Servidores ocuparam Assembleia e substituíram deputados por 36 horas. Sonho de um dia de verão

Dirigentes sindicais no lugar dos deputados.  Um sonho de um dia de verão. Foto Rogério Florentino/Olhar Direto

Foram 36 horas de uma ocupação histórica, marcando a renovada garra dos servidores estaduais do Executivo e do seu comando, o Fórum Sindical de Mato Grosso, na defesa dos seus direitos. Vejam que os servidores entraram no plenário na terça, dia 22, 9 horas da manhã, para tentar impedir que projetos de lei enviados pelo novato governo do DEM-PDT fossem votados pelos parlamentares. As medidas, sob a máscara de uma pretensa reforma da máquina pública. atingem diretamente o funcionalismo público e a remuneração que recebem.

Os servidores ocuparam o plenário, cercaram o prédio da Assembleia mas não foi o bastante.Aquele sonho de uma republica sindical, com sindicalistas substituindo deputados no parlamento, foi só um sonho de um dia de verão, sob o calor sempre severo de Cuiabá.

Mesmo com toda esta mobilização dos trabalhadores, a trama montada pelo governo Mauro-Pivetta acabou se concretizando, pelo menos em primeira votação, nesta quarta-feira, 36 horas depois da ocupação, em sessão secreta que o deputado Eduardo Botelho, do DEM, comandou no gabinete das lideranças, anexo do gabinete da presidencia, vedando acesso da imprensa e nem se preocupando em transmitir a sessão pela TV Assembleia.

Um forte aparato policial também foi convocado para constranger os manifestantes, pois capitão do mato que se preza nunca deixa de contar com a repressão sempre bem alinhada e pronta a agir contra as eventuais dissidências. No centro da cena. Mauro e Pivetta colocaram os deputados derrotados nas eleições de outubro passado, que trataram de cumprir fielmente o acordo que certamente celebraram com os novos mandantes mato-grossenses. Os novos deputados já diplomados, mas que só começam a legislar em 1º de fevereiro, foram brutalmente desconsiderados pela dupla Mauro-Pivetta.

Sigilo total, na certa por causa do forte golpe que eles aprovaram em prejuízo da categoria dos servidores, que representa a mais forte base econômica de Mato Grosso. Pau nos servidores. E os servidores acusando os governantes de rebaixarem seus direitos, sem mexer nos privilégios dos barões do Agronegócio, nem nos privilégios dos demais poderosos de plantão em Mato Grosso, como magistrados e promotores públicos que continuam com suas remunerações e vantagens bem cevadas, por mais que se discurse sobre a crise econômica de Mato Grosso.

A portas fechadas, os deputados aprovaram, por 13 votos a 8, em primeiro turno, a nova Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estadual que prevê como meta a criação de uma poupança pública; reforma na Previdência do servidor público no qual prevê aumento da alíquota de contribuição previdenciária de 11% para 14%; e a reforma administrativa, que prevê a extinção de empresas estatais, redução de secretarias e de cargos.

Os votos contrários às propostas, segundo se soube depois, foram dos deputados Allan Kardec (PDT), Valdir Barranco (PT), Janaina Riva (MDB), Leonardo Albuquerque (SD), Max Russi (PSB), Wancley Carvalho (PV), Wilson Santos e Saturnino Masson (ambos PSDB).
A manobra da votação secreta não se repetirá nesta quinta-feira, durante a votaçao final dos projetos, porque, no inicio da noite desta feira, os servidores, atentando a orientação do Fórum Sindical, resolveram desocupar o plenário da Assembleia.
A forte mobilização dos servidores, apesar de não ter sido suficiente para fazer recuar o novo governo Mauro-Pivetta em seu ataque contra a categoria sinaliza, todavia, para novos desdobramentos.  A validade das votações será duramente atacada na Justiça pelas assessorias jurídicas tanto do Fórum Sindical como dos diversos sindicatos, dadas as suas nuances. Os sindicalistas também estão orientados a promoverem assembleias descentralizadas em suas carreiras para construirem uma possivel paralisação geral de suas atividades nas próximas semanas.
O estágio, depois da ocupação, é de acumulo de força rumo à greve geral. Veja, nos videos, alguns lances da mobilização dos servidores. Mais adiante, voltaremos ao assunto, com a análise dos diversos aspectos que este embate entre o novo governo e seus servidores nos impõe.
(sem revisão. me desculpe. estou cansado…)

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