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SANDRO LUCOSE VALE POR TRINTA: Ator Sandro Lucose vive um esforço teatral, nesta quarta-feira, no palco do Teatro Universitário onde comanda espetáculo que dá vida a nada menos que 30 personagens em uma mesma peça. É a versão do Teatro Mosaico para o clássico “Peer Gynt”, de Ibsen.

E1A - 2 -- lucose como peer gynt

TEATRO
Sandro Lucose vale por trinta

Ator cuiabano, sozinho, domina a cena e recria todos os personagens de “Peer Gynt”, clássico de Henrik Ibsen, no Teatro da UFMT

JOÃO BOSQUO
DC ILUSTRADO DIÁRIO DE CUIABA

Sandro Lucose, vamos combinar, é abusado. Ele é o protagonista e também cada um dos coadjuvantes na peça “Peer Gynt”, de Henrik Ibsen, que está sendo encenada no Teatro Universitário que – ao que parece – abriu definitivamente suas portas. Nesta quarta, 21, é a última oportunidade, pelo menos nesta semana, de ver este tour de force teatral deste destacado ator cuiabano.
Não é um abuso? A peça de Henrik Ibsen, escrita no século 19, é um drama e tem perto de 30 personagens, e ao longo dos anos teve várias adaptações não só para o palco, como opera, musicais e para o cinema; agora chega no Teatro da UFMT nessa produção do Teatro Mosaico, com a renda revertida para a Associação de Amigos da Criança com Câncer de Mato Grosso (AACC/MT).
Nesta proposta de encenação, toda a ação é interpretada por Lucose que utiliza apenas o recurso do narrador-personagem, e que vai de um personagem para o outro, lançando mão dos recursos cênicos como música, figurinos e adereços, que estão camuflados no chão do palco e todas as mudanças de personagens, figurinos e adereços são realizadas diante dos olhos do espectador. Neste espetáculo, o ator-narrador rompe a quarta parede, a fim de interagir com a plateia.
A apresentação se desenvolve concomitante à execução musical, cuja música de Eduard Grieg, originalmente composta para acompanhar a obra de Ibsen, ajuda a construir a sua atmosfera mágica e emocionante, que vai evoluindo com a dinâmica da narrativa. Nesse compasso, os personagens vão surgindo e desaparecendo, em lapsos de segundos, mas conduzindo o imaginário do espectador que acompanha toda a vida do Peer Gynt, a partir de sua juventude.
Sandro Lucose, cuiabano que adora canjica, se diz um apaixonado pelo teatro, tanto que se bacharelou em artes cênicas pela Escola de Teatro do Rio de Janeiro e, em 1995, criou a sua própria companhia o Teatro Mosaico, ainda quando era estudante. Inicialmente a Mosaico era formada por atores, diretores e técnicos advindos de diversas regiões do país. Agora com sede em Cuiabá, o Teatro Mosaico é constituído exclusivamente por artistas mato-grossenses e mantém a mesma estrutura organizacional como em seu princípio.
Já passaram pelo Mosaico os atores Celso Gayoso, Daniela Leite, Genival Soares, Lilian Marques, Millena Machado, Venício de Souzza, André D’Lucca, Cleosmar Silveira, Danyellë Sardinha, Joana Seibel, Michelly Thomaz, Raquel Mützenberg e Thereza Helena.
Sandro Lucose, através do Teatro Mosaico, sempre teve a preocupação de realizar um trabalho extremamente elaborado e minimalista, fazendo questão de realçar e valorizar o que cada região brasileira tem de melhor. Agora, nesta quarta-feira, temos a oportunidade de conferir esse minimalismo em um texto clássico como o de Henrik Ibsen.
A sinopse nos conta que “Peer Gynt era um sujeito muito conhecido em sua região. Todos sabiam da sua fama de contar e exagerar as estórias, sempre repletas com voos mirabolantes, caçadas, capturas e muita fantasia. Por causa de suas fanfarronices e da sua má fama, Peer Gynt não era bem vindo nos lugares. A rejeição que ele sofre apenas o instiga a buscar outras paragens, para que ele possa construir e realizar os seus sonhos. Mesmo que isso signifique o abandono de sua mãe, de suas paixões e até mesmo fazer fortuna às custas do trabalho escravo alheio. Mas Peer Gynt paga um alto preço para tentar vencer na vida”.
Então fica combinado assim, nessa quarta, 19H30, no Teatro Universitário, vamos conferir o minimalismo de Sandro Lucose e ao mesmo tempo ajudar a AACC. O espetáculo é aberto para todos os públicos. Os ingressos custam R$ 30,00 (inteira), R$ 15,00 (meia) ou duas Latas de leite com suplemento (conhecido pela marca Sustagen).

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SANDRO LUCOSE NO CAMARIM NA PAGINA DO E

Macunaíma também nasceu na Noruega

ENOCK CAVALCANTI
Da Editoria DIÁRIO DE CUIABÁ

Peer Gynt não foi criado por Ibsen, este cioso dramaturgo norueguês que já foi descrito como o maior criador teatral, desde Shakespeare. Peer Gynt é um daqueles personagens que povoam o imaginário popular da Noruega, país bem distante, geograficamente, do Brasil. Mas, vejam só, a condição humana nos aproxima dos noruegueses. Eles não tem tantos negros como aqui, o carnaval é mais discreto e vivem em uma terra de gelo, ao invés desse calor tropical, mas há quem diga que Peer Gynt, que Ibsen transformou em poema épico, em 1868, é uma espécie de Macunaíma nórdico.

Sabe aquele cara sem nenhum caráter, que faz o que quer, quando quer, sem medir as consequências de seus atos? Ibsen se ocupou em contar um pouco das aventuras do Macunaíma norueguês da adolescência à velhice: irresponsável na juventude, vira um homem de negócios sem escrúpulos, envolvido com tráfico de escravos e de armas. Peer Gynt fica rico, perde tudo, dá a volta pelo mundo, sempre perseguindo o lema “basta-te a ti mesmo”. Na velhice, é claro, vem aquela parada obrigatória para reavaliar o próprio e insignificante legado.

Sandro Lucose, é claro, está longe de ser macunaímico. Mas, sem dúvida nenhuma, ele é épico, um ator épico que mergulha cada vez mais fundo na arte de representar, aqui e pelo mundo afora. No cenário vaporoso do teatro mato-grossense, tem evitado se engajar em espetáculos comerciais, como as encenações da “Paixão de Cristo” e construir um mosaico mais nobre para a arte teatral em nosso Estado.

Prestigiar o Peer Gynt de Sandro Lucose, no Teatro da UFMT, é prestigiar a face mais digna do teatro mato-grossense.

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