PREFEITURA SANEAMENTO

SOCIÓLOGO JUACY SILVA: O sistema político eleitoral nos Estados Unidos tem demonstrado grande estabilidade

Juacy

ELEIÇÕES NORTE-AMERICANAS 2020 (I)
JUACY DA SILVA
Ao longo dos últimos 50 ou 60 anos, seguindo a mesma tendência de séculos, a politica norte-americana tem dado provas de uma grande estabilidade, mesmo que o país e o mundo tenham passado ou venham passando por profundas transformações politicas, econômicas, sociais, culturais, científicas e tecnológicas.
Há poucos dias/semanas ocorreram as comemorações de um dos maiores feitos da corrida espacial, quando os EUA conseguiram chegar `a lua e alI foi fincada a bandeira norte-americana que, pela primeira vez, conseguiu que um ser humano tenha pisado naquele planeta/satélite da terra.
Mesmo em meio a tantas mudanças, conflitos sangrentos internos com as lutas pela igualdade racial e contra a discriminação e internacionais como as duas guerras mundiais, as guerras da Coréia, do Vietnan e diversas outras no Oriente Médio, Ásia e Europa, onde os Estados Unidos sempre estiveram presentes, o Sistema bipartidário e o equilíbrio entre os três poderes, principalmente entre Executivo e Legislativo, o que por aqui é denominado de “checks and balances”, ou Sistema de “pesos e contra-pesos”, onde tanto o executivo quanto o legislativo, principalmente, detém determinadas competências, evitando que quem esteja na Casa Branca, seja por quatro ou oito anos, não seja tentado a se transformar em um “ditador” de plantão e nem arremedo de um rei que tudo pode e tudo faz, como as vezes acontece com alguns presidentes latino-americanos e brasileiros.
Só para se ter uma idéia, mesmo com uma tremenda guerra civil que ceifou a vida de milhões de pessoas, motivando até mesmo o assassinato do presidente Lincoln (Republicano), ou mesmo em meio a outra tragédia que ceifou a vida de outro presidente, o primeiro católico democrata e bastante liberal a chegar `a Casa Branca, John Kenneddy, ou mesmo em meio a única renúncia/impeachment de outro presidente republicano Nixon, envolvido em um dos maiores escândalos politicos da história americana, jamais houve um golpe de estado ou a normalidade democrática foi arranhada. Tudo apesar de que diversos militares, inclusive generai, da reserva terem chegado ao posto máximo da politica norte-americana.
O sistema politico-eleitoral americano tem demonstrado uma grande estabilidade, apesar de que por aqui não existe Justiça Eleitoral, legislação eleitoral federal e nem urna eletrônica, os partidos não são propriedades dos caciques, mesmo que exista um “establishment”, uma cúpula partidária que, em determinadas situações ou ocasiões tente se apropriar da vontade popular e jamais tenha conseguido.
Existe uma praxe, não escrita ou estabelecida em Leis, que rege a dinâmica politica, que mantém o equilíbrio e o revezamento dos partidos Democrata e Republicano no poder. O partido que esteja no comando da Casa Branca, ou seja, no Governo, seu representante máximo que é o presidente do País, tem praticamente o “direito” natural de ser candidato a reeleição. Mesmo que exista discordância de alguns setores do partrido em relação `as politicas de governo em questão, nenhum grupo ou setor “ousa” contestar o “direito’ de o presidente que está no exercício do mandato em buscar a reeleição por mais quatro anos.
Outra coisa interessante na vida politica americana é a fidelidade partidária e ideológica, tanto dos quadros politicos eleitorais quanto dos filiados, por aqui  não existe este troca-troca partidário, como acontece no Brasil, onde os integrantes da chamada classe politica, com algumas exceções trocam de partidos como trocam de camisa, sem a minima coerência ou compromisso ideológico. Só para relembrar temos megaempresários, como  um ex governador de Mato Grosso ou do atual governador daquele mesmo Estado, também empresário e afilhado do citado ex-governador, que já foram filiados ao PPS/antigo Partido Comunista Brasileiro, depois PSB/ Partido Socialista Brasileiro e atualmente estão vinculados a partidos de direita ou quase extrema direita.
Voltando `a politica norte-americana, por aqui, depois que uma pessoa ocupa o cargo de presidente do País, o mesmo não pode ou não deve ser candidato a nada mais, nem a síndico de edifício, muito menos cargos politicos eletivos e nem outra função de governo, diferente de como ocorre no Brasil onde ex presidentes continuam dando pitacos e exercendo funções politicas e eleitorais.
Ainda em relação `a politica norte-americana, o partido que estiver na oposição, normalmente abre as portas para todas as postulações para quem desejar ser candidato a candidato, isto ocorre através de debates conduzidos por redes de TV, universidades , organismos de representação clasistas, de trabalhadores, empresários, com aval do partido. Esses debates servem para que essas pessoas possam explicitar suas ideias e propostas de como vão conduzir as ações e politicas públicas no plano interno e internacional, caso vençam eleições e passem a ocupar a Casa Branca.
Com antecedência de mais de um ano das eleições, como no caso atual, para as eleições de novembro de 2020, o Partido Democrata, que está na oposição, já iniciou os debates “internos” , através da rede de Televisão CNN. O primeiro debate, de duas noites, já que existem 20 postulantes a candidato do Partido Democrata, ocorreu em Miami e no dia 30 de julho mais outro com dez candidatos e hoje com mais dez, na cidade de Detroit.
Em setembro deve haver mais outro grande debate, que geralmente é assistido pela TV, internet e  diversas redes sociais, cuja estimativa de público seja de mais de 150 milhões de pessoas. Terminados essas tres rodadas de debates, o partido apoia a realização de pesquisas de opinião pública e abrem-se as portas para a arrecadação de fundos de campanha, quando, então cada um ou uma dessas candidaturas tentam se estruturar em comitês, grupos de apoio pelos diversos estados, preparando-se para as “eleicões primárias”, onde milhões de filiados a cada partido podem votar e escolher seus candidatos preferidos.
Este processo vai se afunilando até que na convenção partidária, geralmente, 4 ou 5 meses antes das eleições, é escolhido o candidato do partido que está na oposição, atualmente o Partido Democrata, para tentar retirar, pelo voto, pela vontade soberana do povo, o presidente que esteja na Casa Branca.
Esses debates, como atualmente estão ocorrendo, giram em torno das principais questões, desafios nacionais internos e também questões internacionais que afetam os destinos dos Estados Unidos e suas projeções de poder ao redor do mundo.
Voltarei a este assunto oportunamente, apontando, as principais questões internas e internacionais que estão servindo de bússola para as próximas eleições presidenciais e para o Congresso Americano, as principais tendências ideológicas e programáticas e as chances dos mesmos em chegarem `a convenção partidária. Nas eleições do ano que vem (2020) , além do presidente dos EUA, servirão também para a renovação do Congresso e para mais da metade dos governos estaduais.
Ou seja, tais eleições podem definir não apenas o futuro dos EUA como também muita coisa que possa acontecer no cenário mundial, afetando, de forma direta ou indireta, o nosso futuro-comum a nível internacional.
JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, residente nos EUA e observador do cenário politico, social, econômico, cultural e tecnológico norte americano há mais de 45 anos, quando realizou seus estudos de pos-graduação naquele país. Twitter@profjuacy Email profjuacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy@yahoo.com.br

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