Zé Medeiros, fotógrafo, apoiado por Emanuel e Vuolo, inventa festival cultural no Centro Histórico de Cuiabá

Zé Medeiros, fotografado por Lucas Ninno

 

Zé Medeiros tenta atrair cuiabanos para o Centro Cultural

Por Enock Cavalcanti

 

Meus amigos, meus inimigos: Zé Medeiros é um novo utopista na praça. Ele que reinou como fotógrafo tão querido no período de governança de Zé Pedro Taques, agora tenta ampliar o alcance de sua agitação cultural. Sim, de fotógrafo muito premiado e prestigiado, o Zé resolveu mergulhar de cabeça numa batalha aparentemente perdida. O Centro Histórico da capital de Mato Grosso anda desabando, mas o Zé parece entender que ainda dá para erguer ali um animado espaço de encontro da cuiabania, usando a arte como fator de atração. Daí sua proposta de um evento de fim de semana, com projeções fotográficas, intervenções urbanas, sarau e feira para movimentar a Praça da Mandioca e o Centro Histórico de Cuiabá durante quatro dias de programação. Esse é roteiro. Essa é a utopia.

A primeira edição do “Festival Trezentos – É com a Mandioca”, ideia do Zé, será realizado em parceria com moradores e associações que atuam na Praça da Mandioca, região de boemia cuiabana que segue mantendo seu charme e sua lenda, apesar da infraestrutura deficiente da região. O evento começa nesta quarta, 16, e se estenderá até sábado, dia 19, com patrocínio da Prefeitura de Cuiabá, através do Edital do Fundo Municipal de Apoio e Estímulo à Cultura 2019, da Secretária Municipal de Cultura Esporte e Turismo e do Conselho Municipal de Cultura. Ou seja, parceria do Zé Medeiros com a Prefeitura, com o prefeito Emanuel Pinheiro e com o ainda secretário de Cultura Chico Vuolo – já que os antigos parceiros de Zé Pedro Taques aparentemente não são muito estimulados a buscar apoio cultural na nova administração estadual do governador Mauro Mendes.

O projeto do Zé também tem apoio da Maratona Fotográfica, Rolê Fotográfico, Fotos MT, Projeto Verde Novo, Grupo de Teatro Cena Livre, Projeto Verde Novo, Sesc MT e Senac.

De acordo com os organizadores, que se expressam através da ong Casa do Centro, a proposta é lançar luz sob o potencial de Cuiabá, enquanto cidade histórica brasileira, e presentear a capital com um festival de artes visuais e cultura popular. Patrocinando, em comemoração ao tricentenário da capital, que já está próximo de acabar, uma programação multicultural e gratuita (quer dizer, o pagamento dos contribuintes se dá de forma indireta, através dos impostos transferidos para a Prefeitura e dela para os organizadores do evento), entre os dias 16 e 19 de outubro, de quarta a sábado, das 17h às 22h.

Em meio a ruelas e casarões cuiabanos, quem for à 1ª edição do “Festival Trezentos – É Com Mandioca” vai poder curtir a produção fotográfica da terra para além das galerias, é uma das possibilidades. Projeções, performances e intervenções urbanas lançarão reflexões sobre invisibilidade social, diversidade e o meio ambiente. Abrirão, é claro, também, a possibilidade de reflexão sobre a maneira descontínua e algo confusa, como atuam todos aqueles que tem a responsabilidade de cuidar desse Centro Histórico tão dilapido.

O evento bolado pelo Zé contará com Feira de Gastronomia, Artesanato, Sustentabilidade e Moda durante os quatro dias com empreendedores da economia criativa da região.

Somar-se-ão às artes visuais uma diversidade de expressões artísticas, como a poesia de rua, música autoral e apresentações de dança e teatro individuais e coletivas. Oficinas e roda de conversa propiciarão espaços de formação e trocas sobre a arte de fotografar.Como o Zé é fotógrafo, nenhuma surpresa que a fotografia tenha espaço nobre neste evento.

Os poetas Slam do Capim Xeroso, os atores André D’Lucca, Eduardo Butakka e Thiago Mourão os músicos Amauri Lobo, Caio Mattoso, André Balbino, Hend Santana e o duo Allan House e Mississipi Jr são algumas das atrações elencadas. A tradicional banda de lambadão Styllus Pop Som fará o show de encerramento, em um retorno anunciado como histórico.

O fotógrafo e idealizador do projeto José Medeiros informa ainda que, além de criar novas oportunidades de entretenimento e renda, a ideia do evento é atrair os olhares da população para o Centro Histórico de Cuiabá, seus casarões, suas histórias e populações, procurando reduzir o impacto do imaginário negativo que a região carrega, como a Chacina do Beco do Candieiro, que aconteceu ali perto. E a rotina dos casarões desabando. E os ambientes de cabarés e prostíbulos, que desestimulam muitos a investirem e frequentarem as ruas do Centro. Além disso, sempre caprichando na utopia, o evento se posiciona pela preservação dos bens materiais e imateriais da cultura cuiabana e mato-grossense, coisa que nem sempre são cuidadas como deveriam ser. O próprio Museu da Imagem e do Som, que fica ali tão pertinho da Mandioca, vive a reclamar por maiores investimentos.

“”A ideia do evento que começa na quarta-feira é levar a arte onde o povo está: na rua. Ensinar a enxergar o que as vezes passa despercebido, com arte de rua, performances simultâneas e improviso”, diz o Zé, em comunicado. Gerando oportunidades e valorizando a identidade regional, a intenção é consolidar o Festival como uma atração anual para atender uma demanda crescente de mercado sustentável, alternativo e autoral. Sim, se tudo der certo, o Zé e o Festival da Mandioca voltarão no próximo ano,  com toda a sua carga utópica.

ENTENDA O CARA

José Medeiros acumula 30 anos de experiência retratando o tempo, as manifestações culturais brasileiras e os saberes de povos tradicionais, atualmente, em suas andanças produz o projeto comemorativo @expedicao300. Sua participação em festivais realizados nos centros históricos do país o despertou para a oferta destes eventos, tendo como referência os festivais de Cinema de Gramado, RS, Literário e Fotográfico de Paraty, RJ, e Gastronomia e Fotografia de Tiradentes, MG.

Mato Grosso pode estar nesse calendário, desenvolvendo o turismo aliado a diversos segmentos culturais. Esse é o eixo condutor do projeto; ser uma referência coletiva no Brasil Central”, complementa. Durante o Festival 300, o fotógrafo pretende realizar a intervenção “Amazônia” e “Povo Nosso De Cada Dia” – está última, em conjunto com a fotógrafa Mari Gemma de La Cruz e o Grupo de Teatro Cena Livre.

Zé Medeiros também tem história como repórter fotográfico na imprensa mato-grossense. Suas reportagem pelo interior do Estado, em companhia do repórter Rodrigo Vargas, cumprindo pautas para o Diário de Cuiabá, estão reunidas no livro “Andanças”. Também é dos mais ativos fotógrafos no esforço de preservação e defesa das nações indígenas de Mato Grosso e do seu modo de vida.

 

Confira a programação completa:

Dia 16 – Quarta-feira

17h| Abertura – Exposições Fotográficas

17h30| Apresentação Conhecendo o Artesão

18h30| Apresentação Gastronômica com Professor Chef Morais Junior que produzirá menu degustação com produtos quilombolas de Mata Cavalo

19h30| Bate papo comemorativo ao Dia Mundial da Alimentação com Rodrigo Carvalho – Alimentação Adequada e Saudável para a promoção da Saúde

20h| Performance Amazônia por José Medeiros e Grupo Internacional Circense

20h30| Bate papo com fotógrafos profissionais e Amadores, Maratona Fotográfica, SENAC, Rolê Fotográfico e FotosMT

Dia 17 – Quinta-feira

17h30| Apresentação Conhecendo o Artesão

18h30| Palco Livre

19h| Performance Literaturas de Cuia – Memórias Barrentas de Barros por Vinicius dos Santos

19h30| Performance O POVO NOSSO DE CADA DIA com José Medeiros, Mari Gemma de La Cruz e Grupo Teatro Cena Livre

20h| Show Violada com André Balbino

21h| Show Blues Allan House & Mississipi Jr

22h| Show Performance Caio Mattoso

Dia 18 – Sexta-feira

17h30| Apresentação Conhecendo o Artesão

18h30| Intervenção surpresa

19h| Oficina Cuiabá CorposSonoros com Vinicius dos Santos

19h30| Slam Capim Xeroso

20h30| Eduardo Butakka e Thiago Mourão, com Penélope e Seu Dito

21h| Show Performance Hendson Santana

Dia 19 – Sábado

17h30| Apresentação Conhecendo o Artesão

17h30 | Oficinas diversas

18h| Contação de Histórias A LENDA DA MANDI

18h30| Show musical com Amauri Lobo

19h30| Performance Vende-se Poetas

20h| Pocket show André D’Lucca

20h40| Show Performance surpresa

21h00| Encerramento com o retorno da Banda ícone do Lambadão Matogrossense Styllus Pop Som

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