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SAÍTO reflete sobre a paciência. “Ingratos, não temos tido muita paciência. Vejam os vândalos que apedrejam, os mascarados, os black boys, a midia ninja, por que não esperam, munidos de paciência, as eleições que se aproximam?”

Gonçalo Antunes de Barrosa Neto, juiz em Mato Grosso, conhecido pelos amigos como Saito

Gonçalo Antunes de Barrosa Neto, juiz em Mato Grosso, conhecido pelos amigos como Saíto

Paciência …
Por GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO  – SAÍTO

 

A lógica do futebol, se é que tem lógica, parece ser daquela em que a sorte, o lance imprevisto, o impossível, faz ganhar da verdade. A verdade, se também existe no futebol, é contextualizada, às vezes pequena, às vezes grande. Mas a lógica e a verdade são mensuráveis? Dizem os antigos, os apaixonados por Garrincha, que ele quebrava os paradigmas, até da física, da gravidade, das teorias de Newton.

E as senhoras chiques, as grã-finas? De toca em toca se escamoteia o banho nos cabelos. Vale muito mais um cheiro duvidoso que um cabelo despenteado. E elas, chantageiam a verdade, flertam com a hipocrisia? Em inconfessáveis estímulos, poetizam o nada, o vazio, os circuitos neurais. Como é novo o passado antigo.

Mas em verdade, e sem chance a trocadilhos, estamos combinados, leitores, em refletir sobre a paciência. Esta, sim, comove. Outro dia li em algum lugar, que para ser feliz se deve renunciar. É, renunciar. Não é paradoxo, não. Felicidade e renúncia, para a alma humana, são iguais. Renunciar a certos amigos, a um determinado estilo de vida, ao álcool – apesar do poetinha Vinicius ter advertido que a vida só é boa após a segunda dose. Chegou-se à conclusão que se deve abandonar, à mingua se preciso for, aquelas pessoas problemáticas, intragáveis. Faz bem, e completam: ao espírito humano. Dúvida se é espírito por ser humano ou é humano por ser espírito, ninguém ousa discordar. Aqui com meus botões, o ser é bom, apesar do criador? Ou o ser é bom, por ser parte do criador? Como é antigo o tempo presente.

Certa vez ouvi de uma dama chique, aliás, chiquérrima, que o politicamente correto é divinal. Pensei: a igreja deve ter mudado pela comédia da vida, do politicamente correto, pelo abandono doloso dos anéis. A salvação não está no corpo, mas salvem-no. E tive paciência, modesta, mas tolerante. Para o politicamente correto é possível paciência sem tolerância. Tudo é possível, desde que haja concordância social. E, pacientemente, ouvi, sem exagero, com a maior tolerância.

A paciência está, assim, numa espécie de limbo farisaico. Por que não tê-la quando as operadoras de telefonia te ligam, repetida vezes, para oferecer-lhe planos? O objeto comprado, estragado, impróprio para seu destino? O plano de saúde que te deixa na mão na hora em que mais precisa? Tenha paciência, também se a indenização for de contos de réis. Paciência, mesmo após Freud ter concluído que o ego obedece ao princípio da realidade, ou seja, à necessidade de encontrar objetos que possam satisfazer ao id sem transgredir as exigências do superego. Tolere, sempre. Se Josué fez o sol parar, a fim de que, com o prolongamento do dia, pudesse vencer a guerra, e foi poderoso instrumento de Deus, paciência.

Marx foi paciente, apenas disse que a religião era o ópio do povo. Não embruteceis, mantenha a ordem das coisas como estão, pois, daqueles que sofrem será o reino dos céus. Não a subverta, temos a Xuxa, o Faustão, Silvio Santos. Já tivemos até um Chacrinha, uma Hebe Camargo, anátemas da alegria de todos, risonhos personagens da vida, panaceias dos males. Ingratos, não temos tido muita paciência. Vejam os vândalos que apedrejam, os mascarados, os black boys, a mídia ninja, por que não esperam, munidos de paciência, as eleições que se avizinham? Moisés, Joana D’arc, Robespierre, Zumbi, Ganga-Zumba, Tiradentes, Gandhi, Martin Luther King, enfim, não são os loucos e masoquistas que fazem a história, são aqueles polidos, do politicamente correto. Nem a flatulência de hora os faz sentir o odor. E têm… ah, se tem.

 

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO,  é juiz de direito, membro das Academias de Magistrados e de Direito Constitucional de Mato Grosso, e escreve aos domingos em A Gazeta. E-mail: antunesdebarros@hotmail.com.

12 Comentários

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  1. - Responder

    Bela reflexão filosófica!

  2. - Responder

    Interessante abordagem. Operadores do Direito muitas vezes procuram somente decorar regras positivadas, e esquecem de buscar sensibilidade e sabedoria de vida…

  3. - Responder

    Gostei do texto. hj vivemos num mundo hipocrita materialista e sem paciencia

  4. - Responder

    Texto rico em pensamento critico

  5. - Responder

    E o pior que tem mesmo!kkkkk

  6. - Responder

    De fato hipocrisia, materialismo e falta de paciencia estao em evidencia nos dias atuais, cada vez mais

  7. - Responder

    Zzzzzzzzzzzzzzzzzz!-! Dormi no segundo parágrafo,,,,,

  8. - Responder

    E o que é paciência?

    É a Inércia? O fruto da ilógica maneira de nós, brasileiros privilegiados, sermos cada vez mais indiferentes aos acontecimentos políticos que martirizaram e continuam a martirizar a dura realidade daqueles excluídos, aqueles, filhos do cunhadismo, mestiços sem pátria, sem pai, sem mãe nação…sem M….no C…!

    Ou é a lógica calma de saber o momento exato de agir?

    E, se for isto, será tão somente nas eleições?

  9. - Responder

    Nao entendi. O Dr é contra ser chique. Mais um esquerdista. Acho que o que vale é o trabalho, nem todos sao iguais. Não gostei. Escreve bem, mas é debochado. Os outros que nada tem deve é trabalhar, ser empresário, ganhar dinheiro.

  10. - Responder

    Esse texto realmente nao eh p qq um. Uns dormem,, outros se incomodam….

  11. - Responder

    Se tivéssemos mais filósofos juízes e menos juízes o mundo certamente seria mais impaciente.
    Fui aluno de Saíto quando ele estreou na UFMT em Direito Internacional e sempre o admirei pela simplicidade.
    E como aluno e militante impaciente, aí vai em homenagem a Saíto.

    Quando os trabalhadores perderem a paciência – (Mauro Iasi**)

    As pessoas comerão três vezes ao dia
    E passearão de mãos dadas ao entardecer
    A vida será livre e não a concorrência
    Quando os trabalhadores perderem a paciência

    Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
    O trabalho deixará de ser um meio de vida
    As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
    Quando os trabalhadores perderem a paciência

    O mundo não terá fronteiras
    Nem estados, nem militares para proteger estados
    Nem estados para proteger militares prepotências
    Quando os trabalhadores perderem a paciência

    A pele será carícia e o corpo delícia
    E os namorados farão amor não mercantil
    Enquanto é a fome que vai virar indecência
    Quando os trabalhadores perderem a paciência

    Quando os trabalhadores perderem a paciência
    Não terá governo nem direito sem justiça
    Nem juizes, nem doutores em sapiência
    Nem padres, nem excelências

    Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
    Sem que o humano se oculte na aparência
    A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
    Quando os trabalhadores perderem a paciência

    Quando os trabalhadores perderem a paciência
    Depois de dez anos sem uso, por pura obscelescência
    A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
    “declaro vaga a presidência”!

  12. - Responder

    Graças aos céus a paciência acabou antes das urnas ‘muito mais’ que eletrônicas serem novamente ligadas – ligadas àquele certo computador que opera aquele determinado programa ‘politicamente correto’. Hoje explode a notícia que o STF abraçou a ministra Carmem Lúcia em comunhão daquilo que pretende ser o ultimo ato do enterro da rebeldia que se insubordina exigindo o comprovante impresso da máquina virtual, mas irá, ao contrário provocar o necessário vandalismo a esse sistema eleitoral devassado e desvendado apesar das togas e outras tantas flatulências presas embaixo dessa colcha de retalhos…

    Em tempo – Continue jogando filosofia aos porcos Dr…não desista…alguns poucos sabem ler…e ensinarão aos outros. Chic é quebrar todo o chiqueiro e libertar os porcos…

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