VERÁS QUE FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA – Declaração de ilegalidade da greve por Tadeu Cury não intimida grevistas. Em assembléia alegre, profissionais da Educação endurecem criticas ao governo de Silval. Gilson Romeu quer Rosa Neide como “persona non grata”

Foi uma assembléia alegre, movimentada, sacudida, com muita gente sambando no salão, antes de se iniciar a discussão das propostas, no ambiente superlotado do ginásio da Escola Presidente Médici, em Cuiabá. Enquanto Silval Barbosa se esconde, evitando assumir as responsabilidades que lhe competem como governador, os profissionais da Educação seguem fortalecendo o seu movimento. Depois da assembléia desta segunda-feira, 27 de junho de 2011, demonstrando muita garra, os professores e demais profissionais do ensino público – caminhando, cantando e seguindo a canção – fizeram nova caminhada até o centro de Cuiabá, para demonstrar à população de todo Mato Grosso, que a declaração da ilegalidade da greve, através de uma liminar (decisão provisória da Justiça) que a procuradoria do Estado conseguiu arrancar do desembargador Tadeu Cury, não teve o condão de arrefecer a disposição deles todos na defesa dos seus interesses e dos interesses da população. A assessoria jurídica do Sintep já apresentou recurso para derrubar a liminar – o que, espera-se, aconteça nas próximas horas.

O tom dos discursos contra o governador Silval e contra o governo da coligação PMDB-PT-PR foi mais duro desta vez. À medida que o tempo passa, e a greve se arrasta, sem nova proposta do governo, a paciência dos grevistas vai ficando menor. O presidente do Sintep, Gilmar Ferreira Soares chegou a sugerir que o atual governador, quando em campanha eleitoral, mentiu despudoradamente para a população. Cadê a Educação para enfrentar a realidade de violência em meio à qual vivem (e morrem muito) os jovens de Mato Grosso? Até quando vai continuar esta mendicância por recursos para a Escola Pública? Até quando teremos salas atulhadas de alunos, tendo aulas com tantos e tantos professores contratados, interinos, que trabalham sem qualquer estabilidade? Cadê a prioridade de investimentos na Educação? Segundo Gilmar, a luta dos grevistas vai bem além dos salários e é uma luta em defesa de um projeto educacional que priorize, efetivamente, os interesses do povo.

Outro orador na assembléia, o professor Edmilson, sugeriu que personalidades como Carlos Abicalil, que conquistaram posições de destaque a partir do apoio que tiveram da categoria, sejam procuradas para intervir junto aos governantes e forçar uma negociação mais digna com quem só faz greve porque luta por dignidade na escola pública. Mais revoltado – e menos complacente – o professor Gilson Romeu, de Cuiabá, sugeriu que a secretaria Rosa Neide, da Educação, que está pressionando de todas as forças os professores para que enfraqueçam o movimento comandado pelo Sintep, que ela seja declarada "persona non grata" à categoria. Na agitação da assembléia, marcada por tantos momentos de vibração, de vaias, de alegria e de protestos, a proposta de Gilson Romeu acabou não sendo submetida a voto. Foi muito aplaudido o trecho do discurso de Romeu quando ele garantiu que o deputado Geraldo Riva, presidente da Assembléia, não é parceiro confiável dos trabalhadores, na sua atual negociação,  já que Riva é um político ficha suja, "mais processado do que Al Capone".

O professor Amaral, depois de lastimar que aqueles que foram eleitos pelos professores acabaram virando as costas para estes mesmos professores, argumentou que o piso pretendido pela categoria não paga um café da manhã sequer da familia do desembargador que declarou a ilegalidade da paralisação. "Sabemos que R$ 1.312 é muito pouco, mas nem esse pouco eles querem nos dar", reclamou. Fátima, de Várzea Grande, puxou a orelha da enorme platéia dizendo que os profissionais da Educação não sabem votar – e, por isso, acabarim elegendo políticos que logo depois só sabem apunhalar professores e demais trabalhadores pelas costas. Além da continuidade da greve, os professores decidiram, também que, na quinta-feira, dia 29, vão voltar às ruas, com nova manifestação no centro de Cuiabá. Segundo outro orador, o professor Antônio, o movimento grevista comandado pelo Sintep "já estremeceu Mato Grosso". Confira, abaixo, comunicado oficial do Sintep sobre a assembléia desta segunda-feira.

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"A greve continua, Silval a culpa é sua!", afirma categoria
Em assembleia geral, trabalhadores da educação votam a continuidade da paralisação

Os trabalhadores da educação decidiram aprovar a continuidade da greve até que as reivindicações sejam atendidas, em assembleia geral realizada na tarde desta segunda (27), na Escola Estadual Presidente Médici, em Cuiabá, com representantes de mais de 50 municípios. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), Gilmar Soares Ferreira, "a afirmação do governo de que a greve é ilegal nunca foi e continuará não sendo um problema para o sindicato".

Gilmar Soares acrescentou que os trabalhadores da educação repudiam as atitudes da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc/MT) e seus órgãos, que tentam pressioná-los a voltar ao trabalho. "Nossa pronta resposta é que não suspenderemos a greve e iremos recorrer da liminar até a última instância. Não baixamos a cabeça para essa elite que desvia recursos da educação", afirmou o presidente. Os estudos do sindicato já comprovaram que é possível a implantação imediata do piso salarial de R$1.312, 00, uma das reivindicações dos profissionais da educação.

Cerca de 70% das escolas estão paralisadas em todo o Estado e o movimento procura cada vez mais o apoio dos trabalhadores que não aderiram à greve, da população e dos estudantes. Por isso, a categoria também condicionou a suspensão da greve com, no mínimo, a apresentação de uma proposta alternativa nas questões reivindicadas e decidiu realizar atos em todas as cidades de Mato Grosso para fazer pressão junto às autoridades, ao Governo Itinerante e aos parlamentares de cada região. Além disso, fortalecerá a presença dos grevistas no acampamento, que permanecerá montado na Praça Ulisses Guimarães, em Cuiabá, e aprovará um manifesto de convocação de luta aos trabalhadores que não paralisaram as atividades. Na próxima quinta-feira (30), às 14h, será realizado um ato público para manifestar publicamente contra a decisão do desembargador José Tadeu Cury de declarar a ilegalidade do movimento com o slogam: "Ilegal é o Tribunal" e "De forma ilegal age o governo". O local será definido pelo Sintep/MT.

Os trabalhadores da educação lutam pela implantação imediata do piso salarial de R$ 1.312,00, mas também pelo pagamento das horas atividades para professores contratados, pela posse imediata dos professores aprovados e pelo avanço na lista dos classificados nos concursos. O movimento é para garantir que os professores tenham condições de se dedicar integralmente aos seus alunos, sem precisar ter dois ou mais empregos. Além disso, é preciso investir na estrutura das escolas para que educação de qualidade seja levada à população.

A luta continua- A atitude lamentável do governo do Estado, de não dar importância e o investimento necessários para a educação, impulsiona o movimento e dá forças aos trabalhadores para lutar pelas reivindicações. Segundo o professor contratado do Estado, Robinson Cireia, "não podemos aceitar voltar ao trabalho pela espada de um governo controlador. Temos que aumentar a mobilização".

João Pinheiro, professor efetivo da rede estadual, reiterou a importância do movimento. "Esse é um momento crucial. Esse governo não tem vergonha na cara, estão fazendo todos os trabalhadores da educação de escravos. Nós não podemos deixar isso em branco. Vamos mostrar que o sindicato não tem medo e luta pelos nossos direitos", frisou o professor.

A busca por mobilização levou o aluno e presidente do grêmio estudantil da Escola Estadual Liceu Cuiabano, Victor Hugo Silva Teixeira, a discursar em favor dos profissionais da educação e manifestar seu total apoio à causa. "Os professores precisam explicar dentro de sala de aula a importância de lutas como essa, precisam politizar os alunos. A maioria deles nem sabe o que está acontecendo, por isso não está aqui. Sinto vergonha da decisão da minha escola de retornar as atividades. Proibir a greve é ir contra a liberdade democrática. Os alunos são enganados, acham que estão sendo ensinados, que estão aprendendo algo, mas não estão", denunciou o aluno.

FONTE SINTEP MT

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  1. - IP 189.31.4.233 - Responder

    o abicalil chegou onde chegou pela sua história no SINTEP, hoje é quase ministro da Educação. No princípio do PT, os parlamentares do PT estavam em todas as greves apoiando as reivindicaçÕes dos trabalhadores. O SINTEP já pensou em convidar o alto dirigente do PT e quase ministro a apoiar sua greve, pelo menos assistir a uma assembleia? Por que não? Não há clima? Por quê?

  2. - IP 187.54.246.120 - Responder

    Para educar é necessário ter dignidade profissional. Faz parte dessa dignidade um salário ou remuneração digna da profissão. A função de educador é importante para toda a sociedade e estes merecem respeito desta, pois, o futuro de nossos filhos está em suas mãos. Liminar derruba-se quando esta é injusta e fere a dignidade da pessoa humana. Ao que está à luz dos olhos da sociedade é que o Desembargador que proferiu a sentença, para esta sociedade, não merece confiança por suspeição de venda de sentenças. É possível confiar? A insegurança jurídica e a confiança na justiça estão quebradas.

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