PREFEITURA SANEAMENTO

SAÍTO prevê que Mato Grosso e o Brasil terão um ano de muitos questionamentos sociais. E torce para que terminemos 2014 mantendo incólume o processo eleitoral democrático. E, para os contendores, cita orientação deixada por seu pai, Gilson de Barros: “se ganhou a briga, por que humilhar o adversário?”

Gonçalo Antunes de Barros Neto, juiz de Direito em Cuiabá, Mato Grosso, conhecido pelos amigos como Saíto

Gonçalo Antunes de Barros Neto, juiz de Direito em Cuiabá, Mato Grosso, conhecido pelos amigos como Saíto

Caminhando e cantando, as flores estão alegres

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO
Entramos em 2014 com uma certeza, será um ano de muitos questionamentos sociais. Num ano eleitoral permeado por Copa do Mundo, denúncias, dossiês e eclosões associativas, com a sociedade historiando seu destino em tempo real, conectada, o caldo será de pouca calmaria. As águas se turvarão. Começamos com o movimento denominado “rolezinhos”. Terminaremos sabe lá como, rogamos que seja com um (ou uma) presidente legitimamente eleito (a), mantendo-se incólume o processo eleitoral democrático.

Os movimentos sociais preparam uma grande batalha, os sindicatos, os sem terra, os sem teto, e mais os sem tudo, se voltarão e encontrarão no grito, há certo tempo abafado, a expressão de suas certezas. A classe média, mais uma vez, será chamada para vê, e não para crê, somente, mas para dar seu testemunho, direção a um sentimento que se agiganta nas ruas. Nunca o país precisou tanto de seus teóricos como agora. O dar sentido a algo crescente já tarda de tempo.

A história costuma ser implacável com aqueles que surfam na onda dos acontecimentos, sem apreendê-los pela consciência crítica. Winston Churchill quase pôs à prova a aliança contra o eixo na Segunda Guerra Mundial quando mandou bombardear a frota francesa no norte da África, temeroso que caísse em mãos alemãs. E a água, de turva, só não enlameou de vez em razão de Hitler ter ordenado, na sequencia, o ataque ao sul da França. Errou também, e os aliados puderam contar novamente com os franceses.

A ofensiva por aqui e em nosso tempo é de dimensão bem menor. O que há a ser considerado é que não existe inimigo no horizonte e que se possa segurar aos safanões, bem ao temperamento dos que sempre utilizaram das forças de poder para mantença dos próprios privilégios. O que se tem é uma ideia, ou várias, capitaneada por um forte sentimento de contestação. É preciso desvendá-lo, teorizar sobre ele, conhecer suas nuances e agir com precisão científica, senão…
Pobre de um país que não honra seus pensadores. São imprescindíveis no gerenciamento de crises político-sociais. É preciso dar identidade aos jovens, segurança e vazão para a energia que carregam. Não lhes oculte da singular natureza. A explosão, no derradeiro, é incalculável. Perguntar-lhes com simplicidade e clareza – o que querem?- é começo, parte, portanto, da solução. Não se utilize da arrogância, do despreparo, isso que aí se agiganta exige mentes calejadas. E a temos, com certeza. Platão implorou pelo Estado comandado por sábios. Não se vai a tanto, basta colocá-los em alerta.
Lembro-me do conselho paterno, se ganhou a briga, por que humilhar o adversário? E parece que vale para os de agora privilegiados. Não fizeram a necessária leitura dos acontecimentos do século XVIII, lá na Revolução Francesa. A decapitação é o caminho do luxo, da falta de senso humanitário, da indiferença. Ensinou-se o chique, a moda, as marcas, a vaidade, a ostentação. Agora, não mais se intimidam, negam-se a aceitar a Casa Grande e sua metáfora. Querem ser iguais, felizes com o padrão que aprenderam.

Daqui, do meu ninho que penso indevassável, busco não perder a paz. A garotada a quer. Somente isso. É por aí…

 
GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO, é Juiz de Direito em Cuiabá, Mato Grosso, e escreve aos domingos em A Gazeta (e-mail: antunesdebarros@hotmail.com).

2 Comentários

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  1. - IP 177.4.189.142 - Responder

    Dito certo popular… está morto deixa urubu comer… mas o ser humana por natureza gosta de humilhar, guspir, pisar, patrolar deixa prá lá….

  2. - IP 200.103.94.55 - Responder

    Antes a preocupação dos democratas era impedir que um cidadão que cometesse um crime recebesse a pecha de inimigo da sociedade. deve-se punir o fato, não demonizar o autor, que deve ser ressocializado. a coisa piorou: hoje, o direito penal do inimigo já elege o inimigo sem mesmo identificar o crime….
    Os ricos já são vencedores, mas não contentam. A vocação capitalista, para cumprir sua saga, precisa humilhar os pobres.

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