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SAMBA SEM CONVERSA FIADA: Raoni Ricci e o grupo Conversa de Botequim animam as rodas de samba em Cuiabá e miram o sucesso preparando primeiro CD

RAONI RICCI NA PAGINA DO ENOCKSamba sem conversa fiada

Raoni Ricci e o grupo Conversa de Botequim animam as rodas de samba em Cuiabá e miram o sucesso preparando primeiro CD

BEATRIZ SATURNINO
DO DIÁRIO DE CUIABÁ

Quando há choro e samba, o Conversa de Botequim rola solto na noite cuiabana. Neste ritmo bem brasileiro, animado e elegante, é que o grupo se apresenta e, com apenas três anos de formação, já prepara seu primeiro CD. Ao som do cavaquinho, do pandeiro, do surdo e do violão, o encanto se faz presente na união de vozes masculinas e femininas na interpretação dos clássicos do samba e, mais recentemente, com música autoral no repertório.

É quando a noite cai que a roda de samba se forma em bares e eventos particulares de Cuiabá, inclusive no interior de Mato Grosso, onde o grupo Conversa de Botequim arrasta o público a cair na graça do samba e do chorinho, embalado por clássicos como “O Mundo é um Moinho”, de Cartola, “Feitiço da Vila”, de Noel Rosa, “Meu Guri”e “Quem Te Viu, Quem Te Vê”, de Chico Buarque, entre outras vertentes.

O início do show vem carregado de choro, momento que valoriza os instrumentistas no aquecimento para o show. “O choro alinha no tempo e clima ideal para os músicos, como se estivessem entrando em campo com o samba”, define Raoni Ricci, que conduz o Conversa de Botequim soltando a sua voz de boêmio inveterado.

Há momentos breves de capela, bem como o esquenta com os instrumentos que ganham mais vida na pegada do chorinho, mas o ápice é a união da execução instrumental com as vozes.

O grupo Conversa de Botequim é formado por cinco integrantes, com Andrea Rosa, no cavaquinho e voz, Juliane Grisólia, no pandeiro e voz, Rodrigo Rocha, no surdo e voz, Alex Sete Cordas, no violão, e Raoni Ricci com a voz e a composição das músicas.

Está em sua segunda formação. Criado em 2012, por iniciativa de Rodrigo Rocha e Andrea Rosa, que tocavam na casa de eventos Choros e Serestas, o “Chorinho”, junto com a velha guarda, sentiram a necessidade de criar um grupo que representasse a nova geração de músicos cuiabanos.

Então formaram com o Picachu, no vocal e pandeiro, e o Tony Maia, no piston, o grupo Conversa de Botequim, uma reverência ao célebre samba de Noel Rosa, um dos principais nomes na história do samba brasileiro, por sugestão de Andrea. Depois entraram Raoni e Alex com a saída destes dois últimos.

Além dos clássicos do samba, também cantam a nova geração, como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Toninho Gerais e Diogo Nogueira, em três horas, com 25 minutos de intervalo para descontrair com o público.

Num momento de compor músicas próprias, o grupo já possui seis músicas autorais, em que estão sendo trabalhados os arranjos, duas estão prontas e já são tocadas nos shows.

Uma delas é “Surdo e Cavaco”, que fala sobre a história de um casal que se conheceu na roda de samba, tinha tudo a ver, que parecia ser um casal perfeito, mas em função de “conversa fiada” e intrigas de falsos amigos acabaram deixando escapar por entre os dedos um relacionamento que tinha uma história bonita. A outra é “Te Entreguei”, que é uma música que Raoni fez em homenagem a esposa dele. Inspirações que vem de histórias de amigos, conversas e cenas que ele presencia nas rodas de samba.

É geralmente numa manhã de domingo, antes da família acordar, que a produção começa. Apoiado de um violão, sem papel e caneta, constrói as frases decorando e a música se encaixa com o som das cordas. “Eu nunca escrevi a música no papel para depois musicar. O processo de criação é junto do violão e da voz. Algumas letras surgem no decorrer da semana, no carro, ou no trabalho. Daí eu pego o celular e gravo a letra para depois criar em casa”, diz Raoni.

Apenas Juliane sobrevive da música. Enquanto Raoni é jornalista, o Rodrigo trabalha com vendas de automóveis, o Alex é policial militar e a Andrea é bancária.

O jornalista e músico lamenta o cenário, e diz que sobreviver da música em Mato Grosso ainda é um desafio, especialmente quando se fala de choro e samba. ”Porque hoje o grande público é incentivado a ouvir o que toca nas rádios e nas televisões, que é basicamente o sertanejo universitário e o axé music. Nós respeitamos muito esses gêneros, mas entendemos que existe uma competição desigual no mercado”.

Por ser novo no mercado, o grupo ainda não pleiteou investimento, mas agora com a produção do CD talvez seja o momento de buscar amparo com o poder público.

“Mato Grosso é rico em sua cultura e existem muitos artistas e grupos organizados há décadas, que conseguem e sempre conseguiram recursos de forma honesta, mas existia um sistema viciado na Secretaria de Cultura do Estado que beneficiou poucos e prejudicou muitos”, comenta Raoni.

As músicas do grupo comanda por Raoni Ricci podem ser ouvidas no Youtube, pelo canal Raoni Ricci, e o trabalho do grupo e agenda podem ser conferidos pelo Facebook no perfil Conversa de Botequim. Contato para shows pelo telefone (65) 9972-4848.

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