SUJOU GERAL: Júlio Campos, segundo MPF, é um assassino

Júlio Campos é acusado de mandar mandar o empresário Antônio Ribeiro Filho e o geólogo húngaro Nicolau Ladislau Ervin Haraly por causa de uma disputa por terras com pedras preciosas em Mato Grosso.

MPF oferece denúncia contra Júlio Campos em inquérito sobre homicídio qualificado

De Brasília – Catarine Piccioni

OLHAR DIRETO

 

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra o deputado federal Júlio Campos (DEM) em inquérito no qual ele vem sendo investigado por homicídio qualificado. O inquérito, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) desde abril de 2011, foi instaurado para apurar suposto envolvimento do parlamentar em dois assassinatos ocorridos em 2004, em São Paulo.

O empresário Antônio Ribeiro Filho e o geólogo húngaro Nicolau Ladislau Ervin Haraly teriam sido assassinados por causa de uma disputa por terras em Mato Grosso. Campos é suspeito de ser o mandante dos crimes para se apropriar de terras com pedras preciosas (diamantes, por exemplo). O inquérito se arrasta há anos na Justiça e está sendo conduzido pelo Supremo porque parlamentares têm foro privilegiado.

A Justiça paulista condenou seis pessoas pela execução dos crimes. No entanto, elas já estariam em liberdade a partir de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com a denúncia, apresentada nesta quinta -feira (24), os ministros vão ter de decidir se o deputado vai ser definitivamente inocentado ou se tornar réu em uma ação penal, que pode levar à condenação.

Ex-governador de Mato Grosso, ex-senador, ex-prefeito de Várzea Grande e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Campos sempre negou qualquer envolvimento com o caso. “Ninguém que me conhece acredita nessa possível hipótese. Jamais cometeria um troço desses”.

O caso

Em 2004, Antônio Ribeiro e Nicolau Haraly foram assassinados no Guarujá, no litoral paulista. De acordo com o inquérito, os crimes teriam acontecido para ocultar a transferência da propriedade do empresário para dois laranjas de Júlio Campos: Nauriá Alves de Oliveira e Delci Baleeiro Souza.

De acordo com a defesa de Campos, os funcionários não eram laranjas. Eles teriam emprestado seus nomes, por “questões contábil e fiscal”, para a Agropecuária Cedrobom (dona de 87 mil hectares no norte de Mato Grosso) ser transferida do nome de Antônio Ribeiro para o do deputado.

Depois da transferência e antes dos crimes, a família de Ribeiro passou a reclamar de suposta fraude na documentação. A defesa nega qualquer falsificação de documentos e alega que as terras foram entregues por Ribeiro porque ele tinha dívida com o deputado. Alega ainda que a Cedrobom, entregue como pagamento pela dívida, não teria mais valor.

“Moreno escuro”

Irmão do senador Jayme Campos (DEM), Júlio Campos voltou à Câmara 20 anos após ter concluído seu último mandato na Casa. No início de 2011, quando a Câmara discutia sobre reforma do Código de Processo Penal, o deputado, defendendo a manutenção de prisão especial para autoridades, deu uma declaração de viés racista.

“Todo mundo sabe que essa história de foro privilegiado não dá em nada. O nosso amigo Ronaldo Cunha Lima (ex-deputado que renunciou ao mandato para escapar de uma condenação por tentativa de homicídio)  precisou ter a coragem de renunciar ao cargo para não sair daqui algemado. E depois, meus amigos, você cai nas mãos daquele moreno escuro lá no Supremo, aí já viu”, disse Júlio, na época, em referência ao ministro Joaquim Barbosa (relator do processo do mensalão e atual presidente da Corte) e criticando a suposta falta de proteção mútua entre os deputados. O inquérito sobre homicídio está sob a relatoria do ministro Marco Aurélio Mello.

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Advogado afirma que MPF foi leviano no caso do deputado

 

Da Redação – Daniele Danchura DO OLHAR DIRETO

 

O advogado Paulo Fabrinny, que representa o deputado federal Júlio Campos (DEM), afirmou que a atitude do Ministério Público Federal em oferecer denúncia contra o parlamentar por homicídio qualificado “é no mínimo uma leviandade”. A denúncia foi oferecida na noite desta quinta-feira (24) com base no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) desde abril de 2011. O inquérito apura o suposto envolvimento de Campos em dois assassinatos ocorridos em 2004, em São Paulo.

Segundo Fabrinny, ele ainda não tem conhecimento do teor da denúncia, mas tomará pé da situação nos próximos dias, para então apresentar a defesa assim que for intimado. “Mas acredito que a denúncia nem será aceita, basta se basear nos autos para entender que está acontecendo uma injustiça. Nem Kafka daria conta de escrever um enredo tão louco como este”, afirmou o advogado.

 

Fabrinny ressaltou que não há o menor receio por parte dele e de seu cliente em responder a este processo. “Esta foi uma situação que aconteceu referente a uma terra localizada no Mato Grosso do Sul. A vítima possuía desavenças com pessoas de lá. O Antonio Ribeiro era amigo pessoal do Júlio Campos, já tinha sido seu assessor, seu chefe de gabinete, era uma pessoa amiga da família, nunca houve desavença nenhuma entre eles”, completou.

De acordo como advogado, Antonio Ribeiro Filho e o seu sócio, o geólogo húngaro Nicolau Ladislau Ervin Haraly, possuíam o direito de lavra de uma mina de ferro em uma propriedade em Mato Grosso do Sul. E houve uma desavença entre o Antônio e o proprietário da área, pois o mesmo não permitia que a mina fosse explorada. “O deputado foi envolvido nesta situação toda por conta de um advogado que tentou extorquir dinheiro do Júlio Campos e não conseguiu. Existe uma testemunha que já declarou isso nos autos, já prestou depoimento sobre isso”, enfatizou Fabrinny.

Conforme o inquérito, Campos é suspeito de ser o mandante dos crimes para se apropriar das terras, que conteriam pedras preciosas, como diamantes. Há dois anos o inquérito se arrasta na Justiça e pelo fato de parlamentares terem foro privilegiado, o mesmo é conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Seis pessoas já foram condenadas pela execução dos crimes na Justiça paulista. Mas, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça as colocou em liberdade. Agora, com a apresentação da denúncia, caberá aos ministros decidirem se o deputado será inocentado ou se irá se tornar réu na ação penal.

2 Comentários

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  1. - IP 200.96.181.29 - Responder

    Que todos os assassinatos seja devidamente apurados, inclusive o do Prefeito de Santo André, cujas despesas para as manobras de acobertamento foram uma das causas do Mensalão, conforme Marcos Valério, o principal operador dos petralhas.

  2. - IP 200.17.60.247 - Responder

    Mesmo que provasse ser verdade esse fato sobre oa assassinatos em São Paulo, que coloca o deputado federal Júlio Campos como suspeito, alguém acredita que haveria alguma punição, como prisão ou coisa parecida contra ele? acorda Brasil. Nesse país político e empresário rico são imunes….

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