Siemens:governos tucanos deram aval a cartel do metrô

SIEMENS: GOVERNO DE SP DEU AVAL A CARTEL DO METRÔ

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Multinacional alemã teria apresentado ao Cade documentos que atestam aval do Estado para o esquema que começou em 2000, sob a gestão do tucano Mário Covas, para superfaturar licitações do metrô. O então secretário de transportes Cláudio de Senna Frederico nega, mas diz que nunca houve concorrência; caso finalmente começa a ser repercutido por grandes jornais, como a Folha

 

247 – A multinacional Siemens teria apresentado ao Cade (Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico) documentos que atestam que o governo de São Paulo deu aval à formação de um cartel para licitações de obras do metrô no Estado. O acordo permitiu ampliar em 30% o preço pago em outra licitação para manutenção de trens da CPTM.O caso finalmente começa a ser repercutido por grandes jornais, como a Folha. Segundo reportagem da publicação, no texto, de fevereiro de 2000, um documento interno aponta que “o fornecimento dos carros [trens] é organizado em um consórcio político’. Então, o preço foi muito alto”.No mês passado, a companhia delatou a existência de um cartel, do qual fazia parte, para compra de equipamento ferroviário, além de construção e manutenção de linhas de trens e metrô em São Paulo e no Distrito Federal.A formação do cartel para a linha 5 do metrô de São Paulo, de acordo com a Siemens, se deu no ano de 2000, quando o Estado era governado pelo tucano Mário Covas, morto no ano seguinte. O esquema se estendeu ao governo de seu sucessor, Geraldo Alckmin (2001-2006), e ao primeiro ano de José Serra, em 2007.

O então secretário de transportes Cláudio de Senna Frederico nega, mas disse: “Não me lembro de ter acontecido uma licitação, de fato, competitiva”.

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CONFIRA O QUE A FOLHA DE S PAULO PUBLICA NESTA SEXTA, 2 DE AGOST

Siemens diz que governo de SP deu aval a cartel no metrô

Ex-secretário nega acusação, mas afirma que não existe licitação ‘competitiva’

Afirmação faz parte de acordo feito com o governo em que a empresa delatou cartel em contratos públicos

CATIA SEABRAFLÁVIO FERREIRA

FOLHA DE SÃO PAULOA multinacional alemã Siemens apresentou às autoridades brasileiras documentos nos quais afirma que o governo de São Paulo soube e deu aval à formação de um cartel para licitações de obras do metrô no Estado.A negociação com representantes do Estado, segundo a Siemens, está registrada em “diários” apresentados pela empresa ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).No mês passado, a gigante da engenharia delatou ao órgão a existência de um cartel –do qual fazia parte– para compra de equipamento ferroviário, além de construção e manutenção de linhas de trens e metrô em São Paulo e no Distrito Federal.Em troca, a empresa assinou um acordo de leniência que pode lhe garantir imunidade caso o cartel seja confirmado e punido.

A formação do cartel para a linha 5 do metrô de São Paulo, de acordo com a Siemens, se deu no ano de 2000, quando o Estado era governado pelo tucano Mário Covas, morto no ano seguinte.

Segundo o Cade, o conluio se estendeu ao governo de seu sucessor, Geraldo Alckmin (2001-2006), e ao primeiro ano de José Serra, em 2007.

Secretário de transportes no governo Covas, entre 1995 e 2001, Cláudio de Senna Frederico afirmou que não teve conhecimento da formação de cartel, mas não o descartou. “Não me lembro de ter acontecido uma licitação, de fato, competitiva”, disse.

O governo Alckmin diz que, se confirmado o cartel, pedirá a punição dos envolvidos. Serra não foi localizado.

Documento entregue pela Siemens aponta o suposto aval do governo em favor de um acerto entre empresas para a partilha da linha-5, em trecho hoje já em operação.

Chamado de “grande solução”, o acerto era, segundo os papéis, o desfecho preferida pela “secretaria” (de transportes) por oferecer “tranquilidade na concorrência”.

Consistia em formar um consórcio único para ganhar a licitação e depois subcontratar empresas perdedoras, o que, de fato, ocorreu.

No texto, de fevereiro de 2000, executivos da Siemens descrevem reuniões para a costura do cartel. Um documento interno aponta que “o fornecimento dos carros [trens] é organizado em um consórcio político’. Então, o preço foi muito alto”.

“Consórcio combinado, então, é muito bom para todos os participantes”, relata um executivo da Siemens.

A Siemens diz que um acordo permitiu ampliar em 30% o preço pago em outra licitação para manutenção de trens da CPTM.

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Ex-secretário nega saber de cartel, mas não descarta acertos

Governo diz que papéis mostram conversa de empresas e que pedirá ressarcimento em caso de prejuízos aos cofres

FOLHA DE SÃO PAULO

O secretário estadual de Transportes no governo Covas, Claudio de Senna Frederico, nega que tenha tomado conhecimento de cartel em contrato do metrô, mas não descarta que tenha ocorrido.

“O preço [da linha 5] não foi acima do usual no Brasil. Ao contrário, a linha como um todo foi barata, inclusive graças ao fato de ter sido feita rapidamente, sem entraves na Justiça”, disse Frederico.

Em nota, o governo Alckmin disse que os documentos mostram “comunicação entre empresas privadas, sem participação de servidor público estadual”. Diz ainda que pedirá ressarcimento de eventuais perdas aos cofres.

Procurados na noite de ontem, o ex-governador José Serra e o titular da pasta entre 2001 e 2006 Jurandir Fernandes não foram localizados.

Secretário no período em que, segundo a Siemens, foi formado o cartel, Frederico afirma que não se lembra de “ter acontecido uma licitação de fato competitiva”.

“Mesmo antes [de sua gestão] e observando outros locais fora do Brasil, eu nunca vi. Talvez ocasionalmente em uma oportunidade em que alguém estava invadindo o mercado do outro”, afirmou.

Ele diz que a “secretaria desejava que tudo se realizasse, sendo por um bom preço, o mais rapidamente possível para que a obra fosse feita”.

“O menor preço é aquele que você consegue naquela contenda, naquela situação”, disse o ex-secretário.

A Siemens disse que, por causa da confidencialidade, não poderia se manifestar. Disse que “coopera integralmente com as autoridades”.

Em nota, a Alstom afirmou que recebeu “um pedido do Cade para apresentar documentos” e “está colaborando com as autoridades”.

A Serveng disse que sua atuação “é pautada em estrito cumprimento da lei e que prestará os esclarecimentos necessários” ao Cade.

A Bombardier diz que “repudia o recurso a práticas anticoncorrência” e colabora com a investigação.

Procuradas pela Folha, as companhias CAF, TTrans, Tejofran, TCBR e Iesa não se manifestaram. As empresas Mitsui, MGE e Temoinsa não foram localizadas ontem.

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Lista apresentada pela Siemens tem 18 empresas e 23 executivos

FOLHA DE SÃO PAULO

A Siemens apresentou às autoridades a lista de 18 empresas –algumas de um mesmo grupo– e 23 executivos que teriam participado de cartel em licitações para compra de equipamento ferroviário, construção e manutenção de linhas de trens e metrô em São Paulo e no Distrito Federal.

A relação tem subsidiárias de multinacionais como a francesa Alstom, a canadense Bombardier, a espanhola CAF e a japonesa Mitsui. O conluio, diz o relatório do Cade, inclui ainda: TTrans, Tejofran, MGE, TCBR Tecnologia, Temoinsa, Iesa e Serveng-Civilsan.

Ao colaborar com as autoridades, a Siemens entregou documentos e arquivos que comprovariam a prática de cartel em contratos de 1998 a 2007.

Signatário do acordo, o Cade investiga exclusivamente a formação de cartel. O acordo não prevê que a Siemens colabore para investigação de improbidade administrativa, mas apenas sobre crimes na área econômica.

Em São Paulo, existem dois inquéritos civis a cargo do Ministério Público que apura eventual desvios e fraude em licitações. Um, de 2010, investiga a atuação da Siemens em licitações e subcontratações. O outro é sobre a Alstom.

Mas não existe compromisso legal entre promotores e Siemens.Há, no entanto, uma promessa de o Cade transferir para a Promotoria documentos da investigação.

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Em meio a crise de confiança, alemã troca dirigente

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O presidente-executivo do grupo Siemens, Peter Löscher, deixou o cargo. Em seu lugar, entra Joe Kaeser, diretor financeiro.

Löscher, que deixa o comando quatro anos do fim do contrato, citou, em comunicado, a “ausência de confiança” para que se mantivesse no cargo.

“Seria fatal para o futuro da Siemens e de seus funcionários se o rumo bem-sucedido que adotamos para reorientar a empresa [….] fosse comprometido pela perda da confiança mútua”, afirmou.

Categorias:Direito e Torto

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