A EPOPEIA DE DIRCEU CARLINO: O radialista Dirceu Carlino, do alto de seus 82 anos, diz que não pensa em parar, vai continuar atuando no rádio enquanto seu coração aguentar. Ele forma dupla com Edivaldo Ribeiro, nas manhãs da CBN

Dirceu Carlino, radialista, 82 anos de idade

Dirceu Carlino, radialista, 82 anos de idade. Fotos de Hegla Oleiniczak, do Diário de Cuiabá

RÁDIO
A epopeia de Dirceu Carlino

Com seu jeito explosivo, aos 82 anos, é um dos personagens mais característicos do radialismo mato-grossense

JOÃO BOSQUO
DC ILUSTRADO – DIÁRIO DE CUIABÁ

Quando Dirceu Carlino chega em Cuiabá, em meados da década de 70, em um Fusca 65 lotado com material de telefonia (aparelhos de telefones, pabx, interfone etc.) jamais imaginou que seria um dos ícones da radiodifusão de Mato Grosso. Aos 82 anos de idade, Dirceu Carlino demonstra disposição para continuar no ar por longo tempo, ao lado do companheiro inseparável de quatro décadas, Edivaldo Ribeiro, apresenta programa matutino na CBN Cuiabá, e seu projeto é parar quando o coração parar de bater. Vai levar tempo, esperamos.
Dirceu, antes de comprar o Fusca, em São Paulo, para vir para Mato Grosso e exercitar o que sabia fazer de melhor, que era vender, perambulou aqui e ali pelo interior de São Paulo, trabalhando com vendedor, empreiteiro, crooner de orquestra de música e diretor de rádio, tudo isso antes embargar para o novo eldorado. Dirceu não sabe dizer por que escolheu vir para Cuiabá. Sabia apenas da história do pai, Augusto Carlino, que teria passado pela capital mato-grossense, décadas e décadas atrás, em 1927.
Natural de Paulistânia, antiga Matão, entre Bauru e Santa Cruz do Rio Pardo, Dirceu diz que “a vida toda trabalhou como vendedor. Vendedor de camisa, de sapatos, por um tempo foi cobrador, e bancário do Banco Brasileiro de Descontos S.A, fundado por Amador Aguiar, que comprou a Casa Bancária Almeida & Cia. “Trabalhei lá como um condenado”, conta.
Superada a fase de bancário, um dia, entra na rádio para um programa de calouro, e – segundo sua avaliação – cantou melhor que o concorrente que levou o prêmio, por conta da simpatia. Houve um desempate que continuou empatado e os dois ganharam o prêmio. Depois foi contratado para ser cantor de uma orquestra em Tupã, cidade em que morava desde os quatro anos de idade.
Se hoje se canta na altura da voz do cantor, ele lembra que naqueles tempos os arranjos já vinham prontos e o crooner tinha que ter garganta. Depois fundou a Orquestra do Jasson, que ensaiava na sala da Orquestra de Nelson de Tupã, considerada uma das melhores do Brasil e depois do Jasson, participa da fundação da orquestra de Leopoldo, irmão de Jasson, que se apresenta mais tarde por duas vezes em Cuiabá. “Não segui pra frente porque o meu negócio era a curtição”, narra.
Na metade da década de 50, vai para Dracena, como inspetor de uma corretora de seguros. Como já tinha “uma tendência de arrastar fio”, chegando em Dracena se enturma com o pessoal da rádio local, começou a trabalhar e tornou-se diretor por 12 anos. Diretor, naquele período, vamos combinar é um faz tudo: locutor, apresentador, entrevista, arrasta-fio e diretor, claro. Fica lá até 1968.
Volta para Bauru, e começa a trabalhar na construção de casas com financiamento da Caixa. Depois muda-se para São Paulo, embora na mesma empresa, muda de função. Sai da empresa, compra o dito Fusca, enche de “tranqueira” de material de telefonia e vem parar em Cuiabá.
Já habituado com a vida cuiabana, certo dia, no Super Hawai Lanches, localizado na Praça da Alencastro, de frente para a Praça da República, lanchonete e bar sem porta, encontra-se com Fauzer dos Santos e Naour Belusci, dois amigos com quem trabalhara em Dracena.
Fauzer dos Santos conta que acabara de comprar uma emissora, a Rádio Cultura e antes do amanhecer Dirceu Carlino já estava empregado e os três seguiram para a sede da emissora, que ficava perto de onde estavam.
A primeira pergunta foi por que a rádio fecha, sai do ar, às 8h30? Resposta: por causa da televisão. O quê que a televisão tem a ver com rádio? E a primeira providência foi estender a programação. Dirceu cria o seu primeiro programa: “Cuiabá Zero Hora”, que começava a meia noite e terminava às duas da manhã.
Quanto ao bar, Dirceu mudou de endereço e passou a ser assíduo do Bar Internacional, frequentado pela intelectualidade local, jornalistas, escritores, poetas, historiadores, advogados e conhece figuras como Silva Freire e Rubens de Mendonça e passa a ‘beber’ da história de Cuiabá diretamente da fonte e dessas conversas saem os assuntos para o programa.
Quando da grande enchente, em 1974, que destruiu os bairros do Terceiro, Terceiro de Dentro, Terceiro de Fora, a Cultura tinha dificuldade para fazer a cobertura. Dirceu incorporou novamente o arrasta-fio e foi até a sede da Secretaria de Interior e Justiça, que funcionava no Palácio da Instrução. O secretário era Salomão Amaral e Dirceu, puxando aquele amontoado de fios, entra na sala do secretário cobrando providências do governo no sentido de orientar a população.
O que o governo deveria fazer? Resposta: instalar duas linhas de telefone ali para transmitir as orientações ao vivo. Ganhou a simpatia do secretário e os LPs foram instalados, fato que causou revolta em Jacques Brunini, dono da Rádio A Voz D’Oeste.
Outra, ele lembra que Rangel Reis, que nem tinha tomado posse como ministro do Interior, veio a Cuiabá para ver o estrago que a enchente tinha feito. Ele diz que foi o primeiro a entrevistar, assim como o último, ao embargar no Aeroporto Marechal Rondon.
Um ano e pouco, em 1975, deixa a Cultura e vai para a A Voz D’Oeste e, em 1976, estreia o Ciranda da Cidade, com Edivaldo Ribeiro. O Brunini, ao vender a Rádio para Silvano Bolinha e Bosquinho, impõe que dez por cento da compra seria dele, Dirceu. E A Voz D’Oeste, que já tinha Saulo Gomes, apresentando o jornal, com participações de repórteres de varias partes do Brasil.
A mesma equipe da rádio vai fazer o programa na Brasil Oeste, retransmissora da TV Tupi, o Cadeira do Povo, do qual participavam Dirceu, Edivaldo, Miudinho, Antero Paes de Barros e Saulo Gomes. Um dos entrevistados, a sentar na Cadeira do Povo, foi o polêmico apresentador Flávio Cavalcanti. “O programa fez tanto sucesso que causou a demissão de Bonilha na TV Centro América”, afirma. O Ciranda, além da rádio, foi também para a TV, TVCA, na hora do almoço.
Em 1982, se candidata a deputado estadual e fica na suplência. Como o PMDB fez maioria, o indicou para ser Secretário de Comunicação da Assembleia, cargo que ocupou por seis anos e seis meses e hoje empresta o nome para a Sala de Imprensa daquela casa; embora nunca tenha deixado o microfone.
Atualmente está na CBN, na companhia de Edivaldo Ribeiro, antes passaram pela Cidade. Toca um bar, o “Botequim do Dirceu”, no qual se serve a cerveja gelada, e para acompanhar a sardinha à espanhola, os bolinhos de bacalhau e de carne seca com abóbora.

 

E1A - 1 - DIRCEU OPÇÃO

 

 

E1A 1 - RADIALISTA DIRCEU

E1A 1  DIRCEU CARLINO NO DC

E1A - 1 - DIRCEU

1 Comentário

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  1. - IP 201.86.181.8 - Responder

    Muita saúde e vida para o Dirceu Carlino!

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