gonçalves cordeiro

Sobre maconha e liberdade de expressão

 

 

 

 

 

De covardes e corajosos

Por Reinaldo Azevedo

 

 
Os maconheiros — aqueles que fumam maconha; assim como o tabagista, eu sou um, fuma tabaco — mudaram de tática (terão uma estratégia?) e agora vão fazer uma reunião em defesa do que chamam “liberdade de expressão”. Bom.

Quer dizer que posso ir lá, em nome da liberdade de expressão, defender que a Justiça fez muito bem em proibir a marcha? Ou isso seria considerado uma espécie de provocação e sabotagem? Não é preciso responder. Trata-se de uma pergunta puramente retórica.

Essa conversa de “liberdade de expressão” tem lá a sua graça. Um dos princípios dos estados democráticos e de direito transformou-se numa espécie de culto da vontade. “Estado democrático” define aquele em que as leis são feitas de acordo com a vontade da maioria; “estado de direito” quer dizer que essas vontades são expressas em leis — não em julgamentos sumários ou a depender de maiorias de ocasião, que se formam a favor disso ou daquilo.

Assim, “liberdade de expressão” não corresponde a dizer o que lhe dá na telha. Há “vontades”, “tendências”, “gostos”, “práticas”, “hábitos”, “desejos” — escolham aí outras palavras do mesmo paradigma — que são rejeitados pelo “estado democrático e de direito”, entendem?

Lamento, “companheiros”, há coisas que a sociedade rejeita: uma Marcha DA Maconha não é livre exercício de uma opinião. É uma afronta ao “nosso” estado democrático e de direito. Ninguém quer proibir ninguém de fumar o que lhe faça feliz. Mas que o indivíduo arque com as conseqüências. Assim é a vida.

Os dias correntes, de exacerbação dessa subjetividade um tanto adolescente — a adolescência já chega aos 40 anos… —, acredita que as maiores barbaridades podem ser ditas em nome da tal “liberdade de expressão”. Sabem aquele professor de história que comemora atentados terroristas? Pois é… Seu fiéis ainda hoje mandam comentários afirmando que ele tem “direito de ter uma opinião”. Tem? No meu estado democrático e de direito — que é o meu e o da Constituição —, lugar de gente que faz a apologia do terrorismo é a cadeia.

Aquele tal que se identifica como “sociólogo” e comanda a Marcha DA Maconha quer mudar a lei? Arrume um deputado ou senador com imunidade parlamentar para abraçar a sua causa. Acho que não vai conseguir porque ninguém será maluco o bastante de comprar uma tese rejeitada pela esmagadora maioria da sociedade brasileira, aquela, sabem?, representada no “estado democrático e de direito”. Pesquisa Datafolha publicada no domingo evidencia que o maior — e justificado — medo do paulistano é ter algum jovem da família envolvido com as drogas.

Esses valentes deveriam ter a coragem — já que pretendem posar de mártires — de ir defender a liberdade de expressão nos morros no Rio, lá onde ninguém pode “se expressar” contra a vontade do chefe do tráfico. Ou morre queimado numa pira macabra de pneus.

Defender o direito de fumar maconha — numa suposta manifestação em favor da liberdade de expressão, sob a proteção da polícia — é coisa para covardes. Os corajosos vão defender o DIREITO DE NÃO FUMAR lá no Morro do Alemão.

 

Categorias:Cidadania

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

4 × 2 =

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.