Tuberculose sai de presídios e adoece uma juíza

Fórum de Cuiabá: aqui mora o perigo. Aqui, ronda o bacilo de Koch

Fórum de Cuiabá: aqui mora o perigo. Aqui, ronda o bacilo de Koch

O Fórum de Cuiabá está sob o domínio do medo. É que a tuberculose – doença que há anos tomou conta dos presídios da Grande Cuiabá, devido às péssimas condições de alojamento em que são mantidos os presos – agora também passou a contaminar profissionais que atuam nas varas criminais de Cuiabá, para onde os albergados atingidos pela moléstia são levados seguidamente para participarem das diferentes etapas de seus julgamento sem que se conte com qualquer protocolo de proteção visando resguardar da possível contaminação as pessoas que tomam parte destes procedimentos e todas os demais cidadãos que circulam pelo ambiente do Fórum.

Enquanto o Tribunal de Justiça de Mato Grosso se omite diante do problema, alguns anônimos servidores espalharam pelas portas e paredes das varas criminais cartazes que alertam para a “ameaça de contaminação bacterológica”. Ameaça que, até agora, parece que foi enxergada pelo desembargador Paulo Cunha, atual presidente do TJ-MT. Segundo um servidor, que não quis identificar-se não sei bem ao certo por que, a ameaça não ocorre somente quando os presos são trazidos para as audiências. ” Já que me disseram que o transmissor da tuberculose sai pela respiração do preso e pode se manter vivo nos côndutos do ar condicionado, que interligam todos os ambientes deste prédio”, alarmou-se ele.

Uma das primeiras vítimas da doença entre os magistrados, todavia, já foi identificada pela PAGINA DO E.  Segundo informações colhidas na sexta-feira (14), trata-se da juíza Maria Aparecida Ferreira Fago, titular da 12ª Vara Criminal de Cuiabá. Afastada para tratamento da moléstia, a juíza Fago renovou, na semana passada, por mais quatro meses, a sua licença médica. A informação foi confirmada ao nosso blogue por servidores do Fórum. Tentamos contato com a magistrada através do seu celular, mas o aparelho estava fora de área.

A contaminação nas salas de audiência é um risco constante, notadamente para os magistrados encarregados de ouvirem os réus presos, já que rotineiramente, esses presos se sentam a poucos centímetros da cadeira do juiz ou juíza e da servidora encarregada de resumir, no computador, todo o transcorrer da audiência. “Na verdade quando um tuberculoso está aqui, todos correm grave risco”, destacou outro depoente.

Há dois anos atrás, a Defensoria Pública de Mato Grosso, através do seu Núcleo Criminal, e mais notadamente da defensora Simone Campos, vem alertando para a escandalosa situação, apontando a Penitenciária Central do Estado como o principal foco da contaminação pela tuberculose.

Em reportagem publicada em 2013, no Midia News, a defensora Campos dizia que os riscos são gritantes, com o grave perigo de que a doença se alastre notadamente entre os familiares dos presos. Segundo ela, que atua no Núcleo Criminal já há mais de 10 anos, sempre houve tuberculose nos presídios mas a situação era esporádica. De três anos pra cá, todavia, a situação se tornou insustentável, sem que as autoridades publicas adotem qualquer medida de proteção mais ostensiva.

Na citada reportagem, Simone Campos alertava: “Os defensores correm risco, o juiz que faz audiência, os promotores, e os agentes penitenciários que lidam diretamente com os presos. Todos correm riscos. Os agentes, por exemplo, reclamam que falta até luva na hora de fazer a revista nos tuberculosos”.

Novas informações a qualquer momento.

 

 

Como Prevenir a Tuberculose by Enock Cavalcanti

2 Comentários

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  1. - IP 177.132.241.184 - Responder

    Apenas o defensor Djalma Sabo Mendes não teve a sensibilidade de perceber essa grave e séria epidemia denunciada por membros da defensoria pública que atuavam no Núcleo das Execuções Penais da Dfensoria Publica. Quando um defensor público criminal concedeu uma entrevista e criticou e denunciou essa grave situação, foi em defesa ao governo do Estado do ex-governador Silval Barbosa, em detrimento ao seu colega, dizendo que tinha que apagar incêndio. Hoje apoia o atual governo. fazer o quê? A situação é grave e o governo tem a obrigação de solucionar esse gravíssimo problema, contruindo, com urgência, um presídio capaz de atender às exigências legais da Lei de Execuções Penais, no mínimo. Acredito no governo Pedro ataques.

  2. - IP 189.0.214.72 - Responder

    O caos traz em si a soluçao.

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