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Saíto lembra o filósofo francês Émile Durkheim e sua tese sobre solidariedade mecânica e orgânica

 
por GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – O SAÍTO
Em tese de doutoramento intitulada ‘De la Division du Travail Social’, Émile Durkheim, idos de 1893, discorre sobre a interação social dos indivíduos.O aforismo social tenta revelar o que faz a unidade, estabilidade e continuidade das relações entre humanos no trabalho.
Conforme a perspectiva ‘durkheimiana’, existem dois tipos de solidariedade neste campo: a mecânica e a orgânica.A primeira, é das sociedades que se organizam em clãs ou tribos, com os mesmos desejos, pensamentos e crenças.
Nestas, conhecidas como “arcaicas” ou “primitivas”, a comunhão é verdadeira, não havendo o predomínio de competições desnecessárias.
O indivíduo tem consciência do próprio valor, não havendo espaço para sentimentos menos nobres, como a inveja, por exemplo, sentimento destruidor de relacionamentos sociais.
A subsistência do grupo possui maior importância, sob a máxima de que “uma mão lava a outra”. A ação é em prol da aliança, sempre, o bem de um é o bem de todos.
A outra, solidariedade orgânica, é a predominante nos agrupamentos mais “modernos” ou “complexos”.  Aqui, o individualismo é visível, já que o capitalismo floresce.
Em tempos de “salve-se quem puder”, não há compartilhamento de valores, crenças e interesses.
Acontece a divisão do trabalho, e, para cada qual, é inimaginável a repartição de problemas, sendo o nome “solidariedade” utilizado apenas formalmente.
Qualquer forma de coesão, neste particular, acontece puramente com o fito de garantir a própria permanência no trabalho.
Trasladado para os nossos dias, é possível perceber as duas formas de solidariedade no meio laboral.
O predomínio da mecânica faz o ambiente extremamente agradável, onde os trabalhadores e trabalhadoras acolhem com facilidade.
O carinho com o trato pessoal é visível, acompanhado de sorrisos discretos de felicidade.
Quando a orgânica é a tônica da organização, nota-se o temor e dificuldade em estar no desempenho do trabalho, com horas, minutos e segundos contados para o fim do dia.
O dirigente, na verdade, é o algoz. A vitória alheia é quase uma ofensa pessoal.
Aqueles e aquelas responsáveis por administrar o trabalho, seja público ou privado, possuem a responsabilidade de escolher o tipo de execução de trabalho anseiam.
A aliança perfeita é formada sem que os envolvidos e envolvidas sequer se deem conta.
A escolha é do chefe, mas o lombo é dos demais.

 

É por aí…

 

Saíto, dito Gonçalo Antunes de Barros Neto, é magistrado e professor em Cuiabá, Mato Grosso

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