TRUCULÊNCIA CONTRA GREVE: Mauro pede e desembargadora Marilsen Addario autoriza uso de força policial contra trabalhadores da Educação

Mendes e Addario

Sindicato recebeu decisão da Justiça proibindo atos públicos no Estado, com permissão de uso da polícia e multa caso medida for descumprida. Categoria manteve ato já marcado na segunda (5)

Escrito por: Érica Aragão/CUT

Arte Latuff
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As trabalhadoras e os trabalhadores da Educação no Mato Grosso estão resistindo há 68 dias aos ataques e a intransigência do governo do Estado que não fez nenhuma contraproposta para encerrar a greve da categoria.

E eles querem apenas que o governo cumpra a Lei 510 de 2013, que equipara os salários dos profissionais da educação com os das demais carreiras com mesmo nível de formação. Com isso, garantem, teriam pelo menos o dobro do poder de compra em até 10 anos.

E, ao invés de negociar, o governador Mauro Mendes (DEM), preferiu apostar no confronto. Nesta quinta-feira (1º), a categoria foi surpreendida com uma liminar (medida provisória da Justiça) declarando a abusividade do movimento grevista e determinando o fim da paralisação em 72 horas.

E, nesta sexta-feira (02) a direção do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) foi informada de outra decisão do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-MT) proibindo qualquer manifestação em locais públicos do Estado. Em caso de descumprimento, além da multa diária de R$ 100 mil reais, autoriza o uso da força policial contra os trabalhadores e as trabalhadoras da Educação.

A decisão do interdito proibitório foi da desembargadora Marilsen Andrade Addario, que endossou o pedido do governador e ignorou as reivindicações da categoria.

Em nota, a direção do Sintep-MT diz que a decisão da desembargadora não muda em nada a luta da categoria. A greve é por tempo indeterminado e vai continuar, somente será suspensa por decisão da assembleia geral, que só aconteceria caso houvesse proposta para a categoria, o que não aconteceu.

Um ato político, ainda sem local confirmado, marcado para a próxima segunda-feira (5), foi mantido, apesar da ameaça que a determinação do uso da força policial representa.

Com pontos e salários cortados, passando necessidades e pedindo ajuda em farol, o movimento grevista, que luta para que se cumpra uma lei e espera por uma negociação que seja boa para todos, sofre mais uma pressão do governador do Estado, mas não se deixa abater.

Para o presidente do Sintep, Valdeir Pereira, este “interdito proibitório” só confirma a intransigência do governo, que além de pedir ajuda da justiça, ainda ameaça colocar a polícia contra os trabalhadores.

É uma decisão absurda e autoritária, mas não podemos abandonar a luta por nossos direitos. Lutar não é crime, o que é crime é o governo não cumprir a lei. É só apresentar uma proposta que a categoria aprove que encerraremos a greve.

– Valdeir Pereira

A direção do Sintep/MT, também em nota, lembra que, historicamente, em todas as greves deflagradas pela categoria, ao longo de seus 54 anos de lutas e conquistas, o Poder Judiciário de Mato Grosso tem se manifestado favorável ao Estado, com exceção de 2016. A greve de 2013 que resultou na política da dobra do poder de compra, foi declarada abusiva com 14 dias, porém só foi suspensa após 67 dias, com a apresentação do projeto de lei que resultou na lei 510/2013.

Neste fim de semana, nos dias 3 e 4, haverá uma reunião com o Conselho de Representantes da categoria, instância deliberativa que reúne diretores das 141 subsedes, para definir os próximos passos da luta e as ações da categoria.

FONTE CENTRAL UNICA DOS TRABALHADORES

1 Comentário

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  1. - IP 177.79.30.45 - Responder

    Aff. Voltou a ditadura! Direito de lutar por direitos adquiridos e somos oprimidos pelo governador tirano. Sinceramente no futuro bem próximo os profissionais da educação irão procurar outro serviço onde sejam respeitados se hoje falta Professores (as) logo não haverá! Estranho que países de primeiro mundo os professores são respeitados aqui são humilhados.

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