TAL QUAL SILVAL – Ex-procurador Zé Pedro Taques, agora governador tucano, também teria em torno de si uma quadrilha, diz delator

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O governador tucano Zé Pedro Taques, que desde a campanha eleitoral de 2014 e durante toda sua gestão, tem feito da denúncia da pretensa quadrilha do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) o principal mote de sua gestão, agora também é apontado como um governante que teria em torno de si uma enorme quadrilha. Pelo menos é o que diz o empresário Giovani Guizardi, em delação premiada perante o Ministério Público, ao dar sua versão para o esquema mafioso que teria sido montado por políticos do PSDB dentro da Secretaria de Educação do Estado (Seduc).

Guizardi dá a entender que todo o esquema de corrupção de que participou, investigado pelo Gaeco na Operação Rêmora, teria sido criteriosamente montado à sombra do poder de Zé Pedro Taques, para ressarcir as doações feitas pelos quadrilheiros para a campanha do então candidato tucano, em 2014.

A delação de Guizardi, preso na primeira fase da operação e libertado nesta quarta-feira (30), já foi homologada pelo Tribunal de Justiça. Como reação às denuncias que caíram como um viaduto sobre o coração do poder do PSDB em Mato Grosso, o governador Pedro Taques limitou-se, protocolarmente, a expedir uma nota, através de sua assessoria de imprensa, em que procura repelir o envolvimento de seu nome no esquema criminoso, garantindo que tomou todas as medidas cabíveis de combate à corrupção quando soube da operação. (Leia a nota no final deste texto.)

Giovani Guizard diz que esquema mafioso na Seduc era para pagar dívidas de campanha de Zé Pedro Taques by Enock Cavalcanti on Scribd

Guizardi, que foi preso na primeira fase da Operação Rêmora, deflagrada no dia 3 de maio deste ano pelo Gaeco, foi solto nesta quarta-feira (30), após a homologação da delação premiada feita junto ao Ministério Público do Estado (MPE). Saiu em liberdade, voltou para sua família, mas deixou uma espécie de exocet que deve continuar explodindo por dentro do Governo do Estado, da Assembleia Legislativa e da estrutura do PSDB em Mato Grosso por muitos e muitos dias, confundindo mais ainda os já confusos rumos adotados pela administração de Zé Pedro Taques em Mato Grosso

A divulgação da delação de Guizardi, na tarde desta quinta-feira (seu íntegra da delação no destaque), detonou geral com o governo de Zé Pedro Taques e o seu entorno. Entre os políticos citados por Guizardi aparece o atual deputado federal Nilson Leitão, atual presidente do PSDB em Mato Grosso e um dos mais próximos parceiros do governador. Leitão teria tido a sua campanha patrocinada em parte pelo esquema mafioso. O deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, também é muito citado, assim como o ex-secretário de Educação, Permínio Pinto (PSDB), que está preso desde 20 de julho deste ano na segunda fase da Operação Rêmora.

Outro citado com grande destaque, é o empresário Alan Malouf, que já pontificara no noticiário nacional, através da coluna do jornalista Lauro Jardim, em O Globo, apontado como operador financeiro e captador de recursos para as campanhas de Zé Pedro Taques. Com a delação de Giovani Guizardi, as evidências contra Alan Malouf – até então um empresário que transitava apenas nos bastidores da política, longe dos holofotes e dos escândalos – parecem se avolumar.

Em um dos trechos da sua delação, Giovani Guizardi, que é figurinha carimbada do jet cuiabano, tal como Alan Malouf, proprietário do requintado Buffet Leila Malouf, conta que Guilherme Maluf, Permínio Pinto e Alan Malouf ficavam, ao todo, com nada menos que 75% da propina que era paga pelos empreiteiros nas supostas fraudes que envolviam as licitações na Seduc de Mato Grosso.

Ainda segundo o que revela Giovani Guizardi, o empresário Alan Malouf aparece como uma peça importante na eleição de 2014, quando o governador Pedro Taques (PSDB) acabou sendo eleito governador do Estado. O empresário Guizardi, que é dono da Dínamo Construtora e da Guizardi Júnior, relata que Alan Malouf teria feito uma doação no valor de R$ 10 milhões para campanha de Taques, valor que não teria aparecido nas despesas de campanha do tucano. Giovani adianta que, tal como era feito em outros esquemas de corrupção através dos anos e pelo Brasil afora, a expectativa de quem investiu na campanha de Zé Pedro Taques era que o investimento feito na campanha seria retornado com obras do Estado.

O empresário Giovani Guizardi também citou o nome do presidente do PSDB de Mato Grosso e deputado federal Nilson Leitão, que teria sido o responsável pela indicação dos ex-servidores Luiz Fernando Rondon e Fábio Frigeri, que integravam o esquema de corrupção montado dentro da Secretaria de Educação do governo de Zé Pedro Taques. O delator sugere que Leitão compunha o “núcleo de agentes políticos” da organização criminosa responsável pelas fraudes na Secretaria de Educação. Conta que 5 (cinco) cheques de uma empreiteira teriam sido entregues a uma gráfica, situada na avenida Carmindo de Campos, em Cuiabá. “Soube que o Leonardo, da empresa JER, teria pago a propina mediante cinco cheques que teriam sido entregues a uma gráfica na avenida Carmindo de Campos para quitar dívidas de campanha eleitoral não fazendo menção de qual político, mas o declarante deduziu que seja o deputado federal Nilson Leitão, que era o político ligado ao Permínio Pinto”.

***
Zé Pedro Taques lamenta que seu nome tenha sido citado em delação

O governador Zé Pedro Taques (PSDB) não apareceu para coletiva, se escondeu da imprensa e do público nesta quinta-feira. Por meio de nota oficial protocolar afirmou que não sabia de nada, nunca teve qualquer envolvimento com os acusados de crimes de corrupção pela Operação Rêmora e que não recebeu o valor de R$ 10 milhões, como doação não registrada do empresário Alan Malouf, para sua campanha eleitoral em 2014.

Na nota o governador argumenta que se manteve firme na ocasião da deflagração da Rêmora, exonerando ou afastando todos os servidores públicos denunciados, inclusive o ex-titular da Seduc, Permínio Pinto.

Confira a nota na íntegra:

O governador Pedro Taques tomou as medidas que lhe competiam – quando da deflagração da Operação Rêmora (que apura eventuais crimes contra o patrimônio público na Secretaria de Estado de Educação – Seduc) -, exonerando e/ou afastando todos os servidores públicos denunciados, inclusive o ex-secretário de Educação. Tal medida, por si só, demonstra a firmeza do governador e do Governo no combate à corrupção e na apuração de qualquer denúncia que envolva atos de improbidade no âmbito do Governo do Estado de Mato Grosso;

O governador lamenta o envolvimento de seu nome no caso, refuta com veemência qualquer tentativa de envolve-lo em qualquer ato ilegal, uma vez que jamais tratou com quem quer seja de nenhum assunto relacionado à investigação;

Pedro Taques lamenta, ainda, que pessoas do seu convívio pessoal, político ou partidário possam estar envolvidas em malfeitos, e reitera seu entendimento de que ninguém está acima da lei e apoia investigação para que, ao final, comprovados os fatos denunciados, todos os envolvidos sejam punidos com o rigor da lei.

O governador reitera o que já disse em outras situações, de que a prestação de contas da sua campanha eleitoral de 2014 foram aprovadas sem ressalvas pela Justiça Eleitoral, e que por essa razão, repudia toda e qualquer tentativa de envolvê-lo em qualquer ato ilegal, prática que ele sempre combateu ao longo da sua vida, especialmente nos 15 anos nos quais atuou como Procurador da República.

6 Comentários

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  1. - IP 103.15.184.228 - Responder

    E o Olhar Direto, hem? Demorou umas 8 horas para colocar as notícias lá. Já estava em todos os outros sites há um tempão. E já está ha umas 14 horas sem aprovar nenhum comentário. Será que é por causa do jabá? Tão numa sinuca de bico? Se liberar muito fica mal com o patrocinador, se não liberar fica na cara a parcialidade e a censura. Eu, hein?

  2. - IP 191.24.233.160 - Responder

    Cadê os comentários dos parasitas?
    Rataiada emburacada nos esgotos tremendo de medo…

  3. - IP 189.59.45.70 - Responder

    Nada foi provado se Taques tinha ou teve conhecimento dessa roubalheira ,com certeza, comandada pelos deputados e pelo dono do Buffet Leila Malouf.Nomearam as pessoas certas para os cargos, para esse fim.São eles, os chefes e que tinham o o verdadeiro dominio dos fatos.Investigue Enock como os bons jornalistas fazem e não fique só nas ilações, nas fofocas e nas malidicencias vampirescas do seu ego!

  4. - IP 189.11.230.15 - Responder

    Segundo a Teoria do Domínio do Fato – lembra dela Osmir? – o grande chefe sabe de tudo e responde criminalmente. Mas se nada foi provado é porque nada foi investigado, afinal a delação acabou de sair do forno e ainda está quentinha. Todavia, num país civilizado – como é boa a civilização, não é mesmo Osmir? – como o Brasil, o princípio da presunção da inocência está escrito na Constituição e não podemos, a priori, condenar Pedro Taques. Ao governador são assegurados o devido processo legal, o direito da ampla defesa, do contraditório e o direito de permanecer calado e não produzir prova contra si mesmo. Uma sociedade civilizada é outra coisa, não é mesmo Osmir?

  5. - IP 177.79.78.186 - Responder

    Esse Osmir é um hipócrita ou está a servico de Pedro Taques ou as duas coisas juntas!!!Toda essa roubalheira na principal secretaria do governo e o Governador não sabia de nada, ora bolas,então pede pra sair,porque se não vão roubar a cueca do homem sem ele ver….

  6. - IP 189.59.60.210 - Responder

    Não Luciana ,estou a serviço de MT,e contra as idéias dos que acusam sem fatos.Se Pedro sabia,então é cúmplice e deve pagar por isso.Porém quem indicou o Permínio e a turma de aloprados para a Seduc,,foram respectivamente os dep. Nilson Leitão e Guilherme Malouf,Taques apenas aceitou e confiou.Então ,Lula e Dilma sabiam de tudo e participaram do esquema da Petrobrás,Bndes,Eletrobrás,obras da Copa,etc;.Se for assim Maggi teve ou tem a maioria dos seus secretários,presos ou indiciados.Ele sabia e participou?Ele o Maggi que inventou o Eder Morais,um GÊNIO segundo o Maggico na época.Taques pega o Estado falido ,não dá dinheiro por fora para a imprenssa e os blogs,é vítima da invençao da dívida e achaque do “dono do buffet”, e ainda é culpado?Quando for provado,ele pagará ,quem não deve não teme.Porque o Guizardi não foi denunciar o esquema para o Taques?Como qualquer um cidadão de bem faria?Porque ele sabia que o Governador ,acabaria na hora com o bem bom,e mandaria prender todo mundo.

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