SEBASTIÃO CARLOS: Não passa de conversa fiada de antidemocratas, que querem se perpetuar no poder, dizer que as manifestações, muitas das quais espontâneas, são de derrotados que querem provocar um terceiro turno da eleição, ou são de golpistas, ou que são pertencentes a uma elite. Balela de desesperados. O barco afunda. E a maioria da Nação não quer afundar com ele

O escritor Sebastião Carlos, em foto de Hegla Oleiniczak/PAGINADOE

O escritor Sebastião Carlos, em foto de Hegla Oleiniczak/PAGINADOE

Às ruas, cidadãos

Sebastião Carlos

Como já é do conhecimento geral, manifestações de repúdio ao governo estão sendo convocadas para o próximo domingo, 15. No passado, não tão distante, tivemos exemplos eloquentes dessa intervenção democrática popular no cenário político do país. Da luta pela Anistia geral, ampla e irrestrita, dos movimentos pelas eleições diretas e pela Constituinte, até o impeachment de Collor, e, se quisermos recuar um pouco, lembremo-nos da luta contra a ditadura Vargas, em 1945. Em todos esses momentos inesquecíveis a mudança veio pela voz uníssona nascida das consciências das mulheres e dos homens livres e rompendo nas praças, nos becos, nas ruas, nas escolas, como um brado solene.

O povo vai às ruas num abraço coletivo quando se torna insuportável a convivência com uma situação política de descalabro ou de ampla injustiça. Nestes momentos históricos até os mais cordatos dos cidadãos fazem transbordar o seu sentimento de indignação e de angústia. Estamos vivendo um momento de nossa história em que a corrupção, pública e privada, a mentira como forma de exercício do poder, a incompetência administrativa como padrão de ação, a desmoralização dos serviços públicos, o desrespeito mais completo aos direitos comezinhos do contribuinte e a agressão cotidiana à inteligência média do cidadão, predomina quase que por completo. Tal situação levou, tanto ao abastardamento generalizado da nobre atividade da política, como contribuiu para acelerar a erosão dos princípios elementares da ética, tanto na vida pública quanto na particular.

É num momento grave como esse que os cidadãos estão voltando às ruas em manifestações de claro conteúdo social e político. E o que nos move, e deve nos continuar movendo, é a capacidade de indignação, até agora para muitos amortecida. O casulo que encerra o conformismo, o comodismo, o “as coisas são assim mesmo”, a omissão coletiva, está sendo gradualmente rompido. É porque não dá mais.

Todos sabem que não existe um grupo político, econômico ou social por trás, a insuflar ou a manipular as manifestações. A internet faz soar as trombetas da insatisfação generalizada. Ela substitui hoje os partidos políticos, as organizações de classe, os sindicatos que no passado eram os arautos do chamamento ao protesto. Não passa assim de conversa fiada de antidemocratas, que querem se perpetuar no poder, dizer que as manifestações, muitas das quais espontâneas, são de derrotados que querem provocar um terceiro turno da eleição, ou são de golpistas, ou que são pertencentes a uma elite. Balela de desesperados. O barco afunda. E a maioria da Nação não quer afundar com ele. Incompetência, que já não pode falar em “herança maldita” do governo anterior, atribuir a supostas conspirações o direito legitimo, porque assegurado na Constituição, da livre manifestação.

No entanto, os democratas que estão indo às ruas a desfraldarem a bandeira da mudança política, da luta contra a corrupção, contra o descalabro administrativo, contra o abuso do poder devem se precaver contra algumas ciladas. Não creio que o momento é de pedir o impeachment da presidente. Não, neste momento. Para frente, talvez. Acredito que não se deva fazer o que o partido atualmente no poder fez em 1999 quando lançou a campanha pró-impeachment, mal começado o segundo mandato do reeleito presidente FHC. Que não deu em nada. Nessa época o PT não se considerava golpista, como hoje consigna serem os manifestantes. Penso assim porque, caso seja declarada impedida, o sucessor de Dilma será Michel Temer. E isto significa trocar seis por meia dúzia. É interessante lembrar uma passagem histórica que dá bem um retrato de nosso país. Na época do “Fora FHC, após um comício no RJ, Brizola foi convidado a ir a Brasília, com uma comissão, para entregar ao presidente da Câmara dos Deputados um manifesto pedindo o impeachment. Ele se negou a ir, argumentando: “Não tem por que ir ao presidente da Câmara. Ele faz parte da mesma rosca que está levando o Brasil ao desastre”. O curioso é que o presidente da Câmara era o mesmo Michel Temer de hoje.

Os manifestantes também devem rechaçar com veemência alguns inconsequentes ou desmemoriados que bradam pela volta dos militares ao poder. Coisa que os mais responsáveis e patriotas deles não desejam. É nem é preciso falar que não devem ser aceitos, mas expulsos, os covardes que se escondem sob máscaras e se intitulam de black blocs. Estes só contribuíram para afastar inúmeras pessoas após as manifestações de junho do ano passado. E a indagação é necessária: a quem, na verdade, eles servem?

Como nos momentos capitais da história, nossa e de inúmeras nações, os cidadãos, mulheres e homens, jovens e velhos, de peito aberto e com o coração pulsante estão, solidários, indo às ruas que sempre foram o berço da liberdade e das transformações sociais históricas.

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Sebastião Carlos Gomes de Carvalho é advogado e professor. Membro do Instituto dos Advogados Brasileiros (RJ).

 

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OUTRA OPINIÃO

Tem anauê na panelada!

Fernando Brito, no blogue Tijolaço

anaue

Agora é oficial.

A Frente Integralista Brasileira, remake do já mofado Partido Integralista Brasileiro – aquele do Plínio Salgado, doublê de Hitler no Brasil –  está convocando, com manifesto e tudo – para o  ato dos paneleiros, domingo, em Copacabana e em São Paulo.

No facebook, os integralistas (que no passado eram chamados degalinhas-verdes) “nossa presença é um brado contra toda a denominada classe política, que é diretamente responsável pela crise instalada, e não apenas contra o PT. Uma vez caído este partido, buscaremos a destruição dos que o sucederem no poder (PMDB, PSDB, etc..) até que seja instalado um governo legitimamente brasileiro”.

Ou seja, os dos arianos morais.

Vão lá com seus “anauê” de saudação e seu Sigma de suástica.

Mas não se pode deixar de reconhecer que é muito coerente. Onde tem panela e galinha, mesmo verde, acabam saindo coxinhas.

Viva a modernidade da direita!

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reinaldo azevedo

“O domingo e a agonia do PT”

por Reinaldo Azevedo

 Folha de São Paulo


O PT está em pânico. O que vai acontecer no próximo domingo? Desde que foi criado, o partido chama, segundo a metafísica da esquerda, de “povo” os movimentos organizados, franjas da própria legenda que atuariam como uma correia de transmissão do presente para o futuro. Os supostos porta-vozes desse ente anunciam verdades em nome da “maioria”, embora seu aporte teórico consagre a ideia da vanguarda revolucionária, que é, por óbvio, minoritária.
Já fui um brasileiro como eles. Há muito tempo. E sei que os chefões nunca levaram essa bobajada a sério. A gesta redentora é só discurso do cinismo, mas mobiliza os trouxas e incendeia o imaginário dos inocentes, especialmente de intelectuais e jornalistas, seres mais permeáveis à heresia da “igualdade”, em nome da qual todos os crimes são cometidos.
A ação da esquerda está pautada por uma monstruosidade moral chamada “falsa consciência”, conceito que está em Marx, não só em epígonos mais ignorantes do que ele. Se, como querem os esquerdistas, o que um homem sabe de si, de suas aspirações e do mundo pode ser considerado uma falsificação de uma verdadeira consciência à qual se chegaria pela luta partidária, então esse homem deixa de ser dono de sua própria história e de responder por suas opções. Em Banânia, esse demiurgo chulé tem um pé em Platão e outro em João Vaccari Neto.
Nessa perspectiva, vício e virtude se definem apenas na medida em que uma determinada ação fará “a luta” avançar ou recuar. Está aberto o caminho para o crime –qualquer um: roubar a Petrobras ou matar é só questão de necessidade. Isso implica que inexista teoria de esquerda meramente culposa. Ela sempre será dolosa, embora inocentes úteis possam ser capturados em sua teia.
Foi esse ente de razão que chegou ao poder há pouco mais de 12 anos, fazendo a mímica das aspirações populares. Mas que digo eu? Povo não existe! Existem pessoas. O “povo” é só uma abstração que serve a delírios totalitários, de direita ou de esquerda. O PT está em pânico porque o poder demiúrgico está sendo destruído por indivíduos de verdade. É claro que há grupos convocando o domingo da libertação. Mas ninguém se apresenta como portador do futuro.
As falsas clivagens às quais o partido apelou ao longo de 35 anos, seja para sabotar outros governos, seja para construir o seu próprio, já não funcionam. Como evidenciaram Daniela Lima e Juliana Sayuri nesta Folha, “peões” e faxineiras vaiaram Dilma no Anhembi; empresários a aplaudiram. Longe do arranca-rabo de classes que embala a língua solta de Lula, os pobres gritaram “Fora PT”. Já as empreiteiras, não fosse a PF estragar a festa, apoiariam o petismo pelos próximos 300 anos. Que outro partido estaria mais talhado para a arquitetura da destruição? Que outro ente, exceção feita ao capeta, era tão eficaz em fazer o crime passar por virtude?
Em tempo: golpista é querer ignorar que o impeachment tem prescrição constitucional e regulamentação legal. A divergência possível é se estão ou não caracterizados os motivos. Eu, por exemplo, acho que sim. Quantas pessoas haverá nas ruas? Não sei. Qualquer que seja o número, serão pessoas donas de seus quereres, donas de si. O país começa a se libertar do PT e do que ele representa. Vai demorar um pouco, mas será para sempre.
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OUTRA OPINIÃO

Tucanos erram a mão, e ajudam a reunificar base popular

Os tucanos querem 64: a base lulista se unifica para barrar isso

por Rodrigo Vianna,  de O Escrevinhador

Um ex-dirigente do PT (daqueles que fazem a crítica do governo pela esquerda, mas sabem quem é o verdadeiro inimigo) costuma dizer em conversas reservadas: “se nós dependêssemos só da direção do PT, estaríamos perdidos; mas a direita e os tucanos não costumam nos faltar’”.

A direita não costuma nos faltar… Na eleição foi assim. O segundo turno começou e a eleição estava nas mãos do Aécio. “Ele só perde se errar muito”, me disse um amigo, ligado ao PSD de Kassab.

E Aécio errou. Mais que ele, a direita errou em bloco.

Errou de que jeito? Arrogância, prepotência… Eleitores tucanos de São Paulo – comandados por FHC  – saíram dizendo que o eleitorado da Dilma era formado por gente desqualificada. “Só Nordestino e ignorante vota nela”.

Ali, perderam a eleição.

O Nordeste poderia não ter votado em peso no PT. Pernambuco, sobretudo, estava em disputa. E lá se foram os arrogantes estragando tudo.

Depois teve o ‘leviana, leviana’…

Isso tudo levou para Dilma, também, um eleitorado do Sudeste (Rio, Minas e até São Paulo) – que está na bronca com o PT, mas entendeu bem quem estava do outro lado.

Bem, agora os tucanos repetem a dose. Eles não se aguentam.

Dilma começou o segundo mandato errando muito: desagradou seu eleitorado. Está sob ataque no Congresso, e na mídia.

E aí aparecem os tucanos: “vamos sangrar a Dilma”. E seus eleitores finíssimos, os paneleiros: “vaca, puta, ladra!”

Olha só: até quem não gosta da Dilma, nunca gostou, está ressabiado com esse clima de “esfola e mata”. A direita vai reunificar a base do governo nas ruas.

A batalha será dura. Estaria perdida – porque falta comando aos que se alinham não do lado do PT, mas contra o tucanato e a extrema-direita.

Mas a direita não costuma nos faltar.

Os golpistas – falando em volta dos militares e outras loucuras – vão levar muita gente pra rua no dia 15. Mas a força deles será também a fraqueza.

Já erraram a mão. Assustaram o povo moderado.

Aloysio vai continuar falando em sangrar a Dilma. Machão, era da ALN mas fugiu pra Paris quando o pau comeu na ditadura. Hoje se alinha com a extrema-direita.

Fico pensando o que acontecerá se algum desajuizado seguir o conselho do senador e achar que Aloysio também deve “sangrar”…

Esses tucanos… São Lacerdas desajeitados.

 

1 Comentário

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  1. - IP 191.222.118.6 - Responder

    Domingo é dia de fascista na rua. Que Sebastião não se esqueça do guarda-chuva… e não fale tanta asneira…

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