Trama tucana: Ex-senador Antero de Barros influencia o prefeito Wilson Santos na retomada da idéia de “vender” o sistema de água e esgoto da Capital

Antero vira elo remunerado da Sabesp-Sanecap

A visita do prefeito Wilson Santos (PSDB) à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), no início do mês, poderia ser avaliada como uma cortesia, não fosse o ímpeto demonstrado pelo tucano em estatizar a Sanecap e o interesse já demonstrado pela empresa paulista em adquirir a autarquia cuiabana. Um novo “ingrediente” reforça a tese de que Santos não desistiu da idéia. O seu marqueteiro de campanha, ex-senador Antero de Barros, em que pese morar em Cuiabá, é conselheiro da Sabesp, do governo de São Paulo, e ganha salário para isso. Antero virou espécie de elo entre as duas autarquias.

 Neste cenário, Antero aparece como conexão entre o desejo do prefeito em privatizar a Sanecap e o interesse dos gestores da Sabesp de adquirir a companhia. Aliás, o interesse já foi demonstrado em 2005, quando diretores da companhia paulista vieram a Cuiabá para conhecer as instalações da Sanecap. Na época, menos de 20% do esgoto da Capital eram tratados e a Sanecap apresentava, além de problemas de gerenciamento, índice elevado de inadimplência. Com isso, os empresários desistiram em um primeiro momento do negócio.

   O prefeito fez vários discursos nos dois primeiros anos de gestão sobre o que chamava de sucateamento da Sanecap, tudo para reforçar a tese da privatização do sistema de água e esgoto da Capital. Os vereadores oposicionistas na época Lúdio Cabral (PT), Domingos Sávio (PMDB) e o hoje deputado federal Valtenir Pereira (PSB) lideraram movimento contra a "venda" da autarquia. Fizeram barulho para atestar a viabilidade de investimentos, levando Santos a recuar.

   A fixação do tucanato em vender a companhia ganhou novos contornos com Antero de Barros, que diz ganhar quase R$ 4 mil mensais da Sabesp para integrar o conselho administrativo da empresa. Pelo visto, Antero e Santos estão mesmo afinados com a Sabesp, hoje sob o governador tucano José Serra.

  O prefeito acompanhou diretores da Sanecap em uma “visita técnica” à Sabesp que, oficialmente, serviu somente para conhecer a estrutura da empresa antes de firmar um termo de cooperação tecnológica e de gestão. Com as obras do PAC, a Sabesp "cresceu o olho" à Sanecap que, com a conclusão das obras da ETA do Tijucal, por exemplo, elevará o índice de tratamento de água e esgoto de Cuiabá para 90%.

   Apelo eleitoral

   Wilson Santos só se “curvou” diante do apelo da oposição para que a Sanecap não fosse privatizada e anunciou publicamente que não venderia a companhia, em 2007, ano da aprovação da Lei 11.145. Pela legislação, apenas empresas públicas ou de economia mista (caso da Sanecap) estão habilitadas a receber recursos para obras de saneamento. Se vendesse a companhia, o tucano não receberia os R$ 238 milhões previstos do governo federal para financiar as obras do PAC que se transformaram, em 2008, no carro-chefe de sua campanha à reeleição.

   A oposição teme que a influência do ex-senador Antero junto à diretoria da Sabesp resulte na privatização da Sanecap depois da conclusão das obras do PAC. A Câmara Municipal promete reagir nesse sentido. O vereador Lúdio Cabral (PT), por exemplo, vai apresentar na sessão da próxima terça (3) um projeto que proíbe a privatização da Sanecap. (Andrea Haddad)

Fonte Rd News
 

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