VALOR ECONÔMICO: Entre erros e acertos, Copa no Brasil deixará seu legado. R$ 26 bilhões em investimentos elevam em 36% a capacidade dos aeroportos, renovam estádios e folgam o nó da mobilidade urbana. Rede hoteleira ergueu 70 novos empreendimentos, com mais de cinco mil quartos. Em algumas capitais, a indústria de telecomunicações antecipou a instalação de torres e cabos que elevaram em até 50% a capacidade de transmissão de voz e dados.

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Entre erros e acertos, Copa deixará seu legado

Por João José Oliveira | De São Paulo

DO VALOR ECONÔMICO

A Copa do Mundo, que há sete anos vem sendo preparada pelo Brasil e que deve atrair 4 milhões de turistas, começou na quinta-feira (12). Nas 12 cidades-sede há aeroportos inacabados, obras viárias cobertas com tapumes e outras interrompidas por falhas de planejamento e gestão. Mas os R$ 26 bilhões aplicados por governos e empresas em mais de 80 projetos trazem alguns ganhos.

A capacidade dos aeroportos cresceu 36% e o parque esportivo – “congelado” desde os anos 1970 – foi renovado, com tecnologias usadas pela engenharia local de forma inédita. A rede hoteleira ergueu 70 novos empreendimentos, com mais de cinco mil quartos, elevando em 20% a oferta de hospedagem no país. Em algumas capitais, a indústria de telecomunicações antecipou a instalação de torres e cabos que elevaram em até 50% a capacidade de transmissão de voz e dados.

A Matriz de Responsabilidades da Copa apontava, em sua versão de 2010, que o Brasil precisaria de R$ 23,5 bilhões para garantir um estádio, novo ou reformado, em cada uma das 12 sedes e 93 obras de infraestrutura, incluindo 12 aeroportos, seis portos e 50 projetos de mobilidade urbana.

Passados quatro anos, a despesa cresceu para R$ 26 bilhões, o leque de obras foi reduzido para 81 projetos e muitos foram abandonados. Houve erros, atrasos, má gestão e incompetência. Mesmo assim, as demandas impostas pela Copa movimentaram meios de produção e recursos de forma singular no país. E muitos benefícios serão apropriados pela população.

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dilma no comando

 

Planejamento falha, mas Copa traz ganhos

Por João José Oliveira | De São Paulo, 9.jun.2014

Em 72 horas, São Paulo realiza a abertura da Copa do Mundo, que reúne 32 seleções nacionais e deve atrair 4 milhões de turistas. Nas doze cidades-sede do torneio há ainda aeroportos inacabados, obras viárias cobertas com tapumes e outras interrompidas, o que demonstra falhas de planejamento e gestão. Mas os R$ 26 bilhões aplicados por governos e empresas para mais de 80 projetos distribuídos entre Norte, Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste trazem alguns ganhos para o país.

A capacidade em aeroportos foi reforçada em 36% para desafogar terminais que trabalhavam acima do limite desde que o universo de passageiros triplicou entre 2003 e 2012.

O parque esportivo, congelado desde os anos da ditadura, foi renovado com tecnologia usada pela engenharia local de modo inédito.

A rede hoteleira ergueu 70 novos endereços com mais de cinco mil quartos, elevando em mais de 20% a oferta de hospedagem no território.

Em algumas capitais, a indústria de telecomunicações antecipou a instalação de torres e cabos que incrementaram em até 50% a capacidade de transmissão de voz e dados.

Corredores urbanos e avenidas podem ajudar a desatar o nó do trânsito em algumas das maiores regiões metropolitanas.

A Matriz de Responsabilidades da Copa, programação de obras e investimentos para o evento, apontava, na sua versão de 2010, que o Brasil precisaria de R$ 23,5 bilhões para: garantir um estádio, novo ou reformado, em cada uma das doze cidades-sede, 93 obras de infraestrutura, incluindo 12 aeroportos, seis portos e 50 projetos de mobilidade urbana, de corredores de ônibus a linhas de metrô, de pontes a viadutos.

Passados quase quatro anos, a despesa cresceu, mas o leque de obras também foi enxugado para 81 projetos – algumas delas de menor porte. Os gastos totais vão superar R$ 26 bilhões. Segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), 83,6%, ou R$ 21,4 bilhões, saíram do setor público – via orçamentos ou linhas de crédito liberadas por instituições federais. A iniciativa privada responde por R$ 4,2 bilhões, ou 16,4%.

“Cometemos erros básicos de gerenciamento”, disse Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral (FDC), 23ª melhor escola de educação executiva do mundo, segundo ranking do ‘Financial Times’.

“Por ignorância ou por arrogância, fomos deficientes no projeto”, faz coro o presidente do Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco), José Roberto Bernasconi, que representa 25 mil empresas do setor.

“O evento serviu para mostrarnosso problema crônico de planejamento”, afirma Pedro Trengrouse, coordenador do curso de Gestão, Marketing e Direito no Esporte da Fundação Getulio Vargas (FGV/IDE), que foi consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Copa.

Mas os mesmos especialistas que ressaltam a ineficiência gerencial de governos também admitem que as demandas impostas pela Copa movimentaram meios de produção e recursos de forma singular no país. E que há já neste ano benefícios a serem apropriados pela população.

Estádios com meio século de vida, caindo aos pedaços – caso do Fonte Nova, em Salvador, onde a queda de parte da arquibancada matou sete torcedores em 2007 – foram substituídos por equipamentos multiuso, capazes de receber partidas de futebol, shows de música e eventos corporativos. Essa infraestrutura pode estimular a indústria do entretenimento.

Até porque é preciso pagar a conta dos quase R$ 9 bilhões gastos em sete novas arenas e cinco estádios reformados, valor quase três vezes superior ao originalmente colocado na planilha, em 2007. “Não precisávamos de 12 cidades-sede. Mas uma vez escolhido esse caminho, o Brasil trouxe tecnologia de engenharia que não era usada aqui e que poderá ser aplicada em outras obras”, diz o presidente da Sinaenco, Bernasconi. Ele destaca ainda o impacto positivo da Copa na malha aeroportuária brasileira. “Só o fato de ter forçado o governo a reconhecer que era preciso abrir os aeroportos à iniciativa privada já foi um legado da Copa”.

Pressionada pela percepção de que a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) não conseguiria desafogar os terminais do país e atender os picos de demanda durante a Copa, a presidente Dilma Rousseff enfrentou resistências ideológicas do PT e corporativas por parte dos aeroviários e militares para iniciar a concessão dos aeroportos.

R$ 26 bilhões elevam em 36% a capacidade de aeroportos, renovam estádios e folgam o nó da mobilidade urbana

Os terminais de Cumbica, em Guarulhos, e de Viracopos, em Campinas, ambos em São Paulo, do Galeão (RJ), de Brasília e de Confins (BH) foram a leilão. No Rio Grande do Norte, um novo empreendimento de pistas, pátio e terminais saiu do chão inteiramente bancado pela iniciativa privada. Operadoras aeroportuárias da Ásia, Europa e Américas associaram-se a empreiteiras e investidores brasileiros, trazendo ao país tecnologia e maior capacidade logística aos aeroportos, que, até então, estavam sob cuidados do Estado.

Com recursos privados e públicos somando R$ 6,5 bilhões, a capacidade anual de movimentação de passageiros nas doze cidades-sede e mais Campinas vai aumentar 36%, de 154,5 milhões de pessoas para quase 210 milhões de viajantes. Uma demanda mais que urgente depois que o fluxo aéreo no país triplicou desde 2003, superando 100 milhões de passageiros transportados por ano. O espaço de pátio para aeronaves cresceu ainda mais, praticamente dobrando ante o que havia em 2013.

“Só com infraestrutura poderemos cumprir nosso potencial que é de transportar 200 milhões de brasileiros em 2020”, diz o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz. E, para isso, informa a entidade, o setor vai investir mais de R$ 26 bilhões em frota.

A indústria brasileira do turismo também pode ganhar com a Copa. O país deverá ser visto por cerca de 3 bilhões de telespectadores, segundo estimativa da Fifa. Para atender à demanda de turistas domésticos, estimados em 3,5 milhões, e estrangeiros, que devem superar os 600 mil, o Ministério do Turismo aplicou R$ 180 milhões em obras de sinalização, acessibilidade e centros de atendimento a turistas. Outros R$ 461 milhões foram investidos em centros de convenções de 11 cidades – atenuando gargalos que vinham emperrando a realização de feiras e seminários locais e internacionais.

Empresas do setor hoteleiro captaram mais de R$ 1,5 bilhão, entre 2011 e 2013, para levantar do chão 70 novos empreendimentos. Isso significa 5,7 mil quartos extras, ampliando em mais de 20% a capacidade de hospedagem no país. E outros R$ 4,7 bilhões já estão orçados para serem aplicados este ano em empreendimento que vão incrementar o parque em mais 164 prédios de apartamentos para turistas. Esses recursos não integram a Matriz de Responsabilidades da Copa e, em certas cidades, teme-se que a oferta tenha crescido além da demanda.

A infraestrutura de comunicação também recebeu injeção de recursos para ampliar a capacidade de tráfego de dados em 43% e reforçar em 50% a oferta para chamadas de voz em relação à estrutura anterior à Copa. Segundo as operadoras, foram aplicados nas cidades-sede R$ 1,3 bilhão para a instalação de mais de 15 mil novas antenas 3G e 4G, além de 120 mil pontos de Wi-fi e mais 10 mil km de cabos de fibra óptica. Ainda assim, operadoras e fornecedores preveem que poderá haver falhas na comunicação.

“É claro que incomoda o Brasil não ter entregado tudo o que prometeu”, diz Resende, da Fundação Dom Cabral. “Mas é parte de nossa vida de brasileiro aprender com os erros e seguir em frente”. E para seguir em frente, governos federal, estaduais e municipais terão que arregaçar as mangas para desempacar o setor que mais ficou devendo em relação ao que fora planejado na Matriz de Responsabilidades – o de mobilidade urbana.

Com os atrasos no cronograma de obras, muitas capitais receberão os jogos da Copa com uma estrutura de transportes piorada – e não melhorada. Tapumes, valas abertas, vias interditadas e desvios emperram o fluxo de veículos particulares e coletivos em todas as capitais da Copa. Mas essas mesmas cidades também ganharam projetos que começam a impactar positivamente a rotina do cidadão. Confira na tabela acima os legados e transtornos que a Copa deixará aos brasileiros.

 

FONTE JORNAL VALOR ECONOMICO

4 Comentários

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  1. - IP 177.64.231.180 - Responder

    NOSSA!! A QUESTÃO NÃO É SÓ ESSE APEDEUTAS!! O QUE O POVO NÃO AGUENTA É ESSA ENGANAÇÃOI… FAZER ESSAS OBRAS MAL FEITAS, HORRENDAS.. OU VÃO DIZER QUE PRESTAM?!!!

    GENTE, DIZEM QUE A ABERTURA DA COPA CUSTOU PARA O BRASIL 18 MILHÕES .. QUE ABSURDO!! FOI RIDÍCULA A ABERTURA … PARECIA UM SAMBA DO CRIOLO DOIDO ..CADA UM PARA UM LADO.. NOSSA, FIQUEI FOI COM VERGONHA… O MUNDO VENDO AQUILO… HORRENDA…

    • - IP 189.11.247.25 - Responder

      Sempre que Henrique afirma alguma coisa ele complementa sua informação com o já conhecido “dizem” dos fofoqueiros, dos que reproduzem “noticias” sem fonte e sem assinatura. Porra, Henrique, mas que conversa mole. Manifeste um pensamento concatenado e de forma inteligente… Essa Direita não pensa?

  2. - IP 177.64.231.180 - Responder

    POIS É. ESTOU DANDO DE CARA TODO DIA COM A PARTE DO MEU LEGADO QUE O PT TÁ DEIXANDO PARA MIM… O SUPERMERCADO TÁ DE MORTE… REMÉDIO CARÍSSIMO.TANTO QUE SE NÃO COMPRAR PODE MORRER E SE COMPRAR MORRE DE ÓDIO DE TÃO CARO. PREÇO DA GASOLINA NAS ALTURAS… IMAGINA DEPOIS DA ELEIÇÃO!

    É REALMENTE O LEGADO DO PT É MUITO IMPORTANTE… NECESSÁRIO… TUDO DE BOM…. VÃO SE CATAR, PENSAM QUE OS BRASILEIROS SÃO ABESTADOS E NÃO ESTÃO VENDO O QUE SE PASSA NO BRASIL…. FORA PT .. FORA DILMA. … PT NUNCA MAIS

  3. - IP 201.57.233.221 - Responder

    DIREITA?

    PUTS !!! ESSES PETISTAS NÃO ACEITAM UMA CRÍTICA .. ARROGANCIA TOTAL… PARA ELES BASTA DIZER UM “NÃO” QUE VOCÊ É DA DIREITA… É OU NÃO UM SINAL DE AUTORITARISMO ?!!

    SEI É QUE SE CONSIDERÁRMOS SÓ OS PAÍSES DA AMÉRICA LATINA O BRASIL CRESCEU MENOS QUE:

    País 2005 2012 %

    1º Bolívia 2.800 21.000 650,00
    2º Peru 23.346 168.500 621,80
    3º Paraguai 8.000 30.000 275,00
    4º Uruguai 15.000 55.000 266,70
    5º Costa Rica16.000 36.000 125,00
    6º Brasil 1.714.644 3.802.071 121,70

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