Supermercados Modelo agoniza diante de sua clientela

Há varios meses que os cidadãos-consumidores da Grande Cuiabá, acompanham a lenta agonia dos Supermercados Modelo – uma rede de lojas que granjeou, ao longo dos anos, uma enorme simpatia e uma enorme preferência entre o público cuiabano. A lenta agonia do Modelo angustia todos nós, de Cuiabá, que tememos a definitiva prostação de uma rede de supermercados que teve origem aqui, e gera um grande número de empregos, justamente no momento em que grandes redes nacionais avançam sobre o mercado mato-grossense. A falta de informação do próprio Modelo, todavia, sobre a sua crise é um dos fatores que mais espantam e mais surpreendem a todos. É como se a empresa comandada pelo empresário Altevir Magalhães, que já chegou a ser apontada como uma das mais bem sucedidas do País, em outras épocas, não conseguisse reagir e não soubesse como cativar seu público para que ele possa, se for o caso, participar de sua recuperação. Confira o noticiário. (EC)

CRISE NO MODELO

Distribuidor recolhe produtos

Não pagamento de dívidas levou fornecedor a acionar a Justiça e reter meio milhão de reais em mercadorias, retiradas de duas lojas de Cuiabá e do Centro de Distribuição, em Várzea Grande

EVANIA COSTA
DE A GAZETA

Fornecedor recolhe mercadorias em 2 supermercados da rede Modelo em Cuiabá. A apreensão judicial dos produtos no valor de meio milhão de reais foi cumprida nesta sexta-feira (11) em duas lojas, localizadas nas avenidas Miguel Sutil e Fernando Corrêa da Costa, que fecharam as portas para os clientes por cerca de 3 horas para o cumprimento da decisão entre 9h30 e meio-dia, e no Centro de Distribuição do Grupo em Várzea Grande.

A medida tomada pela Distribuidora Fokus ocorreu após uma tentativa frustada de negociação das dívidas do grupo varejista, que, segundo informações de representantes do setor, passa por dificuldades financeiras há aproximadamente 1 ano. Nesse período, consumidores passaram a notar a redução constante na variedade e quantidade de
mercadorias nas gôndolas e a retirada, no fim do ano passado, de equipamentos das fornecedoras das lojas, sobretudo refrigeradores de bebidas.

Entre o Modelo e a Fokus, a falta de garantias inviabilizou um acordo, segundo o advogado da distribuidora, Gelson Menegatti, ao destacar que a empresa estava aberta a negociação, mas não tinha uma garantia real. “A empresa vem negociando, fazendo o giro, mas chegou um momento que o valor ficou exorbitante. Não havia interesse nessa medida (arresto), mas não tivemos outra alternativa porque a empresa (distribuidora) tem que se manter também”. Em razão disso, no fim de dezembro, a assessoria jurídica da Fokus entrou com uma ação na Justiça, que concedeu uma liminar de arresto para recolher o quanto fosse necessário em mercadorias, para pagar a dívida.

Durante a ação ocorrida no estabelecimento próximo à rodoviária da Capital, alguns funcionários ficaram no acesso ao estacionamento impedindo os carros de entrar. O argumento para o fechamento temporário, repassado aos clientes, era de que o sistema havia saído do ar. Os monitores dos caixas foram desligados e apenas um teria ficado operando para registrar a saída das mercadorias. Enquanto os clientes, que tentavam entrar no estabelecimento, voltavam para casa, alguns fornecedores
descarregavam mercadorias no depósito. Em seguida, caminhões da Fokus chegaram e começaram a ser carregados. Foram recolhidos cerveja, cesta básica, feijão e arroz em fardos.

Como de costume, Sales Lourenço, 37, foi ao Modelo fazer compras e encontrou a loja fechada. Morador do bairro Alvorada há 25 anos, ele reclama que há meses não encontra determinados produtos. “Faz algum tempo que estávamos observando essa situação ruim pela qual a rede está passando. E a falta de informação gera um certo descrédito perante os clientes”. Mais indignado, o servidor público aposentado João Gualberto, 70, afirma que “o supermercado não tem mais nada, que sempre
faltam produtos”. Sobre o fechamento, ele avalia que quem sai perdendo são os consumidores.

Aperto financeiro – Escassez de mercadorias nas prateleiras é um sinal de que uma empresa está em dificuldades, avalia o consultor de Varejo, Sebastião Félix, frisando que há cerca de 1 ano o mercado tomou conhecimento das dificuldades financeiras enfrentadas pelo Modelo. Para o especialista, a rede foi a mais afetada pela chegada de 5 unidades de grandes varejistas ao Estado, cujos faturamentos giram em torno de R$ 30 milhões por ano. Conforme Félix, a empresa tinha 3 possíveis saídas: pedir recuperação judicial, reduzir o número de lojas ou mesmo vender a empresa para um grupo nacional. Especulou-se que foram feitos levantamentos de ativos e passivos do grupo para uma negociação de venda, mas todos teriam falhado em razão do endividamento.

Surpreso com a notícia sobre o recolhimento das mercadorias no Modelo, o presidente da Associação Mato-grossense de Atacadistas e Distribuidores (Amad), Sérgio José Gomes, afirma que cada estabelecimento tem uma política comercial, com exigências específicas, mas “o que se tem observado é que as empresas estão fazendo acordos e mantendo o fornecimento ao Modelo”.

Esse é o caso de um dos fornecedores que falou à reportagem de A Gazeta, sob a condição de anonimato. O empresário acompanhou o cumprimento do arresto no Modelo pedido pela distribuidora Fokus que, segundo ele, foi uma das empresas convidadas para uma reunião realizada em agosto do ano passado para negociar as dívidas.

A Fokus e outras empresas presentes na “assembléia” recusaram o acordo, diferentemente da decisão tomada por ele, que aceitou parcelar a dívida que, e conforme o empresário, tem sido paga aos poucos.

“Tem fornecedor que se desespera. O Modelo é a única rede local e eu acredito que vai se recuperar, de repente diminuindo a empresa para ficar mais saudável”. Desse
encontro seria possível firmar um acordo de recuperação extra judicial, caso a metade dos credores aceitassem a proposta de negociação das dívidas.

“Nesse tipo de processo fazse uma assembleia informalmente. Com a aprovação, a ata assinada por todos é apresentada à Justiça para ser homologada”, explica o
presidente da Comissão de Estudos de Falências e Recuperação Judicial da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB/MT), Marden Elvis Fernandes Tortorelli. O processo fora dos tribunais poderia evitar o decreto definitivo de falência, caso os credores não aprovassem um plano apresentado e a Justiça indeferisse a recuperação. Entretanto, Tortorelli lembra que, conforme a legislação, qualquer credor com relação comercial e débitos em valores acima de 40 salários mínimos poderia pedir a falência da devedora na Justiça, uma decisão extrema, longe do que o mercado vem acompanhando.

História da empresa – Fundada em 1984, a primeira loja do maior grupo varejista de Mato Grosso foi inaugurada no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande. Conforme informações disponíveis no site da empresa, a rede detém 17 lojas, sendo 4 delas no interior do Estado, nas cidades de Tangará da Serra, Rondonópolis e Primavera do Leste. As lojas atentem tanto no varejo quanto no atacado (somando 3 unidades). Possui também 3 distribuidoras de produtos e transportadora. O número de colaboradores não é divulgado no portal.

Para valorizar os produtos fabricados, transformados, manufaturados ou produzidos no Estado, em 2007, a rede implantou o Programa Produto de Mato Grosso, que garantia que 30% dos produtos comercializados nas lojas fazem parte do programa. “Quem perde também é o setor. As grandes (varejistas) nem atendem os vendedores locais, compram direto das indústrias”, opina o representante de uma rede supermercados concorrente.

Por causa das ações prestadas por meio do Programa Modelo Responsável, relacionadas à preservação do meio ambiente, o Modelo recebeu o Prêmio Belmiro Siqueira de Administração; integrou a lista das Melhores e Maiores Empresas do Brasil, feita pela revista Exame, bem como a lista das 500 Melhores Empresas do Brasil, da revista Dinheiro. As duas últimas unidades da rede foram inauguradas em 2011: o atacado Modelo na avenida Beira Rio em Cuiabá, e a 1ª loja do Grupo Modelo em Primavera do Leste. A rede Modelo foi procurada via assessoria de imprensa para comentar o assunto, mas não retornou até o fechamento desta edição. (Colaborou Fabiana Reis)

20 Comentários

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  1. - IP 189.59.37.170 - Responder

    Interessante as contradições uma revista do Conselho Federal de Administração (CFA), que circulou esta semana, cita o Grupo Modelo como exemplo de empresa. Algo esta errado, ou esse Conselho Federal só publica matéria paga ou as informações da Justiça não circula naquele órgão em Brasilia. Nao bastasse essa matéria da Revista Brasileira de Administracao elogiando o Super Mercado Modelo, circulou no mês de dezembro comprovação de fraudes e da prisão do Presidente do órgão em Mato Grosso e do Presidente do Clube Dom Bosco Alvaro Scolfaro, que foi preso apos espancar a sua esposa, que foi denunciado e preso a pedido do filho .
    Revista que publica materia desse tipo deveria ser punido pelo orgao de fiscalizacao, quando induz a populacao a informacao enganosa.
    Veja no site http://www.cfa.org.br

    • - IP 189.59.41.137 - Responder

      Creio que essa matéria seja falsa ou baseada no ANTIGO Modelo que como na matéria, já foi “modelo” de qualidade. A rede foi engolida pelos outros supermercados que tratam os clientes com respeito. Essa história de uma empresa de família não dá certo nos dias de hoje.

  2. - IP 187.5.73.238 - Responder

    Que eu saiba, os Supermercados Modelo, “vai bem, obrigado”. Os proprietários venderam para outro grupo e investiram em outros negócios.

    • - IP 189.59.41.137 - Responder

      Não creio! Desde que trabalhei lá, era claro que se aquilo não fosse revisto, acabaria em falência.

  3. - IP 177.3.45.34 - Responder

    MT e Cuiabá perdem com a possível falencia do Modelo. Eu como cliente lamento, mas tambem nunca vi empresário grande falir e ficar pobre. Deve ter investido em algo mais lucrativo que mercado.

  4. - IP 201.24.141.238 - Responder

    É uma pena!! O grupo modelo é coisa nossa! Tomara que consigam sair dessa situação,estamos na torcida.

    • - IP 200.103.88.252 - Responder

      Bom falência tenho eu certeza que não será a melhor coisa a acontecer pois é uma grande rede a qual emprega muitos pai de família, estudantes e outros.
      Afinal descordo com alguns comentários acima, mal atendimento só se for com os mau educados as vezes você está em um momento de Stress acha que em um estabelecimento descarregar sua fúria encima da funcionária ou funcionário é a melhor opção sabe vai pesca destra-ir na natureza ponhar suas idéias no lugar, porque você acha que em um local pública está o anúncio assim:(DESACATAR O FUNCIONÁRIO EM SUA FUNÇÃO OU EM RELAÇÃO A ELA, DETENÇÃO DE 6 MESES A 2 ANOS DE PRISÃO OU ………………….)entendeu? Nós funcionários de empresa privado não somos obrigados a aguentar desaforo ou falta de educação de nenhum cliente que se acha melhor do quem está te atendendo.

  5. - IP 187.64.160.242 - Responder

    O grande dificuldade de qualquer empresa familiar e administrado as vaidades, com certeza a saída se é que é verdade a dificuldade do grupo modelo e a profissionalização da gestão ou a venda de ativos.

  6. - IP 189.59.41.137 - Responder

    Eles fizeram por merecer. Só quem já passou por lá sabe o que eu estou falando. Não existe respeito para com os parceiros e funcionários. Além da total falta de profissionalismo. Funcionários não passam por um processo de preparo, tratam mal os clientes, estão sempre de cara feia, o mercado está sempre fedido, os caixas estão sempre sem funcionários. Será que é para ter fila e parecer que está cheio? Creio que não.

    • - IP 177.41.86.170 - Responder

      enfim o João toca no ponto exato;mau atendimento e desrespeito ao consumidor são coisas comuns no modelo; vi essa loja da Miguel Sutil abrir, próximo à rodoviária, estava la no dia, e fui maltratado todos estes anos, as caixas não tem treinamento nenhum para o trabalho, é comum ver-se elas em animadas conversas enquanto o cliente (o otário) espera prá deixar o rico dinheirinho, acho que essa rede de supermercados já vai tarde, espero que outra rede, seja ou não multinacional, mas q tenha competência e respeito, tome conta dessas lojas, que são bem localizadas…

      • - IP 177.193.130.61 - Responder

        Existia sim descaso no atendimento inclusive nas filas dos caixas. colocavam quase 15 caixas mas so funcionavam no máximo três, ocasionando filas enormes. já estava na hora desse grupo sair e dar lugar a outro. pena que é daqui, mas se outra empresa funcionar é melhor. o modelo parou no tempo e fez descaso e agora colheu o que plantou. ninguém tem tempo para ficar esperando boa vontade de ser atendido. já sobre o tal Direito do funcionário de ser desacatado, conforme descrito acima em outro comentário, a lei é bem clara em dizer que é funcionário publico e não privado. porem nenhum funcionário deve ser desacatado, muito menos os clientes. já fui vitima de mau humor de caixa do mercado citado, onde me disse “se ta com pressa, vai em outro mercado…”Quer desacato/ desrespeito maior que esse. e fiz justamente o que a atendente me indicou: não comprei e não comprarei mais nada nesse mercado.(agora muito menos).

    • - IP 187.52.122.159 - Responder

      É muito triste saber que pensas assim, pois estou no modelo há 13 anos, comecei na usa e não tenho o q reclamar, toda empresa tem seus altos e baixos, mas o Modelo pra mim será sempre uma referencia de empresa, mesmo q eu sai hj da empresa desejo muito que ela se recupere.

  7. - IP 200.252.54.98 - Responder

    nao sei de nada, so sei que mesmo com cara de falencia as coisas lá continua caras e muito.

  8. - IP 201.23.177.162 - Responder

    os mesmo funcionários que trabalharáo no modelo pode ser de uma rede nacional? Qual vai ser a diferença? Ou vocês acha que as outras empresa vai trazer funcionários da sua cidade de origem?

  9. - IP 189.92.162.8 - Responder

    fico triste em saber dessa noticia de falencia pois naci dentro do modelo

  10. - IP 189.92.162.8 - Responder

    nossas vidas sao cheio de altos e baixo pois DEUS vai dar toda sabedoria e enteligencia em poder pagar sua divida pois dever nao e grime e sim negar oque ,,,,DEVE

  11. - IP 189.65.34.105 - Responder

    Problema do modelo foi o descaso com o cliente. Eu costumava ir com meus amigos todo fds depois das 23h ou 0:00h para comprar carnes ou mesmo bebidas. Porem, de uns 3 anos pra ca, ficavam atendendo 2 caixas de macdrugada e vc demorava 40 min pra passar no caixa. O q aconteceu, passei a ir no big lar ou extra, acabei ate parando de ir no modelo, inconscientemente, em outros horarios. Varias pessoas tb acabaram fazendo isso. Eh amigo, q economia custa caro, o consumidor mal tratado pune procurando outros estabelecimentos.

  12. - IP 201.34.219.39 - Responder

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  13. - IP 177.43.83.130 - Responder

    depois da minha família e da minha escola, a terceira maior educação que eu tive foi no modelo. Todos foram treinados e preparados e se graduando no decorrer do tempo, para lidar com todos tipos de cliente, principalmente os chatos stressados. Todos que sairam levaram como referência e estão bem empregados, principalmente eu; E estou em outra rede e o meu atendimento é, e sempre será MODELO.

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