TCE - OUTUBRO

ZÉ ANTONIO LEMOS: Só Gentil Bussik ou Helio Goiaba para compor marchinha sobre rebimbelas que atrapalham conclusão de obras em Cuiabá

ACADÊMICOS DAS REBIMBELAS

Por José Antonio Lemos

 

    Foi estarrecedora a desdenhosa atenção dada pelos governo do estado e Federação Mato-grossense de Futebol pela realização do jogo São Paulo x PSTC do Paraná pela Copa do Brasil no próximo dia 1 de março na Arena Pantanal. Mesmo a Arena seduzindo por seu próprio poder atrativo sucessivos eventos de caráter nacional e internacional, o governo e Federação fazem sempre questão de chegar fora de hora alegando dificuldades ridículas, facilmente superáveis por qualquer administração minimamente interessada em um grande patrimônio público.

    O surpreendente PSTC ao passar para a segunda fase da Copa do Brasil, com mando de campo e tendo que enfrentar o poderoso São Paulo, escolheu de comum acordo com o adversário a Arena Pantanal como palco para seu importante jogo. Escolheu. Foi de graça. Não vi qualquer notícia de que alguém daqui tenha ido lá convidá-los. Ao contrário, o PSTC teve que enfrentar sua torcida e a pressão de cidades do Paraná como Londrina e Maringá para seus estádios serem escolhidos. Por que um jogo desses é tão disputado? Pela careca do Rogério Ceni?

    Um evento envolvendo cerca de 40 mil espectadores diretos e milhões via TV, não pode ser confundido com um simples jogo de futebol. Levado a sério e bem promovido rende muito dinheiro para as cidades em hotéis, restaurantes, postos de combustíveis, comércio em geral e os famosos ambulantes de material esportivo, de alimentação, souvenirs, etc. Essa é uma das razões da multifuncionalidade da Arena Pantanal, ainda não assimilada pelas suas autoridades responsáveis. Fora a divulgação positiva da cidade e do estado, também importante.

    A Arena Pantanal após receber com total êxito uma Copa do Mundo e ser escolhida pela crônica esportiva estrangeira como a mais funcional das arenas, chegou ao absurdo de ficar interditada por 1 ano e meio por ditos “problemas estruturais” que foram resolvidos pela bagatela de R$ 6 mil, envolvendo o conserto de dois rufos na cobertura e uma placa de fibrocimento na fachada, tendo sido liberada imediatamente após o jogo Brasil x Bolívia, eliminatório para a próxima Copa do Mundo ter sido transferido para Maceió. Depois a CBF propôs o jogo Brasil x Paraguai, também pelas eliminatórias, que também não veio.

    Pois bem, no fim da semana passada foi noticiada a intenção do jogo do São Paulo ser na Arena. Indagado sobre a possibilidade do jogo ser em Cuiabá a FMF respondeu que teria a resposta só na segunda-feira, estávamos na sexta. Na segunda-feira à noite veio a notícia de que a CBF havia vetado a Arena Pantanal por falta de um laudo do Corpo de Bombeiros, prometido pelo governo para até o dia do jogo, 15 dias depois. Brincadeira ou não! Um jogo como esse envolve uma série de preparativos logísticos, de adaptação, locais de treinamento e não pode ser mudado de uma hora para outra.  E se o laudo não saísse?

    E assim vai nossa Arena Pantanal, tão reverenciada internacionalmente, que recebeu uma Copa, mas não pode receber jogos nacionais, sendo agora trocada por um estádio com capacidade inferior a do charmoso Dutrinha, cujo muro caiu esta semana, talvez por excesso de zelo. Certamente algumas rebimbelas de parafuzetas devem estar atrapalhando nossas obras que nunca são concluídas embora muitas em pleno funcionamento faltando tão pouco para suas inaugurações definitivas. Rebimbelas federais, estaduais ou municipais, jurídicas, técnicas ou burocráticas. Rebimbelas prá todo lado atravancando tudo. Quisera ter a arte de um Gentil Bussik e dos saudosos Hélio Goiaba ou Moacir da Costa e Silva para compor uma marchinha sobre elas, satírica, crítica, dura mas bem-humorada, inteligente e elegante, como faziam para os velhos carnavais cuiabanos dos idos de 50/60.

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro do CAU-MT e professor universitário.    joseantoniols2@gmail.com

 

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