POSSUEM ESTA GARRA….SEUS DIAS COM PRESIDENTE DE SINDICATO RL ROSENVAL ESTAO CONTADOS…. ESPERE E VERÁ….

  4. - IP 187.6.100.28 - Responder

    ….O ROSENVAL POSA DE DEFENSOR DOS IDEAIS DOS SINDICALIZADOS AGENTES.. NO QUE DIZ RESPEITO A SUA PROPRIA CATEGORIA NADA FAZ…. A NÃO ILUSÕES…..NUNCA MAIS ESSE MOÇO GANHARÁ NEM PARA PRESIDENTE DE BAIRRO…..VAMOS TIRÁ-O E COLOCAR ALGUEERM QUE REALMENTE INTERESSE PELA CATEGORIA…..

  5. - IP 179.216.193.167 - Responder

    MAS EH UM CARA DE PAU O ROSENVAL, NAO? POSA DE GUERREIRO PARA OS OUTROS ENQTO QUE, PARA A PROPRIA CATEGORIA, AGE COMO UM MEDROSO QUE AO MENOR APERTO, CEDE ÀS PRESSÕES. CASO FOSSE O CONTRARIO, OS SERVIDORES DO PODER JUDICIARIO JA ESTARIAM RECEBENDO SEUS SUBSIDIOS DENTRO DO ENQUADRAMENTO DO SDCR, DESDE OS IDOS DE 2008. MAS OQ ACONTECE? TENDO SIDO DECLARADA ILEGAL, COMO ERA DE SE ESPERAR, O SENHOR ROSENVAL, ABAIXANDO A CABEÇAO NUM TIPICO “SIM, SENHOR”, REUNE A CATEGORIA E DECRETA O FIM DA GREVE. POIS, SIM! UM SINDICALISTA DESSE NAIPE É A GLORIA PARA A CLASSE PATRONAL.

  6. - IP 177.193.158.31 - Responder

    O governo tento o a todo custo pressionar a categoria que não tem conhecimento jurídico, fala em demitir em prender e de que a greve é ilegal, e ilegal são os seus atos que é puro absolutismo, um poder que manda em outro, e o Poder Judiciário esta acatando o que o governador deseja, essa ação tem entendimento de que pobre se trata é no pau e tronco e chicote, esqueceram que o povo vota e as lei são de ordem suprema.
    A pressão com a categoria da a entender que é puro assedio moral fere o psicológico da massa é põe de baixo de suas assas um poder autoritário.

  7. - IP 177.193.158.31 - Responder

    hoje a sociedade necessita de curso para entender o que a Constituição fala dos três poderes, a falta de entendimento da lei na cultura da sociedade brasileira nos deixa mais longe de uma sociedade mais poderosa, as crianças são ameaçadas por divulgar escolas públicas mal administradas, as policlínicas que distribui senha para atender a sociedade, isso não é falta de medico e sim de conhecer os seus direitos, a lei 8112 de 1990, a Constituição federal e mais o edital do concurso público para cargos de serviços públicos é explicito no quesito do horário de serviço que são dois um é 40(quarenta) horas semanais refere a 8(oito) horas por dia na semana ou regime de plantão e a outra 30 horas semanais que refere se a 6(seis) horas semanais ou regime de plantão, então com isso o Estado não pode parar os serviços de Segurança, Saúde, Justiça, e outros que implica com os direitos do Cidadão, esse tem ligação com o Principio da Eficiência.
    O cidadão trabalha para sobreviver, e adquiri alimentos e outros objetos, com isso paga os impostos que são efetivados ou recolhidos na compra dos produtos, aqui esta a eficiência do pagamento dos tributos, agora falta o Estado gerir a Eficiência dos serviços públicos.

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