VICENTE VUOLO: Confiança política só quando houver correção entre movimentos sociais e a classe política

 

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DESCONFIANÇA POLÍTICA

VICENTE VUOLO

 

A desconfiança da população brasileira com a maioria dos políticos é alarmante. Ela se aprofundou com a avalanche de escândalos de corrupção que foram revelados nos últimos anos em diversos níveis do poder público, envolvendo quantidade significativa de partidos, diretores de estatais, empresários e agentes.

As manifestações vêm sinalizando a crescente impaciência da sociedade com os fortes indícios de continuar os mesmos vícios na política do país. É o que se verificou no comportamento dos eleitores no último pleito. Nas três principais capitais (Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre) em que houve disputa em segundo turno, a soma das abstenções e dos votos brancos e nulos superou o total de votos recebidos pelos prefeitos eleitos.

Tudo isso, porque a imensa maioria da população não aceita mais um modelo imoral, inadequado e insustentável, voltado aos interesses do poder e de seus agregados, fortemente dissociado das reais necessidades da nação.

O cientista político e professor do curso de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Maurício Santoro, acredita que, se por um lado as eleições municipais fortalecem a base do governo do Presidente Michel Temer, o pleito também mostra um país fragmentado em termos partidários, com siglas sem grande representação elegendo prefeitos de capitais importantes.

Para Santoro, esse país mais conservador que surge do segundo turno é reflexo da conjuntura política em que o PT perdeu espaço por causa da crise econômica e do desgaste provocado pela Operação Lava-Jato. “As pessoas estão muito insatisfeitas com as opções políticas que são apresentadas”, complementou.

A boa notícia é o fato de que a sociedade está mais vigilante e menos tolerante com os desmandos e má gestão. Atualmente, é mais difícil esconder os arranjos arquitetados em gabinetes, e as pessoas têm inúmeros canais para demonstrar sua insatisfação, seja nas ruas, seja nas redes sociais. O desencanto acaba produzindo o distanciamento da população, o que é prejudicial à sociedade.

Restabelecer a confiança é fundamental para superar a crise que assola o país. E a participação de todos é importante. O eleitor tem que ficar cada vez mais atento ao desempenho da classe política. Isto porque, a política é algo necessário à organização da sociedade e que, na democracia, ela é responsabilidade de todos, e não apenas da classe política.

Por isso, é importante votar! Mesmo sabendo que a política é historicamente corrompida pelos interesses da ganância, vaidade e exploração humana. Não exatamente por todos os candidatos. Existem os que possuem educação política e são defensores de causas. São esses, que devemos acreditar ser possíveis que alguém realmente honesto, comprometido com a população, possa ser eleito e, finalmente, fazer a diferença.

É necessário cada vez mais, fortalecer os mecanismos de educação política, ampliar os espaços de participação, melhorar a capacidade de fiscalização dos representantes pelos representados, criar controles que previnam e reprimam com veemência a influência do poder econômico sobre a política.

Fiscalizar sempre quem está no cargo ou no mandato eletivo. Exigir que eles sejam exemplo. É nosso dever como cidadão. Mas, nós temos que exigir e eleger bons exemplos.

A confiança política só será estabelecida quando houver uma verdadeira correção entre os movimentos sociais e a classe política.

VICENTE VUOLO É ECONOMISTA, CIENTISTA POLÍTICO E ANALISTA LEGISLATIVO DO SENADO FEDERAL.

 

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