Walter Rabello, exclusivo: “Serei o prefeito de Cuiabá. Doa a quem doer”

Mesmo sem o programa de televisão e o mandato de deputado estadual, Walter Rabello, pré-candidato à prefeitura pelo PP, garante que está no páreo. Nesta entrevista exclusiva concedida ao radialista Johnny Marcus para o programa de rádio “Conversa Paralela”, ele fala sobre traições, perseguições, pesquisas duvidosas e acordos feitos na calada da noite. A PAGINA DO E reproduz os principais trechos.

JM – Deputado, o senhor é cuiabano? Como foi o seu ingresso na política?
WR – Eu sou praticamente cuiabano. Eu não nasci em Cuiabá. Nasci em São Paulo,  mas fui criado no estado de Goiás e vim para Cuiabá com treze, quatorze anos de idade. Eu já jogava futebol na época e joguei no time do Operário por um bom tempo. E pra sorte do futebol não deu certo, daí eu parei e fui jogar lá em Mirassol D’Oeste. Também não deu certo, aí parei e fui fazer rádio em 1985. Depois em meados de 1990, voltei a jogar, só que desta vez futsal, por uns cinco, seis anos. Mas ainda assim continuei com a minha atividade de apresentador e comunicador. Eu era apresentador de comícios. Fui apresentador de comícios desde a campanha do Bezerra até a do Blairo Maggi. Quer dizer, passei por todos os momentos políticos de Mato Grosso.

JM – O senhor imaginava que de animador, passaria a fazer o seu próprio comício?
WR – Não, não imaginava que seria político.

JM – Como foi a sua eleição para vereador?
WR – Uma candidatura quando é popular, quando responde aos anseios da sociedade, ela nasce ali. A não ser que você faça a opção de ser um político profissional – que não é o meu caso. A minha candidatura nasceu dos braços de uma sociedade – sem demagogia. De grupos segmentados que buscaram e falaram “Walter, você tem que ser o nosso representante. Você tem que estar lá lutando por nós”. E daí foi criando-se a idéia de ser candidato e de um grupo de dez, passa a ser um grupo de 20, de 20 para 30, de 30 para 50 e vira aquela ação de que você vai ter entrar no mundo político – e entrei.

JM – E por que o PMDB?
WR – Aí é que está o problema. Eu não era do PMDB. Eu fui primeiramente candidato pelo PSDB e perdi a eleição. Só que eu perdi a eleição fazendo o mesmo programa que hoje eles falam que é palanque eleitoral.

JM – Mas havia a mesma estrutura de organização?
WR – Não! Talvez a estrutura fosse até maior. Porque eu peguei a televisão no auge estrutural dela. Eu fui um dos primeiros profissionais contratados pela emissora. Havia total estrutura. Eu tinha três ou quatro equipes de reportagem. Agora por último só tinha duas. Reduziu muito a estrutura do que era para o que é hoje.

JM – O senhor então sai do PSDB e vai para o PMDB?
WR – Exatamente. Daí fui eleito no PMDB.

JM – O senhor recebeu um convite ou procurou o partido?
WR – Não… acho que foi uma decisão do partido, quer dizer, do grupo político de que tínhamos que procurar uma agremiação porque o sistema que nós vivemos hoje é um sistema extremamente perseguidor. O sistema como um todo. O sistema te dá uma data para que você faça política. Quando o homem, na sua essência, faz política 24 horas por dia. O que você está fazendo aqui hoje é política.

JM – O homem é um ser político por natureza.
WR – Então se o homem na sua essência e natureza é político, porque você tem que determinar uma data? Isso já é uma perseguição. Aí existem as regras. As regras dizem que você tem que atingir um coeficiente eleitoral pra que você possa se eleger. E como eu tinha perdido a eleição, porém tinha sido o 16º, 17º mais votado, e eram 21 cadeiras para vereador, então pelo sistema que conhecemos hoje eu não fui eleito por uma questão de legenda. Então a gente buscou um partido em que pudéssemos ter a viabilidade da eleição. E migramos para o PMDB e fui o vereador mais bem votado da história de Cuiabá. Então houve uma conquista com uma prestação de serviços de 2000 até 2004. Em 2000, inclusive, eu fiquei fora do ar. Fui demitido da televisão depois de ter perdido a eleição. Aí fui buscar espaço. Comprei um horário e comercializei esse horário lá na TBO, fui fazer a campanha do governador Blairo Maggi, tive que deixar o programa. Aí depois da campanha voltei a fazer o programa na TBO. E depois que o programa fez um sucesso, sucesso entre aspas, um sucesso interessante na TBO, fui convidado a retornar ao SBT. Retornei ao SBT, acho que no início de 2003, fui candidato em 2004 e fui o deputado mais votado da história de Cuiabá.

JM – O senhor sempre fez questão de deixar claro que o deputado federal Carlos Bezerra não é o seu padrinho político.
WR – Nunca foi.

JM – E mesmo nessa época já havia divergências entre o senhor e ele?
WR – Eu nunca tive divergências com ninguém. Eu fui perseguido por alguém. Fui discriminado.

JM – Esse alguém é o deputado Carlos Bezerra?
WR – Sim, com certeza.

JM – E em razão de quê essa discriminação?
WR – Não sei. Isso tem que ser perguntado a ele. Ele nega isso. Diz que não. Mas essa perseguição não era visível pelo Walter Rabello, mas era visível aos olhos de quem convivia dentro do sistema, aliás, dentro do partido, dentro da instituição. Muitos comentavam e me falavam, outros se calavam – o que é um direito democrático. Nunca condenei ninguém, até porque isso não compete a mim julgar ou pré-julgar. Mas chegou um momento em que todo mundo veio, inclusive a imprensa, dizendo que eu estava sendo praticamente fritado dentro do PMDB. E o que seria a fritura do Walter Rabello dentro do PMDB? Porque uma coisa é você brigar para ser candidato – o que eu não fiz. Eu me elegi deputado estadual e no outro dia, ou alguns dias depois, o próprio Bezerra lançou o meu nome à prefeitura numa coletiva. Ou seja, ele presidente regional do PMDB, lança a candidatura majoritária dentro da capital do estado, depois que ele lança esse nome, e esse nome passa por uma avaliação popular e começa a liderar todas as pesquisas de intenção de voto, ele (Bezerra) começa negociar essa candidatura com outro partido. Você interrompe a trajetória política de um ser humano, de um cidadão. Isso não é perseguição? Foi o que ele fez. Ele começou a interferir numa aclamação popular e eu e a sociedade estávamos sendo apunhalados pelas costas. E depois qual seria a resposta que eu daria à sociedade? Fora a discriminação, que se não me engano, consta nos autos do voto de um relator de que fui chamado de analfabeto. Chamar alguém de analfabeto não é discriminar?

JM – O senhor acha que o deputado Bezerra temia o surgimento de uma nova liderança dentro do PMDB?
WR – Não, eu não acho. Eu tenho certeza. A história conta isso. No meu caso eu não gostaria de avaliar porque não tenho condições de fazer esse tipo de avaliação. Mas historicamente dentro do PMDB… É simples: Wilson Santos estava onde?

JM – Ele já foi do PDT e do PMDB.
WR – E não foi cassado. Ah, mas não existia a interpretação. Quer dizer, não é nem lei mais, é interpretação. Mas tudo bem, vamos lá. Wilson esteve no PMDB e começou a crescer. Wilson continuou no PMDB? Dante Martins de Oliveira – a maior expressão política em nível nacional. Não estou dizendo que ele foi o melhor político – quero deixar isso bem claro. Quero dizer que ele foi a maior expressão. O homem das Diretas Já, o homem da reforma agrária… ministro da Reforma Agrária, deputado federal, prefeito. E estava onde? No PMDB! Foi eleito governador pelo PMDB? Não! Saiu do PMDB. Dentre outros, como Luiz Soares, Hermes de Abreu. E por que essas lideranças não ficaram? Porque obviamente representavam uma ameaça ao chamado, dito, conhecido popularmente como cacique do PMDB. Eu fui eleito vereador e deputado pelo partido, não saí do partido, e não teria saído se não fosse por essa perseguição. Mas quando falei em uma entrevista sobre a eleição do diretório regional do PMDB, disse que achava que na minha interpretação – tudo agora é interpretação, era que o que o Bezerra fez já está marcado tanto na história do PMDB quanto na dele próprio. Então que agora abra espaço para que outros possam postular a cadeira de presidente regional e buscar os interesses do partido, para que outros possam também participar da história do PMDB. E isso foi a gota d´água. Ele achou que eu queria ser candidato a presidente.

JM – E o senhor queria?
WR – Não. Até mesmo porque havia outros nomes à altura como Silval Barbosa, Ezemildo Nogueira, o finado Gilson de Barros e Nico Baracat. A única coisa que eu falei, foi que o que ele tinha feito já era suficiente para o partido. Isso foi motivo pra ele ficar… eu não digo ódio porque ódio é um sentimento muito ruim. Ódio, mágoa, Deus não permite isso. E o que Deus não permite não me agrada. Mas o Bezerra ficou com muita raiva e de lá pra cá começou toda essa avalanche.

JM – Como foi a sua ida para o PP?
WR – Eu achei um partido que falou “nós garantimos o projeto da sociedade cuiabana de que você venha a ser o candidato à prefeitura municipal de Cuiabá”. Porque o projeto passou a ser, pra que você me entenda direitinho, quando o PMDB me lançou candidato a prefeito, esse projeto não é mais do PMDB – ele é da sociedade. A sociedade é quem tem que avaliar. Houve a avaliação, houve o chamamento, houve a aclamação, houve a manifestação favorável. Então esse projeto não pertence mais a mim. As pesquisas mostram que eu não tenho mais como recuar. Como é que eu vou deixar de ser candidato? Que explicação eu vou dar? A não ser que eu esteja na UTI, que realmente não possa fazer nada, mas caso contrário, qual a justificativa? Eu vou falar o quê? Que eu me vendi? Que eu recebi dinheiro? Como tentaram me vender e eu não aceitei. Conforme a imprensa divulgou, não sou eu que estou dizendo.

JM – Mas o que a imprensa divulgou foi a partir de denúncias de seus assessores. Como a do locutor Moacir Ribeiro, que teria feito a afirmação durante um evento na Guia. Essa notícia foi até primeira página de jornal.
WR – Não, não, não. Não foi assim não e posso te afirmar. A história começa da seguinte forma: Walter Rabello apresenta um programa na TV Cidade Verde, certo? Walter Rabello foi chamado para não ser candidato, porque eu disse que seria candidato. Aí você tem duas opções, Walter Rabello. Ou você é candidato ou você deixa de apresentar o programa. Então falei que continuava candidato. Mas aí me passaram a informação de que eu poderia continuar a apresentar o programa. Continuei a apresentar.

JM – Esse ultimato foi dado pelo Luis Carlos Becare?
WR – Foi, foram palavras dele. Saiu na imprensa. Aí em função de uma conversa que tive com o Becare, que ele mesmo anunciou, acho que numa sexta-feira, ele chegou e me disse: “Ó, ou você é candidato ou você apresenta o programa”. E eu não fui mais apresentar o programa. Isso eu não fui apresentar um programa. Aí me ligaram da televisão dizendo pra eu voltar a fazer o programa e que já tinham conversado com o Seo Becare. Que eu iria apresentar o programa de forma normal, que só teria que atender alguns critérios e normas por parte da TV. Até para atender uma decisão judicial que havia sido divulgada, aliás, estava pra ser divulgada por parte do Ministério Público. E eu falei “até aí tudo bem, eu concordo, se é pra seguir normas, tudo bem, eu sou empregado, sigo normas sem problemas”. Aí fui apresentar o programa, seguir normas, não é “ah, você não vai falar de sicrano”. Censura eu nunca aceitei em lugar nenhum que trabalhei. Mas normas eu acho que você tem que cumprir. Aí voltei a apresentar o programa – isso foi numa terça-feira, mas nesse ínterim, só pra ficar claro, um dia que eu não apresentei o programa, saiu uma nota no jornal. Que estavam negociando a candidatura do Walter Rabello. E que tinham feito a proposta pro Walter Rabello que ele apresentava o programa ou era candidato, inclusive colocaram na nota, foi no jornal A Gazeta, que se eu fosse apresentar o programa, ele seria gravado e que eu teria não aceitado isso. E foi ipsis litteris o que aconteceu. Eu não falei nada pra ninguém. Mas saiu isso na imprensa. Aí fiz o programa na terça, quarta, quinta. Na sexta, fui informado de que estava proibido de apresentar o programa.

JM – Então o senhor foi demitido?
WR – Não. Veja bem. Na sexta-feira, eu recebi o comunicado de que não deveria mais apresentar o programa. Que eu ficasse sem apresentar o programa na sexta, no sábado, na segunda e na terça. Que na quarta-feira o empresário Becare falaria comigo. Essa é a história que aconteceu. Desse jeitinho. Como fiquei sem apresentar o programa sexta, sábado, segunda e terça, aí começaram todos os comentários na imprensa. “Estão vendendo ou estão tentando vender a candidatura de Walter Rabello”. “Estão negociando a candidatura do Walter Rabello”. “Estão não sei o quê a candidatura do Walter Rabello”. Teve um dia que o governador falou: “É sa-ca-na-gem o que estão fazendo com a candidatura do Walter Rabello. Essa é uma conquista do Walter Rabello”, no programa do Onofre Júnior, da TV Rondon. E saiu também em todos os sites e jornais. Quando foi numa segunda-feira, véspera do aniversário de Cuiabá, o Moacir Ribeiro, que não é meu assessor, ele foi a Guia, porque eu faria show lá na terça-feira, na segunda eu estava em casa reunido com alguns amigos, quando foi na terça do show, eu fiquei sabendo através de A Gazeta do que o Moacir havia dito lá na Guia. Foi primeira página. Mas ali o Moacir falou o quê? “Vocês não estão vendo o Walter Rabello no ar porque estão tentando comprar a candidatura dele”. Foi o que A Gazeta Publicou.

JM – Essa tentativa de compra seria por parte do prefeito Wilson Santos junto ao Luis Becare e envolveria concessão de transporte coletivo e coleta de lixo?
WR – Isso tudo que você está perguntando, a imprensa afirmou. E quando o Moacir Ribeiro fala na Guia que estão vendendo a candidatura do Walter Rabello, não foi uma situação criada por ele. Eu conversei com ele, e ele me disse que falou o que tinha lido nos jornais. E não é mentira. Você está entendendo? Saiu em todos os jornais. E o Moacir jamais citou nenhum nome. E durante todo esse processo ninguém falou em valores que estavam pagando na minha candidatura. Ninguém citou valores. Você leu alguma vez que tinha saído valor? Quando o empresário Luis Carlos Becare resolve dar a coletiva, ele fala em valor. Ele fala em R$ 12 milhões. Quem que falou da venda de candidatura? Não fui eu! Ele falou em valor.

JM – O senhor se sente traído pelo Becare?
WR – Eu acho que o empresário tem que ter os seus interesses. Não acho que ele esteja errado de querer o melhor para a empresa, financeiramente falando. O que eu não concordo é que o ser humano seja vendido. A escravidão foi abolida neste país há muito tempo. Então eu não aceito. Porque eu não sou venal, não sou produto, não estou na prateleira.
Eu sou um ser humano e respeito o povo de Cuiabá, de Várzea Grande e de Mato Grosso, porque tenho um compromisso com ele. Eu fui eleito pra isso. Aliás, o ex-patrão, Becare, dizia pra mim “o seu compromisso é com a sociedade, não se esqueça disso”. E eu não esqueci. Agora eu não me sinto traído. Digo que fui injustiçado. Sinto que fui perseguido. A perseguição do poder econômico em cima do Walter Rabello é muito grande. O medo de que o Walter Rabello venha a ser o prefeito de Cuiabá é muito grande. Não sei o porquê desse medo. O trabalhador, o cidadão de bem, o pai de família, se ele não tem curso superior, ele não pode ser prefeito? O presidente da República tem qual curso superior?

JM – Ele diz que tem o curso superior da vida.
WR – E é um curso importantíssimo. Eu não sentei em um banco de faculdade, eu não tive essa oportunidade, mas nem por isso deixei de ser honesto. Neste país, não é crime ser diferente. Agora, a interpretação popular, ela tem ou não tem que ter validade? O Estado democrático está sendo rasgado. Porque eu interpreto que vou votar no Paulo Coelho (assessor de imprensa do deputado) para algum cargo político, eu interpretei, eu povo. Não é isso que acontece na eleição? O STF interpreta que o mandato é do partido, aí o TSE faz uma resolução e interpreta que quem mudou de partido a partir de 27 de março não tem mais direito a esse mandato. E a interpretação da sociedade de que você deve estar lá? Quer dizer, mais de 70 mil pessoas votaram no Walter Rabello.

JM – Deputado, esse, vamos dizer assim, inferno astral que o senhor está vivendo, teve início com o seu afastamento do programa Olho Vivo na Cidade. A emissora acabou sendo notificada pelo Ministério Público por causa do assistencialismo. O senhor usava a TV como palanque eleitoral?
WR – Não (enfático). Acabei de falar. Eu usava esse mesmo programa em 2000 e perdi as eleições.

JM – Mas tinha toda essa coisa de distribuição de bens, de dinheiro, os shows, o horário nobre, o alcance do sinal da TV?
WR – Tinha… só pra você ter uma idéia, em 1900 e alguma coisa, eu consegui uma cirurgia para um menino que não tinha ânus pela Rádio Voz d’Oeste. Por que eu cito esse caso? Porque aconteceu o mesmo caso agora. E consegui o atendimento com o mesmo médico daquela ocasião.

JM – Há cerca de dois meses, o Sindicato dos Jornalistas promoveu um debate chamado “Mídia e Política: Usos e Abusos”, para discutir justamente a postura dos políticos com mandato e que são apresentadores de TV. Foram convidados, além do senhor, os deputados Sérgio Ricardo e Maksuês Leite. Mesmo tendo assinado um termo de compromisso com duas semanas de antecedência, nem o senhor nem eles compareceram. Foi uma ausência combinada?
WR – Não, jamais. Todas as participações sejam públicas ou da iniciativa privada, enfim, toda a oportunidade que você enquanto político, homem público, tem a oportunidade de se expressar, é lógico que é válida. E eu jamais deixei de ir lá porque não quis. Houve sim, um comunicado, está assinado pela Keka (Keka Werneck, presidente do Sindicato dos Jornalistas), eu tenho guardado, eu protocolei um dia antes, dizendo que estava impossibilitado de comparecer porque no mesmo dia eu tinha um show no Novo Paraíso II – que era aniversário do bairro. Eu já havia feito esse compromisso.

JM – Não dava tempo de fazer as duas coisas?
WR – Não dava porque o partido convocou uma reunião do diretório regional da qual participaram eu, Pedro Henry, Eliene, toda a bancada do PP. E ainda tive que sair mais cedo da reunião pra poder chegar a tempo do show. Mas eu comuniquei antes dizendo que sim, houve um erro da minha parte de não consultar a minha assessoria para que ela pudesse fazer o agendamento. Dos outros eu não posso responder. Se foi coincidência, eu não sei. Só sei que a minha versão é verdadeira e que inclusive tenho provas. Eu não fui por esse motivo. Mas utilizar do programa (politicamente), jamais. Em 1980 eu já fazia isso. Eu vou dizer uma coisa. Tem que acabar com essa hipocrisia. Deixa o cara trabalhar, deixa o cidadão viver a vida dele. Você até tem o direito de achar que o que faço no meu programa é demagogia. Agora você querer me impedir de fazer o que faço, você não tem esse direito. Eu atendia em média, 300 pessoas por sexta-feira na Assembléia Legislativa. E ali era cadeira de roda, era cesta básica, era internação, eu fazia isso. Depois com o passar do tempo, esse trabalho passou a ser divulgado na imprensa. E o fato de eu mostrar no programa a doação do meu salário de deputado era uma espécie de prestação de contas, porque senão eu corria o risco de ser mais um que promete e não cumpre. Mas aí eles interpretam isso como propaganda extemporânea. Aí vem uma outra questão, eu fui candidato a vereador com a proposta de doar o meu salário, me elegi e cumpri a promessa. E fiz outras ações. Iluminei mais de 2000 ruas entre Cuiabá e Várzea Grande, só de partos nós passamos de 7000. Partos e ligaduras que conseguimos na iniciativa privada. Internações, cadeiras de rodas, gente que mandamos pra São Paulo, casas de recuperação que conseguimos fora daqui, em Minas, São Paulo para a recuperação de drogados. Fizemos uma série ações. Nós. Eu e a sociedade.

JM – E o que o senhor conseguiu junto à Câmara, junto à Assembléia, exercendo seu mandato de vereador e deputado estadual? Pois uma de suas bandeiras ao ser eleito deputado, era lutar pela extinção da cobrança de ICMS da luz e da telefonia. Mas no site da Assembléia não há nenhuma referência nesse sentido com o teu nome.
WR – Tentativa houve. O que não houve foi avanço porque a Comissão de Constituição e Justiça considerou inconstitucional. E, além disso, quem prometeu acabar com essa cobrança foi o governador Blairo Maggi. Prometeu e não cumpriu. Propaganda enganosa, portanto.

JM – Mas pra que então ter um mandato político, se o senhor consegue prestar, como comunicador e com o auxílio da iniciativa privada, um serviço à comunidade? Eu gostaria de insistir na pergunta anterior. O que o senhor fez, como deputado estadual, em benefício da população?
WR – Eu vou responder pra você por partes. Veja bem. O que estou pedindo aqui e peço pra todo mundo, não confundam o trabalho do profissional com o político. Eu não sou político profissional. Deputado estadual não é a minha profissão. Se eu for eleito prefeito de Cuiabá, não vai ser a minha profissão. A minha profissão é radialista e jornalista. Lá nos meados de 1990 eu já fazia o que faço e não era político. Inclusive eu propus no meu programa que Wilson Santos contratasse um menino de rua para trabalhar no gabinete dele. E ele e o João Malheiros contrataram. E esses meninos, um chegou a ser supervisor da rede de supermercados Modelo e outro virou contador. Dia desses, saiu na Gazeta que o Mutirão da Solidariedade do prefeito Wilson é uma ação política, propaganda extemporânea. E qual a resposta dada pelo prefeito? “Eu faço isso desde 2005”. E eu quero dizer que faço isso desde 1980. Eu não mudei nada. Minha trajetória não mudou.

JM – Em 2006, o senhor disse em entrevista sobre a administração Wilson Santos que “de zero a dez, eu daria sete. Primeiro, ele arrumou a casa, ordenou e agora está começando o processo de execução de obras. Está crescendo de forma gradativa e pode até chegar a dez. Mas dependerá das obras que irá fazer em Cuiabá”. E hoje, que avaliação o senhor faz da gestão Wilson Santos?
WR – Veja bem, quando a pergunta foi feita em 2006, a gestão de Wilson tinha pouco mais de um ano. Então, naquele momento, qual seria a interpretação plausível, justa e coerente? Eu não poderia dizer que ele não estava cumprindo suas promessas de campanha porque ele estava começando o mandato. Então o fato de ele ter colocado a folha em dia, o que é obrigação dele, a lei de responsabilidade fiscal chegou pra isso, mas já era um avanço para o funcionalismo público. Então não posso ser hipócrita, naquele momento ele receberia um sete em função das ações como a questão do salário e das promessas que eram muito interessantes para Cuiabá, e que ele garantiu que começaria as obras ali. Tanto é que eu disse que dependeria das obras que ele viesse a fazer. E o que ele fez até agora? Do que ele prometeu, que estava no plano de governo dele, o que ele cumpriu? Porque é impossível querer que alguém faça em um ano o que foi prometido para ser feito em quatro. Agora é inconcebível você ficar calado quando já está no fim do mandato e ele não cumpriu nada do que prometeu. Eu fazia parte da bancada de sustentação, mas não aceitava medidas que eram contra os interesses da população. Quando houve a proposta de retirada do passe livre, eu fui primeiro a ir para a tribuna, porque um pai não pode matar o filho. Esse filho, o passe livre, é do Wilson Santos. Dele, do Totó (Parente), e verdadeiramente do Roberto França. Porque foi ele (França) quem enviou a mensagem à câmara para a aprovação dos vereadores.

JM – Começou na verdade com o ex-vereador Mário Nadaf.
WR – Mário Nadaf. É isso aí. Lá atrás com o Mário Nadaf.

JM – Mas a manutenção do passe livre deveu-se principalmente à mobilização dos movimentos sociais e do movimento estudantil.
WR – Claro, o movimento estudantil foi fabuloso. O movimento estudantil foi lá cobrar e eu fui um dos primeiros a abraçar a causa. Porque Wilson Santos foi um dos idealizadores do passe livre, defendeu o passe livre o tempo inteiro. Aí quando ele assume, ele quer tirar?

JM – E que nota o senhor dá ao prefeito Wilson Santos hoje?
WR – Eu não me vejo na posição de dar uma nota por causa da minha posição de pré-candidato. Até agora eu só respondi as suas perguntas. E eu não vim aqui para criticar Wilson Santos. Mas ele não cumpriu as promessas. Ele disse que faria saneamento básico em Cuiabá e onde está esse saneamento? Está chegando o PAC, mas o PAC é do PP. Do PP e do PT. O dinheiro é todinho do governo federal. Os asfaltos que são feitos aqui na região sul é tudo do governo federal. Não tem nada do Wilson Santos não. Qual foi a grande obra que o prefeito fez com o dinheiro do IPTU?

JM – O que a gente tem visto nas campanhas publicitárias da prefeitura são obras que ainda não aconteceram, como por exemplo a Avenida das Torres. Deputado, uma última pergunta…
WR – Eu quero até agradecer a você por essa colocação, porque isso serve de alerta pra quem tanto busca me fiscalizar, me impedir de trabalhar, de ver se que o que o prefeito Wilson Santos está fazendo não é usar do dinheiro público pra essas divulgações. Se não é enganar a sociedade e fazer propaganda extemporânea. O que estão fazendo é um absurdo. Eu estou sendo vítima do poder econômico e isso eu não aceito. Eu não posso aceitar que o resultado das eleições seja antecipado. Deixa o povo decidir quem vai ser eleito…
(neste momento, um assessor passa um papel com anotações ao deputado). Mas só para responder uma pergunta sua, algumas ações que fiz na Assembléia Legislativa, de projetos que já foram aprovados. A papelaria popular, o selo de identificação de veículos que ocupam vagas para deficientes, porque aqui o Detran cobra por ele, e essa lei obriga que o Estado dê esse selo. A inclusão de Mato Grosso na segunda fase do Pronase, foi uma de nossas ações enquanto que presidente da Comissão de Segurança Pública e membro da Comissão Nacional de Segurança Pública. O helicóptero que tentamos trazer para Mato Grosso, está já em vias de fato, não foi o Walter Rabello, mas foi o deputado Walter Rabello e o deputado Valtenir. A intermediação juntos as  polícias militar, civil e outros, porque nós conseguimos o aumento dos salários, a base salarial da categoria com o ministro Tarso Genro, e aqui em Cuiabá com o governador Blairo Maggi. E mais uma série ações. Se o meu site não tivesse sido tirado do ar, eu pediria pra você acessar e ver todas as mensagens, projetos e ações do Walter Rabello.

JM – Deputado, o senhor acredita nas pesquisas eleitorais?
WR – Acredito. Não… depende de qual (risos).

JM – Na primeira coletiva que o senhor concedeu após a cassação do seu mandato, o senhor mostrou uma pesquisa que…
WR – Não, mas eu fiquei sabendo depois que a pesquisa era da Folha (jornal Folha do Estado).

JM – …pelo fato de o seu nome aparecer em primeiro lugar, não foi tornada pública.
WR – Veja bem, eu levantei a suspeição da não divulgação dessa pesquisa, que foi divulgada depois…

JM – Quem entregou essa pesquisa ao senhor?
WR – Eu não sei. Eu sei que estava chegando ao gabinete… foi um garoto. Foi um jovem. Ele chegou e me disse “ó, pediram pra entregar pro senhor”. Eu abri e era uma pesquisa. E estava lá um nome, Datafolha, uma coisa assim. Daí, um dia depois, a Folha do Estado publicou na primeira página. Assim fiquei sabendo que a pesquisa era da Folha. Eu até liguei lá depois, pra direção e pedi desculpas. Não era minha intenção divulgar um objeto que era de vocês. Mas eu não sabia nem de quem que era. Me entregaram, por isso que eu falei. Então eu realmente não sabia.

JM – E agora…
WR – … Agora o RD News soltou uma que estou atrás.

JM – O senhor está com
WR – Mas você pode ver, eu vejo todas elas de forma muita positiva. Todas elas só me fazem, primeiro, curvar diante de Deus e agradecer a Ele a oportunidade que ele está me dando e pela orientação que tem me dado. E agradecer a população de Cuiabá, porque há mais de dois anos, o meu nome aparece em primeiro em todas as pesquisas, com exceção dessas duas que colocam o Wilson em primeiro lugar. Mas eu nunca fiquei abaixo da casa dos 34, 35%. Então o que acontece? Eu não posso questionar esse tipo de pesquisa, mas falei na tribuna da Assembléia e falo aqui, eu acho que o Congresso Nacional tem que fazer algum tipo de medida para que os institutos de pesquisa trabalhem de forma que não venha pairar nenhum tipo de dúvida pra ninguém. Eu seria hipócrita se dissesse “ah, eu não tenho dúvida não, eu acredito”. Eu não sei mentir. Eu acredito que os números são verdadeiros? Ora, a matemática, ela é precisa. Mas você tem dúvida em relação ao instituto? Ah, isso eu tenho. Porque soltam quatro pesquisas, e cada uma tem resultado diferente. Tem alguma coisa errada.

JM – Lá em Várzea Grande, o seu colega de partido, Maksuês Leite, conseguiu o apoio do Partido dos Trabalhadores. O senhor vai tentar fazer o mesmo aqui em Cuiabá?
WR – Eu tenho tentado o apoio de todos os partidos. Eu não vou tentar. Eu estou tentando com todos os partidos, pois acho interessante fazer um trabalho extremamente voltado para Cuiabá. Agora o que eu tenho que ser verdadeiro, é de que não vou negociar Cuiabá, não vou vender nem leiloar Cuiabá em hipótese alguma. E é o que estão fazendo. Porque veja bem, eu conversei com o PRTB às cinco, cinco e meia da tarde. Garantiram que estariam com o Walter Rabello. “Tá garantido!” Me carregaram no corredor da Assembléia, quase me derrubaram. Chego em casa pra jantar e está lá no site: “Wilson acaba de fechar com o PRTB”. Então da mesma forma que foi divulgado na imprensa, de que estariam vendendo a candidatura do Walter Rabello, o que eu vou dizer agora, é em cima de informações jornalísticas. Que o PRTB também recebeu algumas vantagens, recebeu alguma coisa pra poder estar ao lado do Wilson Santos. Inclusive a imprensa tem divulgado que o Wilson está fazendo um verdadeiro leilão. Não são palavras minhas.  Então desse tipo de leilão eu não vou participar. Eu não vou leiloar Cuiabá. Eu não vou vender Cuiabá. Aí vem o PMDB e pega o quê? A Sanecap. Então estou no aguardo do DEM.  O DEM está vindo conversar, com propostas e ideais importantíssimos para Cuiabá. Espero muito o apoio do DEM. Acredito muito nessa unidade. A Iraci França, um grande nome, uma grande mulher, o senador Jaime Campos, o presidente regional do DEM, já me deu essa posição e não me pediu segredo, por isso que estou falando. Mais de 80% de chances do DEM caminhar com o Walter Rabello. Tem o PHS, que já está coligado com o Walter Rabello, e outros partidos chamados, por mim não, mas por outros de pequenos, mas que pra mim são grandes, formados por grandes homens, que poderão compor conosco, como é o caso do próprio PV, do PMN, que estamos em conversação – conversação (enfático). Mas não estou fazendo negociação como andam fazendo por aí. E o PT é partido com o qual tenho conversado e tenho procurado entendimento com ele. Só não consegui avançar, porque respeitando a posição política do partido, que fez sua prévia no domingo, assim que saiu a prévia, eu recuei. Agora qualquer tipo de conversação com o PT, fica no aguardo do diretório municipal.

JM – Sem o programa de televisão e agora sem o mandato de deputado estadual, fica comprometido o projeto para a prefeitura de Cuiabá?
WR – Fica mais difícil na hora em que a sociedade chegar e disser “não quero esse candidato não. O meu candidato é o João, o Antonio, o Mané. Walter Rabello não”. Aí fica difícil. Quando Deus falar “não, você não é candidato, meu filho, o seu caminho é esse outro aqui”, aí eu falo que não é nem difícil, é impossível. Mas enquanto Deus me orientar, me der forças pra buscar os caminhos e atender a sociedade cuiabana, e a sociedade continuar me dando 34, 36, 37% das intenções de voto, eu sou candidato. Eu sou candidatíssimo. Só não posso falar que sou candidato porque não veio a convenção. Sou pré-candidato, mas não posso falar pré-candidato, porque isso não existe na legislação eleitoral, então meu nome está para avaliação e vou ser candidato à prefeitura municipal de Cuiabá. E se Deus permitir e a sociedade quiser, eu vou ser prefeito de Cuiabá. Doa a quem doer.

 

 

Categorias:Cidadania

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP - Responder

    Eu sou fã numero um de Walter Rabello conheci ele no parana em marimga amo ele

  2. - IP 200.101.113.66 - Responder

    Walter Rabello, em primeiro lugar quero pedir a Deus q continue te abençoando, pois vc é um Homem vitorioso todos sabemos e esperamos que continue assim.
    Walter eu sou evengelico toco bateria na igreja O Brasil para Cristo, sou fã de musica, gostaria que voce me ajuda-se a realizar um dos meus sonhos que é ganhar uma bateria ja faz tempo que eu venho entando comprar uma mas não consigo, quando junto um dinheirinho tenho que gastar com algo mais importante, eu ainda não toco muito bem mais da pra me virar na igreja, vc como é musico deve entender o que eu sinto, essa bateria iria me ajudar muito para que eu pudesse evoluir musicalmente, mesmo que vc não possa me ajudar, continuarei sendo seu fã, espero sua resposta mesmo que ela seja para dizer NÂO, muito obrigado e me desculpe pro tomar seu tempo, para muitos isso não é nada mais pra mim isso é super importante, que Deus te abençoe e te guarde.( Há porque voce não se candidata para prefeito de varzea grande, pois aqui estamos sem opção, e o senhor seria a solução para VG).

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

2 × 2 =