Unidos pela Ordem pediu exoneração de comandante que atuou no ataque a estudantes da UFMT – e o Governo do Estado exonerou mesmo

Na manhã de quinta-feira, o movimento Unidos pela Ordem divulgou o seguinte comunicado:

NOTA À IMPRENSA

A Polícia Militar de Mato Grosso prendeu os advogados Marco Antônio e Ioni Ferreira Castro por insistirem em acompanhar os estudantes nas detenções realizadas hoje, em manifestação pública. Queremos repudiar a força militar utilizada, a ignorância dos gestores e a ilegalidade contra colegas advogados. São atitudes truculentas como essas que desprestigiam a polícia militar, lamentavelmente com ranço autoritário de décadas passadas. A OAB deve imediatamente processar administrativa, civil e criminalmente os responsáveis, além do comandante da infeliz operação policial.

De fato, o protesto na via pública não é a forma mais inteligente de conscientizar a população. Esperava-se mais estratégia dos estudantes que, ao contrário de apoio popular, geraram desconforto num trânsito já caótico da nossa capital mato-grossense. No entanto, nada justifica a brutalidade da Polícia Militar que não identificou os soldados e oficiais nas fardas, o que considero altamente irregular. Bater em estudantes, atirar balas de borracha, lesionar contundentemente universitários, são tristes ações que remontam tenebrosos tempos em que a ditadura castrense tomou conta do Brasil e atrasou o amadurecimento democrático nacional por três décadas. Não é possível compactuar com a violência, sob nenhuma justificativa.

A detenção de advogados é o maior termômetro para mensurar uma mentalidade obtusa. Por este fato vergonhoso para Mato Grosso, a Ordem dos Advogados do Brasil deve exigir do Sr. Governador que exonere imediatamente os comandantes imediatos da operação, assim como o comando geral do batalhão mobilizado. Mais: representar disciplinarmente todos os envolvidos e processá-los civil e criminalmente. É a resposta mínima que a OAB poderá dar como desagravo à truculência insuportável que colegas sofrem em nome de seus clientes e, ainda que não fossem, em nome de cidadãos brasileiros. Estou certo de que Silval Barbosa não será cúmplice desse inominável constrangimento institucional.

 

Eduardo Mahon – advogado

Grupo Unidos Pela Ordem

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No final do expediente de sexta-feira, o governador Silval Barbosa orientou punição aos PMs que cometeram ilegalidades na abordagem dos estudantes:
PM afasta comandante

Capitão Silva era responsável pela Base Comunitária do Boa Esperança e liderava ação que teve 10 estudantes feridos

Geraldo Tavares/DC
Alunos foram feridos pelos policiais da Rotam quando faziam protesto na avenida Fernando Corrêa da Costa, perto da UFMT

HELSON FRANÇA
DIARIO DE CUIABÁ

Responsável por conduzir a ação onde estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) foram agredidos por policiais militares da Ronda Tática Metropolitana (Rotam) durante uma manifestação, o capitão Gilson Vieira da Silva não é mais o Comandante da Base Comunitária do bairro Boa Esperança, em Cuiabá.

Ele foi afastado de suas funções nesta sexta-feira (8), por determinação do coronel Jadir Metelo da Costa, que responde pelo Comando Regional I da Polícia Militar.

Na ação, ocorrida nesta quarta-feira (6), pelo menos 10 estudantes foram parar no pronto-socorro da Capital por ferimentos causados, por socos, chutes, “pescotapas” e, principalmente, disparos de balas de borracha.

A Rotam foi chamada para acabar com o bloqueio feito pelos universitários na avenida Fernando Corrêa da Costa, na altura da entrada da avenida Alziro Zarur (rua principal do bairro Boa Esperança). Eles protestavam contra a decisão da reitoria em cortar 50 vagas da Casa do Estudante. Seis alunos acabaram presos por desacato. Todos já estão em liberdade.

Na ocasião, Vieira chegou a dizer “que não havia mais o que fazer”, diante, segundo ele, da negativa dos acadêmicos em liberar o trânsito.

Vieira se junta a outros dois soldados da Rotam, que, após serem identificados pelas imagens gravadas pelos alunos – que se multiplicam na web, ganhando projeção nacional – agredindo estudantes de forma violenta, também foram afastados de suas funções. O trio responderá a um inquérito instaurado pela própria PM, que podem culminar em punições que vão desde a advertência à exclusão da corporação. Os resultados devem sair em 40 dias.

O tenente-coronel Paulo Serbija Ferreira Filho, coordenador de comunicação social e marketing da PM de Mato Grosso, afirmou que o afastamento de Vieira não significa, necessariamente, que ele tenha conduzido a ação de forma errada.

“Ele foi afastado para dar mais transparência ao processo, já que é alvo de investigação da PM”.

Serbija ressalta que, por mais que as imagens falem por si só, é precoce dizer que houve exageros na ação.

“Tudo está sendo investigado. Mais pessoas podem ser afastadas. Serão penalizados e responsabilizados todos aqueles que possam ter cometido excessos”, pontuou.

Estudantes e reitoria – Para tentar colocar fim ao impasse das moradias estudantis, universitários e representantes da reitoria montaram comissões e se comprometeram a dialogar durante a semana.

A reitoria pretende transferir, até o fim deste mês, os 44 acadêmicos que residem nas cinco casas alugadas pela instituição para o espaço inaugurado em janeiro, que fica dentro no campus da UFMT de Cuiabá.

Os universitários, por sua vez, afirmam que são contra a redução de vagas de moradia estudantil e dizem estar dispostos a resistir ao despejo até o fim.

As Casas do Estudante são espaços disponibilizados pela instituição para servir de moradia para acadêmicos de baixa renda, que vem de outras cidades para estudar na UFMT. Atualmente, 150 universitários residem nos locais.

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