PREFEITURA SANEAMENTO

Segundo jornalista Luis Nassif, “escândalo” do caso Controlar foi produzido claramente e está sendo sustentado pela grande mídia (Rede Globo, Folha e Estadão) para tentar abater candidatura de Gilberto Kassab, ao Palácio dos Bandeirantes. Texto do Nassif, replica questionamento desta PAGINA DO E com relação à ação do procurador José Elaeres Teixeira que pediu afastamento do juiz Julier Sebastião, antes da conclusão do inquérito da Operação Ararath, sendo barrado em sua pretensão pelo desembargador Carlos Medeiros

 

: Segundo o jornalista Luis Nassif, “escândalo” do caso Controlar foi produzido claramente para abater a candidatura do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ao Palácio dos Bandeirantes. Depois do Brasil 247, acho importante chamar a atenção para este texto do Nassif. Curioso é que, em Mato Grosso, uma hipótese semelhante  já foi levantada, por diversas pessoas, inclusive pelo próprio juiz,  com relação à busca e apreensão que foi disparada pelo Ministério Público, através do procurador José Elaeres Teixeira, por motivos até agora não suficientemente esclarecidos, contra o juiz Julier Sebastião da Silva, durante a chamada Operação Ararath. E mais curioso, ainda, é que na denúncia contra Kassab, aparece um tal fazenda em Mato Grosso que, até agora, ninguém procurou saber de quem é e nem onde fica. Depois dos inúmeros questionamentos contra a ação do ex-PGR Roberto Gurgel, durante o julgamento do Mensalão, será que veremos o Ministério Público colocado, mais uma vez, sob cerrado questionamento?Ah, sim, os jornalões do PIG também não aparecem, mais uma vez, muito bem, nessa história. Confira a análise de Luis Nassif e pense em Mato Grosso. (EC)

Os vazamentos de inquéritos do Ministério Público paulista

por LUIS NASSIF

Hoje em dia, é mínimo grau de confiabilidade das notícias. Qualquer procurador que tenha dado entrevistas a jornais sabe desses problemas, o uso indevido das aspas, as conclusões incorretas do que falam, a seleção de declarações que melhor se amoldem aos objetivos da pauta.

Muitas vezes, trata-se apenas de incompetência da cobertura jornalística, nesses períodos de redução das redações, de contratação de estagiários e da pressa para competir no noticiário online.

Mas essa rapaziada sabe que ganhará espaço apenas a matéria que melhor atender aos desejos da casa. Desde que os jornais abriram mão até da encenação de isenção, o que a casa quer são matérias que blindem os aliados e escandalizem cada passo dos adversários.

A partir dessa constatação, os órgãos de investigação precisam discutir com urgência as formas de relacionamento com a mídia.

O caso Kassab

O inquérito da máfia dos fiscais está a cargo do promotor Roberto Bodini. Não existe nenhuma indicação que deponha contra ele e seu trabalho. Mas a falta de critério no vazamento das informações já o jogou – e ao MPE paulista – no olho do furacão das suspeitas de partidarização das investigações e de blindagem do ex-prefeito José Serra.

Na quarta-feira passada, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab anunciou sua candidatura ao governo do Estado (http://tinyurl.com/k6y32xc). Foi interpretada como dificuldade adicional à reeleição do governador Geraldo Alckmin.

Um dia depois, a manchete do Estadão era: Kassab recebeu ‘fortuna’ da Controlar, diz testemunha da máfia do ISS”. A “denúncia” foi repercutida à noite no Jornal Nacional.

No dia seguinte, a manchete da Folha foi “Kassab obteve ‘fortuna’ da Controlar, diz testemunha”. Não é padrão que jornais deem como manchete principal notícia requentada de um furo já dado pelo jornal concorrente. Nesses tempos de partidarização, joguem-se no lixo manuais de redação.

A matéria do Estadão informa (http://glurl.co/dvf) que uma testemunha (não se sabe quem) foi ao Ministério Público Estadual informar que ouviu de outra pessoa (Ronilson Bezerra Rodrigues, chefe da máfia dos fiscais) que a Controlar pagou uma fortuna em dinheiro vivo ao prefeito Gilberto Kassab. O dinheiro teria ficado guardado no próprio apartamento do prefeito. E teria sido transportado para Mato Grosso em um aviãozinho providenciado por Marco Aurélio Garcia, Secretário de Desenvolvimento de Geraldo Alckmin e ex-sócio do prefeito.

A testemunha não apresentou provas. Contou o que ouviu dizer.

Segundo a matéria, “Os fatos trazidos pela testemunha serão analisados pelo MPE”. Ou seja, o promotor Bodini recusou-se a assinar embaixo do depoimento. Se o depoimento não permite assinar embaixo, qual o motivo para ter vazado para a imprensa?

No dia seguinte, a mesma matéria tornou-se manchete principal da Folha.

Para mostrar isenção, o jornal publicou as “denúncias” da testemunha contra Mauro Ricardo – homem de confiança de José Serra, mantido por Kassab na Secretaria das Finanças.

A primeira, é que Mauro Ricardo teria dado isenção ao Mackenzie e à ESPM em troca de bolsas de estudo para seus filhos. Mauro rebateu simplesmente mostrando que ambas já gozavam de isenção há anos.

A segunda, é que teria reduzido o IPTU da Bovespa, para impedir que ela se mudasse para Barueri. Mauro rebateu simplesmente comprovando a ameaça de mudança para Barueri.

Só faltou a denúncia de que Mauro isentou a Catedral da Sé do pagamento do IPTU em troca de indulgências plenárias.

Em episódios anteriores, o promotor Roberto Bodini já tinha sido acusado de trabalhar em estreito contato com o Jornal Nacional (http://tinyurl.com/jwas7t7), passando informações exclusivas e escondendo-as de outras equipes de televisão. Não dá.

A PAUTA E A MATÉRIA

O promotor Bodini tem bons indícios para apostar no relacionamento da máfia dos fiscais com Garcia – e, a partir dele, com Kassab. (http://tinyurl.com/q4jh4eo).

Os promotores apuraram que Garcia era locatário do escritório do centro de São Paulo onde a quadrilha se reunia. No local, o MP apreendeu R$ 88 mil em dinheiro. Além desse imóvel, Garcia vendeu dois outros flats a auditores suspeitos de integrarem o esquema. Extratos bancários de Ronilson e seu próprio depoimento confirmaram que adquiriu o apartamento de Garcia.

Se tem bons indícios, boas linhas de investigação, se está tendo liberdade para desenvolver seu trabalho, qual o motivo para dar divulgação a qualquer passo das investigações?

No MPF, há um movimento importante dos principais procuradores de reagir contra essas formas de vazamento. Comprometem não apenas a isenção do promotor/procurador, como da própria instituição.

Seria importante que o MPE paulista abrisse discussões internas sobre essa falta de disciplina corporativa. E o próprio Bodini entendesse o risco de imagem que essa cumplicidade traz para ele próprio e para sua instituição.

No Seminário do Jornal GGN com a OAB Nacional, em Brasília, no final do ano passado, não foram poucas as autoridades – procuradores e magistrados federais – escandalizados com essa usina de vazamentos do MPE paulista.

 

 

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VEJA OS QUESTIONAMENTOS LEVANTADOS PELA PÁGINA DO E COM RELAÇÃO A AÇÃO DO MPF CONTRA JULIER

 

http://paginadoenock.com.br/desembargador-carlos-medeiros-do-trf1-expoe-pedido-feito-aparentemente-de-afogadilho-pelo-mpf-e-mantem-juiz-julier-sebastiao-no-cargo-parece-que-vemos-agora-com-o-procurador-jose-elaeres-teixeir/

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